segunda-feira, 21 de julho de 2014

VAMOS ACABAR COM ESTA FOLGA – STANISLAW PONTE PRETA

Eu gosto de (tentar) fazer humor, gosto de ler textos de humor, gosto de ler sobre humor. Para mim, o humor é o fortificante necessário para você conseguir suportar essa coisa estranha e sem sentido chamada Vida.

Por isso, gosto demais de cartoons e HQ de humor (inteligentes, pelamordedeus!). Curto desenhos que passam nas TVs aberta e fechada do tipo South Park, Simpsons, Bob Esponja e desenhos antigos da Warner; tenho alguns livros do Millor, do Veríssimo, do Barão de Itararé e do Stanislaw Ponte Preta. Não vou falar de filmes ou seriados de TV para não encher demais o saco – mas, vou falar de outro (grande) escritor de humor.

O reverenciado de hoje é jornalista Sérgio Porto, também conhecido por Stanislaw Ponte Preta. Esse último seria um Mr. Hyde do bem do primeiro sujeito. Era incrivelmente irônico, perspicaz e  engraçado, como nessa frase – “ Desligou o telefone com uma violência de PM em serviço”. 

Um dos fundadores do velho "Pasca" - Jaguar - , disse uma vez que o “Stanislaw foi o pai d’O Pasquim”. O Millor Fernandes  considerava o Stanislaw “o patrono do jornal”. O pessoal do Pasquim o reverenciava. Claro, ele era "O cara", muito fera mesmo. Morreu aos 45 anos, em 1968. O Pasquim foi criado um ano depois.

Para finalizar, quero dizer que tive muita dificuldade de escolher qual crônica transcreveria. Nem precisei usar meus livros, está tudo na Web. Acabei ficando com uma que, não sei por qual motivo, faz lembrar a Copa de 2014. Olhaí.

O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos, sentados nesse café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo.

De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou:

— Isso é comigo?

— Pode ser com você também — respondeu o alemão.

Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos.

O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros:

— Isso é comigo?

O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e... pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro.

Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros.

sábado, 19 de julho de 2014

CONVERSA PARA BOY DORMIR

Os 2,7 insensatos que leem a tranqueira que escrevo já devem ter notado o “roteiro” que utilizo: penso uma besteira qualquer e depois, pra justificar a bobagem, crio um diálogo ainda mais ridículo ou uma historinha imbecil. Em minha defesa, devo dizer que não forço minha mente para pensar o lixo que coloco neste blog. A coisa vem naturalmente. Imagino que isso deve ser fruto de um cérebro afetado pelo contato frequente com água sanitária e Ajax (essa é uma história para outra ocasião). Depois desse lero-lero, segue um diálogo “daqueles”.


- E aê?

- Tava aqui pensando num lance que ocorreu ontem comigo...

- Você pensar já é alguma coisa fantástica.

- Falo sério! Eu acho super sem graça, em velório, cumprimentar parentes que não conheço.

- Seus parentes?

- Cacete! Do morto, né? Eu acho que cumprimento nessas horas tem que ser sentido mesmo.

- E ???

- Bom, eu fui a um velório ontem. Aí, logo na entrada, dei uma torcida no pé, que doeu pra caramba, tá até inchado, hoje.

- E daí?

- Daí que como eu sentia muita dor, achei que minha cara demonstraria um sentimento apropriado naquela hora.

- Você é meio retardado, né?

- Que nada! Cheguei prum parente lá, dei nele um abração e falei “minhas comdorlências”. Foi intenso!

- Noossa! Você é um analfabeto terminal! É “condolências”, mané!

- Cara, com a dor que eu tava, tinha de ser do jeito que falei.

- Santa mãe!!!

19/07/2014



sexta-feira, 18 de julho de 2014

VIAJANDO NO TEMPO (E NA MAIONESE)

No domingo passado, quando eu e minha mulher fomos à missa, sentamo-nos atrás de um homem de cabelos já meio ralos e grisalhos. Quando ele ficou de perfil por algum motivo, lembrei-me que era ele que tocava violão no grupo de jovens, quando eu voltei a ir à missa, por insistência do meu Amor.

Tentei imaginar quantos anos ele teria quando voltei a assistir missa regularmente, ainda recém-casado. Imaginei que talvez tivesse uns 17 anos, enquanto eu estaria com uns 27 anos.

