sexta-feira, 29 de maio de 2020

SI SENOR, QUE LINDO, ¿EH?

O apresentador de televisão Silvio Santos é um gênio da comunicação. Engraçado, espirituoso, malicioso, espontâneo e simpático com suas “colegas de trabalho” e convidados do programa. Com o avanço da idade, está cada vez mais imprevisível e inconveniente. O empresário Senor Abravanel sempre foi um gênio nos negócios. Estrategista e com um faro impressionante para novas oportunidades.

O empresário apresentador Silvio Senor Abravanel Santos é ardiloso, oportunista, manipulador, centralizador e descaradamente bajulador de presidentes, desde a época em que ganhou a concessão de um canal de televisão no governo do General Geisel, até recentemente, quando, segundo informações da Folha de São Paulo, assinou uma nota endereçada a seus funcionários do SBT com os seguintes dizeres:

“A minha concessão de televisão pertence ao governo federal e eu jamais me colocaria contra qualquer decisão do meu “patrão” que é o dono da minha concessão. Nunca acreditei que um empregado ficasse contra o dono, ou ele aceita a opinião do chefe, ou então arranja outro emprego.”

Essa declaração apenas confirma o que disse sua filha Patrícia Abravanel ao participar do jurássico quadro “Pra quem você tira o Chapéu?”, apresentado pelo dinossauro Raul Gil. Nesse programa, ela disse que "O SBT é muito pró-governo" (não importa qual) e que "A gente acredita que tem que estar apoiando".

E completa a explicação, dizendo: "Ele (seu pai) ensinou isso para a gente. Apoiou Lula, a Dilma ele apoiou, antes também, Temer ele apoiou. Então acho que a gente tem que estar perto dos nossos governantes para eles poderem sim tomar boas decisões. Que a gente influencie eles para coisas boas. Para que a gente acredite neles, e torça por cada um deles. Então eu, como meu pai, somos pró-governo, sempre. E se eles fizerem alguma coisa errada, claro que a gente pode puxar a orelha, mas temos que ser pró-governo”. Só que não, Patrícia, só que não! Seu pai nunca puxaria a orelha de nenhum de seus patrões.

Ninguém tem direito a dar palpite por que o señor Silvio age assim nem se educou suas filhas nessa linha. Afinal, o Frank Zappa ensinou que "só estamos nisso pelo dinheiro" (We're Only In It For The Money). Mas no caso do líder da banda "The Mothers of Invention" isso era uma piada e título de um de seus álbuns.Triste é quando o apresentador octogenário exacerba na puxação de saco, na subserviência canina, como aconteceu recentemente, ao ordenar ao departamento jornalístico do SBT que o programa “Fala Brasil” nada comentasse sobre o vídeo da última reunião ministerial em que Sérgio Moro esteve presente. Em virtude da argumentação de seus funcionários de que aquele era o assunto do momento em todos os jornais e emissoras, mandou colocar o programa “Triturando” no horário daquele telejornal.

Isso me fez lembrar um caso que li no livro "Chatô, o rei do Brasil". Segundo o livro (vou citar de memória, pois não consultei o livro novamente), Assis Chateaubriand teria ficado puto com alguma reportagem que alguém queria publicar. Para que não restasse dúvida, estabeleceu esta máxima: “no meu jornal quem pode ter opinião sou eu. Quem quiser ter opinião diferente, que compre seu próprio jornal”. Curiosamente, o apresentador Silvio Santos brincou com uma de suas repórteres ao dizer a ela: "Se quiser dar sua opinião compre uma estação de TV e faça por sua própria conta". Mesmo que dito com ironia, isso não é nada engraçado e lembra as falas de seu atual patrão ("quem manda aqui sou eu", "eu sou a Constituição", etc.).

Por essas e outras é que penso haver um sentido oculto na sigla SBT, oficialmente Sistema Brasileiro de Televisão. Para mim, a mensagem subliminar e atemporal dessas três letras é esta: 
SBT: Sistema Baba-ovo de Televisão.

Em sua versão atual pode também ser entendida como 
Sistema Bolsominion de Televisão (ou Sistema Bolsonarista de Televisão).

quinta-feira, 28 de maio de 2020

QUIXOTESCO - A REVANCHE


SIGNIFICADO
Segundo o dicionário, quixotesca é uma “Pessoa que tem intenções e ideais nobres, mas é sonhadora e afastada da realidade”. Há também a percepção de que é alguém que defende os seus ideais acima de tudo e que se esforça por cumprir objetivos de improvável consecução”.

POR QUE EU?
Este post é um espécie de continuação ou revival de outro publicado recentemente onde eu falei de minha primeira experiência na criação de uma história semi-ficcional, pois alimentada e produzida com a colagem de textos reais, não imaginados. Nesse post identifiquei-me como uma pessoa quixotesca por me ver como alguém permanentemente sonhador e frequentemente afastado da dura realidade do cotidiano. A diferença é que nunca tive "ideais nobres" nem me esforcei para “cumprir objetivos de improvável consecução”.

ROCK IN RIO
O primeiro festival “Rock in Rio” foi idealizado e realizado por Roberto Medina, publicitário e empresário de sucesso, que tinha (ou tem ainda) na entrada de sua empresa uma escultura de Dom Quixote. Segundo li na época, Medina identificava-se com a perseverança sonhadora do “hidalgo” espanhol. Não fosse essa obstinação talvez não tivesse conseguido realizar aquele que foi o primeiro de vinte ou mais edições do festival.

O LIVRO
No post anterior eu contei a história do “livro” que produzi para dar de presente à minha mulher em comemoração a nosso primeiro ano de namoro. Passados 49 anos, não me lembro mais se usei algum título para ele, mas lembro-me de ter incluído na “obra maldita” uma cópia (duramente executada!) de uma gravura feita por Gustave Doré, um mestre do desenho do século XIX. Ganhei um livro com biografias rápidas de artistas e escritores famosos. Uma dessas biografias era de Miguel de Cervantes e era ilustrada pela gravura que copiei. Deu trabalho! Mas a gravura original é espetacular. Olha ela aí:



MARRETA
Meu amigo virtual Marreta é um sujeito estranho e avesso a convenções sociais que também abomino. Juntando os fragmentos do que ele já disse em seu blog, imagino que seja uma reedição mais jovem do Quixote de Gustave Doré – magro, talvez muito magro, rosto ossudo e barbado. Mas a semelhança principal é o fato de ser um sonhador, um sonhador mal humorado que não desiste de atacar moinhos reais, não de vento. Na verdade, defende valores que às vezes me causam espanto, como o fato de se recusar a deixar de publicar suas “coelhonas” peludas e outras bizarrices. A mais recente foi postar uma foto do atual sinistro da Educação na galeria “Machos de respeito”. Por mais que eu respeite seu direito de postar o que quiser - pois o blog é dele e ninguém tem nada com isso – fico tentado a pensar que é uma ironia, uma provocação, pois mesmo que o ministro possa ser macho, a única avaliação que não merece é ser “de respeito”, pois é risível e caricato. Mas creio que é por esse tipo de maluquice que eu me identifico um pouco com o blogueiro. Mesmo sendo absolutamente diferentes, mesmo defendendo opiniões muitas vezes antagônicas, somos dois quixotescos, dois quixotes, cada um com seu moinho preferencial.


terça-feira, 26 de maio de 2020

ÁGUA PARADA


Frágeis, táteis, meus dedos buscam
A superfície silenciosa do papel,
A suavidade tímida das teclas do computador
Nelas nada encontram
Nada nelas depositam

Não há lampejo criativo
Nem o frenesi de águas encachoeiradas
Apenas o remanso sem vento
Apenas um espelho d'água
Sem nada a refletir


segunda-feira, 25 de maio de 2020

REFLECTIONS OF MY LIFE

Se você imaginou que eu faria um post sobre a música “Reflections of My Life", composta por Junior Campbell e Dean Ford, guitarrista e vocalista da banda escocesa The Marmalade (que ainda existe, mas não possui hoje nenhum dos integrantes originais), que foi lançada no final de 1969 pela gravadora Decca  (a mesma que recusou os Beatles) e que vendeu mais de dois milhões de cópias no mundo todo, está completa e redondamente enganado, dançou. Estou pouco me lixando para essa música que sempre achei brega. Meu negócio é outro. Se quiser saber qual é, continue a ler, continue a ler!

Eu sempre imagino que algumas pessoas - se não quase todas – têm alguma história boa para contar (ou cantar). Lembranças, reflexões, casos inventados, poesias, músicas, frases espirituosas, etc. O que as diferencia é o fato de não poder, não querer, não ter coragem ou incentivo para mostrá-las. Um bom exemplo disso seria Cora Coralina (que mesmo escrevendo seus poemas desde a adolescência, só publicou seu primeiro livro quando tinha 75 anos). Às vezes esses autores desconhecidos utilizam festas de família, rodadas de cerveja em bares e botequins ou conversas com os filhos para exibir (mesmo sem querer) sua inesperada jovialidade, bom humor ou o talento para o drama, a comédia ou para a música. Raríssimos são aqueles que escolhem viver disso, se profissionalizar e transformar sua criatividade e imaginação em literatura ou música e fonte de renda, claro.

