quarta-feira, 9 de julho de 2014

JOGÃO ! ! !

Ontem, o time brasileiro não jogou nem pedrinha. Em homenagem à partida jogada apenas pela Alemanha, aí vai uma modesta contribuição deste blog.

Antes, é bom lembrar que Complexo do Alemão só existia no Rio. Hoje, tudo quanto é brasileiro tá cheio de complexo, justamente por causa dos gringos.






PROFUNDAMENTE - MANOEL BANDEIRA

Embora goste muito de poesia, devo confessar minha imensa ignorância sobre o assunto. Por exemplo, quase nada sei (mas é nada mesmo) sobre Manoel Bandeira. Apesar disso, a reverência hoje é para ele. E poema escolhido é “Profundamente”.

Foi só quando comecei a ler “Baú de Ossos”, de Pedro Nava, é que tomei conhecimento dessa poesia, que serve como preâmbulo, como mote para esse incrível livro. Como o assunto “memória” mexe muito comigo, bastou ler para virar fã eterno dos dois escritores. E se o Manoel Bandeira tivesse escrito apenas esse poema, já teria direito de entrar em qualquer antologia que se fizesse. Olha só que beleza:


Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
 Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

09/07/2014

segunda-feira, 7 de julho de 2014

AFINAL, QUEM FOI BLOGSON CRUSOE?

Quem foi Blogson Crusoe? Essa é fácil de responder: não foi. Por enquanto, pelo menos, é  um blog que eu criei para abrigar as coisas que escrevo ou escrevi.

Bom, essa lenga lenga é por ter me espantado ao descobrir que muitas pessoas jamais ouviram falar do personagem que inspirou o nome deste blog. Porque Blogson Crusoe é um trocadilho com o nome Robinson Crusoe (ou Crusoé, em português).

Não, não estou menosprezando ninguém nem me vangloriando de ter lido muito. Como cantam os Titãs, devia mesmo era “ter feito o que eu queria fazer”, pois o que eu queria quando criança era poder brincar na rua, ser igual à molecada das redondezas.

Até os onze anos de idade, eu vivi em prisão domiciliar, mais ou menos como o José Genoíno quando tentou dar o golpe do coração doente. No meu caso, era uma prisão amorosa (mas, sempre prisão). Como moravam 14 pessoas na casa de minha avó e só duas dessas eram crianças, eu era mais vigiado e monitorado que beijo gay na novela das oito e tinha menos liberdade que os mensaleiros que estavam presos na Papuda. Então, para sobreviver a isso, eu lia.

Como é? Você brincava de queimada, pegador, bentialtas, jogava bola na rua? O que posso dizer é que você está na minha faixa etária – e que eu já invejei muitas crianças como você. E, por isso, eu lia.

Ah, você também era preso, mas via televisão? Via o “Xou da Xuxa”? Lamento pelo Xou, mas você, além de muito mais novo que eu, pelo menos tinha televisão. Na casa de minha avó não havia televisão; se tivesse, de nada adiantaria, porque até meus onze anos, não havia programação dirigida às crianças. Cara, como eu lia!...

Eu lia tudo o que passasse na reta: quase todos os fantásticos livros infantis do Monteiro Lobato, revistas em quadrinhos, livros diversos comprados por meus tios e tias, livros de fábulas, de história antiga, histórias em quadrinhos publicadas diariamente n’O Globo, livros das coleções compradas por uma das minhas tias, clássicos da literatura mundial, Almanaque do Biotônico Fontoura, o escambau. Até peça de teatro (Romeu e Julieta) eu li.

Então, quando eu percebo em certas pessoas alguma perplexidade ou desconhecimento sobre alguma coisa, personagem ou livro que menciono, fico meio surpreso, pois para mim o assunto é corriqueiro e conhecido há muito tempo.

Mas ninguém precisa sentir "peninha" da criança presa que eu fui. A partir dos onze anos, eu comecei a sair de casa sozinho (mas o "mal" já estava feito, pois continuei a gostar de ler), pronto para sofrer bullying dos meninos mais escolados e vividos.

Hoje, quando piso na bola ou falo qualquer bobagem maior que as usuais, às vezes ouço um de meus filhos falar "menino criado em casa de vó, já viu, né?". Mas não quero nem saber o que significa esse "já viu, né?". Bullying de filho eu não aceito!

Mas, afinal, quem é Robinson Crusoé? A seguir, a transcrição de um resumo encontrado na internet (com informações que eu desconhecia):

“A Vida e as Estranhas Aventuras de Robinson Crusoé” é um romance célebre de Daniel Defoe (1660-1731), publicado em 1719.

