terça-feira, 18 de julho de 2023

A VOZ QUE CLAMA PELO DESSERT

Tenho mantido em banho-maria os escassos comentários feitos pelos dois leitores que se animam a fazê-los por estes motivos: a maioria absoluta dos textos que tenho penosamente publicado ou são esboços escritos há mais tempo, em momentos onde não me sentia tão esgotado física e mentalmente ou brincadeiras com o "Chato do GPT". Alguns textos melhorzinhos são publicados por já existirem no meu computador.
 
Sinceramente, tem sido muito difícil manter o equilíbrio emocional. E, para ser franco, estou sem nenhuma vontade de responder comentários no Blogson ou de comentar qualquer coisa nos blogs desse pessoal. Quero mais é ficar quieto e, se possível, dormindo sonos de uma hora de duração.
 
Além do mais fica o registro: de que adiantam 15 seguidores registrados se apenas dois dão as caras por aqui? Já me acostumei com a falta de comentários, mas fico puto por não ter visualizações coerentes com a quantidade de seguidores, pois o desejo legítimo de um escritor é ser lido. Eu não sou um escritor, não é essa a minha profissão, meu mister (gostou?), mas gosto de ver as estatísticas indicando visualizações mais expressivas desse ou daquele post. Dá trabalho escrever, porra!
 
Por isso é que o antigo lema do Blogson era “o blog da solidão ampliada”. Hoje, depois de ter comido toda a carne e roído os ossos o que eu quero é sobremesa (dessert). Por isso o novo lema é “a voz que clama pelo dessert”, pois posso não ser o João Batista bíblico, mas sempre serei o J. B.
 
Para terminar, deixo claro que mesmo não seguindo ninguém estou sempre bisbilhotando os blogs alheios, mas agora sem nenhuma vontade de comentar porra nenhuma. E definitivamente não forneço meu e-mail ou zap para ninguém. Afora isso, a moderação dos comentários continua.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

MEU CORAÇÃO É DO TAMANHO DE UM CACHORRO

 
Meu coração é do tamanho de um cachorro. Uma frase dita assim pode levar alguém a pensar que estou delirando. Mesmo que em tempos recentes e devido ao cansaço e impossibilidade de dormir eu tenha tido pensamentos delirantes, não estou delirando agora. Este título surgiu por causa de um cãozinho abandonado que vi ao passar de carro por uma rua deserta.
 
Essa rua tem apenas uns cem metros de comprimento e é ocupada por um estacionamento abandonado, um ginásio utilizado apenas em alguns fins de semana, dois imóveis comerciais vazios, um lote vago e apenas um pequeno prédio de seis apartamentos. Essa situação de quase abandono tem atraído a atenção de dois ou três moradores de rua que a utilizam para dormir deitados sobre caixas de papelão e pedaços de espuma.
 
Por morar em rua de mão única eu sempre a utilizo para retornar ao interior do bairro ou para encurtar caminho quando pretendo ir em direção ao centro da cidade. E foi em uma dessas vezes que eu o vi. Tinha a aparência de assustado, talvez esperando que o antigo dono aparecesse para levá-lo de volta para a casa de onde fugiu ou de onde saiu por um portão mal fechado para explorar este vasto mundo.
 
Além da visível perplexidade e movimentos indecisos, o que mais chamou minha atenção foi o fato de ser muito gracioso, com orelhas longas e pontudas e usar no pescoço uma corrente de grossos elos, mais apropriados para conter um rottweiler, nunca um cãozinho com a aparência de ser muito dócil..
 
Diminuí tanto a velocidade do carro para vê-lo que ele ficou me olhando com a cabeça meio inclinada, talvez esperando que fosse eu o seu salvador. Naquele dia, embora fosse pouco mais de seis da manhã, eu estava particularmente triste, incomodado e comovido com a quantidade de pessoas em situação de rua que tenho visto pelo bairro. Não sei precisar quantos, mas são muitos, geralmente homens, provavelmente prisioneiros do crack.
 
Mesmo sabendo que talvez estejam nessa vida pelas escolhas horríveis que fizeram não consigo deixar de sentir pena, muita pena por essa situação de abandono e desamparo, ainda mais agora, nesta época de baixas temperaturas. E foi esse mesmo sentimento que o cãozinho despertou em mim.
 
