quinta-feira, 19 de março de 2026

TÔ ERRADO?

 
Se eu soubesse que vc iria me tratar dessa forma após casar eu que não queria casar
Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa
Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa
Como toda mulher casada deve ser.
 
Gostou deste diálogo? Quer saber as regras que uma “fêmea beta obediente e submissa precisa seguir?
 
- Não cumprimentar homens com beijo no rosto e abraços
- Lugar de mulher é em casa cuidando do marido e não na rua caçando assunto
- Rua é lugar de mulher solteira a procura de macho.
 
Eu adoro a vulgaridade do uso das palavras “macho” e “fêmea” para animalizar o contato humano. Mas se ainda não ficou satisfeito, aqui vão ponderações cheias de sensatez e equilíbrio:
 
Enquanto vc estiver casada comigo e vivendo na minha casa, na minha comanda, as coisas serão do meu jeito... Mulher casada comprometida e que o marido é o único provedor do lar tem regras a cumprir
- Se você quer ter liberdade, não fique casada
- são as minhas regras e do meu jeito.
 
Só para esclarecer: essas doces palavras foram obtidas a partir da quebra de sigilo do celular de um coronel da Polícia Militar de São Paulo, preso e acusado de ter assassinado a esposa com um tiro na cabeça depois de imobilizá-la com uma gravata.
 
Esse gentilhomem matou sua linda esposa por não aceitar que ela usasse roupas justas e cumprimentasse outros homens com beijinho no rosto, coisas assim, e deixou clara sua visão:
 
Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo.
 
Quando a coitadinha disse que o bonitão da bala chita havia deixado de ser príncipe, cavalheiro, romântico, a besta-fera respondeu ser mais que príncipe:
 
“Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano”
 
Logo depois, em uma troca de mensagens, ela disse estar “praticamente solteira”, recebendo esta resposta:
 
- Nunca será!
 
Acho que chega, né? Outro dia ouvi uma reflexão interessante: essa explosão de feminicídios que tem acontecido no país pode ter relação com a sensação de perda de poder que alguns homens sentem diante das mudanças sociais. Eu diria que esses homens padecem da "síndrome do pinto pequeno".

Hoje é inegável - e positivo - o fato das mulheres estarem ocupando espaços antes reservados quase exclusivamente aos bigodudos: policiais, delegadas, juízas, promotoras, CEOs, ministras e até presidente da República. E talvez seja justamente isso que alguns não conseguem aceitar: perder o controle que acreditavam ter sobre a vida de outra pessoa ou sentir-se inferiorizados pela competência feminina.
 
No caso de mulher presidente, faço este parêntese (não se deve perder a oportunidade de rever a matéria estudada para o vestibular há 57 aninhos): substantivos terminados em “e” não variam normalmente com o gênero. Por isso, dizer “presidenta” é feio pra burro. Pode? Pode, mas deveria evitar. Como ensinou o apóstolo Paulo, “tudo posso, mas nem tudo me convém”. Fica a dica.
 
Continuemos. Voltando à prática absurda do feminicídio, o que esse caso mostra com clareza é algo anterior ao crime: a mentalidade de posse, a ideia de que a mulher não é parceira, mas propriedade. E é justamente aí que começa o problema.
 
Eu defendo uma solução simples, mesmo que impossível hoje no país: pena de morte para o filho da puta. Olho por olho, dente por dente, mano!
 
Tornozeleira e cadeia  são condenações muito suaves para esse tipo de crime. A menos que o fodão fosse jogado em uma cela superlotada e virasse a mocinha dos presos. Ou então ter o pênis, o pinto, o pau, o caralho cortado, amputado, para deixar de ser idiota. Tô errado?

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