Defoe inspirou-se na história verídica de um marinheiro escocês, Alexander Selkirk, abandonado, a seu pedido, numa ilha do arquipélago Juan Fernández, onde viveu só de 1704 a 1709.

Robinson Crusoe herda desta história o mito da solidão, na medida em que, depois de um naufrágio de que é o único sobrevivente, vive sozinho durante vinte e oito anos, antes de encontrar a personagem Sexta-Feira.

O impacto internacional de Robinson Crusoe foi fortíssimo. Pouco tempo depois da sua publicação, surgiram numerosas imitações, denominadas geralmente robinsonnades, que compreendiam peças de teatro, melodramas, vaudevilles, operetas, romances, etc. Ao mesmo tempo, a obra afirmava-se como um dos elementos fundadores da tradição do romance moderno (de feição realista e centrado no indivíduo), enquanto a figura do protagonista alcançava a estatura de um mito ou símbolo da condição humana. No nosso tempo, a história de Crusoe foi objeto de várias adaptações cinematográficas.

Agora, você já sabe: além de ser o personagem central de um clássico da literatura mundial, Robinson Crusoe é também a inspiração para o nome deste blog e para seu mote (“O blog da solidão ampliada”).

ADENDO: 
Eu usei uma palavra ("escolado") que parece estar em desuso. Hoje, usa-se "descolado". Embora as origens e significado das duas palavras sejam distintas, não deixa de ser divertido pensar no seguinte jogo de palavras: 

Antigamente, "escolado" era um sujeito safo (alguém ainda usa esta gíria?), sabido, que tinha experiência em alguma coisa, tinha "escola", portanto. 
Hoje, "descolado" é o cara esperto, sociável, moderno, que sabe das coisas (mesmo que ninguém saiba precisar o que significam essas "coisas"). Então, embora "descolado" seja o oposto de "colado", amarrado, preso, para mim acaba também associado à ideia de "sem escola", ou melhor, sem regras rígidas.

Antes, admirado era o escolado, quem tinha "escola". Hoje, o rei da cocada é o descolado. Vale a pena pensar nisso ou é só mais uma maluquice minha?


sexta-feira, 4 de julho de 2014

VOCÊ É UM TASMANÍACO?


Já faz algum tempo que eu gosto de comparar o comportamento dos animais selvagens com o dos seres humanos, pois sempre encontro alguma semelhança e um motivo a mais para refletir. O último a chamar minha atenção é o diabo da tasmânia, depois ler uma reportagem sobre ele em um número antigo da Veja.

Segundo a revista, esse animalzinho corre o risco de se extinguir nos próximos trinta anos, e o motivo disso é uma espécie de câncer transmitido através de mordidas ou contato físico com um animal infectado. E isso é facilitado por conta de uma característica muito especial: esse animal é extremamente agressivo e vive às turras com outros de sua espécie. Aliás, essa agressividade serviu de inspiração para o personagem “Taz”, surgido em desenhos mais antigos do Pernalonga.

Pois bem, bastou eu ler a reportagem para fazer associação de seu comportamento belicoso e agressivo com comportamentos semelhantes que observei muitas vezes ao longo da vida.  Tudo isso porque tenho constatado que em muitas famílias, em muitos relacionamentos, existe uma inexplicável agressividade entre pessoas que se amam. Fico perplexo (e triste) de ver como essa agressividade pode contaminar o dia-a-dia de uma família, de um casal, de um grupo de amigos.

Não é preciso agressão física para machucar ou magoar alguém. As “mordidas” são apenas palavras  ásperas, contundentes ou depreciativas. Podem ser recriminações, às vezes ditas em tom elevado de voz, ou podem ser palavras que diminuem, menosprezam ou desqualificam a quem estão sendo dirigidas. E a pergunta que surge é: POR QUÊ?

Se você convive diária ou frequentemente com outras pessoas, por que ceder ao impulso de sempre se exaltar, xingar ou – pior – menosprezar e desqualificar a quem você ama? E uma das piores agressões é ridicularizar características físicas. Chamar alguém de barrigudo, narigudo e coisas do gênero pode machucar quem as escuta. E isso não é piada, é puro bullying. Se a pessoa tem baixa autoestima, aí é ainda pior. Agressões verbais constantes, ironias e desprezo ou zombaria dirigidas às pessoas que amamos, de quem gostamos, são um tiro no nosso próprio pé.

