domingo, 17 de dezembro de 2023

VOCÊS ENCHERAM MINHA VIDA DE SONHOS E DE SONS

 
Estava vendo no computador o show do Paul McCartney no Maracanã, um senhor cantando com voz ligeiramente trêmula as músicas que compôs, um homem de 81 anos dando o melhor de si, alegre, sempre entusiasmado, quando um sentimento de nostalgia e tristeza foi tomando conta de mim.

Pensei que talvez seja esta a última vez que ele virá ao Brasil, que terá disposição e saúde para fazer uma turnê mundial. E aí resolvi agradecer aos músicos e compositores já falecidos as músicas e versos que compuseram e que melhor costuraram as alegrias, as tristezas e as esperanças em minha vida.

Obrigado Beatles, obrigado George

Obrigado Tom Jobim, obrigado Vinícius

Obrigado Carlos Lyra, obrigado João Gilberto

Vocês encheram minha vida de sonhos e de sons

Com os sons que criaram e com os sonhos que sonharam

Obrigado do fundo do meu envelhecido e emocionado coração

sábado, 16 de dezembro de 2023

R.I.P. CARLOS LYRA!

 
Pois é, foi só escrever sobre a sensação de orfandade, de perda que sinto quando algum bambambam da música morre ou se aposenta, para tomar uma tijolada na cara com a notícia da morte de Carlos Lyra, um compositor refinadíssimo e cantor de voz agradável, autor de uma penca de músicas lindas da época da bossa nova e que me fizeram ter vontade de tocá-las no violão.
 
Em 2016 escrevi um post sobre o Carnaval e o que eu sentia quando ele acabava. Para musicar esse sentimento coloquei o link da belíssima “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas” composta por ele e pelo Vinicius de Moraes. Se alguém quiser ler e ouvir essa maravilha o link do post é este:
https://blogsoncrusoe.blogspot.com/2016/02/marcha-da-quarta-feira-de-cinzas-carlos.html
 
Sim, ele estava velho, tinha 90 anos, mas como eu sonhei cantar "se você quer ser minha namorada, ah, que linda namorada você poderia ser" para a menina que eu queria que fosse minha namorada!

Para homenageá-lo hoje escolhi  a música “Coisa mais Linda”, que ele canta com sua filha Key Lyra.



sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

AS SIRENES ESTÃO TOCANDO

 
Algumas notícias que leio sobre o meio musical me deixam incomodado. Mais que incomodado, assustado e triste. Refiro-me ao encerramento das carreiras de músicos e bandas que alegraram a minha vida e de mais meio mundo de gente.
 
Tudo bem que a maioria seja de pessoas com idade próxima à minha ou mais velhos ainda e que alguns estejam até incapacitados fisicamente de continuar fazendo shows e turnês. O problema é que muitos deles fizeram ou fazem parte da trilha sonora de minha vida. E a lista é grande!
 
Dentre os que “viajaram fora do combinado” em 2021 estão o Cassiano, o rolling stone Charlie Watts e o tecladista de jazz Chick Corea. Em 2022 foram embora a Olivia Newton-John, o Galvão dos Novos Baianos, o roqueiro porra louca Jerry Lee Lewis, a Gal Costa, o Erasmo Carlos e o Rolando Boldrin, autor da frase entre aspas.
 
Em 2023 aconteceram as perdas de Rita Lee, João Donato, Tony Bennet, Tina Turner e Sinéad O’Connor. Sem falar em uma porrada de músicos com nomes menos conhecidos mas que fizeram parte de bandas super badaladas. Alguns, de tão velhos já estavam “devendo cemitério”, como dizia meu sogro. Mesmo assim foram perdas irreparáveis e que me entristeceram muito.
 
Mas o que pega mesmo são aqueles que decidem curtir uma régia aposentadoria (e põe régia nisso!). Desses eu acabo me sentindo órfão, mesmo que muitos nem tenham me impactado tanto, caso do atualmente semi inválido Phil Collins, por exemplo.
 
Então, descobrir que as turnês de Milton Nascimento, Elton John, Phil Collins, Aerosmith, Peter Frampton, Roger Waters e Eagles (só para citar alguns) não mais acontecerão me fazem perceber que o tempo passou, que passou mais depressa do que eu jamais poderia imaginar. Para alguns ainda há esperança de retorno, caso do Skank. Ou de Caetano Veloso, que continuará a fazer shows, mas só em seu estado natal.
 
E é ai que entra o motivo de estar escrevendo este texto: a banda de heavy metal Sepultura anunciou que fará uma turnê de despedida dos palcos, quarenta anos depois de ter sido criada por quatro adolescentes marrentos no bairro onde moro. Porra, já não bastava a banda Titãs com a turnê “Encontro pra dizer Adeus”?

