domingo, 25 de outubro de 2026

FRASES A AFORISMOS DE ARIANO SUASSUNA

O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.

Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.

A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.

Às vezes, tudo que precisamos é de uma frase certa, no momento certo.

A tarefa de viver é dura, mas fascinante.

Eu digo sempre que das três virtudes teologais chamadas, eu sou fraco na fé e fraco na qualidade, só me resta a esperança. Eu sou o homem da esperança.

Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas.

Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver.

Não troco o meu "oxente" pelo "ok" de ninguém!

Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo.

Dizem que tudo passa e o tempo duro tudo esfarela.

O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado.

A humanidade se divide em dois grupos, os que concordam comigo e os equivocados.

Quem gosta de ler não morre só.

Jesus às vezes se disfarça de mendigo pra testar a bondade dos homens.

sábado, 24 de outubro de 2026

CUSTO-BENEFÍCIO

 
Nos últimos tempos, especialmente nos últimos dias, aconteceu um frenesi danado, um movimento frenético para tentar convencer eleitores indecisos a votar nesse ou naquele candidato. E, se possível, até mesmo a mudar o voto.
 
Observando essa suruba eleitoral, fiquei pensando que as táticas de convencimento poderiam ser tratadas como operações financeiras, onde os eleitores avaliam o custo-benefício de sua escolha.
 
Gostou da ideia? Ótimo, eu também gostei (humildade não é um defeito que eu tenho). Não entendeu bem essa conversa de custo-benefício? OK, vamos tentar destrinchar.
 
Segundo o dicionário, “custo-benefício é o que define as melhores escolhas que os agentes econômicos fazem. Através deste conceito é que as pessoas ou empresas compram ou realizam aquilo em que os benefícios são maiores que os custos de comprar ou produzir”.
 
Dito de outra forma, “benefício” é o que até os mais bobos esperam ganhar com a escolha de beltrano ou sicrano. “Custos”, por outro lado corresponderiam ao “pacote de malvadezas” que o candidato eleito se proporia a fazer depois de (bem) instalado no trono da presidência. Eu disse “trono”, porque qualquer dos dois que ganhar sentir-se-há o rei da cocada.
 
A irredutibilidade do voto acontece quando o eleitor pertence ao “bloco dos convictos” – aquele pessoal mais radical, que atribui um valor tão alto aos “benefícios” que enxerga na manutenção de seu voto, que considera irrelevantes os custos que já conhece.
 
Mas quando alguém resolve mudar seu voto é porque acreditou ou convenceu-se de que a “qualidade da comida” faz valer a pena o preço a ser pago pela “refeição”, porque, como todo mundo sabe, não há almoço grátis.
 
Uma coisa eu sei: ódio ao Nove-Dedos ou ao Bolsonarinho, medo da cor vermelha e outras paranoias continuam sendo exemplos de avaliação de custo-benefício eleitoral e, principalmente, pessoal. Como diz o ditado nordestino, “pra farinha pouca, meu pirão primeiro”. Bon appétit!

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

CERTEZAS - ADRIANA BRITTO

 

Este texto foi erroneamente atribuído a Mario Quintana, mas a verdadeira autora é (ou seria) Adriana Britto. Quem é Adriana Britto? Não faço a menor ideia, mas sempre penso em prostituição literária em casos como este. Que ganham as pessoas com isso? Certamente, nem a autora nem o Quintana. Mesmo assim, estou quase pegando uns poemas do Fernando Pessoa e publicando como se fossem de minha autoria. E muita gente acreditará nisso. Maluquice!!!

Não quero alguém que morra de amor por mim...

Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...

Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...

E que esse momento será inesquecível...

Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...

E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...

Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.

E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.

Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...

Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.

Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...

Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.

Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...

Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

GÊMEOS EM CONFLITO

 
Difícil é a vida de um idoso! Talvez mais estranha que difícil, talvez mais frágil que estranha. Hoje eu percebo me debater – talvez sem tanto drama assim – entre duas expectativas ou visões de futuro, dois gêmeos convivendo dentro de mim, um sisudo e meio depressivo, o outro alegre e esperançoso. Um com vontade de ficar só deitado diante de uma televisão, o outro o chamando para sair, para viver. Gêmeos em conflito.
 