Recentemente descobri uma palavra que poderia explicar pelo menos em parte esse comportamento agressivo. E o nome é DISTIMIA. Segundo o site do Dr. Dráuzio Varela,

“Distimia é um tipo de depressão crônica, de moderada intensidade. Diferentemente da depressão que se instala de repente, a distimia não tem essa marca brusca de ruptura. O mau humor é constante. Os portadores do transtorno são pessoas de difícil relacionamento, com baixa autoestima e elevado senso de autocrítica. Estão sempre irritados, reclamando de tudo e só enxergam o lado negativo das coisas. Na maior parte das vezes, tudo fica por conta de sua personalidade e temperamento complicado.”

Como não sou psicólogo nem antropólogo, devo evitar a seara alheia. Mas fica a perplexidade de ver como uma família, como um casal pode, aos poucos, perder a amizade, a cumplicidade e a alegria de estar juntos, por causa de um comportamento que tem na base uma agressividade sem propósito, quase uma mania, por ser viciosa e recorrente.

É isso, aí está o link com o diabo da tasmânia: essa agressividade contra as pessoas que amamos pode acabar extinguindo o amor e o respeito mútuos. E sua repetição viciada pode tornar-se uma mania, ou melhor, uma “tasmania”.

Por isso, se eu pudesse, eu perguntaria (com um pouco de ironia e um pouco de preocupação) a alguém que venha a ler este texto:

VOCÊ É UM TASMANÍACO?

Se a resposta for “sim” ou “talvez”, para o próprio bem de quem assim respondeu, eu iria sugerir que mudasse, que buscasse ajuda especializada, que fizesse qualquer coisa, menos permanecer como está, porque o tempo faz acumular a decepção, o rancor e a desesperança, tal como os sedimentos trazidos pelas chuvas e que se depositam no fundo de uma lagoa. E esses sedimentos se acumulam, ficam mais espessos, até ficar impossíveis de remover. Ou, se quiserem, imaginem-se tentando colar um vidro quebrado: pode até colar, mas a superfície nunca mais terá o brilho e a uniformidade de antes.

Este texto era para ser mais leve e bem humorado, mas acabou ficando meio azedo. Paciência. Até porque minha preocupação é real, apesar do trocadilhinho. Por isso, eu pergunto novamente a um improvável leitor: você é um tasmaníaco? Se for, cuide-se, mas, principalmente, cuide daqueles a quem ama.

04/07/2014

quinta-feira, 3 de julho de 2014

BALANÇA DE DOIS PRATOS

Ultimamente minha atenção voltou-se para uma coisa que tem enchido o meu saco. Não é prevenção ou rabugice de velho, juro (tá bom, pode ser sim). A questão é que isso que me incomoda está parecendo uma balança de dois pratos, só que está faltando um deles. Não, não é uma queixa endereçada ao INMETRO. Meu lance é outro.

Alguém tem noção de quantas ONGs (incluídas as filiais e representações em estados diferentes) ligadas aos direitos humanos existem no Brasil? No site  http://dhnet.org.br/abc/org/ tem uma relação estado por estado. Tentei contar e creio que existem em torno de 400!!! (aposentado é foda – para passar o tempo vive inventando merda. Perdão, eu quis dizer moda).

Em Minas, têm 24. Em São Paulo, 80; e por aí vai. Rola de tudo: comissões de OABs regionais, muitas unidades ligadas à Igreja Católica, movimentos negros, comunidade gay, etc. Se não me engano, há 18 enfoques diferentes.

Alguns nomes são super sonoros ou bem bolados. Em São Paulo, por exemplo, existe o “Fala Preta!” e também o “Fala Negão da Zona Leste” (isso sim é que é especialização). Defensor dos direitos da comunidade gay do Maranhão, existe o “Grupo Gayvota”. Esse nome é super legal, mas me causou uma dúvida em relação à pronúncia: fala-se “gáyvota” ou “gueivota”? Se for correta a segunda opção, fica parecendo uma declaração afirmativa: “Gay vota!” (acho que perdi o foco).

Ou seja, é tanta ONG para defender os direitos humanos que se os X-Men vivessem aqui, imagino que alguém já quereria criar uma unidade para defender os direitos sobre-humanos!
Pois bem, falando sério, a questão, o motivo de minha irritação é esse: porque não tem nem uma ONG, umazinha que seja para defender os Deveres Humanos? Para ficar só em um exemplo, tem sempre algum idiota falando em “direitos humanos” e defendendo a manutenção da maioridade penal tal como está, enquanto menores assassinos continuam barbarizando a sociedade.

