segunda-feira, 25 de agosto de 2014

NIEMEYER

O arquiteto Oscar Niemeyer morreu em dezembro de 2012, com 104 anos, se não me engano. Embora considerado gênio por alguns, tinha também quem o criticasse. E com razão.

Por fora, as obras que projetou são lindíssimas; por dentro são uma tranqueira só. Quem duvidar disso, que entre em um apartamento do Edifício JK. Mas isso passou, já é parte da História.

Como sou apenas um ociólogo, o objetivo deste post é esclarecer uma questão relacionada à longa vida do arquiteto. Antes de mais nada, é importante destacar que ele era ateu. Então, a resposta à pergunta “Por que o Niemeyer morreu com 104 anos?” é simples: Problemas relacionados à fé (ou à sua falta), só recentemente resolvidos. É verdade!

Quando ele estava com uns noventa e tantos anos, já morre não morre, Deus e o Diabo tiveram um pequeno bate-boca por sua causa. E Deus falou assim:

-   No Céu, esse cara não pode entrar! Ele não crê em mim!!

O Diabo, lá do Inferno, retrucou:

-   Nem fodendo que ele entra aqui, ele também não acredita em mim!

Aí ficou aquele jogo de empurra celestial, o tempo passando, até que se chegou a um acordo: ficou estabelecido que sua alma ficaria em uma das obras que projetou; mais precisamente, no Centro Administrativo de Minas Gerais, só para ele aprender, só para ele sentir o peso da goiaba.

P.S. Foi um passarinho que contou essa história, um passarinho com poderes mediúnicos, conhecido por Tico-Tico Xavier. (essa piada sensacional, a melhor do texto, é do meu filho).


domingo, 24 de agosto de 2014

ZULU

Quando o Papa Francisco esteve no Brasil, em 2013, todos os católicos se agitaram e se alegraram com sua visita ao país. Entre eles, eu.

Talvez por causa disso, o Zulu, meu “neto” canino parece ter tentado se converter ao catolicismo. Verdade! 

Tinha uma cruzinha de madeira do Encontro de Jovens dando sopa em cima de um armário, na coberta onde ele costuma ficar. 

Aí, ele "crau" (só achei a cordinha e um pedacinho de madeira preso a ela). Tudo bem que não é hóstia, mas acho que valeu a intenção.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

ANALFABETOS VOLUNTÁRIOS – J. R. GUZZO

A revista VEJA tem dois articulistas que eu admiro muito. Os artigos de Roberto Pompeu de Toledo e J. R. Guzzo são sempre ótima e prazerosa leitura - os textos são sempre elegantes, o assuntos são sempre pertinentes e o estilo é muito, muito bom.  Como esta seção destina-se a divulgar textos e poemas de escritores que eu reverencio, nada melhor que começar com a transcrição de parte de um artigo publicado na VEJA n° 2377, de 11 de junho de 2014. O autor é J. R. Guzzo, um mestre. 
Se alguém se interessar em ler o artigo completo, eu direi delicadamente: vá consultar o site da revista, pô! É isso.

Caso você esteja entre a multidão que nunca lê um livro, ou uma frase com mais de 140 toques, e nunca escreve nada mais longo do que isso, aqui vai uma notícia interessante: você é um analfabeto. Eu? Sim, você mesmo. É uma pena; infelizmente, também é a verdade. Tanto faz que tenha se formado na universidade, seja um alto executivo multinacional ou nacional, disponha de um certificado de "celebridade", por ser top model ou alguma coisa "famosa", possa utilizar 150 "apps" no seu celular, conte com 1000 amigos no Facebook e, em casos extremos, tenha até sido presidente da República. O indivíduo que nunca lê nada é uma vítima do analfabetismo - vítima voluntária, certo, mas analfabeta do mesmo jeito. (...)
 Na verdade, vigora hoje em dia um desprezo ativo pela leitura - um "porre", tanto maior quanto menos recentes são os autores. Se você já leu um livro de Eça de Queiroz, por exemplo, é melhor não ficar contando isso por aí - corre o risco de ser considerado um mala, e ainda por cima metido a besta. Escrever, então, pode ser até pior. A carta, em que as pessoas aprendiam a se expressar, transmitir emoções e juntar uma ideia com outra, é hoje um objeto extinto. Foi substituída por e-mails cada vez mais subnutridos, áridos e sem alma; um operador de código Morse escreveria com estilo melhor. (...)

