quarta-feira, 16 de novembro de 2016

VOA, CANÁRIO!

Élcio, Elcinho, Canário ou Canarinho, qualquer desses nomes eram e serão sempre usados para chamar ou falar de um sujeito simples de hábitos, marrento de personalidade e divertidíssimo de comportamento, mas, paradoxalmente, bravo e irritadiço por conta de uma distimia que eu suspeito que tivesse e que provavelmente nunca imaginou ter. Era meu cunhado, compadre e irmão.

Podia ter (e tinha) zilhões de defeitos, mas sempre demonstrou gostar de minha mulher, a quem, pela diferença de idade, às vezes chamava de “mãe”, de mim, a quem às vezes chamava de “irmão”, e de nossos filhos e noras da forma mais escancarada e sincera, mais sem reservas, críticas ou ressalvas, mais do que qualquer um de seus irmãos.

Morreu hoje, em pleno feriado de 15 de novembro quando voltava da casa do sogro, depois de aquaplanar para debaixo de um caminhão, só para aumentar as estatísticas de acidentes na merecidamente chamada de “rodovia da morte”. Logo ele, tão cauteloso e consciente dos perigos da BR-381, e só para nos deixar irremediavelmente tristes, desconsolados e órfãos de seus comentários engraçados e obscenos, só para que sintamos saudades de suas performances e danças hilárias nas festas da família, só para que todos sintamos infinita e incurável saudade dele.

Bom de bola, bom de briga, bom de farra e fanático pelo Atlético mineiro na juventude; bom de copo e bom de garfo (mandava bem na cozinha, com seus molhos consumidos no café da manhã), pai severo e exigente, era também solícito, turrão, amigo, bravo, generoso, irritante, engraçado e impaciente, as qualidades e defeitos alternando-se o tempo todo, mas permanentemente íntegro, sincero, solidário e amigo preocupado, capaz de, mesmo com um braço machucado e com o risco de repetir um abraço de afogados, ter conseguido salvar a vida de um companheiro de pescaria que se afogava, como ouvi recentemente do amigo a quem salvou.

Agora, livre da gota e da hipertensão, poderá fumar tranquilamente sem precisar fingir que tinha parado. Agora, livre de todas as amarras, de todos os problemas, de todas as preocupações, provavelmente chamará São Pedro para pescar em Três Marias ou para tomar umas cervejas (várias, aos tonéis, com a condição de que seja sempre Brahma) e jogar conversa fora, enquanto não começa o próximo jogo do Galo. 

Voa, Canário; voa livre, Canarinho!



terça-feira, 15 de novembro de 2016

AT LAST - EVA CASSIDY

Dia desses, minha mulher estava vendo um filme em um canal a cabo qualquer. Parece que o filme terminava com uma música que ela achou incrível. Depois de pesquisar um pouco, descobriu no Google/Youtube o nome da música e da intérprete. Aí me chamou para ouvir. Logo que começou a tocar eu já fiquei fascinado. Pois bem, a musiquinha de hoje é essa: At Last, interpretada no estilo voz e violão por Eva Cassidy, (que, infelizmente, já morreu), justamente a versão utilizada no filme. 

A curiosidade dessa música é que foi composta em 1941 para um filme cujo nome não guardei e interpretada por Glenn Miller. (Depois disso, teve várias versões, algumas bem recentes: Beyonce, Christina Aguilera, etc.). No Youtube encontram-se várias outras interpretações (todas ótimas), até mesmo nos X-Factor e The Voices de vários países (Portugal, Armênia, Holanda, USA, Inglaterra, etc.). E se é tão escolhida para isso é porque ela realmente é uma delícia de ouvir. Para mim, bem poderia ser mais uma "parceria com Deus", de tão bacana. Por isso, som na caixa!



Como sou meio obsessivo com algumas coisas, resolvi descolar mais alguns links, só para comparar estilos, vozes, etc. O primeiro deles é de Etta James, que faz a versão mais conhecida da música. Os outros dois correspondem à interpretação de dois candidatos ao X-Factor, ambas excelentes, sendo um dos Estados Unidos e o último (muito bizarro), da Inglaterra.







domingo, 13 de novembro de 2016

PALHAÇO!

Tenho andado com uma falta de assunto tão grande que estou me sentindo como aqueles robozinhos andando no solo marciano. Procuram algum sinal de vida, mas nada. Para compensar essa aridez de ideias, tenho postado piadas ou curiosidades que vejo no Facebook ou links de músicas que eu curto. Mas, assunto interessante mesmo que é bom, neres de pitibiriba (essa maluquice é uma "homenagem" ao Marreta, que se divertiu quando usei a palavra "supimpa").