Não sou contra os direitos humanos, pelo contrário. Direito é bom, é desejável, é necessário (estão aí os advogados dos mensaleiros, do goleiro Bruno e de outros inocentes e injustiçados, que não me deixam mentir – sozinho). O problema é a esculhambação generalizada. Falta o prato do Dever naquela balança citada antes. Além do mais, em qualquer dicionário de língua portuguesa “Dever” sempre vem antes de “Direito”. É isso.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

MAIS PALAVREADO – LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Quando li o conto a seguir, eu tive a sensação que o autor  que eu não conhecia  usava droga, tão delirante é o texto. Depois de descobrir que o Luis Fernando Veríssimo é gaúcho, eu tive certeza. Porque chimarrão é uma coisa horrível, uma verdadeira droga.

Brincadeiras à parte, esse texto me transformou em fã total do Veríssimo. Não conheço outro autor que faça textos de humor com tanto nonsense como meu homenageado da semana. A palavra para ele é “Gênio”. Olhaí:


Contam que Pantufo, Rei da Cizânia, Imperador das Angulares (a Pequena e a Grande), do Alto e Baixo Fender e de todas as Rixas, tinha uma coleção de aves que piavam. Era a maior coleção de aves que piavam do mundo conhecido. E provavelmente do desconhecido também, se bem que deste se sabia pouco. Um dia chegaram a Nova Velha, capital da Cizânia (a Velha Velha fora destruída por um paroxismo), dois viajantes, Metatarso de Castro e Palpos de Aranha. Os dois se dirigiram ao palácio real e pediram uma audiência com o rei.
- De que se trata? – quis saber o custódio real.
- Sabemos que Sua Excrescência tem a maior coleção de aves que piam do mundo – disse Metatarso.
- É verdade – disse o custódio, olhando os forasteiros de balaio. – Todas as aves que piam do mundo estão na coleção do nosso rei.
- Todas não – plicou Palpos.
- Como não? – Replicou o custódio.
- Sabemos de aves raras que piam como nenhuma outra que não estão na coleção de Sua Indecência.
- E onde estão essas aves? – Triplicou o custódio.
- Só diremos para Sua Demência em pessoa.
Os dois foram levados à presença de Pantufo, que reclinava sobre um almoxarife, abanado por dezessete lupanares enquanto uma lêndea seminua coçava o seu estrôncio. A sala do trono era toda decorada de alvíssaras e rocamboles silvestres.
- Sim? – disse o Rei da Cizânia, mastigando uma véspera e cuspindo os cedilhas na mão de um limiar.
- Trazemos notícias de aves que piam como nenhuma outra – disse Metatarso, fazendo um salaminho.
- Aves de que Vossa Mumificiência jamais ouviu falar – completou Palpos, com um arrabal até o chão.
- Impossível – disse o rei, com suco de véspera correndo pela pauta e o jargão real. – Eu tenho todas as aves que piam do mundo.
- Vossa Ardência conhece a xerox emplumada?
- Xerox emplumada?
- É uma ave que nós descobrimos.
- E ela pia? – trucou o rei.
- Copia – retrucou Metatarso.
- Como é que eu não conheço essa ave? – disse o rei, olhando com sódio para Teflon, o caçador real. – Onde vocês a encontraram?
- Num lugar que só nós conhecemos, Vossa Carência. Na margem oposta de
um dos sete mares do vosso reino.
- Qual dos mares? O Mita, o More, o Racas, o Selhesa, o Fim ou o Condes Ferraz?
- Um desses – disse Palpos.
- Mmmm. Já vi tudo – disse Pantufo, coçando as bigornas. – Vocês querem alguma coisa em troca da informação. O quê? Digam que será seu.
- Bem, Vossa Displicência – disse Palpos -, somos viajantes solitários. Muita falta nos faz a companhia feminina, principalmente em noites de torresmo e barracas…
- Ah, quereis catimbas – disse o rei. – Pois escolham as que quiserem do meu catimbeiro.
- Preferimos escolher entre as suas filhas, Vossa Insuficiência.
O rei esbravejou chamando os viajantes de tudo, desde arrebóis até filhos de uma turbina, mas acabou concordando. Mandou chamar as filhas para que os viajantes escolhessem. Metatarso ficou com Ampola e Palpos com Lentilha, as mais encarnadas de todas.
- Agora digam onde estão essas aves que piam como nenhuma outra.
- Bem – disse Metatarso -, vossas filhas tem hábitos caros, Vossa Decadência.
Como conseguiremos mantê-las felizes, comprar picuinhas, aleivosias…
- Está bem – interrompeu o rei. – Vocês terão uma renda vitalícia de um milhão de dolos por mês. Terei de aumentar os impostos, mas o povo compreenderá.
Agora, vamos às aves!
No dia seguinte, partiu a armada real, dez bulhufas escanhoadas e uma bulhufa-apitânia, entre gritos dos seus comanches:
- Arrebitar o vetusto!
- Suspender o bilboquê de açafrão e o lume da alcatra!
- Pinicar a espátula e dobrar o macambúzio!
Durante a viagem, Pantufo não parava de pedir mais informações sobre as aves que encontrariam.
- Há a “voiyeur de nuit” – disse Metatarso.
- E ela pia? – torquiu o rei.
- Espia – retorquiu Metatarso.
- Há a piorra azul – disse Palpos.
- E ela pia?
- Rodopia.
- E a clínica do banhado.
- Ela pia?
- Terapia.
- Não podemos esquecer o marrecão larápio.
- Ele pia?
- Surrupia.
- E as cócegas selvagens…
- Elas piam?
- Arrepiam.
A armada real levou dois anos para atravessar seis mares, com Metatarso e Palpos seu milhão de dolos por mês e entregando-se, todas as noites, a longas lengas e intermináveis charnecas com Ampola e Lentilha. Finalmente chegaram à margem oposta do Mar Condes Ferraz e desceram à terra. Mas não encontraram aves que piavam como nenhuma outra.
- Onde estão as aves? – Quis saber Pantufo.
- Já sei o que houve, Vossa Dissidência – disse Palpos. – Esta não é a margem oposta.
- Claro – disse Metatarso. – A margem oposta fica do outro lado.
E lá se foi, de novo, a armada real.
- Arrematar as polpas de antanho!
- Acinturar a sirigaita maior!
Contam que a armada real está navegando até hoje, pois a margem oposta sempre muda, misteriosamente, de lado. Apesar dos gritos do Rei Pantufo:
- Bando de conúbios!
- Caramanchões de uma pipa!
- Arras cuneiformes!

