domingo, 15 de novembro de 2015

BIG BULLYING

Eu acho que o bullying surgiu com o Homem. Talvez possa ter a idade da Terra. 

Talvez, quem sabe, seja até mais antigo que o Universo – nem que por apenas alguns trilionésimos de segundo...



JE SUIS PARIS

Acabei de excluir um post que não me agradou. Nesse texto eu tentava manifestar minha tristeza, perplexidade,indignação e horror diante dos atentados terroristas ocorridos em Paris, mas era um texto reciclado. E este é um momento em que não se pode reciclar nem requentar nada, nenhum sentimento. 

Não consigo imaginar que a motivação para o assassinato de tanta gente seja apenas religiosa. Não consigo imaginar que os fundadores das grandes religiões tenham pregado a realização de atos como esses.

Acredito que ninguém supera os fundamentalistas islâmicos em distanciamento dos princípios e valores de sua religião. Aparentemente, imaginam ser os inquisidores do século XXI, os torquemadas vindos do Oriente. Para mim são apenas criminosos, assassinos, tão sádicos, psicopatas e desajustados quanto os nazistas que se referiam aos judeus e ciganos como "sub-humanos".

Acredito que devia existir um "Tribunal de Nuremberg" permanente, para julgar e punir qualquer tipo de terrorismo, especialmente se tiver motivação religiosa.

Não importa o idioma, não importa o país. Para mim, são esses os sentimentos que qualquer pessoa normal sentiu - ou deveria sentir - ao tomar conhecimento de um ato tão bárbaro como esse, ainda pior por ter ocorrido no Ocidente, em um Estado laico.

horror
indignação
desalento
estupefação
tristeza
horreur
indignation
consternation
étonnement
tristesse
horror
outrage
dismay
bewilderment
sadness
entsetzen
empörung
entsetzen
ratlosigkeit
trauer
horror
indignación
consternación
desconcierto
tristeza
orrore
indignazione
sgomento
stupore
tristezza


É isso.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

NASCIDOS NA FAZENDA - 06

Para encerrar esta série sobre meus avós maternos, uma espécie de "Memórias Sentimentais de Jotabê", resolvi postar as fotos que recebi de minha irmã. Como já disse antes, imagens, lembranças, documentos preservados servem para manter "vivas" as pessoas comuns, anônimas. Mas não vejo problema nenhum em fazer alguma piada ou comentário irônico sobre elas, pois o sentimento principal que tenho por essa gente é carinho, mesmo nunca tendo conhecido alguns. Assim, em vez de ficar enrolando, passemos às apresentações.

A primeira imagem é a "restauração" daquela foto incrível apresentada na parte 2 desta série. Sinceramente, alguns "ficaram bem na foto", mas a feiura da maioria (minha avó incluída) é constrangedora, fazendo-me pensar em uma "Família Adams" cabocla.

Sobre essa foto minha irmã fez o seguinte comentário ao enviá-la: "A outra foto (não é xerox) é um retrato desse retrato original e o fotógrafo fez por conta própria uma "restauração" ridícula; colocou óculos no bisavô, um vestido na Tia Anita que é a do retratinho colado e modificou a fisionomia dela também, um troço muito tosco". Só posso acrescentar: e com sobrancelhas de Frida Kahlo!


Os próximos retratos mostram a mãe de minha avó já bem velhinha. Segundo minha tia Aidê, sua avó "Dindinha" morreu em 01/07/1948. Curiosamente, seu rosto envelhecido não combina com sua imagem mais nova, na fotografia restaurada. E a expressão de desencanto, mesmo que minha avaliação não seja correta, faz pensar que é fruto das "estripulias imobiliárias" cometidas pelos próprios filhos.

Com meu bisavô a coisa é quase surreal, pois teria morrido talvez em 1917(!), pouco tempo  depois dessa fotografia e antes do casamento de minha avó.


Os últimos retratos mostram meu avô ainda muito novo – talvez com uns trinta anos (olha o estilo do sapato!) – e minha avó, já velhinha (talvez já no início da demência), com seu jornal, onde sempre procurava "imóveis para comprar". É com essa imagem que lembro-me dela dançando quadrilha ao som de "Your mother should know".