Será que abolir da vida a imaginação e a curiosidade, como tanta gente está fazendo, torna as pessoas mais inteligentes, produtivas ou eficazes?

Todas as vezes em que você perceber que está ao lado da maioria, é hora de fazer uma pausa e pensar um pouco.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

TE CUIDA, GUTENBERG!

"The times they are a-changin’’, disse um dia o Bob Dylan (essa é uma frase totalmente desnecessária e foi colocada aqui só de frescura).

Em um tempo onde as redes sociais arrebanham mais de um sexto da população alfabetizada mundial, os costumes têm mudado muito rápido e certamente mudarão mais ainda. Por exemplo, a forma de expressar-se por escrito: muita coisa do que rola nos facebooks da vida é uma lástima. Por descuido, displicência ou ignorância sai cada tijolada que é duro de aguentar. E olha que eu nem participo de nenhuma das redes existentes (sou do tempo da comunicação por tambor ou sinais de fumaça)!

Recentemente, li uma frase que terminava assim: “tem que ri”. Analfabetismo funcional da melhor qualidade, lógico. E o que me entristece é a certeza de que esse tipo de erro não é resultante de falha na digitação, mas de falta de leitura mesmo. 

Fico pensando que, se um dia acabarem os livros impressos em papel, o coitado do Gutenberg vai girar tanto no túmulo que seus “vizinhos” vão passar a chamá-lo de “Hélice” (essa piada – ótima – não é minha).

Independente do que acontecer, o vocabulário corrente tem mudado. E se algumas palavras estão meio esquecidas o mesmo pode estar acontecendo com expressões e ditados da chamada “sabedoria popular”. Pensando nisso, resolvi dar minha contribuição para a revitalização dessas frases (com a ajuda de meus filhos, lógico). E saiu isso:


VERSÃO ORIGINAL
VERSÃO ATUALIZADA
Para bom entendedor, meia palavra basta.
Para bom entendedor, setenta caracteres bastam.
Família só é bom em porta-retratos
Família só é bom em álbum do Instagram
Uma imagem vale mais que mil palavras
Um Pinterest vale mais que mil tweets
Minha vida é um livro aberto
Minha vida é um Facebook desbloqueado
“Itabira é só um retrato na parede, mas como dói!” (Carlos Drummond de Andrade)
“Itabira é só uma foto no Instagram, mas como dói!”

domingo, 17 de agosto de 2014

ORAÇÃO, FRASE OU PERÍODO?

Eu preciso mais de Deus do que ele de mim

FÍSICA
Ainda que contrariados em suas crenças, nem os ateus escapam desta realidade: após a morte, somos todos eternos. Pelo menos, no nível sub-atômico...

À TOA
Ateu é foda, vive sempre falando de religião (contra, a bem da verdade), sempre dando um jeitinho de botar sua "fé"(?) em pauta. Eu respeito integralmente o direito desse pessoal de se expressar, mas, em se tratando de religião, sinto-me mais autorizado a falar. Afinal, eu (ainda) tenho uma!!

DEDICADO AOS ATEUS, AGNÓSTICOS E SIMPATIZANTES
Acredito que sofra de uma forma branda de TOC, pois tenho alguns assuntos recorrentes, algo assim como cometas, que volta e meia fazem uma órbita em minha "ensolarada" mente. Para alguns (99,9999%), TOC significa Transtorno Obssessivo-Compulsivo. Mas, pelo assunto a ser abordado, pode também ser entendido como Teologicamente Odioso aos Crentes - ou Cristãos (já fodeu!). Por conta desse TOC, vira e mexe o assunto "religião" me vem à cabeça. Daí surgiu este pensamento:

Ateu é o sujeito que acredita na descrença.

sábado, 16 de agosto de 2014

TOP CHEF

-     Aquele gatinho está me olhando!

-     Pode esquecer. É  gay.

-     Você conhece?

-     Não, mas está na cara.

-     Como é que você pode falar uma coisa dessas?