Mas há uma classe intermediária nessa história toda, que são os escritores e músicos anônimos, aqueles que gostam de gastar seu tempo ocioso (e, às vezes, dinheiro) para registrar suas impressões, fantasias, deboches, ironias ou a pura loucura. Nesse grupo encontram-se os blogueiros (ou bloggers). Fico pensando em quantos milhões devem existir no mundo todo, em que tipo de assunto abordam, e quantos permanecem injustamente anônimos. Não são a totalidade, certamente. Conheci um colega de trabalho que gravou um CD com as músicas que compôs. Exercendo meu papel de puxa-saco profissional, manifestei minha admiração e o desejo de ouvir sua obra musical. No dia seguinte entregou-me a "joia", comentando que as gravações foram feitas em São Paulo. Em casa, ao tentar ouvir o CD, descobri que não conseguiria. Ele tinha "obrado" demais!

Mesmo assim, aqueles que se diferenciam qualitativamente de seus pares devem ser contados aos milhares ou até mesmo às centenas de milhares. Que permanecem conhecidos apenas por um reduzidíssimo grupo de pessoas que por esse ou aquele motivo os descobriram e se interessaram em continuar lendo (ou vendo) suas produções. Eu enquadraria nesse caso alguns blogs que conheço, mas por não querer endeusar ou decepcionar ninguém, prefiro não "dar nomes aos boys". Só abro exceção mesmo para Jotabê, uma entidade mítica que dá plantão em um blog desclassificado e sem expressão Mas isso é só uma piada, pois só aprecio mitos e mitologias antigas. Mitos modernos merecem apenas minha indiferença ou desprezo.

Falando da produção dos anônimos, depois de ter criado este blog da solidão ampliada tive a oportunidade de ler textos muito interessantes, engraçados, criativos ou poéticos e líricos em blogs que descobri.  E acho uma pena que continuem praticamente "inéditos", pois conhecidos apenas por um grupinho restrito de “connoisseurs”.

Recentemente, minha mulher enviou-me um texto muito simpático que recebeu através do Facebook ou Whatsapp. Desconheço o autor e gostaria de tê-lo escrito. Claro, trocaria "tu" por "você" e, como não domino bem a arte da pontuação (aliás, não domino nada de nada), acrescentaria umas seiscentas vírgulas a mais que as encontradas no original. Mesmo que o texto não seja muito profundo ou elaborado, resolvi postá-lo no Blogson, que é, afinal, meu "Almanaque do Biotônico". E o motivo foram as três frases finais, que achei bastante expressivas. Olhaí.



REFLEXÃO:
Tu vais andando com a tua xícara de café... E de repente alguém te empurra fazendo com que tu derrames café por todo o lado.
- Por que tu derramaste o café?
- Porque alguém me empurrou!
Resposta errada!
- Derramaste o café porque tu tinhas café na caneca. Se tu tivesses chá... Tu terias derramado chá. O que tu tiveres na xícara é o que vai se derramar.
Portanto... Quando a vida te sacode o que tiveres dentro de ti..., tu vais derramar.
Tu podes ir pela vida fingindo que a tua caneca é cheia de virtudes, mas quando a vida te empurrar, tu vais derramar o que na verdade existir no teu interior.
Sempre sai a verdade à luz.
Então, terás que perguntar a ti mesmo. O que há na minha caneca?
Quando a vida ficar difícil..., o que eu vou derramar?
Alegria..., agradecimento..., paz..., bondade..., humildade?
Ou raiva..., amargura..., palavras ou reações duras?
Tu escolhes!
Agora..., trabalha em encher a tua caneca com gratidão..., perdão..., alegria..., palavras positivas e amáveis..., generosidade... e amor para os outros.
O que estiver na tua caneca, tu és o responsável.
E olha que a vida sacode. Às vezes sacode forte. Sacode mais vezes do que podemos imaginar..."


domingo, 24 de maio de 2020

EU VIVO SEMPRE NO MUNDO DO TINDER - A REVISTA

“EU VIVO SEMPRE NO MUNDO DO TINDER” foi outra série imaginada como uma história em quadrinhos com "capítulos" encadeados, onde os episódios fazem mais sentido se forem lidos de uma única vez.  Por isso, resolvi juntar tudo como já tinha feito na série do Sol, para ser lido de uma sentada. Confesso que é uma tentativa de melhorar uma série com pouquíssimas visualizações. Parece picaretagem? Também! Olhaí.













TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...