DESIDERATA - ANÔNIMO

Eu devia ter uns dezessete, dezoito anos quando li o texto a seguir no jornal “O Estado de Minas”. Até onde me lembro, fazia parte de alguma publicidade. Gostei tanto que recortei o a página e guardei o texto em um baú de tralhas diversas. O texto explicativo mencionava tratar-se de um documento do século 17, encontrado em um mosteiro ou sei lá onde. Pois bem, recentemente ouvi dizer que seria na verdade um poema escrito no início do século 20, incluído por engano em uma compilação de textos religiosos antigos.

Essa curiosidade, mais o fato de que estou às voltas com um texto meio amalucado, mistura de ficção com delírios pessoais (também pode ser ficção), fez com que eu resolvesse postá-lo no Blogson, para que os 2,3 leitores, pela falta de material novo, não acabem por se transformar em apenas 0,3. Vêaí


Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio.
Tanto quanto possível, sem sacrificar seus princípios, conviva bem com todas as pessoas.
Diga a sua verdade calma e claramente e ouça os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes, pois eles também têm sua história. Evite as pessoas vulgares e agressivas, elas são um tormento para o espírito.
Se você se comparar aos outros, pode tornar-se vaidoso ou amargo, porque sempre existirão pessoas superiores e inferiores a você.
Usufrua suas conquistas, assim como seus planos. Manter-se interessado em sua própria carreira, mesmo que humilde, é um bem verdadeiro na sorte incerta dos tempos.
Tenha cautela em seus negócios, pois o mundo é cheio de artifícios, mas não deixe isso te cegar à virtude que existe. Muitos lutam por ideais nobres e por toda parte a vida é cheia de heroísmo.
Seja você mesmo. Sobretudo, não finja afeições.
Não seja cínico sobre o amor, porque, apesar de toda aridez e desencantamento, ele é tão perene quanto a relva.
Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência às coisas da juventude.
Alimente a força do espírito para ter proteção em um súbito infortúnio. Mas não se torture com temores imaginários. Muitos medos nascem da solidão e do cansaço.
Adote uma disciplina sadia, mas não seja exigente demais. Seja gentil consigo mesmo.
Você é filho do Universo, assim como as árvores e as estrelas
Você é filho do Universo, assim como as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui.
E mesmo que não lhe pareça claro, o Universo, com certeza, está evoluindo como deveria.
Portanto, esteja em paz com Deus, não importa como você O conceba.
E, quaisquer que sejam as suas lutas e aspirações no ruidoso tumulto da vida, mantenha a paz em sua alma.
Apesar de todas as falsidades, maldades e sonhos desfeitos, este ainda é um belo mundo. Alegre-se. Empenhe-se em ser feliz!

13/11/2015


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

HIGH ANXIETY

Há muitos anos, assisti na televisão a um filme divertidíssimo do Mel Brooks (em uma Sessão Coruja, provavelmente), sobre um médico (interpretado pelo próprio diretor) que assume a direção de um hospital psiquiátrico. O hilário é que o médico - apesar de psiquiatra - é altamente ansioso, daí o nome do filme. É uma paródia-homenagem aos filmes de suspense do Hitchcock. A cena que lembra Psicose é engraçadíssima. Mas a linha mestra deste texto não é cinema, é ansiedade, ou melhor, a alta ansiedade que esse blog causa em mim.

O Blogson – como já foi dito um milhão de vezes – surgiu como uma opção de desova das tranqueiras que escrevia e encaminhava através de e-mail para meus filhos e um reduzidíssimo grupo de amigos. Mesmo tendo resgatado um volume lascado dessas bobagens e idiotices, uma hora essa fonte secaria. Por isso, escrevi o post “Perdendo o Gás”, onde comentei que ainda tinha cinquenta textos e desenhos inéditos (para o blog, bem entendido). Fiz até a "promessa" transcrita a seguir (já descumprida, obviamente):

Como preciso criar vergonha na cara e vencer essa dependência paralisante (acesso o Blogson umas trinta vezes por dia, sem exagero) resolvi chutar o balde: tenho 52 textos e desenhos programados para sair só às sextas-feiras.

