quinta-feira, 10 de outubro de 2024

AGELESS

 
Se tem uma coisa que me deixa incomodado é ser mal entendido, mal interpretado. E isso aconteceu recentemente quando disse me considerar um “ageless”. Os comentários que li me fizeram sentir mais apedrejado que mulher adúltera da Bíblia. Por isso, para tentar explicar o que para mim já estava claro, resolvi reunir trechos de postagens feitas desde o início do Blogson. Parei em 2020 por já estar de saco cheio e o texto resultante estar com quatro páginas, totalmente fora do padrão do Blog. Eu não quero parecer ser o que não sou, o que eu quero é ter a liberdade de pensar o que me der na telha. Quem quiser que leia.
 
“LET’S ALL GET UP AND DANCE...” (18/09/2014)
Ultimamente, comecei a sentir algo parecido em relação aos idosos. Pode ser frescura, falta do que fazer, mas o fato é que eu sinto que de nós, os mais velhos, espera-se um comportamento "coerente" com a idade. Se alguém resolver rir alto ou fizer coisas inesperadas e idiotas no shopping (esconder-se atrás de uma coluna, por exemplo), pelo simples fato de estar alegre e despreocupado, provavelmente será olhado com vergonha e constrangimento pelos familiares, com reprovação e desconfiança pelos demais, como se o "preferencial" estivesse delirando ou definitivamente senil.
O que, afinal, eu quero dizer? Isso: de um senhor ou de uma senhora (assim imagino) espera-se sempre um comportamento "condizente" com a idade que o corpo aparenta, mais contido, severo, senhoril – ou então essa pessoa será julgada e considerada gagá, caduca, senil. Bela merda essa prisão!
 
SUPEREGO (05/12/2014)
Um dos meus filhos disse recentemente que minha geração “é mais largada". Segundo suas palavras “o que estranha não é uma pessoa mais velha fora do padrão sério/sisudo, mesmo porque a sua geração é mais largada. O que eu não entendo é uma pessoa querer se comportar como se pertencesse a uma geração que não a sua. E isso vale até para o que já se convencionou chamar de ‘adultescentes’.".
Achei graça, mas protestei veementemente, pois até hoje padeço de falta de traquejo social, pois ou fico travado (como ficava antes de começar a namorar minha mulher) ou fico muito "relaxado" tal como aprendi a ficar, convivendo com meus cunhados. Além disso, não pertenço a essa turma. Não quero parecer mais novo do que sou. Sou idoso, preferencial, mas não da "melhor" idade, porque isso é hipocrisia (melhor porra nenhuma!). Eu pertenço à turma da "gravidade", aquela onde tudo cai, está caindo ou já caiu (por enquanto, estou me referindo apenas à pele, dentes, cabelo e audição, pô!). Quanto ao resto, só o tempo dirá, mas imagino que o futuro seja meio tenebroso (a força "gravitacional" tende a ficar mais "intensa"...).
O que quero dizer é que dentro de mim (nada sei dos demais) ainda vive uma parte do menino, uma parte do adolescente, uma parte do jovem adulto. E esse Frankenstein mental às vezes pede atitudes de acordo com a idade que estiver mandando na hora. Mas aí, eu tenho que segurar ao máximo para não parecer retardado ou senil. Essa é a prisão dos idosos tidos como saudáveis, uma prisão feita de normas de conduta e convenções sociais.
 
C' EST LA VIE (19/12/2014)
Natal chegando,
comprar no shopping é inevitável.
Sem paciência para escolher presentes,
meu olhar se perde entre pessoas e vitrines,
no burburinho próprio da época.
Distraído, olho com meus olhos de vinte ou trinta anos.
Quando passo perto de algum espelho, no entanto,
a imagem que retorna é a de um senhor
de mais de sessenta anos,
com ar perplexo e apalermado. Sinistro.
 
ESPELHO (06/10/2016)
Que aconteceu com aquele menino
que sonhava viajar em um Vera Cruz prateado?
Onde se escondeu aquele adolescente inseguro
que queria aprender a beijar lendo um livro?
Onde foi parar aquele jovem ingênuo
que um dia encontrou o amor de sua vida?
Que fim levou aquele pai que dormia,
incapaz de ajudar seus filhos com os deveres?
Onde está aquele homem insensível
que pensava mais em si mesmo?
É esse, aquele velho espantado
que se vê refletido em espelhos paralelos?
 
