sábado, 12 de julho de 2014

KEKO

-   E aê? Topa tomar umas cervejas hoje?

-   Cara, no meio da semana? Eu estou moído de cansaço!

-   Trabalhando demais?

-   Pra kawaka! Eu estou sofrendo mais que botina de cego.

-   Tá nada!...

-   Mais que sovaco de aleijado, brother!

-   Só tá querendo impressionar...

-   Cara, você ouviu falar que o Stephen Hawking perdeu a mobilidade do dedo que usava para se comunicar?

-   Ouvi, o sensor que ele usava no dedo agora fica ao lado da bochecha, né?

-   Isso! Triste demais...

-   Mas, keko tenho com isso?

-   É que eu tô trabalhando mais que a bochecha do Stephen Hawking.

-   Meu, você é MUUUITO demente!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

TRIÂNGULO ISÓSCELES

Eu nunca tive nenhuma simpatia pelas opiniões e ideias extremadas; sempre tive imensa antipatia e desprezo por todo tipo de extremistas, por ver neles um comportamento do tipo "vocês todos que não pensam como nós, estão errados. Só nós conhecemos a Verdade e o que é bom para todo mundo". Nesse modelo de intolerância, de intransigência, de radicalismo e empáfia, cabe um bocado de pessoas – muitas vezes bem intencionadas – e até mesmo instituições.

Se o assunto é religião, encontramos os fundamentalistas islâmicos e os cristãos criacionistas, os pentecostais, os evangélicos radicais. Em termos de cultura, basta lembrar a passeata contra o uso de guitarras elétricas na MPB, posição defendida pelos puristas e ignorantes brasileiros na década de 60 (o Gilberto Gil estava entre eles) ou a proibição e queima de livros, praticada por alguns regimes (nazista, entre outros).

Em termos de comportamento, eu vejo a cobrança de atitudes conhecidas pela expressão "politicamente correto" como uma coisa lamentável, autoritária e cheia de censura, tão imprópria que eu a coloco no mesmo "balaio da intolerância".

E aí, chegamos à política. Para mim, tanto faz o radicalismo ser de direita ou de esquerda, pois sou contra os dois. Em 1964, eu tinha 14 anos. Eu só sei que tinha pavor dos radicais de um e de outro lado. Em vários muros e prédios havia uma pichação da sigla CCC, que significava "Comando de Caça aos Comunistas". Do lado da esquerda radical existiam os grupos que tentaram lutar (armados) contra a ditadura. Tudo isso me enchia de pânico e de medo de ser atingido de bobeira por um ou por outro lado.

Mas não precisa pensar em Brasil para ver a extensão e os efeitos danosos do radicalismo, da barbárie e da intolerância. É só lembrar o Hitler, Stalin, Mao Tse Tung, generais argentinos, Khmer Vermelho, Che Guevara, para constatar que grande merda é o pensamento radical.

Eu sempre pensei que se você olha a vida apenas de um lado, seja ele um olhar de esquerda ou de direita, você perde (ou recusa-se a ter) uma visão mais ampla e equilibrada do todo. Pior ainda é querer que essa visão parcial e deformada da Realidade prevaleça na marra. Aí a coisa já fica até doentia.

Há muito tempo, quando ainda trabalhava, criei para mim uma frase que traduzia razoavelmente minha forma de pensar, que é a seguinte: "eu temo o Poder (pelo potencial de perversidade que ele pode conter) e admiro o Conhecimento (que é adquirido com muita dedicação), mas só respeito mesmo a Inteligência". Essa auto-citação, embora presunçosa, é só para dizer que eu não reconheço "Inteligência" nos pensamentos e ações radicais. Pelo contrário!

Por isso, eu deploro e vejo com desconfiança e até desprezo todo tipo de radicalismo, todo tipo de fundamentalismo, toda forma parcial e intolerante de viver e agir, seja no campo da religião, seja no campo dos costumes ou da política, pois para mim nada é cem por cento certo, verdadeiro ou ideal. Somos pessoas singulares, não somos iguais (embora devamos ter oportunidades básicas iguais).

