sábado, 13 de setembro de 2014

SAÚDE ! ! !

PONTO ATENDIMENTO
Outro dia vi um número especial da revista “Encontro”, cujo tema era “Os médicos que os médicos indicam”. Só tem medalhão, claro. Mas o que mais chamou minha atenção foi o preço das consultas. Tem um geriatra que recebe a mixaria de R$640,00 por consulta (tem gente que cobra mais)!

Fico tentando imaginar que tipo de tratamento ele oferece, para cobrar esse valor. Ressurreição?

Aí, fiquei pensando em um diálogo médico-paciente:

-   Pô, doutor! A consulta agora custa R$640,00? Vai apertar meu orçamento...

-   Preocupa não, Seu Geraldo, o senhor nem vai mais consultar tantas vezes assim!...



DE BOCA ABERTA E DE QUEIXO CAÍDO
E já que estou nessa vibe (moderno, né?) vou dar uma espraiada na área odontológica, movido por um fato recente. Torresmo é uma coisa que me tira do sério. Por conta disso, já quebrei uns três dentes e tive que fazer tratamento de canal em todos. Aí surgiu esse diálogo:

-   Então, doutor, como está a minha boca?

- Rapaz, olhando essas suas radiografias, me lembrei da minha última viagem a Pernambuco.

-   Por que, doutor?

-   Sua boca está que nem Recife: o que tem de canal não é brincadeira.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

POLIEDRO


De vez em quando eu penso em alguma ideia maluca que logo transformo em “teoria”, sem me preocupar em analisar se está ou não correta (deixo isso para meus 2,4 leitores). Ainda bem que eu não penso em teoremas...

Pois bem, recentemente, li uma notícia que me deixou meio perplexo – pelas implicações culturais ou sociológicas, sei lá – e meio puto – pelo oportunismo e falta de vergonha na cara de muita gente. A notícia trata de um show da antiga banda de apoio do Elvis Presley, onde seriam tocados os antigos sucessos do rei brega do rock.

Numa boa, alguém aí reconheceria um, apenas um músico que tocou com o Elvis? Acredito que nem o falecido reconheceria. O problema do show é que seriam utilizados recursos de holografia para “materializar” o morto no palco (fiquei pensando o sucesso disso em terreiros de umbanda ou em cultos evangélicos televisivos). 

Há muitos exemplos de cantores e antigas bandas que excursionam pelo mundo em turnês caça-níqueis, mas não vem ao caso citar nenhuma e nem vale a pena pensar na versão geriátrica de seus antigos sucessos. O que mexeu comigo é a sensação de, cada vez mais, mergulharmos em um mundo virtual, bem ao estilo “Matrix”, onde nunca – ou quase nunca – saberemos se o que recebemos pelos mais diferentes tipos de mídia vem de uma experiência real.

Com tanta tecnologia, tanta informação veiculada em quantidades e velocidade cada vez mais alucinantes, fica difícil ou virtualmente (perdão pelo trocadilho) impossível separar o que é REAL da mistificação, da impostura, da má-fé e, por que não?, da molecagem, da brincadeira e da sacanagem.

Por conta dessa sensação, fiquei matutando que não somos mais tão diferentes dos homens das cavernas. Pelo contrário. O mundo, para eles, era do tamanho de sua percepção, obtida apenas com o uso dos sentidos; todo o resto era apenas interpretação e fantasia.

E aí surgiu a ideia do poliedro. Depois de milhares de conquistas culturais e tecnológicas que nos tiraram definitivamente das cavernas e outros abrigos naturais, tenho a sensação de que estamos (talvez já tenhamos chegado lá) voltando à situação em que só podemos ter certeza do que está no raio de alcance de nossos sentidos.  Viveríamos dentro de uma bolha de realidade, cercada de incertezas por todos os lados.