Já que o número de acessos ao blog não aumenta mesmo, só espero que os 2,3 leitores frequentes desta bagaça não esqueçam o velho e alquebrado Jotabê. E se pensar em descumprir a programação mais uma vez, vou pedir à minha mulher para me acorrentar no pé da cama (nada a ver com práticas sado-masô, entendeu?). Talvez assim funcione (a programação, é claro).

Para vencer essa ansiedade, não ficar mal comigo mesmo e burlar a sexta-feira, criei um artifício: a reserva técnica de cinquenta posts continua valendo. Assim, se quiser divulgar um texto ou desenho no meio da semana, precisarei escrever alguma coisa para repor o estoque. Caso de tratamento psiquiátrico, concordam?

Depois disso, já postei bobagens novas e idiotices fresquinhas, que mantiveram o estoque praticamente inalterado. Curioso é o fato de acontecer comigo o que foi motivo de ironia do Rubem Braga: eu sempre acho que o que acabei de escrever é mais “genial” que os mais antigos. Em uma de suas fantásticas crônicas, ele escreveu:

“Os escritores adolescentes são horríveis pais, que vivem renegando os filhos semanas e às vezes dias depois de nascidos, passando seu amor de armas e bagagens para outro filho que acham um primor e que logo renegarão; com o tempo a gente fica menos ansioso e mais humilde e se às vezes contempla a filharada toda com aborrecimento pelo menos não a despreza mais por amor dos recém-nascidos, que já sabemos que não são grande coisa”.

Boa deixa! Pensando nas coisas que escrevi até agora, eu sinto também que “não são grande coisa”, mas tenho, sinceramente, certo carinho por esses textos. Ou seja, ainda que de forma desigual, eu gosto de tudo o que já escrevi, mesmo tendo certeza – como ensinou o velho Braga, “que não são grande coisa”.

O que nunca comentei é que tenho também uma lista de ideias para novos posts, alguns já começados e há até os que possuem apenas um título (sempre provisório), mas não lembro mais o que pretendia dizer (ah, velhice!).

E para encerrar este texto movido a alta ansiedade, preciso fazer uma confissão: eu já tenho pronto o último post que sairá no Blogson. É sério! Um dia, pensando por quanto tempo ainda o Blogson existiria, resolvi escrever seu último post. Assim, quando alguém acessasse o blog e visse esse texto, saberia (saberá) que aquele é o ponto final.

Não tenho dúvida que isso é um desejo, uma compulsão de controlar minha vida e meus atos (mais um motivo para terapia), mas, por via das dúvidas, sua publicação foi programada para o ano de 2020. Mesmo que não pretenda parar agora (alguém se lembrou da "reserva técnica"?), está tudo lá, prontinho, revisado e com título, definitivo.

Qual o título? CODA. Quem quiser saber por que, precisará esperar o dia chegar ou pesquisar na internet.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A VELHICE É UMA ÉPOCA DE TREVAS

A velhice é uma época de trevas! Nada melhor para começar um texto que usar uma frase de impacto, especialmente se é verdadeira. Frases assim causam a maior comoção, fazem a bolsa de valores despencar e provocam palpitações nas pessoas de alma mais sensível.

Mas enganam-se aqueles que imaginam que estou me referindo de forma metafórica ao cerco progressivo das trevas que assolam a velhice enquanto as luzes da juventude vão aos poucos se apagando. Tô nem aí, como diz a música.

As trevas a que me refiro são reais, assim como as luzes. Creio já ter falado antes sobre um conhecido que quer porque quer parecer mais novo do que realmente é. E o bacana é que utiliza métodos que sempre me surpreendem, como criar um perfil no Facebook e indicar uma idade três anos menor que a real.

Tenho por esse cara grande "apreço" (talvez devesse dizer há preço, pois sua vida gira em torno de dinheiro - quanto ganha, quanto gastou, etc.), pois cada novo caso que escuto sobre ele sempre faz aumentar o desprezo que lhe devoto. Por exemplo, quando fiquei sabendo que depois de uma briga com os filhos, ameaçou pedir exame de DNA de cada um.