Eu e meu irmão éramos paupérrimos quando crianças, não tínhamos casa, morávamos com minha avó, vestíamos as roupas que não serviam mais nos meus primos ricos. Onde eu morava, a quase totalidade dos meus companheiros era também filhos de pobres ou miseráveis (gente que vasculhava o lixo para sobreviver). A diferença entre nós e eles é que, apoiados e incentivados por nossos pais, nós estudamos. Se alguém me perguntar o que aconteceu com nossos companheiros de infância, eu posso dizer que um virou sapateiro, outro virou fotógrafo desses de batizado, alguns viraram vendedores, outros viraram cachaceiros desocupados, dois foram assassinados, um enlouqueceu, e por aí vai. Então, o que conseguimos – mesmo que essas conquistas não sejam espetaculares – foi por mérito próprio, ralação, muito sapo engolido, etc.

Agora, imagine que eu tivesse conseguido comprar uma puta fazenda, mesmo que fosse só para especular. Como aceitar que o que eu consegui suando fosse ocupado por um bando de manés que são hoje o que eu fui na infância? Não dá, né?

O que eu quero dizer com isso? É que eu compartilho integralmente a visão do poeta Ferreira Gullar. Em uma entrevista à revista Veja, ele disse (o grifo é meu) que "A natureza é injusta. A justiça é uma invenção humana. Um nasce inteligente e o outro burro. Um nasce inteligente, o outro aleijado. Quem quer corrigir essa injustiça somos nós”.

É lógico que devemos tentar corrigir as injustiças, mas devemos sempre nos lembrar de que os resultados não serão iguais para pessoas que são diferentes entre si. A única forma de tentar corrigir isso, em minha opinião, é pela educação de qualidade. É isso que eu chamei de "oportunidade básica".

Enquanto alguns (bem intencionados!) tentam defender os miseráveis, os "sem isso", os "sem aquilo" com ações equivocadas ou até reprováveis, eu defendo a criação de dois novos movimentos: o “MSR” e o “MSIQ”, respectivamente “Movimento dos Sem Radicalismo” e “Movimento dos Sem Instrução de Qualidade.

Brincadeiras à parte, eu pensei em uma forma de demonstrar “matematicamente” (o hábito do cachimbo faz a boca torta) que o comportamento radical não está com nada. Vejam só: Imaginem três triângulos de bases iguais, sendo um deles isósceles e os outros dois escalenos. Os dois escalenos são espelhados (um “pende” para a esquerda e o outro “pende” para a direita).

Agora, imagine um observador localizado no vértice oposto à base. Quanto mais esse vértice for para a esquerda ou para a direita, mais parcial será a visão do observador. Não acredita? Veja bem, a abrangência de visão do observador é definida pela área do triângulo. Como a base é a mesma, a área dos triângulos será afetada pela altura do vértice oposto (quanto mais "agudo" ficar o triângulo, menor será a área obtida). Elementar, meu caro Euclides!



AULA PRÁTICA:
Se alguém quiser fazer a experiência “ao vivo e a cores”, prenda as duas pontas de um cordão em uma superfície, de modo que ele fique frouxo. O segmento de reta que une as duas pontas é a base do triângulo. Agora, estique o cordão até ele formar um triângulo isósceles. Sem soltar o cordão, deslize esse vértice para a esquerda e para a direita. Embora a base e o cordão sejam os mesmos, a área obtida com o vértice à esquerda ou à direita será sempre menor que aquela obtida quando se forma o triângulo isósceles.

11/07/2014

quarta-feira, 9 de julho de 2014

JOGÃO ! ! !

Ontem, o time brasileiro não jogou nem pedrinha. Em homenagem à partida jogada apenas pela Alemanha, aí vai uma modesta contribuição deste blog.

Antes, é bom lembrar que Complexo do Alemão só existia no Rio. Hoje, tudo quanto é brasileiro tá cheio de complexo, justamente por causa dos gringos.






PROFUNDAMENTE - MANOEL BANDEIRA

Embora goste muito de poesia, devo confessar minha imensa ignorância sobre o assunto. Por exemplo, quase nada sei (mas é nada mesmo) sobre Manoel Bandeira. Apesar disso, a reverência hoje é para ele. E poema escolhido é “Profundamente”.

Foi só quando comecei a ler “Baú de Ossos”, de Pedro Nava, é que tomei conhecimento dessa poesia, que serve como preâmbulo, como mote para esse incrível livro. Como o assunto “memória” mexe muito comigo, bastou ler para virar fã eterno dos dois escritores. E se o Manoel Bandeira tivesse escrito apenas esse poema, já teria direito de entrar em qualquer antologia que se fizesse. Olha só que beleza:


Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
 Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

09/07/2014

segunda-feira, 7 de julho de 2014

AFINAL, QUEM FOI BLOGSON CRUSOE?