O MUNDO É DOS JOVENS (29/11/2016)
O mundo é dos jovens. Eu sei que essa é uma frase clichê, mas o mundo é definitiva e irrefutavelmente dos jovens. E isso ficou ainda mais patente com o surgimento das mídias sociais. Mas não me refiro aos que ainda estão na fase da adolescência. Os jovens de que estou falando têm entre dezoito e quarenta e cinco anos. Você poderá me perguntar o que quero dizer com isso. Mas, mesmo que não pergunte nada, já vou esclarecendo: esse é o mundo ao qual eu gostaria de pertencer, essa é a minha tribo ideal.
Não, não estou querendo parecer tiozão nem vestir bermudas com camiseta regata (creio ser esse o nome). Longe de mim essa breguice. O que eu gostaria mesmo é de estar nessa faixa etária. Já disse uma vez que não tenho saudade de épocas, estilos, moda ou ritmos musicais, não curto nostalgia. O que eu tenho - e isso é tristemente real - é saudade de mim mesmo, quando podia fazer as coisas que não fiz ou fiz e não deveria ter feito.
Ser jovem, ser ainda jovem é uma dádiva do Tempo. Aos mais velhos resta a arquibancada, resta observar, criticar (inveja pura) e sentir-se como um estrangeiro em um país ocupado e dominado por jovens.
Quando eu ainda ouvia discos de vinil, às vezes derramava um pouquinho de álcool no centro do disco, para tentar reduzir a chiadeira provocada pelo desgaste decorrente das sucessivas audições. Gostava de ver o álcool ir-se espalhando em direção à borda do LP, numa ótima demonstração da força centrífuga.
Pois bem, hoje eu me sinto como aquele álcool, que vai sendo cada vez mais conduzido para a borda, para a periferia da sociedade. Saudade de mim, entendeu? Estrangeiro? Esse cara sou eu! 
 
DOUPONE (14/12/2017)
A primeira empresa onde trabalhei seguia um protocolo meio bizarro: os engenheiros, o único arquiteto e os estagiários de engenharia eram indistintamente tratados por “doutor”, enquanto os demais profissionais de nível universitário (psicólogos, administradores, contadores e economistas) tinham de se contentar em ser chamados de “senhor”. E eu, um aluno relapso, irresponsável e medíocre, um legítimo doupone, um verdadeiro doutor em porra nenhuma, adorava ser tratado com essa reverência equivocada.
Hoje, aposentado - e, pior, idoso -, espanto-me quando alguém me chama de "senhor" ou de "Seu Zé", pois não é essa a imagem que tenho de mim. Minha carteira de identidade mental ostenta ainda o retrato de um homem mais jovem e mais sonhador. Mas cheguei à conclusão de que preciso me ajustar e atualizar meu perfil, aceitar e assumir definitivamente a idade cronológica que tenho.
Antes que isso aconteça, preciso resolver um paradoxo: quanto mais me chamam de "Seu Zé" mais eu vejo que "Meu" Zé não existe mais, talvez nunca tenha existido. A cada dia que passa sou menos Senhor de mim mesmo, cada vez mais distante dos sonhos e desejos irrealizados. Não sou senhor de nada! Como ser chamado de "Senhor" se nada mais tenho de meu, intrinsecamente meu? O "meu" Zé verdadeiro perdeu-se há muito tempo e nada pode agora resgatá-lo. Assim, quando alguém me chamar de "Seu Zé", pode acontecer de ficar tentado a perguntar "Cadê ele?", onde está ele, o meu Zé desaparecido, talvez até mesmo o doupone que eu fui um dia?
 
REFLEXOS (09/09/2020)
O espelho da sala me olha assustado
Carrancudo é o reflexo na janela
O espelho do banheiro manda um recado
É melhor comportar-me como se espera
De um senhor que tem a minha idade
Minha mente nem se toca e pondera
Que desdenha de normas tão austeras
Que circunspecta senioridade
Exibir é a mais vã das vaidades
É tentar ser o que não se é
E que é inútil ocultar o que se é
Isso sim, um gasto de energia pueril
Pois não há mal em fingir-se infantil.
 