Uma das últimas proezas foi começar a pintar os cabelos, brancos na quase totalidade. Em sua defesa, preciso reconhecer que muitos velhinhos também fazem isso, esquecidos que o rosto é um autêntico retrato de Dorian Gray (ou black ou brown, que são as cores que utilizam).

Pois bem, esse conhecido descobriu um método eficiente para disfarçar a brancura capilar. As mulheres (e os gays, talvez) usam "luzes" nos cabelos, um sistema de tintura que cria o efeito de reflexos delicados na cabeleira (pesquisei sobre isso, pô!). Pois bem, alguém teve a ideia de fazer "trevas", que é a criação de mechas pretas na juba branca, criando o efeito grisalho.

Agora, apesar da barriga obscena, só falta esse conhecido aplicar botox ou coisa parecida nos lábios, para ficar como as peruas televisivas (lembrei-me da Gretchen), com suas bocas de pato.

Eu disse pata? Bem pensado! Se essa for a nova surpresa do meu conhecido, só poderei exclamar quando encontrá-lo: PATA QUI PAREU!!!



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

MÁ PARTILHA - J. R. GUZZO

Este blog já postou trechos de um artigo publicado na revista VEJA, de autoria desse jornalista. O resultado foi transformar-se no post mais acessado de todos os mais de quatrocentos já publicados no Blogson (com mais de três vezes o número de visualizações do segundo colocado!).

Na edição 2450 dessa revista (04/11/2015) ele foi novamente, simplesmente genial. Depois de ler o artigo de sua autoria, não resisti: precisava transcrever pelo menos um trecho de um texto absurdamente bom, pois com ele tornei-me fã incondicional de J. R. Guzzo. Esse sabe escrever! Quem quiser ler o artigo em sua íntegra, precisa comprar a revista (ou pedir emprestado), talvez ainda seja possível. Olhaí:


Após treze anos no poder, o PT e a esquerda se tornaram a mais agressiva de todas as forças que hoje atuam contra as mudanças indispensáveis para o avanço social do Brasil. São defensores intransigentes de aberrações como o "ensino superior gratuito" – um prodígio de injustiça pelo qual a empregada doméstica paga a universidade pública dos filhos da patroa. Não admitem a mínima reforma no mais selvagem sistema de concentração de renda hoje em vigor no mundo – a Previdência Social brasileira, que gasta mais dinheiro com 950000 aposentados do funcionalismo público do que com 27 milhões de cidadãos que passaram a vida trabalhando fora do governo. Chamam de "conquista social" o que é privilégio. Confundem pleno emprego com emprego a qualquer custo – e se tornam, com isso, os grandes incentivadores do barateamento do trabalho neste país. Vivem em guerra contra o lucro das empresas, incapazes de entender que empresas sem lucro não contratam nem aumentam salários. Ignoram que a única hora em que o trabalhador fica em posição de vantagem é quando as empresas estão indo bem, pois só aí investem; só quando investem, aumentam a oferta de emprego – e só aí precisam pagar mais pela mão de obra. Lula, Dilma e o PT acham que "o governo" tem dinheiro para "distribuir", quando a sua única fonte de recursos é o dinheiro dos outros – é inevitável que um dia falte,pois não pode ser reproduzido por vontade divina, e nessas horas os que menos receberam são os primeiros chamados a devolver o pouco que lhes foi dado, como se vê na recessão de hoje. Não admitem que só o bom funcionamento da economia de mercado é capaz de criar e aumentar renda. São os inimigos número 1 do mérito individual como gerador de progresso. Não aceitam a ideia de que a desigualdade tem de ser combatida com a garantia de oportunidades iguais para todos, e não com a distribuição automática dos mesmos resultados - que têm, obrigatoriamente, de variar segundo o talento e o esforço de cada um.
O Brasil que o PT quer é esse. Não pode dar certo.


AFRODITE

  Se eu soubesse como seria ter novo amor, O risco que eu correria de amar sem medida, Maré alta, sujeita a ressaca – que invade a praia E c...