Tentei encontrar seu dono através de um perfil coletivo do Facebook, disse onde o tinha visto e dei alguns detalhes sobre sua aparência – de raça indefinida, pequeno, gracioso, pelo branco, com uma grossa corrente no pescoço, etc. Algumas pessoas responderam dizendo tê-lo visto em outras ruas e teve até uma alma caridosa que o alimentou e até publicou uma foto sua, mas o antigo dono nunca apareceu.
 
Um dia sumiu. Passei várias vezes pela rua para tentar vê-lo, mas nada. Imaginei que talvez tivesse reencontrado o antigo dono ou sido adotado por um novo, atraído pela visível docilidade e beleza do cachorrinho. Confesso que senti um pouco de alívio pela possível solução do problema e uma ponta de inveja do sortudo que o acolheu.
 
Nunca tive tanta vontade de possuir um cachorro! Não um cachorro qualquer, de alguma raça de nome pomposo e que custa uma pequena fortuna. Não, tudo o que eu queria era aquele cãozinho de olhar assustado, só para dar a ele o carinho que talvez tenha se acostumado a receber. Meu coração dói ao pensar nas privações que sofrem os moradores de rua, mas não tenho condições de ajudá-los. Talvez por isso eu tenha canalizado meus sentimentos para um novo morador de rua, um cãozinho bonitinho e abandonado.
 
Anteontem eu o revi na mesma rua, mas alguma coisa mudou em seu comportamento. Estava sem a corrente no pescoço e demonstrou ter medo sabe lá Deus de que, pois saiu em disparada quando entrei na ruazinha. Diminuí a velocidade para vê-lo, mas ele correu mais um pouco e se apertou entre as barras da grade de um dos prédios abandonados, numa clara tentativa de se proteger.
 
Tudo bem, cachorrinho, mesmo que eu não possa tê-lo para me fazer companhia, jamais lhe faria mal. Talvez você tenha mais sorte que os moradores de rua que dormem sobre caixas de papelão. Só espero que a nova vida de cachorro vadio lhe seja leve.



domingo, 16 de julho de 2023

PÚRPURA


Minha mulher amou o livro "O menino do dedo verde", mas nunca me interessei em ler a história, apesar de tê-lo aqui em casa. Depois de mais uma noite mal dormida tudo o que eu menos tenho hoje é paciência e lirismo. Por isso rascunhei este lixo abaixo, sem conseguir atingir a ironia que buscava. Se não estivesse tão triste e cansado talvez eu dissesse "Ficou ruim? Foda-se. Não gostaram? Fodam-se. Eu quero que o mundo todo se foda!" Mas o que eu desejo mesmo agora é só um sono reparador (que não terei).

O menino do dedo roxo
Não era o que parecia
Era doentio duende
Um dedo pintado de púrpura
 
Usado para escolher
A quem abater buscaria
Pois nisso se comprazia
Era esse seu mister
 
Sem valores morais a seguir
Tudo que ele tocava
Sem culpa ou vocação para mártir
Logo, logo fenecia
 
Mas se você me perguntar
Qual a moral e final dessa história
Não saberei te contar
Não ando bem de memória

sábado, 15 de julho de 2023

A PANELA DE PRESSÃO CÔMICA

 
Puta que pariu! Esse ChatGPT é um estudante jubilado de jornalismo ou letras, pois não escreve nada que preste! Olha o pedido que fiz ao escrotão:
 
“A síndrome de burnout está relacionada à atividade profissional. Mas eu, como aposentado e atualmente sujeito a um stress extremo, creio estar padecendo de sintomas semelhantes. E posso até me considerar um trabalhador à moda antiga (mesmo que não remunerado), pois hoje sou um cuidador de idoso. Eu preciso do riso como se fosse a válvula de uma panela de pressão, que a impede de explodir. Por favor, faça uma pequena crônica bem humorada sobre isso, mas não venha com pieguice. Obrigado”.
 