E a todas estas o povo pagando impostos.

02/07/2014


terça-feira, 1 de julho de 2014

ONONO

Alguém não identificado colocou alguns comentários no blog. Não identificado e também ininteligível, porque incompleto. Mas, tudo bem. O que atiçou minha curiosidade foi a palavra “unknown”, utilizada pelo Google para assinalar isso. Aí fiquei pensando em um termo parecido para tratar amistosamente os desconhecidos leitores do blog, porque “unknown” é muito impessoal!

Primeiro, pensei em “Anão” (Entendeu a jogada? Unknown – Anão... Dãã!). Mas, para evitar criticas dos pateticamente corretos, achei melhor não usar esse substantivo, antigamente utilizado para designar alguém “prejudicado verticalmente” (isso sim é que é expressão ridícula).

Aí me lembrei daquelas cédulas que na época de eleições os políticos utilizam para sujar as ruas. Quando há mais de um cargo em disputa, vem claramente indicado o nome do candidato que pagou a impressão. Os demais aparecem apenas como Nono, Ononom, Onon Onono, etc.

Então, os OVNI, os ilustres desconhecidos, seriam identificados neste blog como “Onon”. A ideia até que era bem boa, mas, para alguns maliciosos (que sempre os há), esse designativo  lembraria Onan. Embora esse último seja o nome de um personagem bíblico, logo percebi que não pegaria (epa!) bem. Afinal, este é um blog que se dá ao respeito, não é um blog destinado a discutir ou incentivar a prática sexual a um, a dois ou suruba!

Deixando bem explícito, este é um blog que busca a elevação do espírito através da discussão franca de ideias. Espírito de porco e ideias de jerico.

Por isso, escolhi “Nono", ou melhor, Nonô (se for brasileiro)

Se, porventura, existir algum leitor estrangeiro, depois de entender e maldizer as piadas ruins, ele poderá ficar tentado a dizer –  Oh, no, no”!!!

E será assim identificado: Onono.


ANDRÉ MAUROIS - FRASES

  Depois de ler uma bela frase atribuída a André Maurois, quis saber um pouco mais sobre ele e se teria escrito outros aforismos, com a inte...