CONFRARIA DAS HIENAS (16/11/2020)
Eu não tiro selfies e sou pouco fotografado em festas (não por vontade própria, talvez por julgamento estético de quem maneja a câmera), mas me atiro no blog com toda a falta de vergonha possível. Se isso faz com que eu pareça ser um tolo, um ingênuo ou alguém digno de pena, não estou nem aí. Quando o número de “seguidores” (detesto essa palavra!) do Blogson passou de dois para nove eu me assustei e comecei a me autopoliciar para não “manchar” minha imagem. Comecei a escolher textos e assuntos (melhor forma de se castrar a criatividade) que pudessem estar à altura dos novos amigos.
Mas resolvi mudar. Vou cada vez mais focar em piadas idiotas, trocadilhos deploráveis e comentários que um idoso nunca deveria fazer. Foda-se! Como minha expectativa de tempo de vida é baixa, eu quero é rir, mesmo que seja sozinho, mesmo que seja de mim mesmo, em qualquer lugar.  Back to basic! Porque agora o que eu quero mesmo é entrar para uma confraria que cultive e aprecie o riso. E que ele seja crítico e politicamente incorreto, provocado pela ironia, sarcasmo, deboche ou maledicência. Se não existir, vou acabar criando uma. E, lembrando-me de uma piada antiga sobre um grupo de crianças no zoológico, já tenho até nome: Confraria das Hienas.

 

terça-feira, 8 de outubro de 2024

PORTA DE ENTRADA – ROSEMARY LOMELINO

Ao me enviar pelo whatsapp o texto a seguir, minha mulher já avisou:
- Você vai adorar o texto que mandei para você. A autora é minha prima.
 
Ela tinha razão, pois eu gostei demais do que li. E descobri que talvez eu seja um ageless. Não sabe o que é “ageless”? Então leia o texto, pô!
 

A terceira idade é uma porta de entrada para novas experiências. Você concorda?
 
Envelhecer é um processo natural e que ocorre com todos nós, desde o momento em que nascemos, começamos a envelhecer. Porém, quando chegamos a uma certa idade, começam as conversas e preocupações em colocar em caixinhas o que o envelhecimento de uma pessoa deve significar.

E então, é aí que entra o ageless. Já ouviu falar? A palavra vem do inglês e significa “sem idade”. E é exatamente isso que as novas gerações de idosos querem: assumir que envelhecem, enquanto mantém a rotina e a autonomia. O termo refere-se às pessoas que não se identificam com os estereótipos consolidados pela sociedade para indivíduos de sua faixa etária
 
Essa ideia tem quebrado estereótipos e mudado a forma como as marcas enxergam os consumidores. Hoje, as pessoas não precisam ficar presas às pressões do tempo ,seja na forma de se vestir, agir ou expressar suas opiniões e curtir hobbies. Com o aumento da expectativa de vida em todo o mundo, iniciou-se uma discussão sobre ter qualidade de vida, preservando hábitos saudáveis e abraçando a chegada da terceira idade.
 
O ageless vem na contramão do etarismo, tem o objetivo de romper ideias pré-estabelecidas e abarcar aquelas pessoas mais velhas que têm comportamentos diferentes dos tradicionais. Se você tem dúvida se pode se considerar ageless, faça a seguinte pergunta: Procuro manter a mente e o corpo ativos com frequência e me considero detentor de um “espírito jovem”? Se sim, pode comemorar, você é um “sem idade”.
 
A idade está na mente de cada um. Chico Xavier já dizia que tinha o corpo de um velho de 92 anos, mas que a mente era de um jovem de 20. Quando tive o primeiro contato com a literatura sobre esse termo, me identifiquei de imediato.

Os cientistas da Harvard School of Public Health, demonstraram que um dos segredos da vida longa é o otimismo. Na pesquisa, a equipe acompanhou 159 mil mulheres, sendo que as mais felizes tinham mais chances de ultrapassar os 90 anos. Também é fundamental manter laços sociais e contatos presenciais com familiares e amigos. Além de atividades físicas, alimentação equilibrada e manter o espírito curioso, a vontade permanente por aprender coisas novas. Estes são os principais segredos para a longevidade saudável!
 
