sábado, 16 de maio de 2026

AINDA PROCURANDO UM APELIDO

 
Cada vez mais eu me convenço de que raramente ou nunca terá a segunda chance de causar uma primeira boa impressão na gata de seus sonhos o infeliz que se chama José. Podem rir os insensíveis, mas é verdade.
 
Pensem bem, qual a chance do sujeito ser chamado de “Jósé” ou “Jusé” de forma carinhosa pela mulher que deseja e ama? Impossível! Basta um segundo para já ser chamado de Zezinho, Zezito ou o genérico Zé. Esse cara sou eu!
 
Na adolescência morando em uma casa que não tinha telefone, eu me martirizava imaginando atender o inexistente aparelho, ouvir a pergunta clássica: "Quem está falando?” e ser obrigado a responder: “É o Zé”. E quando a neurose estava mais descontrolada, ainda imaginava a voz do outro lado perguntando “qual Zé?”, como houvesse mais de um morando ali. Pensando bem, o nome de meu avô era Francisco José, mas só era conhecido como Chico ou Chiquinho, jamais o insípido José.
 
Tá rindo? Esse medo neurótico era real. Fico até pensando que se tivesse sido paciente do Sigmund Freud ele teria ampliado seus estudos ao descobrir em mim uma telefonofobia, ou mesmo a existência de uma nova síndrome, provocada pela necessidade de dizer “alô”. Pegaria até bem chamá-la de “alôndrome”. Talvez assim eu ficasse famoso, com nome em publicações científicas - mesmo que associado a distúrbios psiquiátricos
 
Continua rindo, né, palhaço? Pois eu continuo minha pesquisa para encontrar um apelido digno e carinhoso, diferente dos clássicos “Mozão” e “Xuxu” (o amor tem uma tendência a resvalar para a breguice). Por ter um blog muito bem frequentado, cheguei a pensar no eletrônico “e-Zé”, mas soou caipira demais, confundido que seria com "Izé" (“- Izé, vem cá!”). Aí eu pensei em criar um nicname (isto é só para irritar os puristas) associando as duas primeiras letras do meu nome completo, que é como todos sabem, José Botelho Pinto Coelho (“ah, como era grande!”).
 
E é este cuidadoso estudo que submeto aos leitores que quiserem me ajudar. A coisa fica assim:
José com Botelho: JoBo; José com Pinto: JoPi ou Jopin; José com Coelho: JoCo ou JoCó.
Segunda opção: Botelho com José: BoJo; Botelho com Pinto: Bopi ou Bopin; Botelho com Coelho: BoCó ou BoCo.
Terceira opção: Pinto com José: PiJó ou PinJo; Pinto com Botelho: PiBo; Pinto com Coelho: PiCo.
E finalmente, a última versão: Coelho com José: CoJo; Coelho com Botelho: CoBo, Coelho com Pinto: Copi ou Copin.

Ou seja, vai ser ruim de nome assim lá na PQP! E o prenome de traz para a frente também fica uma merda (Esoj). Mas desgraça mesmo seria dobrar as duas primeiras letras: BoBo, PiPi ou PinPin e CoCo, CoCó ou Cocô. Aí já dá até ameaça de enfarte.
 
A última chance seria JoJo, nome de um personagem da música Get Back, dos Beatles: JoJo (Jojo was a man who thought he was a loner...). Mas JoeJoe não pode, pois um sobrinho (que nem se chama José!) teve essa ideia antes. Por direito de primogenitura onomástica, JoeJoe fica com ele.
 
Sem sacanagem, apesar de estar no ocaso da minha vida, estou pensando em encarar a burocracia e mudar meu nome para Alain Brad, referência explícita aos ícones da beleza masculina Alain Delon e Brad Pitt. Foda seria se algum filhadaputa começasse a me chamar de Alambrado.
 
Em resumo, dura é a vida de um José puro, on the rocks!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

AINDA PROCURANDO UM APELIDO

  Cada vez mais eu me convenço de que raramente ou nunca terá a segunda chance de causar uma primeira boa impressão na gata de seus sonhos o...