sexta-feira, 23 de novembro de 2018

BLACK FRIDAY

Desde ontem meu punho e a mão direita estão doendo, de tanto ficar clicando o mouse. Creio que isso é um princípio de tendinite. Na verdade, o mouse é só o instrumento de tortura. A causa real é uma ansiedade que me faz ir e voltar dezenas de vezes por dia ao blog, às estatísticas do blog, aos comentários do blog, às postagens antigas do blog, às visualizações da porra do blog.

A ansiedade continuará, mas não quero que o mundo virtual detone meu mundo real, pois minha capacidade de suportar dor física é zero - e zero absoluto! Por isso, darei um tempo no velho Blogson, até que a dor do pulso passe (gostei do som). Isso terá uma vantagem adicional: a marca da minha bunda na espuma da almofada da cadeira sumirá aos poucos. See you later alligator!

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

PARA QUE SERVE A POESIA?


Em um trecho de “As Aventuras de Tom Sawyer”, Mark Twain, descreveu a "cena" hilariante da pintura de uma cerca da casa da tia do protagonista. No livro, Tom Sawyer troca o “direito” de pintá-la sozinho por frutas e quinquilharias recebidas dos amigos. Segundo li em algum lugar, esse caso baseou-se em um fato que realmente aconteceu com Mark Twain quando ainda garoto. Para mim, essa seria a prova de que muitos escritores – talvez todos – transportam para sua prosa ficcional lembranças e dados autobiográficos. Assim fizeram Fernando Sabino e Marcelo Rubens Paiva em seus romances de estreia “O Encontro Marcado” e “Feliz Ano Velho”, respectivamente.

Nas tramas dos poucos “contos” ou crônicas que tive a coragem de “cometer”, também utilizei lembranças minhas e de pessoas próximas sem nenhum problema, sem sentir nenhum desconforto, talvez por estar apenas contando uma história. Obviamente, obtendo resultados em níveis abissalmente inferiores aos alcançados pelos escritores mencionados.

Imagino que contos, crônicas ou romances – justamente pelo desenvolvimento necessariamente mais lento, por precisarem de roteiros, enredos, diálogos e cenários mais detalhados – permitem que seus autores tranquilamente utilizem como matéria prima sua vivência, suas experiências pessoais e até mesmo emoções passadas.

Essa conversa esquisita, mal escrita e aparentemente sem sentido tem a ver com os comentários surpreendentes e extremamente elogiosos que recebi por um "poema" publicado aqui no Blogson e – pasmem! – transcrito no blog “A Marreta do Azarão” (o “pasmem!” é só jogo de cena, porque ninguém além do “Marreta” segue este blog esquisito e mal-ajambrado). Fiquei tão surpreso quanto o Mick Jagger ao saber da morte do Jimi Hendrix. Perguntado sobre como estava se sentindo ao saber da notícia, respondeu: "I'm stoned!" Aí tinha marketing! (aqui também).

Graças a esses comentários (feitos duas pessoas distintas!), fiquei pensando por que escolho apresentar na forma de “poema” alguns assuntos que resolvem invadir meu cérebro – ainda que as “poesias” resultantes não passem às vezes de textos em prosa com frases quebradas artificialmente para parecerem versos (disfarce de poesia para tentar enganar um leitor mais inculto ou incauto), mesmo que não possuam nenhuma rima, métrica ou ritmo, ou ainda que sejam versos grosseiros, mal acabados, canhestros. Fiquei pensando na diferença entre prosa e poesia, ou entre ficção e poema, visualizei algumas imagens para tentar justificar essa eventual opção pela poesia, mas continuei sem ter uma explicação satisfatória para a escolha dessa ou daquela forma.

Com a dúvida instalada, corri ao dicionário para aprender o significado de poema e poesia. De acordo com o Aurélio, poesia é a “Arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados”, enquanto um poema seria “Obra em verso ou não em que há poesia”. Confesso que não ajudou muito. Por isso, continuei a pesquisar na internet, encontrando uma penca de textos sobre o assunto, bem melhores do que este que está sendo agora escrito.