-     É só olhar a roupa: é tão justa que só cantor sertanejo tem autoridade moral para usar. E, assim mesmo, só em show.

-     Não fala assim! Ele está super bem vestido!

-     A roupa está mais colada no corpo que pintura corporal de BBB_aranga.

-     Você é a mãe do preconceito! Ele continua olhando...

-     Deve estar com inveja do seu brinco.

-     Ah, para!

-     Por falar em apara, a barba dele é aparada igual à do George Michael. Gay, lógico.

-     E o amigo que está com ele?

-  Amigo, não. Pegante. Quando deu uma golada naquela mistura de chá de losna, groselha e álcool, deu um arrepio tão grande que dava para congelar até a bunda dos pinguins de Madagascar.

-     Ô cascavel! Se morder a língua...

-     Olha só, ele fez agora um gesto tão delicado com a mão que parecia estar regendo o "Noturno" de Chopin.

-     Chopin? Vai ver, ele é maestro.

-     Se é maestro, eu não sei, mas brinca com a batuta...

-     Amiiiga!!! Ele tem um jeito tão viril!

-     Só se for “viril de costas”, porque ele vira.

-     Credo!...

-     Vai por mim, é gay.

-     Ai! Você tinha razão! Ele acabou de fazer um cafuné na nuca do pegante!

-     Eu tenho olho clínico...

-   Está mais para olho cínico! Agora, só falta você falar para eu dar pro garçom!

-     Porque garçom? Pro Chef é melhor – se for novinho, lógico.

-     Que que tem uma coisa com a outra?

-     Chef é quem entende de comida boa...

-     Taí, vamos conhecer a cozinha?

-     Bora!


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

UM HOMEM DE CONSCIÊNCIA – MONTEIRO LOBATO

Alguns dos melhores momentos da minha infância e pré-adolescência eu passei lendo os livros infantis de Monteiro Lobato. Hoje, quando ouço falar de críticas a esses livros por seu conteúdo "racista", eu tenho vontade de vomitar.

Só falta alguém propor que sejam reescritos ou que sejam retirados os trechos que "ofenderam" algum leitor mais sensível (e ignorante). É claro que se isso vingar, a cada década, qualquer livro de qualquer autor poderá ser submetido à revisão e nova censura, nova crítica, até que nada mais reste da obra original. Espero já estar morto se isso um dia acontecer. Mas, voltemos ao inofensivo Lobato.

Os assuntos eram os mais variados e, podem acreditar, muito instrutivos, sem ser cansativos. Exemplos: Viagem ao céu; História do mundo para as crianças; Emília no país da gramática; Aritmética da Emília; Geografia de Dona Benta; História das invenções e muitos outros.

Para mim, o mais interessante de todos os infantis é “A Chave do Tamanho”. O tema é o seguinte: a Emília decide ir a algum lugar onde estão as “chaves” que controlam tudo, para desligar a "chave da guerra" (esse livro foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial). Como ela era muito pequena e os "disjuntores" ficavam lá no alto, ela erra a mão e, em vez da chave da guerra, desliga quase totalmente a chave do tamanho, fazendo com que toda a humanidade fique reduzida a uma altura menor que a de um passarinho, se não me engano. Creio que as pessoas são confundidas com "baratas descascadas". Esse livro é uma viagem!

Como a ideia da reverência não é colocar textos muito longos, eu tive de apelar para um conto bem pequeno, extraído do livro “Cidades Mortas”, que é literatura para adultos. Mas o sujeito "chutava bem com os dois pés", era um craque. Olhaí.


Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro.

Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos queriam: mudar-se para terra melhor.

Mas João Teodoro acompanhava com aperto de coração o desaparecimento visível de sua Itaoca.

– Isto já foi muito melhor, dizia consigo. Já teve três médicos bem bons – agora só um, e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca está se acabando…

João Teodoro entrou a incubar a ideia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível.

– É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada de nada, então eu arrumo a trouxa e boto-me fora daqui.

Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada…

Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado – e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!

João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada, botou-as num burro, montou no seu cavalinho magro e partiu.

Antes de deixar a cidade, foi visto por um amigo madrugador.

– Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens?

– Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.

– Mas como? Agora que você está delegado?

– Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. Adeus.


E sumiu.

13/08/2014

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...