segunda-feira, 16 de março de 2026

E O BRASIL NÃO GANHOU!

 
E o Brasil não ganhou o Oscar! Que peninha… Ou melhor, ainda bem! Porque quem ganha Oscar de melhor filme, melhor ator ou coisas dessa área não é um país: são profissionais que se dedicaram a fazer um filme com qualidades e mérito suficientes para serem indicados a essa celebração hollywoodiana.
 
Brasileiro – talvez outros povos também sejam assim – tem a mania de confundir o particular, o pessoal, com o coletivo, com o país. Se os filmes fossem produzidos como parte de uma campanha de divulgação do país, talvez se pudesse dizer que o Brasil ganhou ou perdeu o troféu.
 
Um caso pitoresco aconteceu com “O Beijo da Mulher Aranha”, filme brasileiro sim senhor, mas baseado em um romance do argentino Manuel Puig, roteirizado por um americano, dirigido pelo argentino Hector Babenco (naturalizado brasileiro) e tendo como atores principais o americano Willian Hurt – que ganhou o Oscar de melhor ator – e pelo porto-riquenho Raul Julia. E aí, como ou o que comemorar nessa salada multinacional?
 
Na mesma linha de raciocínio, um atleta que disputa os 100m de nado livre em uma Olimpíada, ali na sua raia, não está propriamente representando o seu país de origem. Pode até ter tido algum incentivo, pode ter sido patrocinado por uma empresa estatal, mas quem subirá ao pódio não é um país: é um atleta que ralou muito para conquistar aquela medalha. Talvez as equipes que disputam esportes coletivos, como futebol, vôlei e basquete, possam representar o país – mas só isso.
 
Os brasileiros e brasileiras deveriam se orgulhar – ou morrer de vergonha e tristeza – de o país ficar entre os melhores ou na rabeira nos “Oscars” da melhor educação, da melhor saúde, da melhor qualidade de vida, da menor desigualdade de renda. Esses, sim, medidos por indicadores internacionais como o PISA e o IDH, resultados de políticas públicas de qualidade e de longa duração. Se assim fosse, dava até vontade de ver um filminho abraçado com a amada.

 

10 comentários:

  1. Excelente texto. Parabéns !

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  2. Acho que você foi muito duro.
    Apesar de O Agente Secreto ser apenas um filme mediano (não aguento mais filme de favela e de ditadura), costumamos projetar o país nas conquistas pessoais de artistas e atletas e estes mesmos atletas e artistas se consideram representantes do seu país. É só olhar o ranking das Olimpíadas - o que aparece lá é o país.
    Faz tempo que não vejo o Oscar que nos últimos anos se tornou um palco político. Imagino o discurso do Wagner se ganhasse. Bolsonaro, Bolsonaro...
    O filme que venceu melhor filme internacional, "Valor Sentimental"!, mereceu.
    Pecadores também é um filme diferentão, começa de um jeito e termina de outro - mas eu gostei.

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    Respostas
    1. Eu não fui duro com o filme, pois nem assisti (talvez nunca assista). O que me incomoda é o ufanismo idiota de querer que uma molécula, uma parte represente o todo. Não representa, não para mim. A contagem de medalhas diz muito sobre um país, mas as medalhas individuais não. Na antiga Alemanha Oriental havia uma "fábrica" de atletas de ponta, cujas conquistas serviriam para engrandecer o país. Nesse caso, até as medalhas individuais serviam para enaltecer o país e aquele regime de merda. Mas era uma política de Estado. Quando vejo idiotas gritando "é marmelada", minha vontade é de gritar respondendo "marmelada é a puta que pariu!" Outra coisa: o ator é bolsonarista? Pãããta...

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    2. Só um adendo: "costumamos", mas na minha opinião estamos equivocados.

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    3. Não disse que você foi duro com o filme, como eu disse, é mediano e não merecia ganhar nada mesmo. Rapaz, Oscar virou disputa ideológica, a turma progressista chorando...ouvi uma dizendo que foi "racismo e xenofobia" o filme não ganhar...loucura isso

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    4. Eu nõ sou muito certo da cabeça para a maioria das pessoas, eu tento me manter "longe da margens". Por isso, ufanismo para mim é uma tristeza.Foda-se se o filme é bom ou ruim, ele não é o Brasil. É esta ideia que defendo. Eu gosto mesmo é de filme europeu: roteiros bons, artistas bons, temática mais universal, coisas assim. Minha nora asssistiu no Netflix e achou bonzinho, mas não merecedor do Oscar.

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  3. Jotabê,
    Respondi a Vc lá
    no Espelhando
    aqui nesse link
    https://www.blogger.com/comment/fullpage/post/1339174986712127902/4077618256670970484

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  4. Ainda que o filme ou o escroto e boçal do Wagner Moura, que vota em Lula mas mora nos EUA, tivessem ganhado alguma merda, o Brasil não teria ganhado nada. Assim como não ganha nada quando a desgraça da seleção de futebol é campeã.
    O brasileiro só é campeão em uma coisa : em gozar com o pau do outro.
    Ô povinho desgraçado

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