Fiquei sabendo, por exemplo, que a poesia é caracterizada “pela utilização de recursos para expressar a linguagem de forma especial e diferente do normal, e provoca diversos efeitos de sentido naqueles que recebem a mensagem”.

Melhorou um pouco, mas tive de perguntar de forma explícita: “Para que serve a poesia?” E o Google diligentemente ofereceu-me várias opções, das quais recolhi apenas estas duas, bem próximas do meu sentimento pessoal:

Poesia serve para rasgar a alma
Serve para se colocar para fora sentimentos incontidos
Serve para transferir para as letras algo do interior
(Letícia Andrea Pessoa)

Um poema não se faz só com palavras, faz-se com a vida, com as turbulências da vida e da alma. (www.tirodeletra.com.br).

E foi nesse sentido que eu enganchei minha explicação/ conclusão. Um texto em prosa é como um rio cujas águas vão deslizando pelos meandros e curvas suaves, tranquilamente, sem sobressaltos, serenamente. A poesia, ao contrário, lembra um rio turbulento, nervoso, com corredeiras, as águas agitadas despencando em cachoeiras e precipícios.

Em outras palavras, o texto em prosa lembra um arado que vai revolvendo a terra de forma metódica, enquanto a poesia lembra alguma coisa sendo arrancada da terra à mão, no muque. Serenidade versus explosão. Quando escolho escrever alguma coisa na forma de “poesia” (mesmo que seja prosa disfarçada em poema), é porque alguma coisa está explodindo dentro de mim.

Um texto em prosa é escrito de forma mais reflexiva, usando mais a imaginação que a emoção. Você não se despe emocionalmente para escrever um conto. A poesia, ao contrário, seria um espasmo da alma, uma catarse. Mas precisa de um disfarce para permitir que aflorem emoções profundas que não se mostrariam de outra forma. Por isso a utilização de uma “linguagem de forma (tão) especial e diferente do normal”.

Dependendo do estilo adotado ou da habilidade do autor, a poesia, o poema seriam instrumentos para arrancar com enxada ou cortar com bisturi as emoções mais escondidas, menos confessadas. E por ser assim, precisa se disfarçar um pouco, precisa aparentar não ser real, visceral. Talvez a melhor imagem para a poesia seja a de uma espada de samurai com suas formas elegantes. Pode ser pintada com cores alegres, disfarçada com arranjos de flores, talvez, mas continua afiada e letal como a espada de samurai que é.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

THE BOTTLES


TESTAMENTO

Esta casa agora é sua.
Seu também é tudo que nela existe:
Móveis, eletrodomésticos, discos, livros,
Revistas em quadrinhos, coleções.
DVDs, fitas VHS e retratos também são seus.

Meus arquivos no computador pode apagar, se achar melhor;
Minhas roupas e calçados, meus remédios,
Carro, saldo bancário, dívidas, carnês,
Contas para pagar, roupas de cama e mesa, ferramentas,
Utensílios de cozinha, quadros, plantas e vasos.

Telefones, celulares, tintas, pincéis, lápis e canetas,
Materiais de escritório, material de limpeza, alimentos,
Documentos, certidões, tudo o que for tangível, enfim, é seu.
Filha, irmãos e parentes também são seus.
A partir de agora, só seus. Nada mais me pertence.

Que mais você poderia desejar?
Não consigo te dar meus sonhos, minhas fraquezas.
Alegrias, lembranças, ódios, rancores, humor, farras,
Dores, decepções, conquistas, pensamentos, porres,
Crenças, certezas, conhecimentos, vivências, ignorância.