Quem foi Blogson Crusoe? Essa é fácil de responder: não foi. Por enquanto, pelo menos, é  um blog que eu criei para abrigar as coisas que escrevo ou escrevi.

Bom, essa lenga lenga é por ter me espantado ao descobrir que muitas pessoas jamais ouviram falar do personagem que inspirou o nome deste blog. Porque Blogson Crusoe é um trocadilho com o nome Robinson Crusoe (ou Crusoé, em português).

Não, não estou menosprezando ninguém nem me vangloriando de ter lido muito. Como cantam os Titãs, devia mesmo era “ter feito o que eu queria fazer”, pois o que eu queria quando criança era poder brincar na rua, ser igual à molecada das redondezas.

Até os onze anos de idade, eu vivi em prisão domiciliar, mais ou menos como o José Genoíno quando tentou dar o golpe do coração doente. No meu caso, era uma prisão amorosa (mas, sempre prisão). Como moravam 14 pessoas na casa de minha avó e só duas dessas eram crianças, eu era mais vigiado e monitorado que beijo gay na novela das oito e tinha menos liberdade que os mensaleiros que estavam presos na Papuda. Então, para sobreviver a isso, eu lia.

Como é? Você brincava de queimada, pegador, bentialtas, jogava bola na rua? O que posso dizer é que você está na minha faixa etária – e que eu já invejei muitas crianças como você. E, por isso, eu lia.

Ah, você também era preso, mas via televisão? Via o “Xou da Xuxa”? Lamento pelo Xou, mas você, além de muito mais novo que eu, pelo menos tinha televisão. Na casa de minha avó não havia televisão; se tivesse, de nada adiantaria, porque até meus onze anos, não havia programação dirigida às crianças. Cara, como eu lia!...

Eu lia tudo o que passasse na reta: quase todos os fantásticos livros infantis do Monteiro Lobato, revistas em quadrinhos, livros diversos comprados por meus tios e tias, livros de fábulas, de história antiga, histórias em quadrinhos publicadas diariamente n’O Globo, livros das coleções compradas por uma das minhas tias, clássicos da literatura mundial, Almanaque do Biotônico Fontoura, o escambau. Até peça de teatro (Romeu e Julieta) eu li.

Então, quando eu percebo em certas pessoas alguma perplexidade ou desconhecimento sobre alguma coisa, personagem ou livro que menciono, fico meio surpreso, pois para mim o assunto é corriqueiro e conhecido há muito tempo.

Mas ninguém precisa sentir "peninha" da criança presa que eu fui. A partir dos onze anos, eu comecei a sair de casa sozinho (mas o "mal" já estava feito, pois continuei a gostar de ler), pronto para sofrer bullying dos meninos mais escolados e vividos.

Hoje, quando piso na bola ou falo qualquer bobagem maior que as usuais, às vezes ouço um de meus filhos falar "menino criado em casa de vó, já viu, né?". Mas não quero nem saber o que significa esse "já viu, né?". Bullying de filho eu não aceito!

Mas, afinal, quem é Robinson Crusoé? A seguir, a transcrição de um resumo encontrado na internet (com informações que eu desconhecia):

“A Vida e as Estranhas Aventuras de Robinson Crusoé” é um romance célebre de Daniel Defoe (1660-1731), publicado em 1719.

Defoe inspirou-se na história verídica de um marinheiro escocês, Alexander Selkirk, abandonado, a seu pedido, numa ilha do arquipélago Juan Fernández, onde viveu só de 1704 a 1709.

Robinson Crusoe herda desta história o mito da solidão, na medida em que, depois de um naufrágio de que é o único sobrevivente, vive sozinho durante vinte e oito anos, antes de encontrar a personagem Sexta-Feira.

O impacto internacional de Robinson Crusoe foi fortíssimo. Pouco tempo depois da sua publicação, surgiram numerosas imitações, denominadas geralmente robinsonnades, que compreendiam peças de teatro, melodramas, vaudevilles, operetas, romances, etc. Ao mesmo tempo, a obra afirmava-se como um dos elementos fundadores da tradição do romance moderno (de feição realista e centrado no indivíduo), enquanto a figura do protagonista alcançava a estatura de um mito ou símbolo da condição humana. No nosso tempo, a história de Crusoe foi objeto de várias adaptações cinematográficas.