Aí fiquei pensando na transitoriedade da vida, na velocidade com que o tempo passa, transformando o jovem de outro dia num senhor. Naquela época, a razão entre a minha idade e a sua era igual a 1,6 (27 dividido por 17), ou seja, eu tinha quase o dobro de sua idade. Hoje, que tenho 64 anos, a relação mudou para 1,2, o que significa que somos dois senhores, quase com a mesma idade (relativa, bem entendido!)

Logo depois, ainda pela manhã, fomos a um velório de uma senhora e fiquei observando o viúvo, com 94 anos e seu filho mais velho, com uns 72 anos. Na prática, eram dois velhos (ou senhores, se preferirem), o que tornava irrelevante o fato de serem pai e filho.

Lembrando-me disso hoje, fiquei pensando que às vezes é muito difícil para pais e filhos se entenderem e a explicação seria uma diferença de idades muito grande. Pegando um de nossos filhos como exemplo, a relação entre as nossas idades evoluiu assim:

Quando ele completou um ano, eu tinha 27 (um senhor!!) e era 27 vezes mais velho que ele. Ao completar 10 anos, a relação passou para 3,7. Hoje, a relação é igual a 1,7. Continuando nessa brincadeira, se eu chegasse a fazer 86 anos (coisa que acho meio impossível), a relação seria igual a 1,4. Seríamos então dois velhos, dois senhores conversando como amigos, não mais como pai e filho, tão pequena seria a diferença relativa entre nós dois.

Ou seja, à medida que passa o tempo e a diferença entre gerações se torna mais insignificante, o relacionamento pai-filho deixa de fazer sentido e vai sendo transformado em amizade entre iguais (mantido o amor já existente).

E chega de cascata!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

POEMA EM LINHA RETA - ÁLVARO DE CAMPOS (FERNANDO PESSOA)

Antes da reverência de hoje, preciso dizer que não conheço nada ou quase nada da obra dos que são homenageados nesta seção. Só conheço “moléculas”, “farelos” do que esse pessoal escreveu. Apenas fiquei fascinado pelos fragmentos que li. Ou seja, minha cultura é apenas de orelhas de livros.

Então, quando transcrevo um texto de determinado autor, estou só dando a chave, só abrindo a porta de uma casa que desconheço. Quem gostar do ambiente apenas entrevisto, pode, quem sabe, querer entrar e conhecer mais um pouco da obra.

Como é o caso do homenageado desta semana. A reverência de hoje é para Fernando Pessoa, “o mais universal poeta português”. A curiosidade é ter ele criado mais de 70 personagens para escrever seus textos. O texto escolhido é um poema incrível (que me faz lembrar de algumas pessoas que conheço pessoalmente) escrito por Álvaro de Campos, um de seus heterônimos mais famosos.

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 

16/07/2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

VIVA A TOSCANA!

GENTLEMAN
Os 1,7 leitores deste blog que não me conhecem talvez se espantem com minha falta de modos, com minha linguagem estilo carroceiro. Já os 2,3 que me conhecem pessoalmente sabem que eu sou muito sério. Não apenas "sério", mas sério e gentleman!

Pois é. Essa seriedade e finesse devem-se à minha educação britânica. Podem acreditar! Apesar do meu jeito meio rude, minha educação é tão britânica quanto a do príncipe Charles. Na verdade, estudamos em colégios "tipo" gêmeos, só que ele na Inglaterra e eu, no Colégio Afonso Arinos.

Por conta disso, às vezes até tento me corresponder com ele, lembrar os velhos tempos, mas as correspondências sempre voltam sem terem sido abertas. Só pode ser por causa da minha caligrafia ilegível!

Aliás, isso (a caligrafia, lógico) talvez se deva à genética, pois desconfio que alguns de meus antepassados eram italianos, mais precisamente da região da Toscana. Deve ser por isso que às vezes sou assim, meio tosco.


A TOSCANA É NOSSA!
Tempos atrás, antes de criar este blog, eu tive um espasmo "criativo" e mandei uns sete ou oito e-mails ridículos em um único dia para meu círculo de vítimas (o pessoal de quem conheço o e-mail).

Como ninguém respondeu nada (todo mundo se fingiu de morto e deve ter aproveitado para me marcar como spam), imagino ter feito uma coisa quase parecida com o que o Anastasia fez no governo de Minas, quando deu um choque de gestão. No caso dele, a coisa funcionou!

Só que eu, mais sem noção, devo ter provocado um choque de indigestão (e viva a Toscana!).


COM NOÇÃO
Quem se aventura a ler os posts das seções "SEM NOÇÃO" ou "DIÁLOGOS DE SPAMTAR"  pode estranhar meu estilo mediterrâneo de escrever (da Toscana, pô!!). É que o politicamente incorreto e o escrachado andam de mãos dadas na minha mente. Mas os dois são heterossexuais.

15/07/2014


segunda-feira, 14 de julho de 2014

VOCÊ SABE O QUE É "HASHTAG"?

Hoje em dia, a divulgação de informações acontece em velocidade tão alucinante que fatos ocorridos no princípio deste ano já estão velhos. E essa obsolescência acontece até com as pessoas. Vejam meu caso: eu, que tenho só 64 anos, já sou considerado velho, o que é um absurdo (apesar da perda parcial de audição, de memória, dos cabelos brancos e da vista cansada).

Pior é quando isso acontece com políticos - como o André Vargas, por exemplo. No princípio do ano, o petista era um paladino da defesa dos mensaleiros. Agora, está na tábua da beirada por ser “amiguinho” de doleiro. Mas não estou aqui para recontar o que já foi fartamente divulgado na mídia. O  lance aqui é outro.

Às vezes algum assunto maluco vem ao meu encontro e eu fico tentando entender de que se trata. “Hashtag”, por exemplo. Depois de ver o símbolo “jogo da velha” na televisão e em outros lugares, perguntei aos meninos o que significava. Descobri que era um “hashtag”, utilizado para marcar palavras importantes nas redes sociais. Busquei mais informações no Google e achei isto:

“O que é uma # Hashtag?
O hashtag é uma palavra-chave precedida pelo símbolo #, que as pessoas incluem em suas mensagens. Essencialmente, ela faz com que o conteúdo do seu post seja acessível a todas as pessoas com interesses semelhantes, mesmo que eles não sejam seus seguidores ou fãs”.

Essa informação tinha encerrado o assunto para mim, pois não faço parte de nenhuma rede social. Até rolar o episódio envolvendo o Joaquim Barbosa e o  deputado babaca do PT (defendendo os mensaleiros), e a imediata resposta do roqueiro Roger, da banda “Ultraje a Rigor” no Twitter (“Deixa que eu respondo essa, Barbosa!”). As imagens dizem tudo.

Quando um dos meus filhos me mostrou o gesto do Roger, eu pensei: “olha a ‘hashtag’ aí, gente!” E resolvi prestar uma singela “homenagem” aos mensaleiros, com uma releitura da hashtag#mensaleiros”.

Acho que não ficou tão ruim...



domingo, 13 de julho de 2014

NO CONFESSIONÁRIO

Eu sou católico, mas vivo às voltas com minha falta de fé. Talvez por isso, eu sempre brinque e ironize questões relacionadas à fé (ou à sua falta). Um dos nossos filhos é declaradamente ateu e a gente vive brincando com isso, debochando de tudo, especialmente dos fundamentalistas de qualquer religião. E, acreditem, minha fé é insignificante. 

Eu sempre digo (sou chegado em frases de efeito ou provocativas, mesmo que não totalmente corretas) que minha fé é como a chama de uma vela: basta qualquer ventinho para ela bruxulear. E por esse caminho estreito segue a minha vida.

Alguém poderia perguntar por que insisto nesse caminho. Bom, preciso também esclarecer minha posição nesse lance de religião, com outra frase, bem mais antiga e sem humor, uma ideia que me ocorreu há muito tempo: Eu preciso mais de Deus do que Ele de mim

Mas não sou fundamentalista, descreio da maior parte dos textos bíblicos (especialmente o Antigo Testamento), acho o Apocalipse um porre (ou melhor, São João devia estar de porre ou drogado quando o escreveu). Enfim, sou um católico iconoclasta. 

Apenas acho (ainda) que a religião faz bem para mim, acalma um pouco meus fantasmas interiores (o que não me impede de tentar fazer humor com isso). 

DE ONDE EU VIM?

  Desde quando fiquei sabendo que o exame de DNA poderia trazer informações sobre a minha ancestralidade, eu tive vontade de fazer. Mas o di...