Olha o que o canastrão virtual escreveu (em vez de rir eu quase chorei de tristeza): 
Antonio e Sebastião são velhos “amigos”? 
Sem sacanagem, olha o final do texto idiota: 
“Antônio e Sebastião desafiavam juntos as adversidades do dia a dia, com muito bom humor e amor”.
"Amor”? “Sebastião”? Eu devia ter escrito IDOSA! Eu sou hetero, porra! E ainda agradeci antecipadamente! Olha o lixão aí:
 
A Panela de Pressão Cômica
Era uma vez um aposentado chamado Antônio, um sujeito pacato que havia decidido abraçar a nobre tarefa de cuidar de um idoso, seu velho amigo Sebastião. Embora não remunerado, Antônio levava seu trabalho a sério, como se fosse um autêntico trabalhador à moda antiga. Ele entendia que, mesmo sem um crachá ou contracheque, sua missão de cuidador exigia dedicação e comprometimento.
No entanto, com o passar do tempo, Antônio começou a sentir os efeitos do estresse extremo. As demandas constantes de Sebastião, que às vezes parecia ter uma lista interminável de reclamações e exigências, começaram a pesar sobre ele. Antônio percebeu que estava começando a exibir sintomas semelhantes aos da famosa síndrome de burnout.
Decidido a não deixar o estresse dominar sua vida, Antônio teve uma ideia brilhante. Ele pensou: "O riso é a melhor válvula de escape para a pressão acumulada, assim como uma panela de pressão precisa da sua válvula para evitar uma explosão." E assim, ele decidiu adotar uma estratégia incomum para enfrentar o desafio diário de ser cuidador.
Antônio transformou a rotina com Sebastião em uma verdadeira comédia. Ele passou a criar situações engraçadas e a contar piadas durante o dia todo. Quando Sebastião acordava de mau humor, Antônio o recebia com uma imitação exagerada de um personagem famoso, fazendo o velho rir mesmo contra a vontade.
Durante as refeições, Antônio se transformava em um chef atrapalhado, derrubando ingredientes e fazendo caretas engraçadas enquanto preparava os pratos. Ele inventava histórias mirabolantes para entreter Sebastião, que não resistia e soltava gargalhadas. Até mesmo a hora do banho se tornou uma festa, com Antônio fazendo dublagens engraçadas de personagens de desenhos animados enquanto ajudava seu amigo a se lavar.
Aquela casa, que antes era palco de tensões e preocupações, agora estava repleta de risadas contagiantes. Antônio descobriu que o poder do humor era capaz de aliviar as tensões e transformar o ambiente. Ele percebeu que não importava se era um trabalho remunerado ou não, o cuidado e a atenção que ele oferecia a Sebastião eram valiosos e mereciam ser vivenciados com alegria.
Com o tempo, Antônio notou que seus sintomas de "burnout à moda antiga" começaram a desaparecer. A panela de pressão cômica funcionava como uma válvula mágica, liberando o estresse e as preocupações acumuladas. Ele percebeu que, além de fazer bem a si mesmo, estava proporcionando momentos de felicidade genuína a seu amigo idoso.
E assim, Antônio seguiu seu caminho como o cuidador bem-humorado, mostrando que a vida pode ser mais leve e divertida mesmo em meio a situações desafiadoras. Ele provou que o riso é uma poderosa ferramenta de enfrentamento, capaz de transformar até mesmo as mais difíceis das tarefas em momentos de alegria.
E assim, a panela de pressão cômica continuou a funcionar, espalhando gargalhadas e dissipando o estresse, enquanto Antônio e Sebastião desafiavam juntos as adversidades do dia a dia, com muito bom humor e amor.

 

quinta-feira, 13 de julho de 2023

SINA DE BURNOUT

 
Não faz muito tempo que eu ouvi a expressão “síndrome de burnout”. Passei meio batido, sem me preocupar com seu significado exato. Depois disso, graças ao stress absurdo vivido por minha mulher e, consequentemente por mim, fiquei pensando que estou próximo de um burnout. E aí fui procurar informações na mãe dos burros, que é a internet. E achei um texto que explica, blablabla, mas diz que é uma síndrome que acomete quem está trabalhando. Achei uma injustiça, mas depois raciocinei que também sou hoje um empregado, mesmo que sem remuneração, pois exerço as funções de “cuidador de idoso”, mais especificamente um cuidador em tempo integral de minha mulher, a quem amo sem medida. E aí resolvi divulgar o texto (mesmo sem saber mais onde o encontrei), pois parece que minha sina é ser burnout, mesmo sem saber o que essa merda significa. É morte súbita? AVC violento? Ataque cardíaco fulminante? Brochada irreversível? O que é afinal o "12º estágio"? Olhaí.

 
Você sabe o que é síndrome de burnout? Talvez você já tenha ouvido falar desse termo, ou então, da síndrome do esgotamento profissional. Qualquer que seja a terminologia que conhece, ambas estão relacionadas ao mesmo problema: a sensação de cansaço, negatividade e de extremo estresse.
 