Agora, você já sabe: além de ser o personagem central de um clássico da literatura mundial, Robinson Crusoe é também a inspiração para o nome deste blog e para seu mote (“O blog da solidão ampliada”).

ADENDO: 
Eu usei uma palavra ("escolado") que parece estar em desuso. Hoje, usa-se "descolado". Embora as origens e significado das duas palavras sejam distintas, não deixa de ser divertido pensar no seguinte jogo de palavras: 

Antigamente, "escolado" era um sujeito safo (alguém ainda usa esta gíria?), sabido, que tinha experiência em alguma coisa, tinha "escola", portanto. 
Hoje, "descolado" é o cara esperto, sociável, moderno, que sabe das coisas (mesmo que ninguém saiba precisar o que significam essas "coisas"). Então, embora "descolado" seja o oposto de "colado", amarrado, preso, para mim acaba também associado à ideia de "sem escola", ou melhor, sem regras rígidas.

Antes, admirado era o escolado, quem tinha "escola". Hoje, o rei da cocada é o descolado. Vale a pena pensar nisso ou é só mais uma maluquice minha?


sexta-feira, 4 de julho de 2014

VOCÊ É UM TASMANÍACO?


Já faz algum tempo que eu gosto de comparar o comportamento dos animais selvagens com o dos seres humanos, pois sempre encontro alguma semelhança e um motivo a mais para refletir. O último a chamar minha atenção é o diabo da tasmânia, depois ler uma reportagem sobre ele em um número antigo da Veja.

Segundo a revista, esse animalzinho corre o risco de se extinguir nos próximos trinta anos, e o motivo disso é uma espécie de câncer transmitido através de mordidas ou contato físico com um animal infectado. E isso é facilitado por conta de uma característica muito especial: esse animal é extremamente agressivo e vive às turras com outros de sua espécie. Aliás, essa agressividade serviu de inspiração para o personagem “Taz”, surgido em desenhos mais antigos do Pernalonga.

Pois bem, bastou eu ler a reportagem para fazer associação de seu comportamento belicoso e agressivo com comportamentos semelhantes que observei muitas vezes ao longo da vida.  Tudo isso porque tenho constatado que em muitas famílias, em muitos relacionamentos, existe uma inexplicável agressividade entre pessoas que se amam. Fico perplexo (e triste) de ver como essa agressividade pode contaminar o dia-a-dia de uma família, de um casal, de um grupo de amigos.

Não é preciso agressão física para machucar ou magoar alguém. As “mordidas” são apenas palavras  ásperas, contundentes ou depreciativas. Podem ser recriminações, às vezes ditas em tom elevado de voz, ou podem ser palavras que diminuem, menosprezam ou desqualificam a quem estão sendo dirigidas. E a pergunta que surge é: POR QUÊ?

Se você convive diária ou frequentemente com outras pessoas, por que ceder ao impulso de sempre se exaltar, xingar ou – pior – menosprezar e desqualificar a quem você ama? E uma das piores agressões é ridicularizar características físicas. Chamar alguém de barrigudo, narigudo e coisas do gênero pode machucar quem as escuta. E isso não é piada, é puro bullying. Se a pessoa tem baixa autoestima, aí é ainda pior. Agressões verbais constantes, ironias e desprezo ou zombaria dirigidas às pessoas que amamos, de quem gostamos, são um tiro no nosso próprio pé.

Recentemente descobri uma palavra que poderia explicar pelo menos em parte esse comportamento agressivo. E o nome é DISTIMIA. Segundo o site do Dr. Dráuzio Varela,

“Distimia é um tipo de depressão crônica, de moderada intensidade. Diferentemente da depressão que se instala de repente, a distimia não tem essa marca brusca de ruptura. O mau humor é constante. Os portadores do transtorno são pessoas de difícil relacionamento, com baixa autoestima e elevado senso de autocrítica. Estão sempre irritados, reclamando de tudo e só enxergam o lado negativo das coisas. Na maior parte das vezes, tudo fica por conta de sua personalidade e temperamento complicado.”

Como não sou psicólogo nem antropólogo, devo evitar a seara alheia. Mas fica a perplexidade de ver como uma família, como um casal pode, aos poucos, perder a amizade, a cumplicidade e a alegria de estar juntos, por causa de um comportamento que tem na base uma agressividade sem propósito, quase uma mania, por ser viciosa e recorrente.

