Depois, por ter escrito um texto longo, imaginei ampliar e transformar esse comentário em um post do Blogson. E é isso que farei agora (falta de vergonha na cara é uma coisa muito séria!). Para começar, deixo claro que no ambiente da internet só Papa e a falecida Rainha da Inglaterra mereceriam um tratamento mais cerimonioso de minha parte. Sinceramente falando, excluídas algumas personalidades que meu instinto de puxa-saco profissional identifica, jamais usaria “senhor” ou “senhora” quando respondesse ou comentasse alguma coisa que li na blogosfera, pois somos iguais, músicos e artistas famosos ou ilustres desconhecidos como é a quase totalidade do povo que perde seu tempo na blogosfera. Tanto faz, no universo digital somos todos iguais, o que não acontece no mundo real.
Na “tenra infância” eu usava "papai" e "mamãe" (que acho muito piegas e infantil), mudados depois para “pai” e “mãe”. Já adulto e casado, abandonei “pai” e “mãe” e, só de molecagem, passei a chamá-los de Dona Lia e Seu Amintas, o que fez o maior sucesso, pois gostavam muito dessa descontração, justamente por meu estilo avacalhado/amoroso ao falar com eles.
Meu nome é apenas José, um José raiz, sem complemento. Nada de nome composto, nada de José Carlos ou até mesmo José João. Por isso, amigos, vizinhos e parentes sempre me chamaram de Zé ou Zezinho. Para colegas de escola ou profissão sempre fui Botelho (que é sobrenome). Só há duas exceções: hoje, meu filho mais velho me chama de Jotabê e um antigo chefe sem noção me chamava de "Pênis" (quem tem José Botelho Pinto... como nome de batismo não se importa muito com essas liberdades).
Mas às vezes, por bajulação equivocada, algumas pessoas criam situações constrangedoras. Um dia, um vizinho a quem eu apenas cumprimentava secamente (sua esposa era amiga de minha mulher) e com quem tinha zero contato, bateu na empresa onde eu trabalhava, procurando o "Doutor Zezinho". Fiquei puto com ele, principalmente depois que a secretária ficou rindo da minha cara. O filho da puta era representante de empresa de materiais de construção e achou que eu poderia ajudá-lo. Dr. Zezinho... Ocevê!
As formas de tratamento que recebo hoje definem tanto meu aspecto senhorial quanto a crença de que isso amolecerá meu coração ("e aí, doutor, vamos lavar o carro?"). Ou "em que posso ajudar o senhor?" Dá vontade de responder "Doutor é a puta que pariu!". Mas, infelizmente, hoje sou mesmo um "doupone", um doutor de porra nenhuma, um senhor perto do fim dos seus dias, desejando e preferindo ser tratado mais com carinho e amizade do que com respeito forçado e protocolar. E estamos conversados.