terça-feira, 5 de maio de 2026

KAFKA E A BONECA VIAJANTE - ANÔNIMO

 


Recebi pelo whatsaap o texto abaixo. Não sei quem é o autor e creio que isso pouco importa. O que realmente importa é a delicadeza e o lirismo contidos na história brevemente narrada no texto - enviado por uma pessoa tão inesquecível e delicada quanto. Como sou de natureza sonhadora e romântica (pois é...), resolvi publicá-lo no Blogson, como homenagem a quem o enviou e antídoto ou contraponto a todo desespero, tragédia, burrice, estupidez e filhadaputagem noticiados diariamente.

Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular. Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando porque havia perdido sua boneca. Para acalmar a garotinha, inventou uma história – a boneca não estava perdida, mas viajara, e ele, um "carteiro de bonecas", tinha uma carta em seu poder que lhe entregaria no dia seguinte. Naquela noite, ele escreveu a primeira de muitas cartas que, durante três semanas, entregou pontualmente à menina, narrando as peripécias da boneca vividas em todos os cantos do mundo.

Durante anos, Klaus Wagenbach, um estudioso de Kafka, procurou a menina pela região próxima ao parque, investigou com os vizinhos, colocou anúncio nos jornais, mas nunca conseguiu encontrar a pista da menina ou dos originais das cartas. Segundo Dora Dymant, sua última companheira, Kafka se envolveu com tanta seriedade na tarefa de consolar a pequena Elsi como se escrevesse mais um de seus romances ou contos que nunca foram publicados em vida. Toda essa inusitada situação, verdadeira ou não, acabou inspirando Jordi Sierra a escrever um livro onde inventa as supostas cartas, criando desta forma um final imaginário para esta estranha e bela história.

O livro é dividido em quatro partes: primeira ilusão: a boneca perdida – quando Kafka encontra a menina chorando no parque; segunda fantasia: as cartas de Brígida – quando se torna o carteiro de bonecas, e passa a escrever as cartas da então boneca perdida que se tornou viajante; terceira ilusão: o longo percurso da boneca viajante – quando começam as cartas de despedida da boneca; quarto sorriso: o presente – quando há a aceitação e superação da perda.

“Quanto a mim, permiti-me a transgressão: inventar essas cartas, terminar a história, dar-lhe um final imaginário. Pode ter sido este ou outro qualquer, não acho que seja muito importante. O que aconteceu é tão belo em si mesmo que o resto carece de importância. A única coisa evidente é que aquelas cartas devem ter sido mais lúcidas que as recriadas por mim.” – Jordi Sierra i Fabra, declara no final do livro “Kafka e a Boneca Viajante”.

6 comentários:

  1. Que fato curioso, nunca ouvi falar disso. E claro que fui pesquisar pra saber se era fato ou fake - apesar que se fosse fake não teria problema algum. Mas foi verdade mesmo.
    Gostei de saber. Kafka foi um gênio da literatura, li três romances dele, alguns textos curtos tipo crônica e tenho como meta de honra ler tudo que há dele traduzido em português.

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    1. a mesma que não tenho pra Clarice...

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    2. Do Kafka eu só li "A metamorfose", dentro da linha de ler apenas os livros que ganho. A grana é curta, sacou?

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    3. saquei. quando eu era solteiro eu gastava uma média de 400,00 em livros todos os meses. Minha mãe era uma leitora voraz, lia tudo que eu comprava antes de mim

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    4. 400 reais? Rapaz, não gasto isso nem com roupa!

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