De um lado, há um homem fragmentado, uma espécie de frankenstein feito de partes com idades distintas. A mente e os olhos continuam tendo vinte ou trinta anos; o coração é o de um adolescente apaixonado, mas os joelhos são os de alguém que já viveu 102 anos. Esse homem faz planos e alimenta desejos que talvez nem devesse mais ter: cursar uma segunda faculdade, de Psicologia ou Filosofia; aprender a dançar forró; submeter-se a uma cirurgia corretiva das pálpebras (já agendada).
 
Do outro lado, um homem de 76 anos que pressente, que sabe não ter mais muito tempo de vida. Um homem que aceita e se resigna com a fragilidade que essa idade traz consigo, tantas são as notícias de falecimento que recebe, não só de artistas famosos como de parentes, amigos e conhecidos de sua mesma faixa etária.
 
E é com essa duplicidade que convivo diariamente: um idoso que ainda sonha e tem desejos que não conseguiu realizar quando era mais jovem e um senhor desencantado da vida, que se pergunta para que fazer cirurgias rejuvenescedoras ou aprender a dançar nesta fase da vida, já tão perto do momento binário em que o “um” vira “zero”, em que o disjuntor biológico desarma. Esta é a realidade da minha vida atual. Complicado, não?

terça-feira, 20 de outubro de 2026

EMBRIAGUEM-SE – CHARLES BAUDELAIRE

O instagram tem me permitido encontrar belos textos e poemas que desconhecia. A mais nova descoberta é este texto poético do Charles Baudelaire:

EMBRIAGUEM-SE
 
É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. 
Para não sentir o fardo horrível do Tempo, que esmaga seus ombros e os curva em direção à terra, é preciso embriagar-se sem trégua
.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
"É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Charles Baudelaire Petits poémes en prose (1869).
 
 
ENIVREZ-VOUS
Il faut être toujours ivre. Tout est là : c’est l’unique question. Pour ne pas sentir l’horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi ? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois, sur les marches d’un palais, sur l’herbe verte d’un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l’ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l’étoile, à l’oiseau, à l’horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est ; et le vent, la vague, l’étoile, l’oiseau, l’horloge, vous répondront :
« Il est l’heure de s’enivrer ! Pour n’être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous ; enivrez-vous sans cesse ! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise.


domingo, 18 de outubro de 2026

VOCÊ CONHECIA ESTA HISTÓRIA?

 
Vamos começar pelo básico: Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) foi um dos maiores poetas, cronistas e escritores do Brasil, sendo figura central da segunda geração do Modernismo brasileiro.
 
Era também profundamente tímido e, por fora, aparentava ser um homem muito sério. A timidez e a introversão eram marcas registradas da sua personalidade; ele próprio se definia como um "urso polar" e usava o seu jeito reservado para se proteger dos holofotes e do assédio da imprensa. Estamos indo bem, por enquanto.
 
A esposa de Carlos Drummond de Andrade, Dolores Dutra de Morais, faleceu no dia 2 de julho de 1994, na cidade do Rio de Janeiro. Ela sobreviveu ao marido por quase sete anos, já que o poeta faleceu em agosto de 1987, pouco tempo depois da trágica perda da única filha do casal, Maria Julieta. Dolores e Drummond foram casados por 62 anos, tendo oficializado a união em 30 de maio de 1925.
 
OK. Estas informações foram copiadas da internet, mesmo que eu não me lembre de onde as encontrei.
 
Agora o caldo entorna um pouco. Carlos Drummond de Andrade teve uma relação extraconjugal de longa data com Lygia Fernandes, bibliotecária do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Tempo de relação: Eles se conheceram em 1951 e mantiveram um relacionamento secreto por cerca de 36 anos. Muito bom!
 