Mas onde entra o tal poliedro? Bom, por sua forma esférica a tal bolha só poderia interagir com outras tantas ao tangenciá-las, ao "quicá-las" igual em um jogo de sinuca. Só um ponto de contato? A imagem não era boa nem prática. Pensei em um cubo. Já dava uma interação legal, mas ainda estava meio limitado. Aí me ocorreu a ideia do poliedro, com muitas faces para seu ocupante interagir com os ocupantes de outros poliedros, cada face servindo para transmitir a realidade de cada um. A tal bolha seria um poliedro de realidade. Meio louca essa "teoria", não?

Mas, por conta da picaretagem musical citada anteriormente, lembrei-me de uma banda muito louca das décadas de 60/70, cujo nome era “The Mothers of Invention”. Depois que os Beatles lançaram o álbum “Seargent Pepper’s" com sua capa cheia de colagens, os Mothers lançaram um disco cuja capa parodiava o dos Beatles. O nome era “We’re only in It for the Money”. O resultado foi, se não me engano, um processo por plágio. Só que a coisa era apenas uma piada, uma gozação, uma paródia. 

Hoje (sempre?), ao contrário, o que mais rola são bandas e cantores que deveriam abrir seus shows com essa frase, toda iluminada e piscando: “Só estamos nisso pelo dinheiro”. E, no caso do Elvis, os promotores do show holográfico poderiam ter a decência de usar uma chamada assim: “venha matar a saudade do Rei do Rock! Grande show ao morto!” (o oposto de apresentação ao vivo, entendeu? Duh!).

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O QUINTO DO VALDEMIRO - A MARRETA DO AZARÃO

Quando criei o blog, uma das ideias que tive foi postar em uma "seção" apropriadamente intitulada de "REVERÊNCIA" textos de "autores consagrados" que admiro e venero, o que acabou se revelando pura idiotice e elitismo. Para exemplificar a idiotice, lembro um escritor de mega sucesso comercial, o Paulo Coelho; esta é a única vez em que o consagrado parceiro de Raul Seixas será lembrado aqui, pois não li e não gostei. Ou melhor, acho até que ele deve ser um sujeito legal, tranquilo, mas nunca quis ler nenhum livro dele. Coisas no estilo do que escreve eu li na juventude. Hoje, não tenho mais saco para encarar esse tipo de literatura. Talvez eu é que esteja errado, mas...

Agora, se o texto é bom, inspirado, engraçado ou qualquer outra coisa bacana, qual o problema de o autor receber minha sincera reverência, mesmo que talvez nem tenha livro publicado? 

E vamos combinar que, ainda que eu goste muito de ler livros à moda antiga (impressos em papel mesmo), essa "mídia" (faltou uma palavra melhor) pode estar com os dias contados, assim como aconteceu com os papiros, tabuinhas sumérias, hieróglifos, pergaminhos, e todo tipo de manuscritos já surgidos. E a explicação está "na nuvem", na internet.

Por que tudo isso? Porque a minha reverência hoje vai para uma pessoa que desconheço totalmente. Só sei que é o dono do blog “A Marreta do Azarão”, um blog bastante hardcore, o que significa que ninguém deve acessá-lo esperando encontrar "oncinha pintada, zebrinha listrada", como cantaram os Titãs.  Pode achar muita coisa peluda ou cabeluda, mas "coelhinho peludo", não.

Pelos textos que li, é paulista e professor. Nas primeiras leituras, eu achava que talvez fosse engenheiro (percebeu o corporativismo?). Afinal, ninguém menciona impunemente que precisava tirar 8,5 em Cálculo II. Mas, se não é engenheiro, deve ser da área de exatas. E parece ser bastante culto. Sendo da área de exatas, surpreende por escrever muito bem. E é só tijolão.

Eu descobri esse blog por puro acaso, quando procurava alguma crônica do João Ubaldo para fazer uma justa homenagem ao baiano, logo após a notícia de sua morte. O dono do Marreta já tinha colocado no seu blog alguma coisa do João e o Google fez o resto. 

De cara, logo que comecei a ler a apresentação do blog, identifiquei-me com a finíssima ironia presente no texto, indicadora, para mim, que há vida inteligente na sua gênese (não confundir com o livro bíblico). E o autor é mais que irônico, é sarcástico.