A questão é que me sinto profundamente ridículo quando tento escrever alguma coisa mais séria, especialmente se o assunto for política. Considero-me despreparado, ignorante, superficial, acho que o resultado é risível, deplorável ou irrelevante. A mesma coisa acontece quando tento entrar no terreno da ficção ou da poesia. Não sei, acho que não tenho imaginação suficiente para criar alguma coisa do nada. Sempre acredito estar trombando com a gramática, com o estilo, às vezes resvalando para a vulgaridade gratuita ou para a repetição de alguma ideia que alguém já teve antes e desenvolveu com mais elegância e melhor.

Pois bem, como não estou a fim de divulgar post com música, sou obrigado a falar mal de mim mesmo, simultaneamente o boneco de Judas e ator principal do blog. Não que eu esteja forçando muito a barra, pois estava realmente pensando sobre isso outro dia. Mais especificamente, sobre minha predileção por tentar fazer humor, por me fazer de ridículo. Esse comportamento surgiu na adolescência, ficou meio amortecido na fase adulta produtiva e pegou um embalo depois de me aposentar. 

Para tentar entender o que me levou a isso, só voltando um pouquinho no tempo. Mas como estou sem paciência para escrever tudo de novo (minha cabeça está em outro texto), vou me citar outra vez, transcrevendo trechos do post "A Praxe dos Imbecis"
 (Walter Ego, já viu, não?): Vamos lá:

"(...) Esse tipo de acontecimento acabou provocando a revelação: eu não era o mais bonito do mundo, ou melhor, eu era feio pra cacete. Magrelo, cabelo anelado, orelhas desniveladas, narigudo, uma perna torta como um parêntese, sem queixo e mais alguns detalhes eventualmente esquecidos. Em resumo, uma bosta.
Eu não sabia jogar futebol, era pobre, tímido, reprimido, medroso e inseguro (sempre!). Com isso, minha autoestima já não era lá essas coisas. Agora descobrir também que eu era feio e sem atrativos em plena adolescência, que é a época mais insegura da vida, era demais. Só havia um caminho: criar um diferencial que me destacasse. Ou pular de um edifício. Como isso nunca me ocorreu, sobrava a mudança. É óbvio que essas coisas fluíram meio inconscientemente, na base do instinto de sobrevivência.
Eu poderia escolher entre ser intelectual, “alternativo” ou “legal” (“bonzinho”, simpático ou apalhaçado). Acabei optando por tentar ser (ou fingir ser) as três coisas. É óbvio que eu não tinha consciência clara disso na época. Além do mais, esses comportamentos foram sendo adotados progressivamente, como quem veste uma armadura medieval ou uma roupa de astronauta. A função era a mesma: proteger-me do desconforto ou da dor de não me sentir amado. Ou melhor, de não ter o ferramental necessário para ser amado fora do âmbito familiar".

Eu sempre fui muito tímido, mas descobri que ter o controle dos meus atos me deixava muito à vontade para fazer qualquer tipo de idiotice. Mas, volto a repetir, essa desinibição só acontecia quando eu estava no controle. Talvez por isso eu sempre gostei de falar mal de mim mesmo, de me depreciar, de ser o mais escandalosamente ridículo possível. E talvez aí esteja a chave desta história.

Dentre as "personas" que citei antes - "intelectual", "alternativo" (ou bicho-grilo), "gente boa" ("bonzinho") e "palhaço", confesso que hoje a que mais curto é justamente a última, pois o palhaço (citando a Wikipédia) é "o próprio ator expondo-se, mostrando sua ingenuidade. Na busca desse estado, o ator não busca construir um personagem, mas sim encontrar essas energias próprias, tentando transforma-las em seu corpo". Curiosamente, caiu bem nisso a ideia de "ator", não mais como o profissional, mas como protagonista de uma situação ou como aquele que detém o controle de sua atitude.

Essa preferência talvez indique minha zona de conforto, mas o fato é que sempre curti demais a figura do “bobo da corte”, o sujeito que faz críticas como se estivesse fazendo graça, o maluco que diz que o “rei está nu” e ainda passa a mão na bunda dele.

Minha mulher já me criticou várias vezes por eu ser capaz de dizer as maiores barbaridades para alguém, mas de forma caricata, sempre sorridente, esperando que a pessoa não reaja. Realmente espero mesmo, ainda que saiba que estou sempre “cutucando uma onça com vara curta”. Porque, sinceramente, não tenho paciência para egos gigantescos (não aceito concorrência), mediocridades vaidosas, “reis do pedaço”, ufanistas e todo tipo de gente que se vangloria demais para parecer ter ou ser mais do que realmente é ou tem. Nessas horas, o “download” do bobo da corte é imediato. E minha mulher me recrimina depois:
- “Você acha que por estar sorrindo pode dizer qualquer coisa, mas está só ofendendo as pessoas!” Intimamente, fico feliz com isso, pois essa é mesmo a ideia, a de instalar um espelho na frente do “rei”.

