quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

E AGORA CHEGA DE MUSIQUINHA PARA CRIANÇA!

Depois de ouvir as musiquinhas que a Suno criou para os versos que escrevi para minhas netas e para a sobrinha neta de minha mulher, a mãe do Filipe me pediu para fazer uma parecida. O único problema é que quase nada sei dessa família. Diria que poderiam ser parentes do Han Solo, de Star Wars. Por quê? Ora, porque o Filipe será um pai solo, ele próprio filho de mãe solo.
 
Tá bom, eu sei que a piada foi horrível, mas não pior que a música criada pela Suno depois de quatro tentativas (não tive paciência para tentar mais vezes). E pelo desconhecimento de mais detalhes da biografia familiar, rabisquei esta letra (que também ficou horrível):
 
Filipe vai ser papai!
Mais feliz que pintinho no lixo,
Mal conseguindo dormir,
De tanta alegria que está.
 
Filipe, do signo de Gêmeos,
Tem a solução genial,
Um gêmeo sonha acordado,
Outro dorme sono banal.
 
Miriam, futura mamãe e culpada
De escancarar a alegria,
Serena com brilho no olhar,
Sorri para o Lipe, só ocupado em sonhar.
 
Pois sonha com o bebê que já vem,
Uma nova vida começa.
Filipe e Míriam, juntinhos,
O futuro uma grande promessa.
 
Em cada noite de insônia,
Nasce uma nova esperança,
Filipe, o papai radiante,
Fica acordado e dança.

Pois ser pai é um dom,
Uma bênção a celebrar,
E Filipe, com Míriam a seu lado,
Tem muito amor para dar.



quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

BONECÃO DO POSTO

 
Nunca soube e agora sei menos ainda falar bonitezas como sabe fazer o titular do blog A Marreta do Azarão. O problema é que ele assestou seu armamento pesado em uma direção onde “por coincidência” (claro, só por coincidência) eu estava. Além disso. simplificou para JB o nome “João Bobo”, outra coincidência danada. E fez isso mirando sua metralhadora rotativa para atingir todos os JBs, todos os "Joões Bobos" que votaram no Lula. O problema que surge quando gasta sua (dele!) munição de forma indistinta é que mata ou fere (talvez seja melhor mudar para “pega”, para não ficar tão dramático) os que não se enquadram no modelo que defende, nas “flags” que empunha.
 
É claro que falo apenas por mim, pois estou pouco me fodendo para quem ama o Lula e o PT. Eu não amo o Lula e, sinceramente, odeio o PT. Mas votei no Lula para ajudar com meu mísero e irrelevante voto a impedir a reeleição de um idiota radical. Eu sou uma metamorfose ambulante (mesmo que não suporte mais ouvir músicas do Raul Seixas), sou um invertebrado ideológico, sempre fui. E o motivo sempre foi imaginar qual candidato seria melhor naquele momento para o povo, mesmo que não necessariamente para mim.
 
Por isso votei no Lula contra o José Serra, votei no Alckmin contra o Lula, votei no José Serra contra a Dilma, votei no Aécio contra a Dilma, votei no Bolsonaro (veja você!) contra o Haddad e no Lula contra o Bolsonaro. Percebeu como eu me comportei como um “bonecão do posto” ideológico? Mas não como um “João Bobo”, pois eu sempre vejo as eleições como “escolhas de Sofia” sem a carga de dramaticidade e tragédia exibidas no filme de mesmo nome. Ou seja, eu não quero votar no candidato X, mas sinto-me obrigado a votar nele para impedir que o candidato Y seja (re)eleito.
 
Há pessoas que não tem esse tipo de pensamento, esse comportamento, mas eu sempre me debati entre dois candidatos que eu eventualmente detestava, pois para não anular voto eu tentava votar no menos pior.
 
Nesta época triste em que vivemos, sufocado por despesas que não estou conseguindo suportar sem o auxílio dos filhos, eu penso assim: qual candidato está mais de acordo com meus valores, qual se preocupa com o futuro da humanidade? Pode parecer ou ser um puta romantismo de minha parte, mas não consigo votar em quem desdenha ou duvida da crise climática que já está mordendo os calcanhares de TODOS os habitantes do planeta. Também não consigo votar em quem duvida ou descrê da Ciência e das vacinas, muitas vezes por puro preconceito ou ignorância mesmo. Outro tipo de gente que desejo manter fora da cadeira de presidente da república são os radicais, sejam eles políticos ou religiosos.
 