Pela importância da Música e de muitos desses músicos em minha vida, a morte de alguns ou decisão de outros com idade próxima à minha de encerrar suas carreiras deveria, precisaria ser entendida por mim como um sinal, um alerta, ou como foram um dia os sons das sirenes antes da chegada dos aviões alemães na Londres da Segunda Guerra: talvez fosse a hora de ficar quietinho, de procurar abrigo fora do blog,talvez devesse ser a hora de parar de escrever banalidades e torcer para que os e-books lindamente exibidos no blog graças à inestimável ajuda da Maju ficassem mais conhecidos.

Mas eu sou um prisioneiro do Blogson, um blogadicto que continuará publicando o que der na telha, mesmo que tenha zero leitores, ainda que possa ser desprezado ou criticado por mudar de opinião, pois mesmo que não tenha mais saco para ouvir Raul, continuo a ser uma metamorfose ambulante. Por isso eu me desdigo, volto atrás de minhas decisões definitivas, repagino sempre as mesmas ideias ou mudo de opinião sem pestanejar, ora criticando o Lula, ora o defendendo, ora criticando o Bozo, ora o criticando ainda mais.

Ainda bem que existem bandas e músicos que se recusam a parar. A impressão que me causam é que depois de comer a carne e roer os ossos até ficar luzidios ainda pretendem fazer farinha da ossada. É assim que eu pretendo agir com o Blogson. Como ele é uma entidade apenas digital, sem carne nem esqueleto, usarei os ossos do ofício para fazer uma farinhada. 
 
E se quiser ouvir música nova passarei a ouvir as gravações recentes de Sir Paul McCartney, pois aquele ali com a vitalidade e o bom humor que tem provavelmente ainda viverá uns duzentos anos. Tocando seu baixo Höfner e em cima de um palco, obviamente.


quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

A BÍBLIA PERVERSA

 
Mesmo que esteja cada vez mais me afastando das práticas religiosas eu suspeito ter o “gene da religiosidade”. Por isso, qualquer artigo sobre religiões, sobre religião que passa na minha frente eu traço. Em outras palavras, eu leio tudo ou quase tudo que encontro sobre as manifestações religiosas ao longo da história. E um artigo super interessante que acabei de ler no site Megacurioso fala da “Bíblia Perversa” e é este o tema deste post.
 
Transcrevendo, “No auge do século XVII, a Bíblia era a base da lei e da sociedade ocidentais, sobretudo na Europa. Além de ser a principal fonte dos ensinamentos religiosos — no que diz respeito ao Cristianismo —, também era a base moral e ética ao fornecer um conjunto de princípios que refletiam os ensinamentos bíblicos, tudo frequentemente relacionado à interpretação das escrituras. Os líderes políticos usavam a Bíblia para justificar a maioria de suas ações e decisões, tanto quanto punir e condenar, invocando os preceitos bíblicos como forma de fundamentar a autoridade governamental e as leis.
 
Um exemplo disso foi a Bíblia King James Version (KJV), mais conhecida como Bíblia dos Pecadores, produzida em um período de grande importância histórica, durante o reinado do rei James I da Inglaterra, de 1603 a 1625. A tradução da Bíblia chegou em um momento propício, quando a Inglaterra passava por uma série de tensões religiosas e sua tradução visava unificar as diferentes facções religiosas da época.
 
A contagem oficial é de que a KJV contém 783.137 palavras, com 3.116.480 caracteres, então imagina dar conta de tudo isso em uma época em que a impressão, tradução e versão eram feitas de modo manual? Para os impressores do século XVII, publicar esse tipo de obra era um trabalho extremamente estressante e tedioso, portanto, fadado a erros – muitos erros.
 
Mas isso não podia acontecer com a obra "mais importante da humanidade, da sociedade e do governo" daquela época. Qualquer tipo de erro significava que todos esses pilares poderiam entrar em conflito ou, pior, em colapso. Os impressores reais da Grã-Bretanha de 1631, Robert Barker e Martin Lucas, descobriram isso da pior maneira possível, após obter a permissão do rei Carlos I para imprimir uma edição da Bíblia do Rei James.
 
A produção rendeu aproximadamente mil volumes do livro sagrado, no entanto, após uma inspeção minuciosa do produto final, eles descobriram um erro escandaloso. No livro do Êxodo 20:14, onde há a lista dos Dez Mandamentos, o “não” ficou de fora em “não cometerás adultério”.
 