Mas sei também que isso só reforça minha tendência ao isolamento, só aumenta a percepção de não pertencer ao grupo de pessoas com quem convivo, de ser um estrangeiro na minha própria comunidade. Afinal, quem valoriza pessoas que tem a mania e habilidade (que não é o meu caso) de fazer comentários ferinos, ácidos e engraçadíssimos, pessoas como os inteligentíssimos e satíricos Juca Chaves, Falcão e Roger Moreira?

“A massa ainda comerá o biscoito fino que fabrico”, era a esperança de Oswald de Andrade, mas, quem presta atenção em um bobo da corte? Ironia, sarcasmo, cinismo e humor crítico talvez sejam “biscoitos finos” demais para a maioria das pessoas.

Bem, esse era o recado que eu queria deixar. Como disse no início deste texto, sinto-me ridículo quando tento escrever alguma coisa sobre temas mais sérios e não tenho imaginação suficiente para navegar com segurança pela poesia e ficção. Assim, para não bater no gigantesco iceberg da minha própria incompetência, resta ao Blogson remar sua canoinha na direção da margem tranquila da mediocridade e irrelevância, lugar ideal para a criação de piadinhas sem graça e de comentários ridículos. 

Mesmo que eu deseje produzir biscoitos finos, faltam-me os ingredientes e o equipamento para bem assá-los. Resta-me vestir uma roupa de bobo da corte, de uma corte inexistente e fingir que estou sendo engraçado, em vez de apenas patético.

Depois de ler essa colcha de retalho sem inspiração, os leitores que tropeçam neste blog poderão dizer com pena e algum desprezo:
- “Palhaço!...” E a razão estará com eles.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

SHE CAME IN THROUGH THE BATHROOM WINDOW - JOE COCKER

Dois dos artistas que explodiram, que ganharam projeção internacional graças às suas performances no Festival de Woodstock foram Joe Cocker e Richie Havens. Em comum, além do fato de terem falecido recentemente, tinham a característica de recriar, de reinterpretar músicas dos Beatles de forma tão magnífica e definitiva que empalideciam e colocavam no chinelo as gravações originais. É o caso dessa apresentação (a que saiu em disco é ainda melhor). Salve, Joe Cocker!  


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

SAIU NO FEICIBUQUE - 014

Quando vi essa imagem, lembrei-me imediatamente do meu querido amigo Pintão. Como escrevi aqui no Blogson, o velho e bom Luis Felipe “tinha uma paixão desmedida por livros. Para ele, um livro era muito mais que um objeto de leitura. Era sempre o presente escolhido para dar a alguém, era sempre o presente desejado no aniversário ou Natal. Os livros novos eram manuseados, cheirados, examinada a textura e a gramatura das folhas. Eram, enfim, tratados quase como uma joia”.

E pensar que existe muita gente que não vê nenhum sentido ou valor nisso...


OLD FRIENDS - SIMON & GARFUNKEL

Quando meu filho mais velho estava ainda lá pela sétima, oitava série, teve de fazer um trabalho em grupo sobre velhice ou coisa parecida. Pai entusiasmado e mãe mais ainda, resolvemos levar o grupo à “Cidade Osanam”, um asilo muito agradável. Conversamos (é nunca que eu deixaria de aproveitar essa oportunidade!) com algumas idosas ainda lúcidas, simpaticíssimas, ouvimos histórias comoventes, pungentes, fotografamos e fomos embora.

Pai entusiasmado (de novo), sugeri um tema para a apresentação: a música “Old Friends” que tinha ouvido em um CD recentemente comprado. Nesse disco, a música era precedida pela faixa “Old Voices”, uma gravação feita pelo Art Garfunkel no Central Park com os velhinhos que encontrou por ali. Traduzi toscamente a letra para os meninos, mas uma frase ficou gravada em minha mente: “How terribly strange to be seventy”! 

Acho que só agora estou começando a entender esta música...



SAIU NO FEICIBUQUE - 013 (O ELEGANTE SOM DO MAR...)

Um amigo compartilhou essa notícia no facebook, com o poético comentário “o elegante som do mar...”. 

Que notícia incrível! (muito melhor que saber que o Donald Trump ganhou as eleições). Aí viajei geral. Fiquei imaginando várias seções de gravação - em dias de tempestade, mar revolto, maré alta, maré baixa, etc. Creio que daria para compor alguma coisa. O Uakti conseguiria, com certeza. Escutaí.


http://www.tysmagazine.com/arquitecto-croata-disena-un-organno-que-convierte-las-olas-del-mar-en-musica/

QUERO AMAR-TE

  Você já se perguntou como deverão ser os primeiros astronautas despachados para Marte? Nem queira! Ou melhor, queira, sim, mas precisará d...