Drummond tinha 49 anos quando conheceu Lygia Fernandes, que era 25 anos mais jovem que ele. Ela começou a trabalhar com o poeta no Ministério da Educação e Cultura, e os dois engataram um romance que se estendeu até os últimos dias de vida do escritor.
 
Segundo relatos e crônicas biográficas, Drummond faleceu em 17 de agosto de 1987, segurando a mão da amante. Para ela, em 1951, ele escreveu e publicou o poema “Campo das Flores”, que traz esta estrofe inicial:
 
Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus – ou foi talvez o Diabo – deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.
 
Sinceramente acho comovente ele ter vivido esse amor clandestino por tanto tempo, sinal de que viveu feliz e apaixonado até os 85 anos. Mas há uma particularidade nessa love story da terceira idade que talvez muita gente desconheça: movido por esse relacionamento, o poeta itabirano escreveu 40 poemas eróticos, só reunidos no livro “O Amor Natural” após sua morte.
 
O motivo dessa decisão pode ter sido o medo de julgamentos e escândalo: O poeta temia que os versos fossem mal interpretados pelo público ou que manchasse sua imagem pública consolidada. Pouco importa.
 
O que importa para mim é que a maioria não me agradou. E nem se trata de moralismo. Erotismo por erotismo, o poema satírico “O Elixir do Pajé” do Bernardo Guimarães é bem mais interessante.
 
Mas transcrevo três dos que me agradaram mais, uma seleção mais bem comportada, digamos assim. Lêaí:
 
OH MINHA SENHORA MINHA SENHORA
Oh minha senhora ó minha senhora oh não se
incomode senhora minha
não faça isso eu lhe peço eu lhe suplico por Deus
nosso redentor minha
senhora não dê importância a um simples mortal
vagabundo como eu que
nem mereço a glória de quanto mais de... não não não
minha senhora não
me desabotoe a braguilha não precisa também se
despir o que é isso é
verdadeiramente fora de normas
e eu não estou absolutamente preparado
para semelhante emoção ou comoção sei lá minha
senhora nem sei mais o
que digo eu disse alguma coisa? sinto-me sem
palavras sem fôlego sem
saliva para molhar a língua e ensaiar um discurso
coerente na linha do
desejo sinto-me desamparado do Divino Espírito Santo
minha senhora eu
eu eu ó minha senh... esses seios são seus ou é uma
aparição e esses
pelos essas nád... tanta nudez me deixa naufragado
me mata me pulveriza
louvado bendito seja Deus é o fim do mundo
desabando no meu fim eu eu
 
 
NÃO QUERO SER O ÚLTIMO A COMER-TE
Não quero ser o último a comer-te.
Se em tempo não ousei, agora é tarde.
Nem sopra a flama antiga nem beber-te
aplacaria sede que não arde
 
em minha boca seca de querer-te,
de desejar-te tanto e sem alarde,
fome que não sofria padecer-te
assim pasto de tantos, e eu covarde
 
a esperar que limpasse toda a gala
que por teu corpo e alma ainda resvala,
e chegasses, intata, renascida,
 
para travar comigo a luta extrema
que fizesse de toda a nossa vida
um chamejante, universal poema
 