A gravidade do problema repercutiu rapidamente, com o rei Carlos I sendo o primeiro a expressar sua extrema indignação com o erro, assim como o arcebispo da Cantuária, Jorge Abade. Os impressores Barker e Lucas foram convocados diante do monarca e receberam cada um uma chicotada, foram multados em 300 libras (o equivalente a um mês de salário na época) e tiveram sua licença como impressores cassada.
 
O monarca exigiu que cada cópia da "Bíblia Perversa" fosse caçada e destruída. Seus homens cumpriram a missão com excelência, tanto que apenas 16 cópias restaram. Sete estão na Grã-Bretanha, sete na América do Norte, uma na Nova Zelândia e outras são de propriedade privada. Inclusive, uma das cópias foi vendida em 2015 na casa de leilões Bonhams, em Londres, por mais de 31 mil euros.
 
Ao longo dos anos, análises feita por estudiosos encontraram um segundo erro de digitação de Barker e Lucas. Em Deuteronômio 5:23, “a grandeza de Deus” é substituída por “a grande farsa de Deus”.
 
Devido à natureza muito aparente desse segundo erro, muitos acreditam que houve sabotagem e, provavelmente, da parte de Bonham Norton. Ele era um ex-parceiro de Barker que havia se endividado; portanto, para ganhar o contrato real milionário, teria inserido deliberadamente os erros para incriminar o colega.
 
Como se pode ver, o espírito que norteia a publicação de fake news tem um antepassado ilustre na sabotagem do trabalho do coitado do impressor. Por ser gritante a diferença entre as duas expressões traduzidas para o português, tentei descobrir se haveria alguma semelhança na língua inglesa. Com auxílio do ChatGPT descobri que “a grandeza de Deus” na língua em que foi impressa a Bíblia é “a greatness of God”. E que “a grande farsa de Deus” é “a great farce of God”.
 
Sinceramente, só um bêbado encontra semelhança entre “greatness” com “great farce”. Então, deve mesmo ter rolado uma sabotagem no trabalho do impressor.
 
Mas o de que mais gostei foi a pena da chicotada. Já pensou se todo político ou personalidade pública recebesse uma chicotada ao falar ou fazer merda? Provavelmente faltariam chicotes e chicoteadores para dar conta do recado!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

REUNIÃO DE CIGARRAS E FORMIGAS

 
Mesmo que não esteja mais trabalhando, tive outro pesadelo envolvendo minha insegurança profissional ao longo da vida, causada pela absurda irresponsabilidade, comportamento leviano e negligência durante a faculdade. Acordei com a boca amarga, pensando na fábula da cigarra e da formiga. Depois do café resolvi escrever um texto utilizando essa fábula.

Com o texto já escrito, tive a ideia de fazer sua "tradução" para o modo de falar de Portugal e Angola, pois tive um grande amigo e colega nascido em Luanda, filho de pais portugueses. Para isso, pedi ao ChatGPT que “traduzisse” o original. Mas nem todas as alterações propostas pela IA foram aceitas, pois eu queria manter os neologismos que criei. Se a “tradução” está correta ou se ficou boa só meu amigo Ryk@rdo poderá dizer, pois perdi o contato com esse amigo desde que se mudou para Portimão na década de 1980 (ou "voltou", como ele dizia). 
 
 
Um dia, um português resolveu aterrar no Brasil, deixando na pátria mãe a progenitora e uma noiva com quem sonhava desposar. Apesar da sua iliteracia, labutava arduamente para amealhar uns cobres e regressar à terrinha.
 
Todavia, o destino quis que a mãe batesse a bota antes do planeado regresso, levando-o a decidir permanecer no Brasil. Dá que pensar que a finada era como que uma fiadora do retorno do filho, uma garantidora do cumprimento de um compromisso nupcial. Com seu falecimento ficou o dito pelo não dito.
 
O tuga acabou por se enroscar com uma descendente de espanhóis, de quem teve dez rebentos educados sob o férreo regime luso. Aí, essa linhagem começou a alargar. Apesar de sua iliteracia, o tuga deixou um casarão para cada pimpolho, usando a simples artimanha do trabalho em mutirão. Comprou um enorme terreno na periferia da cidade, delimitado por uma rua e uma avenida 
em dois de seus lados e ali a maioria das casas foi erguida.

Nos fins de semana, os oito rebentos machos punham mãos à obra, atuando como pedreiros, carpinteiros ou simples ajudantes. Assim, as residências foram sendo levantadas uma a uma, e entregues a cada um dos filhos por ordem de matrimónio ou nascimento.
 