Desde janeiro de 2022, a síndrome de burnout passou a ser vista como uma doença ocupacional. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome se define como “resultante de um estresse crônico associado ao local de trabalho que não foi adequadamente administrado”.
 
Por outras palavras, a síndrome do esgotamento profissional, é um transtorno de ordem emocional, que resulta de uma carga excessiva e desgastante de trabalho. De modo geral, são acometidos os profissionais que atuam em ambientes de extrema pressão ou tensão, com grandes responsabilidades.
 
É importante dizer que a síndrome de burnout não pode ser considerada uma variação do estresse. Esse distúrbio psíquico e emocional é mais complexo, causando um impacto negativo não só na vida profissional, mas pessoal de quem sofre com o problema.
 
Ainda de acordo com o órgão de saúde, é muito importante considerarmos que a síndrome está diretamente ligada ao trabalho e, portanto, não deve ser aplicada a outros contextos da vida das pessoas.
 
Dentro do contexto de pandemia, a pauta sobre o assunto se tornou crucial, uma vez que o trabalho passou a ser feito dentro de casa, o que, para muitos funcionários, foi um verdadeiro pesadelo — especialmente para mulheres, que precisam lidar com a sobrecarga das tarefas domésticas e das empresas nas quais são colaboradoras.
 
A síndrome de burnout não chega de uma hora para outra, ou seja, não é um problema de explosão imediata. Os sintomas vão se apresentando lentamente, dia após dia, até acometerem de vez o paciente. Em muitos casos ela só é percebida quando o profissional já está completamente desmotivado, apático e improdutivo.
 
Alguns pesquisadores da área de psicologia acreditam que a doença surge em 12 estágios, mas que não necessariamente todas as pessoas vão vivenciar cada um deles. Saber o que é síndrome de burnout é muito importante para atentar-se aos sintomas.
 
A primeira fase é quando o trabalhador necessita provar que ele entende muito bem do que faz e quer mostrar a todo custo o seu valor. Em seguida, vem o momento em que o expediente e a vida profissional tornam-se uma coisa só e, de repente, a pessoa a todo momento está checando mensagens, respondendo e-mails ou atendendo telefonemas — tudo isso fora do expediente.
 
No terceiro estágio, o indivíduo nega as necessidades básicas do corpo, como dormir, comer, descansar, ter momentos de lazer, pois a prioridade são as tarefas. Depois, vem o momento em que a pessoa compreende que tem problemas, mas nega-os e evita tocar no assunto.
 
A quinta etapa é marcada pela autoestima sempre em questionamento, assim como a desvalorização da família, do lazer, das coisas que eram importantes no âmbito pessoal. Em sexto vem o momento em que o indivíduo se torna agressivo, sem paciência e sempre acha que os outros são o problema.
 
O sétimo estágio já começa a ser marcado pelo isolamento e há boas chances da pessoa buscar consolo no álcool ou, até mesmo, em outras drogas. Na oitava fase, a mudança de personalidade é totalmente visível.
 
Em nono, pode-se dizer que a pessoa começa a perder-se de si: deixa de ver o seu valor, não sente o afeto de quem a ama e, inclusive, ignora totalmente qualquer tipo de necessidade.
 
As três últimas fases já são mais críticas e marcadas pela sensação de vazio interno, em seguida, depressão e, por último, a chegada da síndrome de burnout.

 

quarta-feira, 12 de julho de 2023

PESADELO POUCO É BOBAGEM

 
Um dia, lendo o livro Sapiens do Yuval Harari, descobri que várias espécies de humanos coexistiram com nossos antepassados pretensiosamente por nós denominados de Homo Sapiens Sapiens. Alguns inclusive fizeram um rala e rola com os de nossa espécie, caso dos Neandertais e denisovanos, que nos deixaram de herança alguns genes que não possuíamos. Mas existiram também os Homo Luzonensis, Naledi, Floresiensis e talvez outros que não consegui descobrir na internet.
 
Confesso que essa descoberta, anabolizada pelos irrefutáveis comentários e argumentos do Harari, baratinaram minha mente e abalaram minhas crenças. Depois, graças talvez ao “gene da religiosidade” que devo possuir, o assunto amorteceu e ficou semelhante a aquele prego no sapato que te machuca o pé mas você consegue suportar e até esquecer.
 