O psicólogo Adriano da Silva Rosendo em artigo na revista científica Psicologia em estudo diz: “Alguns indivíduos pretendem passar pelos anos sem necessariamente envelhecer. Ao contrário de abrir novas oportunidades para a velhice, a expectativa de vida cada vez maior tem revitalizado alguns anseios humanos muito antigos, como burlar, reverter, ocultar e transcender o envelhecimento”. Cada um pode ser livre para se comportar, se vestir e viver como achar adequado, sem expectativas sociais impostas.
 
Esqueça aquela antiga ideia sobre o envelhecimento e os estereótipos que foram criados sobre a terceira idade, como as avozinhas que passavam o dia na cadeira de balanço. As pessoas estão envelhecendo, enquanto continuam ativas.
 
A sociedade sempre depositou uma supervalorização em cima da idade e criam o sentimento de depreciação da velhice. O ageless é um estilo de vida que vem para quebrar esse paradigma sobre envelhecer. Aprender a nadar, andar de bicicleta, tocar um instrumento, abrir um negócio, fazer “algo” novo, etc.: não tem uma idade certa.
 
E se você gostou, e quer entender melhor a geração ageless, recomendo os filmes:
- Um Senhor estagiário; Grace e Frank; Viver duas vezes; O exótico Hotel Marigold; Um amor de vizinhança; O curioso caso de Benjamim Button e A incrível historia de Adaline.. 

domingo, 6 de outubro de 2024

PROPAGANDA ELEITORAL

 
Hoje, dia de eleições municipais pelo país afora, eu tenho mais um motivo para alegrar-me por morar em Belo Horizonte – não corro o risco de que um bando de idiotas eleja como novo prefeito um sujeito que divulga laudo médico falso só para prejudicar seu concorrente.
 
Repetindo o que já disse antes, O que se pode dizer daqueles para quem "os fins justificam os meios"? Que não têm princípios, lógico.

sábado, 5 de outubro de 2024

ALGUNS AFORISMOS DE SCHOPENHAUER

 
Uma das coisas que eu mais curto são aforismos formulados por gente que pensa, pois, parafraseando o Vinicius de Moraes, os muito burros que me perdoem, mas inteligência é fundamental. Por isso, depois do texto encontrado no Facebook, resolvi “escavar” o que Arthur Schopenhauer disse de interessante. E descobri no site “O Pensador” um porrilhão de textos e frases, tantas que renderão dois posts (sou menos bobo do que pareço).
 
Além de sua filosofia, Schopenhauer ficou conhecido por seu temperamento difícil e sua relação tensa com outros intelectuais de sua época. Antes, entretanto, é bom saber que “Schopi” (um pouco de intimidade não faz mal) foi um dos filósofos mais influentes do século XIX, conhecido por sua filosofia pessimista e sua visão da vida como marcada pelo sofrimento. Vejamos o que disse esse mal humorado.

 

A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos.

Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece a existência.

Quanto mais elevado é o espírito mais ele sofre.

O dinheiro é uma felicidade humana abstracta; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele.

Vista pelos jovens, a vida é um futuro infinitamente longo; vista pelos velhos, um passado muito breve.

As religiões, assim como as luzes, necessitam de escuridão para brilhar.

Ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima!

O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem.

O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita pela qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm!

Ler quer dizer pensar com uma cabeça alheia, em lugar da própria.

Quando a felicidade se apresenta devemos abrir-lhe todas as portas porque jamais foi considerada inoportuna.

O que torna as pessoas sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si mesmos.

Por sabedoria entendo a arte de tornar a vida mais agradável e feliz possível.

A honra é, objetivamente, a opinião dos outros acerca do nosso valor, e, subjetivamente, o nosso medo dessa opinião.

Em geral, chamamos de destino às asneiras que cometemos.

O que temos dentro de nós é o essencial para a felicidade humana.

As causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações.

Importante não é ver o que ninguém nunca viu, mas sim pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê.

Em geral, nove décimos da nossa felicidade baseiam-se exclusivamente na saúde. Com ela, tudo se transforma em fonte de prazer.

Certamente a vida não existe para ser aproveitada, mas para ser suportada e despachada... De fato, é um conforto na velhice ter o trabalho da vida por trás de si.

Todas as pessoas tomam os limites de seu próprio campo de visão, pelos limites do mundo.

Nem todos os loucos ou burros são fanáticos, mas todos os fanáticos são loucos ou burros.