 
A MOÇA MOSTRAVA A COXA
A moça mostrava a coxa
a moça mostrava a nádega,
só não me mostrava aquilo
— concha, berilo, esmeralda —
que se entreabre, quatrifólio,
e encerra o gozo mais lauto,
aquela zona hiperbórea,
misto de mel e de asfalto,
porta hermética nos gonzos
de zonzos sentidos presos,
ara sem sangue de ofícios,
a moça não me mostrava.
E torturando-me,
e virgem no desvairado recato
que sucedia de chofre
à visão dos seios claros,
sua pulcra rosa preta
como que se enovelava,
crespa, intata, inacessível,
abre-que-fecha-que-foge,
e a fêmea, rindo, negava
o que eu tanto lhe pedia,
o que devia ser dado
e mais que dado, comido.
Ai, que a moça me matava
tornando-me assim a vida
esperança consumida.
no que, sombrio, faiscava.
Roçava-lhe a perna. Os dedos
descobriam-lhe segredos
lentos, curvos, animais,
porém o máximo arcano,
o todo esquivo, noturno,
a tríplice chave de urna,
essa a louca sonegava,
não me daria nem nada.
Antes nunca me acenasse.
Viver não tinha propósito,
andar perdera o sentido,
o tempo não desatava
nem vinha a morte render-me
ao luzir da estrela-d'alva,
que nessa hora já primeira,
violento, subia o enjoo
de fera presa no Zoo.
Como lhe sabia a pele,
em seu côncavo e convexo,
em seu poro, em seu dourado
pelo de ventre mas sexo
era segredo de Estado.
Como a carne lhe sabia
a campo frio, orvalhado,
onde uma cobra desperta
vai traçando seu desenho
num frêmito, lado a lado!
mas que perfume teria
a gruta invisa? Que visgo,
que estreitura, que doçume,
que linha prítina, pura,
me chamava, me fugia??
Tudo a bela me ofertava,
e que eu beijasse ou mordesse,
fizesse sangue: fazia.
Mas seu púbis recusava.
Na noite acesa, no dia,
sua coxa se cerrava.
Na praia, na ventania,
quanto mais eu insistia,
sua coxa se apertava.
Na mais erma hospedaria
fechada por dentro a aldrava,
sua coxa se selava,
se encerrava, se salvava,
e quem disse que eu podia
fazer dela minha escrava?
De tanto esperar, porfia
sem vislumbre de vitória,
já seu corpo se delia,
já se empana sua glória,
já sou diverso daquele
que por dentro se rasgava,
e não sei agora ao certo
se minha sede mais brava
era nela que pousava.
Outras fontes, outras fomes,
outros flancos: vasto mundo,
e o esquecimento no fundo.
Talvez que a moça hoje em dia...
Talvez. O certo é que nunca.
E se tanto se furtara
com tais fugas e arabescos
e tão surda teimosia,
por que hoje se abriria?
Por que viria ofertar-me
quando a noite já vai fria,
sua nívea rosa preta
nunca por mim visitada,
inacessível naveta?
Ou nem teria naveta...
 
 
E se alguém quiser conhecer os demais, é possível baixar o livro na internet no formato pdf. Só não me lembro onde consegui. Mas deixo esta frase do Drummond, para fechar este post:

"A última coisa que desaparece no homem é o erótico".

sábado, 17 de outubro de 2026

CADERNO DE RASCUNHO

 

Podem até me criticar por eu ser tão romântico assim
mas não consigo entender que me critiquem sem saber
o que há dentro de mim
 
Dentro de mim existe algo que falta a quem me critica,
que só pode ser encontrado quando se está apaixonado,
Que só as crianças possuem:
 
A inocência de um amor suave e explosivo, difícil de ser contido,
mais ainda de ser entendido.
 
Que um idoso pode dizer em sua própria defesa?
Que a paixão foi reacesa e é limpa, pura, ardente,
Como a de um garoto adolescente.
 
Talvez por isso os versos que escrevo
lembrem rascunhos em cadernos escolares,
rimando sem pudor infantil com pueril
 
E é isso que realmente são – infantis, pueris,
pois traduzem pensamentos imaturos –
mas encharcados de amor e desejo
 
Desprezando a idade que tenho
Sem vergonha, sem ter pejo
De dizer, de falar, de gritar
seu nome, mas me contenho
 
Não pensando em mim, mas em você
Que pode não querer se ver exposta assim
Só por isso eu digo: “Jota Bebê”, eu te amo!
 
E agora, se quiserem, podem me criticar
Com gosto, à vontade,
pois não me prendo à idade,
só ao que o coração mandar.
 
E que o fascínio sempre sentido
Jamais vire desfascínio
E que esse amor siga vivo
Até onde eu puder aguentar
 

DESFASCÍNIO

  Eu preciso sentir dor, Ficar angustiado Sofrer com sua ausência Ou entender que sua presença Talvez cause mais dor do que preciso Para fal...