Por isso, em vez de colocar uma crônica do baiano, transcrevo alguns trechos de um texto muito engraçado do Marreta. Quem quiser ler o post na íntegra, terá que acessar o blog. Olhaí o link (vale a pena conhecer!):
 http://amarretadoazarao.blogspot.com.br/2014/07/valdemiro-santiago-passa-cobrar-o.html

Quanto ao texto do João Ubaldo que eu queria postar, fica para outra oportunidade. Imagino que ele nem liga mais para essa troca...

Por isso, segura aí:

“No Brasil Colônia, durante o período chamado de o Ciclo do Ouro, todos os metais preciosos, para obterem seus registros junto ao governo e terem autorizadas suas circulações, deviam passar pelas Casas de Fundição da Coroa Portuguesa, as encarregadas de cobrar os tributos sobre a mineração, de cujas instalações saíam sangrados em 20% de seu montante. Era ‘o quinto’, a parte do leão da época.(...)

(...)Homem de vasta cultura e saber, o apóstolo Valdemiro Santiago se vale agora de todo o seu conhecimento da História para tentar sair do calvário financeiro em que se encalacrou: ao invés dos tradicionais 10% dos salários dos fiéis, o bíblico dízimo, Valdemiro passou a exigir 20% dos rendimentos de seu rebanho.(...)

(...) Dos tempos bíblicos para cá, convenhamos, a inflação corroeu em muito as ofertas dos fiéis, a parte de Deus há mesmo de ser reajustada, o Todo-Poderoso também tem lá suas contas a pagar, mais de 2000 anos sem reajuste nem Deus aguenta. Imaginem o quanto não fica só o IPTU do Universo.(...) O negócio agora é cobrar 'o quinto' da crentaiada.(...)

(...)É que a arca da providência de Valdemiro Santiago anda no vermelho nos últimos tempos, mais no vermelho que as águas tingidas de sangue do rio Nilo da época dos faraós.(...)"


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

LULA DO BEM

Estava lembrando o julgamento do mensalão e a recente transferência de dois condenados para um tal de "Centro de Progressão Penitenciária", quando surgiu uma expressão na minha mente:

O Joaquim Barbosa é o Lula do Bem! Pode parecer (ou, até mesmo, ser) idiotice, mas, olha só:

Semelhanças:
  • Ambos tiveram infância pobre e privações, mas o "Fritz" – apelido de infância (ou Quincas, mais brasileiro) – ainda por cima é negro (com todo o potencial de racismo – implícito ou não – que isso carrega). Um a zero para o Joaquim.
  • O Luiz Inácio, como presidente da república, foi o líder máximo do Poder Executivo; o Joaquim Barbosa, como presidente do STF, foi o líder máximo do Poder Judiciário. Zero a zero.
  • Os dois aparentam ser muito inteligentes. Zero a zero.

Diferenças:
  • O Luiz Inácio cursou apenas as séries iniciais do ensino básico; O Joaquim Barbosa formou-se em Direito (sem nunca precisar de cotas raciais para entrar na faculdade). Um a zero para o Joaquim;
  • O Joaquim é fluente em quatro línguas além do português; o Luiz é monoglota (e batateiro). Dois a zero para o Fritz;
  • O Lula foi assombrado pelo mensalão; O Joaquim julgou o mensalão. Três a zero para o Quincas!
Resumindo, com esse placar de três pontos a favor do "Quincas", pode-se dizer que o Joaquim é o Lula que deu certo.

domingo, 7 de setembro de 2014

DIO È MORTO

De vez em quando, sou assaltado por alguma ideia tola relacionada ao envelhecimento, à passagem do tempo. Uma das mais recentes foi identificar a  “trilha sonora” da minha vida. Alguém poderá se perguntar por que esse interesse recorrente  e egocêntrico, mas a resposta é simples: eu sou a pessoa mais íntima de mim mesmo (falou, Walter Ego!) e, se eu falar mal, não poderei reclamar nem me processar.