Em presença de imbecis e loucos, há somente um caminho para mostrarmos nossa inteligência: não falar com eles.

O que um indivíduo pode ser para o outro, não significa grande coisa, no fim cada qual acaba só. Ser feliz, diz Aristóteles, é bastar-se a si mesmo.

Não diga a um amigo nada que você esconderia de um inimigo.

O destino é cruel e os homens são dignos de compaixão.

Os primeiros quarenta anos de vida nos dão o texto; os trinta seguintes, o comentário.

Desconsiderar é ganhar consideração.

No fundo, apenas os pensamentos próprios são verdadeiros e têm vida, pois somente eles são entendidos de modo autêntico e completo. Pensamentos alheios, lidos, são como sobras da refeição de outra pessoa, ou como as roupas deixadas por um hóspede na casa.

A ignorância só degrada o homem quando se encontra em companhia da riqueza.

Gosto da minha solidão, mas você se surpreenderia com o tamanho dela.

A soma de barulho que uma pessoa pode suportar está na razão inversa de sua capacidade mental.

A simplicidade representa o último degrau da sabedoria.

O médico vê o homem em toda a sua fraqueza; o jurista o vê em toda a sua maldade; o teólogo, em toda a sua imbecilidade.

Um insulto supera qualquer argumento.

Quem não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.

É melhor não dizer nada do que ter um diálogo estéril e burro em conversas com os bípedes.

Para muitas pessoas, os filósofos são noctívagos inoportunos que as perturbam durante o sono.

O conhecimento é limitado, só a estupidez é ilimitada.

A intolerância é intrínseca apenas ao monoteísmo: um deus único é, por natureza, um deus ciumento, que não tolera nenhum outro além dele mesmo.

Existe no mundo apenas um ser mentiroso: o homem. Todos os outros seres são verdadeiros e sinceros, pois mostram-se abertamente como são e manifestam o que sentem.

Se você for educado e simpático, as pessoas ficam dóceis e obedientes. Assim, a polidez faz com a natureza humana o mesmo que o calor faz com a cera.

A única alegria do rebanho é quando o lobo come a ovelha do lado.

Devemos nos proteger da familiaridade e das amizades idiotas.

Melhor deixar que os homens sejam como são do que acreditar no que não são.

Raramente pensamos no que temos, mas sempre no que nos falta.

É penoso ouvir roucos cantarem e ver mancos dançarem; mas saber de mentes limitadas que filosofam é insuportável.

Considere todos os assuntos pessoais como secretos, e mantenha-se distante até de amigos próximos. Se os fatos mudarem, saber de algo, por mais inofensivo, a seu respeito será desvantagem para você

-Metade da sabedoria consiste em não gostar nem odiar, Ficar calado e não acreditar em nada é a outra metade.

Esquecer os defeitos de um homem é como jogar fora dinheiro que se custou a ganhar. Devemos nos proteger da familiaridade e da amizade idiotas

A única forma de um homem se manter superior aos demais é mostrar que não depende deles

Todo pobre-diabo que não tem nada no mundo do que possa se orgulhar escolhe a nação a que pertence como último recurso para sentir orgulho: desse modo, ele se restabelece, sente-se grato e pronto para defender com unhas e dentes todos os erros e absurdos próprios dessa nação.

O tipo mais barato de orgulho é o orgulho nacional

 

 

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

EXERCÍCIO DE HUMILDADE

 
“O fato de fingir uma qualidade, de vangloriar-se dela, é uma confissão de não possuí-la. Quando uma pessoa se gaba de qualquer coisa, seja coragem, instrução, inteligência, gênio, sucesso com as mulheres, posições sociais, se poderá deduzir que é precisamente nesse particular que lhe falta algo”. 
Este texto foi publicado no Facebook e é atribuído a Arthur Schopenhauer. Morro de medo de citar a autoria de textos ou frases que encontro nessa rede social, graças aos malucos que gostam de prostituir textos, atribuindo-os depois a quem não os escreveu. 
Neste caso, pouco me importa se o Schopenhauer é ou não seu autor, só posso dizer da pessoa definida no texto: Esse cara sou eu!
 