Por ser elitista eu consigo conviver bem com quem é ignorante, mas não suporto e até desprezo gente burra. Mas parece que essa minha visão desagrada ou não é entendida pelos fundamentalistas de qualquer cor ou credo. E só para assustar um pouco, eu votaria no Haddad contra o Lula e no Ronaldo Caiado contra o Bozo. Ou melhor, eu votaria em QUALQUER candidato contra o Bozo. E isso nunca mudará.

MAIS POESIA INFANTIL

 
Mariana é uma das sobrinhas de minha mulher e é gente finíssima. O que ninguém imaginava é que ser mãe era seu sonho oculto – um sonho que nem ela mesma acreditava ser possível de realizar, especialmente por já estar com quarenta anos ou mais. Mas aconteceu: ela ficou grávida da Sofia, um bebê rechonchudo e risonho, como a maioria dos bebês de sua idade.
 
Foi esse momento que me inspirou a começar a escrever frases soltas, que depois reorganizei e apresentei à Dona Suno. Na décima tentativa, surgiu a melhor versão melódica. Olhaí a letra (a divisão de versos está de acordo com a leitura feita pela IA):
 
Mariana tinha um sonho
Sonho que mais ninguém,
Só ela conhecia
Era um sonho antigo
Que em sua mente pensava
Que jamais ocorreria
 
E afinal que sonho era esse
Que nunca talvez ocorresse?
Era um sonho simplesinho
De menina sonhadora
Ela queria ter um filho
Só pra enchê-lo de carinho
 
Mas não podia ser comum
Tinha de ser diferente
Desses que toda mãe quer ter um
Melhor ainda se fosse uma
Uma linda menininha
Risonha, alegre, fofinha
E que se chamasse Sofia
 
E foi o que aconteceu
Quando o Francis conheceu
Logo se enamoraram
Fizeram mil planos, casaram
Pra nova casa mudaram
E hoje é só alegria
Pois não há avô, avó, tio ou tia
Que não se encante com Sofia
 
E todos ficam babando de alegria e afeto
Por essa bebê que uniu
Todo mundo em volta dela
Tio Betinho, Vó Eunice, Vô Roberto,
Papai Francis que agora só dorme
Com um olho fechado e outro aberto
E não sei mais que dizer
 
Por isso paro aqui
Esta espécie de cordel
Que tentei encher de cores
Com imaginário pincel
Mas difícil imaginar
Que música vai fazer
A Suno desmiolada
Só espero que esse som deixe
A mãe da Sofia encantada



terça-feira, 21 de janeiro de 2025

POESIA INFANTIL

Há tempos deixei de me aventurar a musicar meus poemas sem rima com o auxílio da incontrolável IA Suno. E o motivo é simples: essa inteligência artificial – ao menos em sua versão gratuita – não é nada dócil. Ela cria o que lhe dá “na tela” (boa essa!) e não aceita ajustes. O infeliz que não gostar do resultado terá de se contentar em pedir outra versão, respeitando o limite diário de cinco solicitações.
 
Mesmo assim, resolvi um dia brincar com minhas netinhas, escrevendo um poema em que elas e seus pais eram mencionados. A cara de espanto que fizeram ao ouvir pela primeira vez seus apelidos citados nessa música foi muito engraçada.
 
Tempos depois, fiquei sabendo que pediam aos pais para escutar novamente essa musiquinha. Uma das gêmeas mais velhas me surpreendeu ao dizer que já sabia quase toda a letra (é por isso que os pais devem ficar atentos ao que seus filhos ouvem ou assistem, pois tem muito lixo rolando por aí).
 
Acho que nunca publiquei essa música aqui no blog pois ainda tento preservar a intimidade de minha família, seja usando apenas apelidos ou nem mesmo isso.
 
Mas ontem, descobri em uma gaveta um pendrive esquecido, que além dessa musiquinha, tinha também minhas experiências com a SUNO. Decidi colocá-las para tocar no carro enquanto atravessava a cidade para comprar material elétrico na Leroy Merlin. O resultado dessa audição me fez mudar de ideia, e agora resolvi compartilhar essa despretensiosa poesia infantil aqui no blog.
 
 
Eu era um moço sozinho
Sem ninguém com quem sonhar
Mas aconteceu de alguém me achar
E quisesse me namorar.
 
Naquele dia meu coração vazio
Foi ocupado por ela, linda Lily
Como dos contos de fada princesa.
E que aceitou comigo casar
 
E logo vieram os meninos
Tio Gu, Tio Binho, Tio Bê e Tio Dani
Todos bem pequenininhos
 
E meu coraçãozinho
Quis crescer só um pouquinho
Pra nele caber todo mundo
Pra nunca mais ficar sozinho
 
O tempo passou e os meninos
Agora todos grandinhos
Começaram a namorar.
 