Hoje, entretanto, talvez por não ter tomado a bebida dos deuses (o leite e o toddy tinham acabado), esse assunto voltou à minha mente, mas na forma de um sonho/pesadelo onde converso com Deus. Na verdade, para não escandalizar as almas mais sensíveis confesso que não conversei diretamente com Ele nem Ele apareceu para mim atrás de uma nuvem ou sarça ardente. Ele simplesmente me ignorou. Mas as perguntas que fiz ou quis fazer a Ele permaneceram em minha mente, pois tenho muitas dúvidas, muitos medos e muita perplexidade.
 
Mesmo assim, numa boa, se eu fosse Ele, ou responderia minhas questões ou já me fulminaria com um raio, que é para eu deixar de ser besta, mesmo que fossem dúvidas simples, talvez um pouco atrevidas ou inoportunas e que eu me dirigisse a Ele da forma mais respeitosa possível:
 
Senhor, Vós criastes nossos ancestrais Adão e Eva à Vossa imagem e semelhança. Ouso acreditar que essa semelhança jamais foi física, mas apenas nos destes a capacidade de pensar e de decidir. Mas Vós sabíeis, sempre soubestes que a criatura nunca se igualaria a seu Criador, pois se Vós tudo podeis e sabeis, nós somos cheios de dúvidas, medos e incertezas.
 
E aqui imploro Vosso perdão por minha impertinência: se Vós trabalhastes em tantos protótipos, por que escolhestes ou deixastes que justamente o mais perverso, o mais belicoso, o mais invejoso, alguém que mata por prazer, um esfomeado como dez bandos de gafanhotos fosse progressivamente ocupando a Terra, dizimando e extinguindo seus irmãos e destruindo o meio ambiente? Diziam os antigos que insondáveis são os Vossos caminhos e inescrutáveis Vossos juízos, mas eu ouso perguntar mesmo assim: por que Vós escolhestes logo um Caim para ancestral de nossa espécie?
 
Por que Senhor, não deixastes evoluir qualquer outro de nossos irmãos, como os Neandertais (de cérebro maior que o nosso) ou até mesmo o Homo Floresiensis, tão pequeno que recebeu o apelido de “hobbit”. Ou o recentemente descoberto Homo Luzonensis, também tão pequeno que eu carinhosamente o chamaria de “Chaveirinho” (para diferenciar do “hobbit”). Por que, Senhor?
 
Foi aí que eu acordei, olhei o relógio que marcava 02h32, virei para o outro lado, disse para mim mesmo: “Por quê? Foda-se o por quê!” e voltei a dormir.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

DIAS MUNDIAIS DA PIZZA

Qual é a sua reação quando você lê que hoje, dia 10 de julho, é o “Dia Mundial da Pizza”? Se você é um cara que acredita em qualquer bobagem que lhe dizem ou publicam na internet, então certamente comemorará esta data pedindo uma pizza à moda (que na maioria das vezes é entregue já fria e murcha).

Pois é, nós brasileiros somos pródigos em expressões superlativas e vazias de significado. Dia Internacional do Rock, por exemplo, só é comemorado no Brasil. Ou “Nunca antes na história deste país...”

Por isso, fico constrangido em dizer que não há só um Dia Mundial ou Dia Internacional da Pizza. Lembrando a frase “Minas são muitas” de Guimarães Rosa, o que há é quase uma overdose de datas comemorativas. Na Itália a data é comemorada em 17 de janeiro, dia de Santo Antão, o protetor dos padeiros e pizzaiolos.

Na Argentina e nos Estados Unidos a data é 09 de fevereiro, na Terra de Santa Cruz é hoje, dia 10 de julho e imagino que em outros países nem se comemore nada, pois têm coisas mais importantes com que se preocupar, como o “Dia Mundial do Disco Voador” (comemorado em 24 de junho) ou o dia do English Cheese Rolling”, onde vários idiotas descem um morro correndo atrás de um queijo redondo de 4 kg (feriado de primavera sem data fixa).

Então, o Dia Internacional da Pizza é mais ou menos como uma pizza à moda: cada lugar escolhe os ingredientes (ou dias) para tornar o sabor inesquecível.

Para finalizar, preciso confessar que este texto tamanho “brotinho” ficou tão ruim, mas tão ruim que só perde em ruindade para pizzas doces. Argh!!!!

BOLHA!

  Sempre tive alguma dificuldade de pertencer a grupos, talvez por possuir um temperamento um tanto antissocial, que me faz ficar de saco ch...