 
"Nas pessoas de capacidade limitada, a modéstia não passa de mera honestidade, mas em quem possui grande talento, é hipocrisia". (Schopenhauer)

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

O BOM SENSO É SEMPRE UM BÁLSAMO

Dia desses li em algum portal de notícias um artigo escrito por Thaís Nicoleti e publicado pela Folha de São Paulo. O título muito atraente e sedutor era “Alterar estruturas da língua pode alterar as relações sociais?” e o subtítulo, para mim, já respondia muitas de minhas dúvidas, ao registrar que “Conjunto de falantes é o árbitro das mudanças linguísticas”. Gostei tanto do que li que tentei copiá-lo para fazer uma postagem aqui no blog. Infelizmente, não consegui, pois a Folha é muito fresca e não permite cópia do que publica. Talvez, se eu fosse assinante até conseguisse, mas não sou.
 
Mas Jotabê é brasileiro e não desiste nunca. Por isso, a solução foi dar vários prints no texto, jogar as imagens numa página em branco do Word e depois digitar palavra por palavra, uma trabalheira filhadamãe. Mas consegui.
 
Por questões de direitos autorais, imagino não poder transcrever o texto todo, mas algumas partes acho que dá para reproduzir. Tentei também descobrir quem é Thaís Nicoleti e descobri que “é professora de português. Consultora de língua portuguesa no jornal brasileiro Folha de S. Paulo, escreve sobre este tema na coluna Vale a Pena Saber e na Redação do Leitor”. Resumindo, entende pra caramba do assunto. Feitos os devidos esclarecimentos vamos aos trechos que me impactaram. Preciso também avisar que negritei os trechos mais significativos para mim.
 
É sempre interessante observar como nossa língua se comporta diante das tensões que nela se refletem. De uns tempos para cá, muita gente passou a ser corrigida em público nas transmissões ao vivo na internet por uma audiência empenhada em rastrear as marcas de racismo, machismo, homofobia e demais preconceitos que estariam inscritos na língua. Não foram poucos os que passaram a monitorar não apenas a fala alheia como a própria, ciosos de que mudar as palavras é uma forma de mudar o mundo. Talvez seja, talvez não seja. O tempo dirá. (...)
 
O verbo “denegrir” mesmo sendo usado desde o latim no sentido de manchar a reputação, foi um dos principais alvos das cartilhas de letramento racial que apareceram na internet, associado à cor da pele de pessoas, sempre com a advertência de que era muito importante mudar os hábitos linguísticos. A motivação é das melhores; só não sabemos ainda se isso vai contribuir de fato para o fim do racismo e dos demais preconceitos. 
Dia desses ouvi uma pessoa ser corrigida em uma live ao usar a expressão “mãe solteira” que deveria ser substituída por “mãe solo”. A explicação era que “mãe solteira” é uma expressão preconceituosa porque o estado civil não tem nada a ver com a maternidade. Perfeito. Nesse caso, talvez o ideal fosse a supressão do adjetivo: já que não se diz “mãe casada” ou “mãe viúva”, por que dizer “mãe solteira”? Bastaria de dizer “mãe”. (...)
 
Há algum tempo tribunais eleitorais vinham usando com insistência a construção “eleitores e eleitoras” e também “pessoa eleitora”. Parece que as coisas andaram mudando. Em trabalhos acadêmicos, sobretudo na área de humanidades, passou a ser “obrigatório” o uso da linguagem dita “inclusiva”, de modo que onde se lia “os historiadores”, se passou a ler “os historiadores e as historiadoras” – e assim por diante, sempre com as duas palavras, no masculino e no feminino. No meio acadêmico o uso se tornou comum. 
Uma coisa, porém, temos de reconhecer. Essa prática, além de tornar o texto enfadonho, é totalmente desnecessária.(...)
 
A língua é sábia. Ela seleciona o que funciona. Por exemplo, na sala dos professores, reúnem-se pessoas que lecionam na escola (professoras e professores); o sindicato dos bancários congrega pessoas que trabalham em bancos (bancárias e bancários); nesses casos, como em muitos outros, importa a profissão das pessoas, sendo isso o que as unifica (professores, bancários). Já pensou duplicar todos os termos o tempo todo? Ninguém consegue, ninguém aguenta. (...)
 