Tia Fê veio com o Gu,
Tia Ceci com o Bê,
Tia Gi veio com o Fabinho 
O Dani não trouxe ninguém
Pois resolveu ficar sozinho
 
E o coração cresceu mais um pouco
Ficando bonito, uma jóia
Mas faltava tudo iluminar
 
Então a Tia Ceci e Tio Bê
Trouxeram a Bia e a Cacá
Tia Gi e o tio Binho
Trouxeram a Lulu e a Lelê
 
E aquele coraçãozinho,
Que foi tão vazio e tristinho
Cresceu, ficou grandão
Com tanto amor e carinho
 
Vovó Lily, Tio Gu e Tia Fê,
Tia Ceci e Tio Bê,
Tia Gi e Tio Binho e tio Dani sozinho
Mais a Bia e a Cacá, a Lulu e a Lelê
 
Todos moram no meu coração
E esta história tão bonita,
Tão boa de ser contada
Merece agora esta canção.





segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

CORDIAIS SAUDAÇÕES

Suzana Flag,
Estimo que este mal traçado post, em estilo rude, na intimidade, vá te encontrar gozando saúde na mais completa felicidade.
 
Imagino que poucas pessoas conheçam estes versos escritos pelo genial Noel Rosa. Resolvi utilizá-los de forma descontraída para apresentar este post – uma leitura árida mas também muito esclarecedora –, cujo objetivo é desfazer mal-entendidos e interpretações equivocadas. Antes de mergulharmos no conteúdo do texto de hoje, deixo uma curiosidade: esses versos foram extraídos da música "Cordiais Saudações”, no qual a palavra “post” substituiu "samba” na letra original.
 
Existem pessoas que aparentam guardar o rancor na geladeira, só para que ele se conserve mais. Uma dessas é "Suzana Flag", que às vezes dá as caras por aqui só para fazer comentários deste tipo: "q orgulho ein senhor? q orgulho de ajudar um ladrão ser d novo presidente. q orgulho ein senhor? sua imunização cognitiva foi um suceso". Aparentemente não consegue entender e se enfurece por eu ter votado no Lula e não no Bozo e mais ainda por eu afirmar que nunca mais o "mito" receberá meu voto (pois já votei nele uma vez!). Mas o "Nelson" é gente boa.
 
Dia desses fui chamado por ele de velho descarado, sem um pingo de caráter ou hombridade. Sem um pingo de vergonha na cara”, uma pessoa que “Finge ser um bom velhinho mas é tão sujo quanto o Lula”. Talvez eu devesse ficar zangado ou magoado diante de tão severas ofensas, mas confesso que nada disso me incomoda. Afinal, como dizem, “o que vem de baixo não me atinge” – e aqui, “de baixo” significa “debaixo da terra”. Explico: Suzana Flag, a/o autora/or dessas ofensas, é um dos pseudônimos do falecido Nelson Rodrigues, jornalista e teatrólogo notório por seu conservadorismo.
 
Portanto, ou essas críticas ultraconservadoras vêm de alguém que se esconde atrás desse simpático pseudônimo, ou estou recebendo mensagens do além, diretamente do próprio Nelson. Talvez como gesto de deferência, já que não deve demorar muito para que eu e ele possamos bater um papo cara a cara, olho no olho – ou, melhor dizendo, crânio a crânio, órbita a órbita.
 
Mas deixando os mortos em paz (por enquanto), devo esclarecer que sou pobre, mas limpinho. Se não fosse, preferiria mil vezes ser sujo como o Lula que limpo e asseado como o Bozo e seu ídolo Trump (coincidentemente condenado e livre da prisão, tal como nosso presidente nove dedos).
 
Falando com toda pureza de coração, uma coisa que sempre me incomodou no Direito é a anulação de provas ou a prescrição de crimes por conta de filigranas que nós, leigos — eu e “o” Suzana Flag incluídos – temos dificuldade ou má vontade em entender. Por isso, resolvi pesquisar na internet o que realmente aconteceu com o nosso atual presidente. Quanto ao outro, o do cabelo de milho, quero mais é que se foda, pois nada devo a ele.
 
E assim, encontrei opiniões e pareceres técnicos que ajudam a explicar essa – na minha modesta visão de leigo – aberração jurídica. Para quem tiver saco (no sentido figurado, é claro), seguem alguns excertos de uma reportagem publicada no portal UOL em outubro de 2022, com grifos meus.

Mas uma coisa precisa ser dita, meu caro Suzana Flag: eu lamentei muito quando a condenação do Lula foi anulada. Em compensação, fiquei muito feliz que sua "descondenação" tenha impedido a reeleição de um sujeito desprezível e de extrema direita. O nome disso é pragmatismo, entende? E agora, se quiser, leia os comentários de juristas super qualificados.

 
Condenado em dois processos da operação Lava Jato — razão pela qual chegou a ficar 580 dias preso e teve sua candidatura barrada nas eleições de 2018 —, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou à condição de inocente em 2021, com a anulação das condenações pelo STF (Supremo Tribunal Federal) A anulação se baseou em dois entendimentos da corte: de que o juiz Sérgio Moro foi parcial, o que comprometeu o direito da defesa a um julgamento justo, e de que os casos tramitaram fora da jurisdição correta
 
"A imparcialidade do juízo é um pressuposto básico e irrenunciável de tudo que se faz num processo. E foi essa imparcialidade que foi derrubada. E os fatos mais recentes, o envolvimento político do juiz Moro, acabaram tornando essa narrativa quase que indissociável de tudo que aconteceu", afirma a professora da FGV-Rio e procuradora regional da República Silvana Batini.
 
A distinção entre inocente e inocentado faz sentido?
A suspeição de Moro inviabilizou qualquer análise sobre a culpabilidade do ex-presidente, já que as provas produzidas e os processos foram considerados comprometidos, daí a anulação deles pelo Supremo. Por esse motivo, não é tecnicamente correto falar que Lula foi absolvido ou inocentado nesses casos específicos, já que não houve um julgamento válido -- é nessa tecla, a de que não houve absolvição, que batem críticos do petista.
 
Isso, porém, não faz dele alguém menos inocente aos olhos da Justiça, na avaliação de especialistas. No regramento jurídico brasileiro vale a presunção da inocência. A Constituição diz, no Artigo 5º, que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Em outras palavras: todos são inocentes até que se prove o contrário por um julgamento definitivo, contra o qual não caiba mais recurso. É este o caso de Lula, contra quem não há, desde a anulação dos processos da Lava Jato em 2021, mais nenhuma sentença válida.
 
Batini explica que a inocência não é um atestado a ser conquistado nos tribunais, e sim algo que se pressupõe de todos. "[A absolvição] não é um juízo que concede um status para a pessoa. Inocente somos todos até uma sentença condenatória transitar em julgado. Lula não precisa de uma sentença absolutória [que o absolva] para isso. É o contrário: para ele deixar de ser inocente é que precisaria de uma sentença condenatória."
 
Diretor da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, Oscar Vilhena Vieira diz ver uma confusão entre o uso popular do termo inocência e o seu significado jurídico.
 
"As pessoas acham que ele não foi inocentado [porque] não teve sentença de absolvição", afirma. "O debate público se apropria de uma palavra para atribuir algum tipo de virtude moral às pessoas e [alguns] usam isso contra seus inimigos políticos. Quer se fazer a inversão do ônus narrativo: já que não houve uma sentença de absolvição, então ele é culpado. Mas o que o direito diz é: já que não houve sentença condenatória, ele deve ser presumidamente inocente."
 
Tanto Batini quanto Vilhena dizem que, do ponto de vista jurídico, não faz sentido distinguir entre absolvição e inocência. "A distinção é mais importante no plano político do que no plano jurídico", afirma a docente da FGV-Rio. "Já a exploração política [do tema] pelo adversário me parece que é inevitável."
 
"Do ponto de vista político, tem que ficar muito claro que as acusações que foram feitas contra Lula não prosperaram na Justiça. Então, sobre aqueles fatos, ele é inocente. Se houver alguma outra coisa, alguma discussão, que seja feita. Mas sobre aqueles fatos, ele é inocente", frisa Pierpaolo Bottini, advogado criminalista e professor de direito da USP (Universidade de São Paulo).
 
O que pesa contra o ex-presidente
Segundo levantamento da agência de checagem Aos Fatos, Lula foi formalmente inocentado de três acusações na Justiça: de tentar comprar o silêncio de um ex-diretor da Petrobras, de formação de organização criminosa e de aprovar uma medida provisória para favorecer empresas em troca de propina.
Os demais 23 casos são inquéritos arquivados e denúncias rejeitadas por prescrição (quando esgota o prazo previsto em lei para processar alguém), falta ou nulidade de provas, inépcia (quando a peça apresentada não atende aos requisitos legais), além de ações suspensas ou trancadas -- inclusos aí o tríplex do Guarujá e o sítio em Atibaia, que em 2021 voltaram à estaca zero e, meses depois, prescreveram. No caso das acusações que prescrevem, Lula não pode mais ser julgado.
 