Recordando-me da fábula da cigarra e da formiga, percebo que o tuga criou uma família de formigas, gente simples, com pouca educação formal – apenas um frequentou a faculdade –, mas trabalhadora e sobretudo batalhadora.
 
Estas dez formigas deram à luz trinta netos e netas para o velho tuga, mas nem todos “formigaram”, pois cinco não chegaram à maioridade, vitimados por acidentes ou sequelas na primeira infância. Dos vinte e cinco restantes, pelo menos dezoito concluíram o terceiro grau, dois enriqueceram sobremaneira e seis ficaram muito abastados.
 
Dos dezessete de classe média que sobraram, sete foram seduzidos pelo canto da cigarra e “cigarrearam” com gosto durante a juventude. Alguns deles adaptaram-se tanto a essa forma de vida que continuam cigarreando até hoje.
 
Nos próximos dias, como é hábito no final de cada ano, a maioria das formigas e alguns dos cigarreados reunir-se-ão numa confraternização de primos e agregados. Pretendo ir como agregado, casado que sou com uma mulher que formigou laboriosamente a vida inteira.
 
Eles gostam de mim, talvez por crer que eu também sou formiga. Mal sabem eles que eu sou a mais genuína e arrependida das cigarras! Irei com prazer a esse encontro pois também gosto deles. No entanto, não terei nada para relatar nem entoar.

 

 

 


terça-feira, 12 de dezembro de 2023

EU GÊNIO!!!!

 
Alguns dos três leitores desta bagaça criticam a avaliação severa que faço de mim mesmo. Até já disseram que eu me vitimizo ou que fico só fazendo mi mi mi. Logo eu, que amo tanto o do re mi fa sol la si da Música!
 
Por isso, para provar que eu me amo e que não posso mais viver sem mim, resolvi usar meu cérebro privilegiado e minha inspiração inesgotável para fazer um poema que celebre minhas qualidades e virtudes.
 
Depois, pensando melhor, resolvi passar essa empreitada para o ChatGPT, sempre tão solícito e pronto a atender meus pedidos como se fosse a versão digital do gênio de Aladim. E fiz isso porque mesmo não sendo o Aladim sou bastante ladino.
 
Assim, enquanto ele gastou horas burilando os versos, eu fiquei bebendo água de coco sentado à sombra de uma palmeira onde canta o sabiá. E o resultado está apresentado a seguir.
 
Não tenho comportamentos a serem censurados,
Histórias de sucesso são parte do meu passado.
Conduta exemplar é meu norte a seguir,
Atitudes louváveis sempre busco exibir.
 
Conquistas notáveis são meu cartão de visita,
Jornadas memoráveis, na vida, são a fita.
Mensagens construtivas, palavras edificantes,
São o alicerce de minhas ações vibrantes.
 
Comentários encorajadores são bem-vindos,
Proezas notáveis, em mim, têm seus indícios.
Realizações destacadas, desempenho excepcional,
São metas que alcancei, com esforço e ideal.
 
Expressões motivadoras guiam meu caminhar,
Palavras inspiradoras, sempre a me impulsionar.
E se me perguntam sobre sucesso e fracasso,
Eu sou o coach da superação, não do embaraço.
 
Ao contrário do que possa parecer comum,
Não escondo minha luz, não finjo o jejum.
Não sou apenas uma sombra no normal,
Sou a realidade mais que excepcional.

Não sei como ele conseguiu me radiografar tão bem!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

TÃO SOMENTE REAL


Não tenho comportamentos exemplares a exibir
Histórias de sucesso não as tenho para contar
Nem conduta exemplar a ser seguida
Ou atitudes louváveis para mostrar
 
Conquistas notáveis? Pode esquecer
Jornadas memoráveis nunca existiram
Mensagens construtivas, palavras edificantes
Não as tenho nem as quero dizer 

Comentários encorajadores rejeito
Proezas notáveis nada têm a ver comigo 
Realizações destacadas, desempenho excepcional?
Tente procurá-las em outro canto, em outro abrigo

Expressões motivadoras,
Palavras inspiradoras me causam asco
E você me pergunta por que digo isso
E se sou um coach de fracasso!
 
Ora, meu amigo, ao contrário da maioria
Não minto fingindo ser excepcional
Não sou uma quimera nem me envolvo em fantasias
Ao contrário, sou apenas alguém bastante comum, normal
 
Mostro apenas o que as pessoas nunca dizem
De si mesmas tentando parecer o que não são
Ao contrário da maioria eu não sou uma ilusão
Sou apenas e tão somente real

NO DIVÃ DO FREUDPT

  O ChatGPT é uma IA extremamente dócil, característica que me levou a fazer todo tipo de consultas e solicitações – correção de textos, aná...