É isso, aí está o link com o diabo da tasmânia: essa agressividade contra as pessoas que amamos pode acabar extinguindo o amor e o respeito mútuos. E sua repetição viciada pode tornar-se uma mania, ou melhor, uma “tasmania”.

Por isso, se eu pudesse, eu perguntaria (com um pouco de ironia e um pouco de preocupação) a alguém que venha a ler este texto:

VOCÊ É UM TASMANÍACO?

Se a resposta for “sim” ou “talvez”, para o próprio bem de quem assim respondeu, eu iria sugerir que mudasse, que buscasse ajuda especializada, que fizesse qualquer coisa, menos permanecer como está, porque o tempo faz acumular a decepção, o rancor e a desesperança, tal como os sedimentos trazidos pelas chuvas e que se depositam no fundo de uma lagoa. E esses sedimentos se acumulam, ficam mais espessos, até ficar impossíveis de remover. Ou, se quiserem, imaginem-se tentando colar um vidro quebrado: pode até colar, mas a superfície nunca mais terá o brilho e a uniformidade de antes.

Este texto era para ser mais leve e bem humorado, mas acabou ficando meio azedo. Paciência. Até porque minha preocupação é real, apesar do trocadilhinho. Por isso, eu pergunto novamente a um improvável leitor: você é um tasmaníaco? Se for, cuide-se, mas, principalmente, cuide daqueles a quem ama.

04/07/2014

quinta-feira, 3 de julho de 2014

BALANÇA DE DOIS PRATOS

Ultimamente minha atenção voltou-se para uma coisa que tem enchido o meu saco. Não é prevenção ou rabugice de velho, juro (tá bom, pode ser sim). A questão é que isso que me incomoda está parecendo uma balança de dois pratos, só que está faltando um deles. Não, não é uma queixa endereçada ao INMETRO. Meu lance é outro.

Alguém tem noção de quantas ONGs (incluídas as filiais e representações em estados diferentes) ligadas aos direitos humanos existem no Brasil? No site  http://dhnet.org.br/abc/org/ tem uma relação estado por estado. Tentei contar e creio que existem em torno de 400!!! (aposentado é foda – para passar o tempo vive inventando merda. Perdão, eu quis dizer moda).

Em Minas, têm 24. Em São Paulo, 80; e por aí vai. Rola de tudo: comissões de OABs regionais, muitas unidades ligadas à Igreja Católica, movimentos negros, comunidade gay, etc. Se não me engano, há 18 enfoques diferentes.

Alguns nomes são super sonoros ou bem bolados. Em São Paulo, por exemplo, existe o “Fala Preta!” e também o “Fala Negão da Zona Leste” (isso sim é que é especialização). Defensor dos direitos da comunidade gay do Maranhão, existe o “Grupo Gayvota”. Esse nome é super legal, mas me causou uma dúvida em relação à pronúncia: fala-se “gáyvota” ou “gueivota”? Se for correta a segunda opção, fica parecendo uma declaração afirmativa: “Gay vota!” (acho que perdi o foco).

Ou seja, é tanta ONG para defender os direitos humanos que se os X-Men vivessem aqui, imagino que alguém já quereria criar uma unidade para defender os direitos sobre-humanos!
Pois bem, falando sério, a questão, o motivo de minha irritação é esse: porque não tem nem uma ONG, umazinha que seja para defender os Deveres Humanos? Para ficar só em um exemplo, tem sempre algum idiota falando em “direitos humanos” e defendendo a manutenção da maioridade penal tal como está, enquanto menores assassinos continuam barbarizando a sociedade.

Não sou contra os direitos humanos, pelo contrário. Direito é bom, é desejável, é necessário (estão aí os advogados dos mensaleiros, do goleiro Bruno e de outros inocentes e injustiçados, que não me deixam mentir – sozinho). O problema é a esculhambação generalizada. Falta o prato do Dever naquela balança citada antes. Além do mais, em qualquer dicionário de língua portuguesa “Dever” sempre vem antes de “Direito”. É isso.

DE ONDE EU VIM?

  Desde quando fiquei sabendo que o exame de DNA poderia trazer informações sobre a ancestralidade, eu tive vontade de fazer. Mas o dia a di...