No duro, no duro, a partir de certa idade os efeitos da passagem do tempo foram ficando mais e mais visíveis, mais e mais sentidos. Segundo o Stephen Hawking – até onde entendi – só existe passagem de tempo se existir um observador (Se não for isso, por favor, iluminem minha ignorância). Então, o fato é que tenho cada vez mais observado a passagem – e, principalmente, suas manifestações em mim – desse filho da puta (o tempo, lógico).

Mas voltando à "trilha sonora", quando eu tinha uns 16, 17 anos, surgiu em minha sala (Colégio de Aplicação) um padre sem batina, italiano, boa pinta pra caramba (fazendo as meninas ficar alvoroçadas), que começou a dar aula de cultura religiosa. A presença não era obrigatória e depois de umas três aulas, eu pulei fora, incentivado por um colega de outra religião (na época, chamado de "protestante").

Antes de deixar de assistir essas aulas, eu ouvi uma música trazida por ele, em um disquinho de 45 rpm, que me deixou chapado, nem tanto pela letra, mas por ser um rock de cunho religioso. Aquilo pra mim foi surpreendente, inesperado, eu que estava acostumado com os cânticos lentos utilizados naquela época, nas missas e outras celebrações. O curioso é que uma conhecida roubou esse disco para mim, mas ele ficou exposto ao sol e se deformou todo (deve ter sido castigo divino...).

Bom, mas eu fiquei com aquela música na cabeça, porque a batida era muito legal e a letra, embora em italiano e quase toda incompreensível para mim, bem interessante, (independente de se ter fé ou não). A banda que gravou chamava-se "I Nomadi" e era mais cabeluda que os Beatles, cujos discos tinham acabado de aportar no Brasil.

Aí é que entram os ateus de minha predileção. De sacanagem, mas também como uma forma de arqueologia musical, encaminho o link da gravação original (obrigado, Youtube!)

E, se alguém se interessar em conhecer a letra em tradução livre, ela está transcrita no final deste post.

Volto a lembrar que isso é apenas uma brincadeira, sem nenhum proselitismo nem seriedade (de minha parte). Se eu tivesse Facebook, eu diria que a opção seria apenas "curtir" – ou não.

DIO È MORTO
                                                                       
Ho visto,
Tenho visto,
la gente della mia età andare via,
pessoas da minha idade ir-se embora,
lungo le strade che non portano mai a niente,
ao longo de estradas que nunca levam a nada,
cercare un sogno che conduce alla pazzia,
buscando um sonho que conduz à loucura,
nella ricerca di qualcosa che non trovano,
na procura de alguma coisa que não encontram,
nel mondo che hanno gia.
no mundo em que vivem.
Lungo le notti che dal vino son bagnate,
Em muitas noites regadas a vinho,
dentro le stanze da pastiglie trasformate,
dentro de remédios em droga transformados,
lungo le nuvole di fumo, nel mondo, fatto di città,
por entre as nuvens de fumaça de um mundo urbanizado,
essere contro od ingoiare, la nostra stanca civiltà
ser contra engolir a nossa exausta civilidade
un Dio che è morto,
e um Deus que está morto,
ai bordi delle strade, Dio è morto,
à beira das estradas, Deus está morto,
nelle auto prese a rate, Dio è morto,
nos automóveis despedaçados, Deus está morto,
nei miti dell' estate... Dio è morto.
nos mitos de verão... Deus está morto.


Mi han detto


Foi-me dito
che questa mia generazione ormai non crede,
que esta minha geração já não acredita
in ci che spesso ha mascherato con la fede,
naquilo que muitas vezes mascararam com a fé,
nei miti eterni della patria o dell'eroe,
nos mitos eternos de pátria ou de heróis,
perche è venuto ormai il momento di negare,
porque agora chegou o momento de negar,
tutto ci che falsità.
tudo o que é falsidade.
Le fedi fatte di abitudini e paura,
Crenças feitas de hábito e de medo,
una politica che solo far carriera,
uma política que é apenas uma carreira,
il perbenismo interessato, la dignità fatta di vuoto,
o conformismo interesseiro, a dignidade feita de vazio,
l'ipocrisia di chi sta sempre, con la ragione e mai col torto.
a hipocrisia de quem está sempre com a razão e nunca com a culpa.
Un Dio che è morto,
E um Deus que está morto,
nei campi di sterminio, Dio è morto,
nos campos de extermínio, Deus está morto,
coi miti della razza, Dio è morto,
com os mitos do racismo, Deus está morto,
con gli odi di partito... Dio è morto.
com os ódios partidários... Deus está morto.