O problema é que não está a nosso alcance fazer uma mudança desse teor, de caráter estrutural. A língua é uma construção coletiva autogerida. É a coletividade representada pelos falantes que determina o que muda e o que não muda, o que tem cabimento e o que não tem. É fácil perceber isso no caso dos neologismos, que quando úteis ou funcionais, passam a integrar a língua, mesmo que alguns os rejeitem por apego à tradição ou por outro motivo. (...)
 
Não faz tanto tempo que o verbo “acessar” era malvisto pelos gramáticos (em Portugal usa-se “aceder”), mas hoje, embora ainda figure no dicionário “Houaiss” como “informal”, é frequentemente usado na imprensa e nos meios universitários. Sobre as cartilhas de “termos politicamente corretos”, seu valor está em mobilizar discussões e processos de conscientização, mas, na prática, são insuficientes para determinar mudanças definitivas na língua. É sempre o conjunto dos falantes quem define o que funciona – e por óbvio, isso ocorre naturalmente, não mediante algum tipo de enquete. (...)
 
O tempo dirá se a sociedade mudou no rastro das palavras ou se o movimento é exatamente o inverso. Aguardemos.
 
O texto todo e, em especial, as partes em negrito funcionaram como um bálsamo para mim, cada vez mais irritado com as tolices propostas pelos defensores da “linguagem neutra” e incomodado com as adequações de gênero que alguns tentam impor (na marra), ao adotar idiotices como “todes” em lugar de “todos” ou “todas”, “amigxs” ou "amigues" em lugar de “amigas” ou “amigos”. Espero que tenham gostado. Eu gostei, pois ao escrever com conhecimento e elegância sobre um tema que me fascina e atrai, a professora Thaís como que "psicografou" o que eu penso e sinto. 

terça-feira, 1 de outubro de 2024

PARADO, ESTÁTUA!

 
O blogueiro Azarão, imperador plenipotenciário do blog A Marreta do Azarão passou-me uma tarefa ingrata: “fazer o que eu quisesse” com uma notícia sobre a construção e montagem de uma estátua gigantesca do ex-presidente Donald Trump nu em pelo. Publicar um post engraçado sobre notícias bizarras como essa é especialidade do Marreta. Mas, ao me passar a bola passou também a esperança de que eu faça alguma coisa decente com a estátua nua do cabelo de milho (isto ficou muito estranho!).
 
O problema é que eu não possuo a ironia, o sarcasmo e o humor ferino do Azarão. Por isso, decidi bolar um “diálogo de spamtar” entre a (linda) estátua do Davi de Michelangelo e a (tosquíssima) estátua do Trump. Que foi? Não gostou? Não seja bitolado, imagine um universo paralelo onde estátuas batem papo e se ofendem, um universo elástico e fluido onde a distância geográfica não exista ou não faça sentido (puta explicação científica!). Olhaí. 
 

- Bongiorno, credo che non nos conosciamo. Sou la statua del Re David esculpida em mármore por Michelangelo Buonagente.

- Hello, I'm the statue of President Donald Trump que um motherfucker fabricou para me ridicularizar.

- Piacere di conoscerti!

- Thank you.

- E perché te fizeram tão mal acabado?

- Wait a minute! Só because you're made de mármore todo polidinho, isso doesn't give a você o direito de me ofender!

- Ma è vero, va bene che você esteja vecchio e gordo, ma la statua é molto tosca.

- Look who's talking sobre idade! Eu nasci in the 20th century and you were born, I don't know, in the 15th or 16th century (I'm not good at geography).

- Pode ser, ma il mio corpo rappresenta un ideale di bellezza masculina, enquanto o seu...

- Ahahah!!!! "Ideal of beleza masculina”? Com esta little thing que tem entre your legs? Come on, don't make me laugh!

- E tu, con estas canelas finas, la pancia oscena e bunda murcha?

- Oh, is that so? Do you want trocar insultos? Pois saiba that I was the most powerful man on Earth. And I  will be back again, enquanto você não passa de um reizinho de merda de um micro coutry!

- Você diz que “voltará a ser l'uomo più potente della Terra", giusto? Onestamente credo che este gesto che stai facendo dimostri la dimensione della naba che vai levar!

- Quer saber? Cansei de talking to you!

- Immaginami, allora!

- Pinto pequeno, pinto pequeno!

- Bunda mole! Bunda murcha! Cuzão!

           


O TEMPO - MÁRIO QUINTANA

  A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê...