terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A GRANA EU NÃO DISPENSO!

 
Como sabem as pessoas que acessam este blog, minha mulher morreu em consequência de um câncer no fígado, descoberto quando já tinha surgido uma metástase no quadril. Naquele momento nós não sabíamos que isso representava sua sentença de morte, estatisticamente esperada para daí a 21 meses. Faleceu 33 meses depois.
 
Essa perda mexeu muito com minha cabeça – e continua a mexer, condenado que estou a dormir em uma casa vazia, em uma cama vazia. Mas a vida precisa continuar, as contas precisam ser pagas, os aniversários de filhos e netas precisam ser comemorados. E a cabeça voltou a pensar e formular teorias malucas, sem nenhum respaldo científico. E é da mais recente que vou falar.
 
Um médico amigo de meu filho disse que “tecnicamente câncer não mata ninguém. A bagunça que ele faz é que mata” Pensando nisso e depois de ler sobre como ocorre o surgimento e a multiplicação descontrolada de células cancerosas – que saem desativando o que deveria estar ativo e ativando o que não deveria ser, capazes inclusive de estimular a formação de novos vasos sanguíneos para se nutrir, drenando energia do corpo, fiquei matutando na possibilidade da evolução das espécies ter acontecido graças a mutações semelhantes, mas “do bem”.
 
Procurando confirmação para mais esta teoria miojo (aquela que fica pronta em três minutos mas o resultado é sempre uma merda), apresentei meu raciocínio ao ChatGPT (meu consultor para assuntos aleatórios e inúteis):
 
Pensei em uma teoria louca: a evolução das espécies pode ter acontecido de forma rápida, usando os mesmos mecanismos de multiplicação das células cancerosas. Que acha disto?
 
E ele respondeu:
 
Ideia nada boba — e não é tão “louca” quanto você imagina. Ela toca em pontos reais da biologia, mas mistura mecanismos que hoje entendemos como relacionados, porém não equivalentes.
 
A biologia já abandonou há bastante tempo a noção de que a evolução acontece sempre de forma lenta e gradual. Hoje se aceita que longos períodos de estabilidade podem ser interrompidos por surtos relativamente rápidos de mudança — o chamado equilíbrio pontuado. A velocidade, portanto, não é o problema da teoria.
 
O paralelo com o câncer também não é gratuito. Células cancerosas se multiplicam rapidamente, acumulam mutações em alta velocidade, ignoram mecanismos normais de controle e competem entre si, de modo que as mais eficientes acabam dominando. Dentro de um tumor, existe algo muito parecido com seleção natural: uma forma de evolução acelerada, só que em escala celular. Não por acaso, existe até um campo de estudo chamado evolução somática, que analisa populações de células evoluindo dentro de um organismo. Mutação aleatória, seleção das mais adaptadas e expansão rápida são princípios que valem tanto para células quanto para espécies.
 
Onde a analogia começa a falhar é no resultado final. O câncer não produz nada viável a longo prazo. Ele destrói o organismo que o sustenta. As mutações que o favorecem não são herdadas por uma população, não passam pelo crivo do ambiente e não constroem sistemas integrados. A evolução das espécies, ao contrário, depende de cooperação, herança, estabilidade e integração funcional. Não basta multiplicar rápido; é preciso funcionar como um todo.
 
Ainda assim, existem na própria história da vida processos que lembram essa fase inicial caótica: explosões adaptativas, como a explosão cambriana, e grandes duplicações gênicas, em que o material genético cresce rapidamente antes de ser “organizado” pela seleção natural. A evolução real parece ter sido bem mais bagunçada, excessiva e experimental do que os livros didáticos costumam sugerir.
 
A reformulação mais aceitável da ideia seria algo como isto: a evolução pode ter ocorrido, em certos momentos, em surtos rápidos de proliferação e mutação intensa, semelhantes aos mecanismos vistos no câncer, mas que só se tornaram evolução de fato quando foram estabilizados, refinados e contidos pela seleção natural. O câncer seria, então, um exemplo extremo e local desse motor evolutivo básico — poderoso, rápido e cego — funcionando sem freio.
 
Conclusão: Sua intuição é boa, pois você percebeu que multiplicação + mutação + seleção são universais; você identificou que processos acelerados existem na natureza. O erro seria esquecer que, para continuar existindo, a vida precisou aprender exatamente aquilo que o câncer não aprende: parar.
 
Depois de toda essa erudição, só posso dizer que não estranharia se me indicassem para algum Prêmio Nobel. Ao contrário do beligerante Donald Trump, que ficou magoadinho por não receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, eu humildemente recusaria essa honraria. Agora, a grana do prêmio eu não dispenso!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

HOMEM COM AGÁ

 
Em uma cidadezinha do interior do Nordeste há duas coisas extremamente valorizadas e potencialmente polêmicas: as disputas apaixonadas da política local e a capacidade de um homem gerar um descendente do sexo masculino, prova inconteste de sua masculinidade.
 
Pois aconteceu de um sujeito não conseguir gerar o tão desejado filho varão, depois de quatro tentativas frustradas. Ao saber que a esposa estava grávida novamente, a primeira providência foi fazer um exame de ultrassom, quando se constatou que teria mais uma filha. Aquilo já passava do limite do tolerável!
 
Com a ajuda de um obstetra muito discreto e muito amigo, conseguiu localizar uma mulher que estava na mesma fase gestacional que a esposa. Além disso, ela tinha características físicas semelhantes às da companheira e estava grávida de um bebê do sexo masculino.
 
Pouco se importando com a canalhice arquitetada, pagou pelo todos os exames pré-natais e a realização do parto da desconhecida. A cesárea da esposa foi realizada no mesmo dia. E assim, graças ao silêncio
 do médico e à anuência da esposa, virou pai de um casal de gêmeos.
 
Mas dizem que não há bem que sempre dure. E foi a política local a responsável por fazer com que a farsa fosse conhecida e divulgada, boca a boca, por toda a cidadezinha, pois o orgulhoso papai de gêmeos e o médico tornaram-se inimigos políticos quando o pimpolho já era adolescente.
 
Como quem não quer nada, o médico apenas sugeriu que talvez fosse interessante que o jovem fizesse um teste de DNA. Ao descobrir ser fruto de uma farsa montada sem lei e sem ética, encheu o “pai” de porrada. Mas a história não acaba aqui.
 
Serenados os ânimos, curadas as feridas físicas e da alma, tempos depois, graças a uma mensagem equivocadamente enviada no grupo da família, descobriu-se que quem tanto tentara provar sua masculinidade, mantinha um caso homoafetivo com um rapaz a quem desejava beijar e "apertar a bunda". 

Tecnicamente, pode-se dizer que o papai machão sempre desejou ter um homem em sua vida, não é mesmo?

domingo, 4 de janeiro de 2026

TAKE THE “A' TRAIN” – THE DELTA RHYTHM BOYS

 
Algumas músicas me fascinam tanto que eu acabo por procurar novos arranjos, novas versões, novos intérpretes. Take the “A” Train é uma dessas. Foi composta por Billy Strayhorn, parceiro e arranjador do Duke Ellington, que a gravou em 1941.
 
O título da música remete à orientação de como o compositor chegaria à casa do “Duque” (ou vice versa):  Pegue o trem (ou metrô) na plataforma A”.
Como diria o Jeca Gay, personagem hilário criado pelo multitalentoso Moacir Franco: “se é verdade, é sim sinhô, quem me contou foi um pescador”.
 
Pois bem, achei mais uma versão da música com letra provavelmente criada pelos integrantes do ótimo grupo vocal “The Delta Rhythm Boys” – extinto em 1987, depois de 50 anos em atividade. E o melhor é vê-los em um filme preto e branco, provavelmente da década de 1940. Espero que se divirtam (depois de tanta dor e tanto lamento transformados em posts)




).

sábado, 3 de janeiro de 2026

REVEILLON

 
Deram-me a ler outro dia
um livro sobre como morrer.
Pensaram talvez ser cuidado, empatia,
por me verem tanto sofrer.
Mas ninguém perguntou se eu queria,
se era isso que eu tinha de ler.
 
Não consegui perceber
e, confesso, jamais consegui entender
como era ingenuamente feliz.
Acreditava bastar só um clique
para pôr fim a meus chiliques
e a tudo que não compreendia.
 
Como era tolo, infantil,
como eu era imaturo!
Não conhecia perdas reais,
Não sabia o que era perder,
o significado real de perder
o maior bem da minha vida.
 
Hoje não penso em morrer,
mas sei que enquanto viver
lamentarei ter sofrido
por motivos banais e vivido
como se fosse o mais oprimido,
como se não fosse eu o bandido.
 
Não sabia o quanto gostava,
não sabia o real valor
de quem sempre esteve comigo,
de quem não tornarei mais a ver.
Agora eu sei que esta dor
é uma dor que não sairá mais,
 
Nunca mais.
 
(escrito na madrugada do dia 01/01/2026)

 

 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

CHEERS!!!!

 
Há 4.000 anos os sumérios já desejavam “pão e cerveja” como augúrio de saúde e sucesso. Isso sempre me deixou pensativo, pois a cerveja parece ter sido desde sempre uma fonte confiável de hidratação e de alegria, especialmente em épocas em que a água não era tratada e, provavelmente, nunca filtrada.
 
Eu não gosto do sabor da cerveja e foi este um dos principais motivos para parar de beber bebidas alcóolicas desde 2014. Ultimamente, talvez motivado pela perda do meu Amor, tenho pensado em fazer as pazes com a breja, só com a cerveja, pois minha amada Eliany gostava muito de uma cervejinha em lata. Claro que “cervejinha” é um eufemismo para a quantidade de latas que entornava em reuniões sociais na companhia das irmãs e amigas.
 
Nunca deu vexame, nunca perdeu o juízo, apenas gostava muito de um latão gelado de cerveja de boa qualidade. “Um”, também, é eufemismo. Quatro ou cinco seria a quantidade correta consumida em festas de família e encontro com as amigas. E eu, só no refri ou suquinho de frutas.

Mas, como disse, tenho pensado em acabar com a abstinência total de bebida alcoólica. Talvez, para homenagear a minha deusa, volte a beber um copo de cerveja – que sempre desceu super bem, mas ficando só nisso, pois o segundo copo sempre teve gosto de cerveja – e eu detesto o gosto da cerveja!
 
Entretanto, depois de ler uma reportagem sobre o uso da cerveja como vacina, talvez eu tolere o segundo copo, mas apenas como medicamento necessário e preventivo. Segundo essa reportagem “um cientista americano criou uma cerveja que funciona como vacina e causa controvérsia internacional”.
 
“Um cientista dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), dos Estados Unidos, criou em sua própria cozinha uma cerveja que atua como vacina oral contra um poliomavírus potencialmente perigoso. O virologista Chris Buck, que descobriu quatro dos 13 poliomavírus humanos conhecidos, decidiu ultrapassar as barreiras impostas pela burocracia regulatória e testar em si mesmo a viabilidade de uma vacina comestível.
A bebida contém leveduras geneticamente modificadas para produzir partículas semelhantes às do poliomavírus BK, associadas a cânceres e complicações graves em pessoas imunossuprimidas, como pacientes de transplante. Ao ingerir a cerveja, Buck afirma, em entrevista ao ScienceNews, ter produzido anticorpos contra diferentes subtipos do vírus, sem efeitos adversos relatados”.
 
Tudo estaria bem se ele não tivesse tornado públicas suas experiências. Bastou tomarem conhecimento dessas insuspeitadas qualidades para os caretíssimos Comitês de ética dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA desautorizarem a autoexperimentação no âmbito institucional. E ainda questionaram a publicação dos manuscritos em servidores científicos tradicionais!
 
Hoje em dia, há cervejas artesanais com gosto de tudo, até mesmo de cerveja, e ninguém reclama disso. Há até uma cerveja com forte conotação erótica, feita com jaboticaba. E tem conotação sexual porque, como todos sabem, a jabuticaba já nasce agarradinha no pau.
 
Maaass, voltando à vacina, ou melhor, à cerveja, tenho absoluta certeza de que essa bebida ajudaria a acabar com os movimentos anti-vacina no mundo todo. E todo mundo ficaria alegrinho e sorridente com uma lata, caneco ou tonel dessa santa bebida em uma das mãos, dizendo com a voz já meio enrolada:
- Saúde! Estou vazinado! E muito felizzzz!!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

RESOLUÇÕES DE ANO VELHO

 
Este ano, por pretender ficar sozinho em casa no último dia de 2025, poderei satisfazer dois desejos antigos: assistir na TV Globo à retrospectiva dos fatos que marcaram o ano prestes a se encerrar e dormir durante a passagem de ano. Bom demais!
 