Ma penso


Mas creio
che questa mia generazione è preparata,
que esta minha geração está preparada,
ad un mondo nuovo e a una speranza appena nata,
para um mundo novo e para uma esperança recém-nascida,
ad un futuro che ha gia in mano, a una rivolta senza armi,
para um futuro que já tem nas mãos, para uma revolução sem armas,
perch noi tutti ormai sappiamo, che se Dio muore è per tre giorni,
porque todos nós já sabemos que se Deus morre é por três dias,
poi risorge.
e depois ressuscita.
in cielo che noi crediamo, Dio risorto,
no céu que acreditamos, Deus renasce,
in cielo che noi vogliamo, Dio risorto,
no céu que desejamos, Deus renasceu,
nel mondo che faremo... Dio risorto,
no mundo que faremos... Deus renasceu,
Dio risorto!
Deus renasceu!



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

TÁ LIGADO?

Sou fã de poesia, como sabem os 1,7 malucos que acessam este blog. Pentelhando sem destino pela internet, achei um poema do Fernando Pessoa de onde tirei esses versos:

“Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido”.

Na hora, pensei “queria ter escrito isso!”. Esse texto fez também com que eu me lembrasse de uma música composta pelo Milton Nascimento e Tunai, que traz esses versos:

“Certas canções que ouço
cabem tão dentro de mim
que perguntar carece
‘como não fui eu que fiz?’”

O que quero dizer é que às vezes me pego surpreso por ouvir ou ler coisas que batem intensamente com o que penso e sinto, como se o autor tivesse me radiografado.

Em um violão, a segunda corda mais grossa corresponde à nota . É por esse som que se afina o instrumento.  Ao apertar-se essa corda no quinto intervalo (traste) do braço do instrumento, o som emitido corresponde à nota . Quando fazemos isso, se o violão já estiver afinado, a corda vibra sem precisar ser tocada. Esse fenômeno é conhecido como “ressonância”. Não vou me estender nesse papo idiota que não interessa a ninguém. Apenas, para dar sequência, lembro que dizemos “estar em ressonância” ou “na mesma sintonia” com alguém quando pensamos de modo semelhante sobre alguma coisa.

Toda essa patacoada serve para falar de um pensamento que me ocorreu outro dia: nós só gostamos ou prestamos atenção nas ideias ou palavras lidas ou ouvidas, se elas entrarem em ressonância com o que já sentimos ou pensamos de forma desordenada, inconsciente ou adormecida. É como se nosso cérebro – por estar previamente afinado com o assunto – “vibrasse” com essas ideias ou palavras. Ou, então, como se os pensamentos de terceiros agissem como substâncias neurotransmissoras, ao “conectar-se” através dos nossos olhos e ouvidos a nossos receptores cerebrais. Será que isso tem fundamento?

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

VERNIZ

Já que ninguém lê mesmo o que escrevo (talvez estejam certos), transcrevo um trecho de ensaio que descobri na revista Veja, que serve para dar um verniz nas minhas canhestras tentativas de fazer graça:

“A ironia, embora prazerosa, tem uma função quase exclusivamente negativa. É crítica e destrutiva, boa para limpar o terreno. Mas é particularmente inútil quando se trata de construir alguma coisa para pôr no lugar das hipocrisias que exe". (David Foster Wallace)

Pensando um pouco, ainda bem que a ironia é assim. Seria querer demais que ela, além de provocar o riso (ou, mesmo, só um sorriso), fosse também edificante e moralista. Sai fora, politicamente correto!

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...