Medos, fantasias, amizades fugazes e inimizades eternas,
Esperanças e tudo o que está relacionado à Vida.
Não consigo te dar minha vida, infelizmente.
Mas, se quiser, posso te dar minha libertação. Apenas avise-me
Com três dias de antecedência.
. 



quarta-feira, 14 de novembro de 2018

BAOBÁS

Seis mil anos! Quando essas árvores nasceram a humanidade estava engatinhando no processo civilizatório. As imagens dos baobás são tão impactantes que resolvi guardá-las nesta blogoteca que é o Blogson. Talvez um pouco de humildade e silenciosa contemplação nos façam bem...




INJEÇÃO - 2DE1

Ontem ouvindo o “Pânico” no rádio no carro escutei uma música bem legal de uma dupla absurdamente desconhecida para mim (é, às vezes eu ovo Pânico). O refrão era meio chiclete e bastante adequado para meu estado atual de espírito. Aí foi só juntar fósforo aceso com gasolina, ou melhor, falta de assunto com música e divulgar no blog. O refrão é este:

“Tem gente que prefere o remédio. Eu prefiro injeção. A dor é melhor que o azedo da desilusão”.


terça-feira, 13 de novembro de 2018

ARQUEOLOGIA OU HQUEOLOGIA

Estou com uma preguiça do caralho de escrever muito, mas o velho e bom Stan Lee merece. Lá pelos idos de 1973, meu irmão começou a comprar revistinhas em quadrinhos. Eram realmente “revistinhas”, por serem menores que as HQ da minha infância. Comprava várias por semana, cada uma dedicada a um super-herói Marvel – Capitão América, Hulk, Homem Aranha, Demolidor, Homem de Ferro, Namor, Thor, Quarteto Fantástico e uma de artes marciais de que não recordo o nome. Personagens desconhecidos criados por um desconhecido Stan Lee. Claro, apenas para mim. Mas eram muito boas, cada herói com seus vilões particulares.

Um belo dia meu irmão se casou, foi transferido para São Paulo e levou consigo a coleção de revistinhas (era uma coleção). Levou também um ou dois exemplares de “Dr. Macarra”, uma revista antigaça (mas antiga mesmo!) lançada pelo Carlos Estevão, um desenhista fabuloso.

Não sei nem vem ao caso quanto tempo ficou por lá. Talvez uns dois anos, por aí. A obra acabou e ele voltou para BH de mala e cuia, ou melhor, com malas e móveis. Dentre os móveis, uma cama de solteiro com gavetas, onde ficava guardada a coleção de HQ. Só se lembrou das revistas meses depois, apenas para descobrir que tinha dançado em todas, pois não sobrou nenhuma. Reclamar com a transportadora? Meses depois? Então tá...

Lamentei profundamente a perda, pois já era especialista em super-heróis Marvel. Sabia até o nome de um dos ilustradores feras (Joe Romita) que tinham desenhado algumas histórias. Mas vamos aos finalmentes.

Tenho guardado aqui em casa um “Almanaque do Globo Juvenil 1959”, que ganhei quando tinha nove aninhos (que meigo!). Como em todo almanaque de fim de ano que era publicado, as histórias são bem fraquinhas, mesmo que os personagens sejam top. Um dia, relendo aquelas velharias, tomei o maior susto (força de expressão, para ser sincero): uma das histórias - das mais toscas e infantis - estava creditada a ninguém menos que Stan Lee! Não sei se ele apenas roteirizou ou se também a desenhou. Aliás, nunca mais saberei, pois a parte do almanaque onde ficava essa história sumiu misteriosamente.

Talvez seja melhor assim, para manter íntegra a aura de fodão do velho e bom Stan (pois a historinha era uma bosta!). Mas, se algum arhqueólogo quiser desenterrar essa informação, a ajuda máxima que posso dar é mostrar a capa do tal almanaque. Olhaí.




QUERO AMAR-TE

  Você já se perguntou como deverão ser os primeiros astronautas despachados para Marte? Nem queira! Ou melhor, queira, sim, mas precisará d...