quinta-feira, 14 de maio de 2026

TRAPEZISTA


Um dos maiores perigos
Pra quem resolve aceitar
Sair de seu seguro abrigo
Que é nunca se apaixonar,
 Ficar solitário, escondido
 
É perder essa aventura –
Talvez se possa dizer a ventura
Pois nada disso conta
Quando se sente de amar a doçura
Para quem se joga e se arrisca
 
Sem pensar, se importar, refletir
Que o risco maior é perder, é cair
É não mais ser correspondido
Tornar-se pedinte, um mendigo
Esperando que volte o amor antigo
 
Mas quase nunca tem volta
E viver com isso é um castigo
A certeza de saber ter vivido
O Amor, o melhor dos sentidos
Com a coragem do trapezista
 
Que enfrenta com gosto o perigo
Sem asas para voar
Pois sabe que essa é a sina
Inevitável, talvez dolorida
De quem se dispõe a amar


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