Mais cedo, poderei saber qual queniano ganhou a São Silvestre e poderei até mesmo fazer minhas resoluções de ano velho. Por exemplo, não precisarei comer doze uvas fazendo uma prece aos reis magos ou coisa parecida, nem comer lentilha após a mudança de calendário. Só isso aí já me dará a sensação de dever cumprido, de meta atingida, de desejo realizado, deixando-me mais preparado para os desafios do novo ano.
 
E poderei ver a imagem de quem morreu durante o ano que está terminando.  Talvez seja uma curiosidade meio mórbida, mas neste ano essa curiosidade aliou-se ao sentimento de perda da minha Liane. Por via das dúvidas, já fiz uma lista de quem eu conheço pelo menos o nome. Quanta gente boa! Olha só:

JANEIRO:

David Lynch

Cineasta

Jean-Marie Le Pen

Político

Léo Batista

Jornalista

Marianne Faithfull

Cantora ex-Mick Jagger

Marina Colasanti

Escritora

FEVEREIRO:

Cacá Diegues

Cineasta

Carlos Miranda

Ator Vigilante Rodoviário

Gene Hackman

Ator

Lílian Knapp

Cantora dupla Leno e Lilian

Newton Cardoso

Político

Roberta Flack

Cantora

MARÇO:

Affonso Romano de Sant'anna

Escritor

George Foreman

Boxeador

Richard Chamberlain

Ator

ABRIL:

Cristina Buarque

Cantora irmã do Chico

Edy Star

Cantor

Lúcia Alves

Atriz

Mario Vargas Llosa

Escritor

Papa Francisco

Líder religioso

Val Kilmer

Ator

MAIO:

Dorinha Durval

Atriz e assassina

José Mujica

Político ex-presidente Uruguai

Maria Lúcia Godoy

Cantora lírica

Nana Caymmi

Cantora

Sebastião Salgado

Fotógrafo

JUNHO:

Bira Presidente

Músico Fundo de Quintal

Brian Wilson

Músico Beach Boys

Francisco Cuoco

Ator

Frederick Forsyth

Escritor

Hélio Delmiro

Violonista

Lalo Schifrin

Compositor

Sly Stone

Músico Woodstock

JULHO:

Ozzy Osbourne

Cantor

Preta Gil

Cantora

Roberto Duailibi

Publicitário

AGOSTO:

Arlindo Cruz

Cantor

Íris Lettieri

Locutora

Jaguar

Cartunista

Jim Lovell

Astronauta

J. R. Guzzo

Jornalista

Luis Fernando Verissimo

Escritor

Terence Stamp

Ator

SETEMBRO:

Angela Ro Ro

Cantora

Berta Loran

Atriz

Célio Balona

Músico

Claudia Cardinale

Atriz

Giorgio Armani

Estilista

Hermeto Pascoal

Músico

Mino Carta

Jornalista

Robert Redford

Ator e cineasta

OUTUBRO:

Diane Keaton

Atriz

Jane Goodall

Primatologista

José de Paiva Netto

Líder religioso

NOVEMBRO

André Geraissati

 Instrumentista e compositor

Dick Cheney

Político

Jards Macalé

Músico

Jimmy Cliff

Músico

Lô Borges

Músico

Ornella Vanoni

Cantora

Stephen Kanitz

Economista

DEZEMBRO

Brigitte Bardot

Atriz

Bolão

O rei do spaguetti em BH

ELIANY APARECIDA

Amor da minha vida

Haroldo Costa

Ator e comentarista

Ieda Maria Vargas

Miss Universo 1963

Lindomar Castilho

Cantor

Teuda Bara

Atriz


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

NÃO QUERO FAZER FOFOCA, MAS...

 

Não quero fazer fofoca, mas hoje é o último dia para dowload gratuito do "Ela!", e-book que publiquei em homenagem à memória de uma mulher linda que durante 55 anos de convivência tentou me transformar em uma pessoa melhor (creio não ter tido muito sucesso nisso). 

O link é este:

https://www.amazon.com.br/dp/B0GCJX64JR

A GRANA EU NÃO DISPENSO!

  Como sabem as pessoas que acessam este blog, minha mulher morreu em consequência de um câncer no fígado, descoberto quando já tinha surgid...