sexta-feira, 27 de abril de 2018

I KNOW, IT'S ONLY...


Tenho um amigo que comemora seu aniversário em 11 de março, embora tenha nascido mesmo um dia depois. A explicação para essa esquisitice é o fato de seu pai - ele sim, realmente nascido no dia onze - ter registrado o filho dessa forma. A mesma vaidade tola aconteceu com o Blogson.

Eu nasci há dez mil anos atrás... ops, isso é Raul Seixas! Rebobinando (ainda se rebobina alguma coisa?), eu nasci em 7 de junho (de 1950!). Provavelmente, graças às conversas com meus filhos no dia do meu aniversário, um deles finalmente resolveu criar o blog para mim, o que aconteceu no dia seguinte. Obviamente, o primeiro post saiu com a data de sua criação (oito de junho). Mas estava tão encantado que já mandei logo o segundo. Tempos depois, resolvi (TOC!) corrigir esse "erro", alterando a data do primeiro para o glorioso dia 7 de junho de 2014, só para coincidir as datas de nascimento. Coisa de retardado mental, como se vê.

Já disse isso antes, mas vou repetir: à exceção do "Currículo do Blogueiro", os posts iniciais tiveram origem em e-mails que mandava para meus filhos e uns dois amigos (o "grupo dos infelizes"). Essa origem trai o desejo implícito de me comunicar, de falar besteiras, de conversar fiado, contar piadas infames e dizer coisas idiotas, como se estivesse conversando "ao vivo e a cores" com alguém. Por isso mesmo, a linguagem é coloquial (ótima para esconder o desconhecimento da linguagem culta). Os assuntos abordados refletem "poucos interesses e muita obsessão" e foram estruturados ou indexados segundo uma "lista de supermercado" – “memória", "sem noção", "eu não sei desenhar", "papo cabeça", etc.

Mas o blog já trazia desde seu nascimento a maldição da "solidão ampliada". Afinal, se o desejo original sempre foi a vontade de me comunicar, de "ouvir" comentários, receber aplausos (é, eu sou idiota mesmo), o que aconteceu (e acontece até hoje) foi o mesmo que já rolava na caixa postal, pois quase ninguém via. E, se lia, fingia-se de morto. No início, graças à curiosidade natural das pessoas, alguns parentes e amigos acessaram o Blogson e até comentaram alguma coisa. Aos poucos, a visitação foi minguando, minguando até sumir das estatísticas.

Depois de ser descoberto pelo titular do blockbuster "A Marreta do Azarão", a coisa mudou, o público cresceu, pois alguns de seus leitores passaram também a acessar o Blogson. Mas acabou acontecendo o mesmo que já havia ocorrido com os parentes: silêncio cada dia maior, até o estágio atual, quase absoluto (e não é por eu estar realmente ficando surdo) – apesar dos acessos diários (uns dez, no máximo).

Lamentei, choraminguei, fiz birrinha, interrompi as postagens e quase acabei com o blog. Tentei entender e traduzir o comportamento dos leitores, qual o motivo desse abandono progressivo. Hoje, imagino que esteja relacionado à irrelevância dos assuntos, à (má) qualidade dos posts e à falta de originalidade  traduzida em textos do tipo "mais do mesmo" – como este agora. O que posso fazer? "Nada" é a resposta mais óbvia.

Como aumentar a relevância dos posts sendo um sujeito verdadeiramente morno e medíocre (real)? Como aumentar a qualidade se o melhor que consigo fazer não passa de sub-literatura, sub-desenho, sub-humor e reflexões acacianas? Finalmente, como deixar de me repetir se tenho "poucos interesses e muita obsessão"?

Muito bem. Agora, a explicação para este post: depois de ler o poema "Tempore Mortis" no blog do "Marreta" e dar nele um esporro a título de comentário (justamente para parar com essa frescura de fim de blog, falta de assunto e coisa e tal), resolvi ampliar o tema (que eu não sou bobo nada) e transformá-lo em novo post, mas ao estilo Blogson: cheio de circunvoluções, cutucadas na memória e mensagens que poderiam ser sintetizadas em apenas uma frase.

E a mensagem deste post é esta: "I know, it's only rock and roll, but I like it", que o Google Translate traduziu assim: mesmo que o Blogson seja irrelevante, sem criatividade, sem leitores, sem assunto, eu gosto dele, divirto-me com ele, quase como se ainda fosse um adolescente trancado dentro do banheiro.

Hoje, pouco me importa se as pessoas comentarão ou não o "brilho intelectual", a "cultura enciclopédica", as "piadas hilariantes" e os "desenhos geniais” da grife Jotabê (se elogiarem, um dos dois estará delirando). O que realmente importa e mantém "positivo e operante" o velho blog da solidão ampliada é o prazer que ele me proporciona, é saber que ainda rio sozinho com as bobagens que imagino, com "desenhos" criados com ferramentas do Word. E se sempre estou falando de meu próprio umbigo, paciência, pois eu quero ser lembrado. Mesmo que seja por ninguém. 


Um comentário:

  1. Meus tempos de blogbuster já se foram, JB. Depois que o Google classificou o Marreta como blog de conteúdo adulto, a URL do blog foi também tirada dos mecanismos automáticos de busca. Resumindo : se fosse hoje, você jamais teria caído por acaso no Marreta; nem você nem a J nem o ex-boiola. Hoje, só acessam o Marreta quem dele já sabem.
    Hoje, tenho uma média de 25-40 acessos diários, quando o normal, nos tempos pré-censura, chegava fácil aos 250-300/dia.
    Mas paciência.. caminhemos...

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