"Acho que as pessoas têm razão em ficar incomodadas com a anulação dos processos. Mas se as autoridades desde o início seguissem a regra legal e não buscassem a condenação a qualquer custo, nada disso teria acontecido", completa Bottini. "Na medida em que as regras claras não foram respeitadas desde o início, cria-se essa sensação de impunidade. Mas acho que isso é um problema muito mais de quem julgou os processos do que de quem exerceu a defesa e alegava isso desde o início."

 

domingo, 19 de janeiro de 2025

UMA FOLHA EM BRANCO

Creio que foi na década de 1980, quando a jornalista Leda Nagle ainda apresentava um telejornal da Globo aos sábados, que fiquei sabendo da existência de Lair Ribeiro. Eu sempre digo que engenheiro faz qualquer coisa para ganhar dinheiro. E o Dr. Lair Ribeiro é o equivalente na área médica do engenheiro, pois além de cardiologista de formação, é também “escritor de livros de autoajuda, nutrólogo e palestrante”. Mas naquela época eu só fiquei sabendo que era um cardiologista explicando os mecanismos e sutilezas do cérebro humano.
 
Segundo ele, o cérebro humano "trabalha" de forma distinta as metas e os sonhos. Sonhos expressam desejos que não têm prazo para acontecer, não têm quantidades, são pensamentos oníricos, sem conexão clara com a realidade. Quando alguém diz que morre de vontade de viajar para a Europa provavelmente morrerá antes de atingir esse objetivo. Já uma meta, segundo o médico, é algo que prepara o cérebro para a ação, pois envolve prazos e objetivos claros.
 
Nesse ponto a jornalista disse que desejava ganhar muito dinheiro no próximo ano e perguntou se isso era uma meta. O médico disse que para o cérebro "muito dinheiro" pode ser apenas um dólar a mais do que foi ganho no ano anterior (ele só falava em dólar). E que seria necessário ser mais explícita.
 
Voltando ao desejo de viajar para a Europa detalhou o que seria uma meta: Em que período do ano se pretende viajar; quais ou qual país se deseja conhecer; quantos dias imagina-se a duração da viagem; quantos dólares será preciso levar; onde se pretende hospedar, e assim por diante. E foi detalhando minuciosamente a meta.
 
Finalizando a entrevista, sugeriu que a jornalista e os ouvintes pegassem uma folha de "papel almaço" e anotassem metas de curto, médio e longo prazo, detalhando cada uma, para que o cérebro se preparasse para atingi-las. Confesso que fiquei vivamente impressionado com a entrevista e com a sensatez dos ensinamentos.
 
Tempos depois eu descobri que ele era um cardiologista que se desgarrou de sua formação profissional para vender livros e cursos motivacionais e de autoajuda, além de fascículos colecionáveis em bancas de revista. Vou me abster de dizer se considero picaretagem esse tipo de atividade, mas uma coisa precisa ser dita: nunca duvidei das orientações dadas durante aquela entrevista, pois pouco tempo depois, ainda entusiasmado com o que tinha ouvido e aprendido,  peguei uma folha de papel para escrever algumas metas e desejos. O primeiro e mais importante item seria criar uma empresa de engenharia, uma construtora.
 
Sentado à mesa da sala de jantar, caneta na mão, fiquei ali olhando a folha em branco, pronta para receber as anotações necessárias. Que nunca foram feitas.  Descobri naquele momento que se eu anotasse o meu desejo de ser dono de uma construtora, mesmo que fosse uma microconstrutora, precisaria começar a tomar providências para torná-lo realidade. E descobri que esse sonho por tanto tempo acalentado era apenas isso, um sonho.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

A VOZ DE DEUS

Certa vez, Elis Regina afirmou que “Se Deus cantasse, ele cantaria com a voz de Milton Nascimento.” E ela tinha razão. Porém, acredito que, em um momento único, Deus decidiu cantar de fato.

Foi durante um show de Chico Buarque e Milton Nascimento. Na introdução de “O que será, Deus, quem sabe, se incorporou no Bituca e executou a vocalize inicial da canção. Depois, silenciosamente, devolveu a voz ao Milton, sem que ninguém percebesse.

Aquela interpretação divina foi tão sublime que umedeceu os olhos de um Chico Buarque embasbacado e emocionado.

Se fui herético agora ou não, pouco importa, pois tudo o que eu quis foi chamar a atenção dos leitores para ouvir essa estonteante apresentação, gravada em 1987, ainda no tempo em que Milton realmente cantava com a voz de Deus.

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...