sábado, 28 de dezembro de 2024

PROSTITUIÇÃO LITERÁRIA

 
Mesmo fazendo parte de apenas uma rede social (Facebook), recebo ou vejo tantas mensagens "edificantes" que me pergunto o que aconteceria se fizesse parte de outras. Também acesso o whatsapp, mas não faço parte de nenhum grupo. Por isso, só recebo mensagens de parentes extremamente próximos.
 
Apesar dessa magreza de contatos, sempre fico espantado com a prostituição literária praticada nas redes. Para mim, prostituição literária é a atribuição da autoria de um texto ou mensagem meia boca a um escritor ou filósofo realmente foda – que jamais produziria banalidades ou auto-ajuda desse tipo. Fazendo uma piada, é como se Camões ou outro medalhão da literatura psicografasse o Chico Xavier, e não o contrário.
 
E ontem tive mais uma oportunidade de ver a prostituição literária acontecer, graças a um texto falsamente atribuído ao filósofo Baruch Spinoza. Todas as vezes em que leio um texto hipoteticamente escrito por algum fodão, tenho a curiosidade de saber quem é realmente o autor. Eu sei que isso é comportamento de gente chata, mas é assim que eu sou.
 
E o texto (longo) é até bacana e de acordo com meu pensamento atual, mas nunca foi escrito pelo filósofo holandês fugido da “Santa Inquisição” portuguesa. Para confirmar minha suspeita, pedi ajuda ao ChatGPT:.
- Este texto foi mesmo escrito por Baruch Spinoza?
 
A resposta da IA foi esta:
Não, esse texto não foi escrito por Baruch Spinoza. Embora tenha sido amplamente compartilhado na internet como "Deus segundo Spinoza" ou "Deus falando com você", ele é uma interpretação moderna e livre inspirada em algumas ideias atribuídas ao filósofo. Não há registros históricos ou acadêmicos que indiquem que Spinoza tenha escrito essas palavras.
 
Por que o texto é frequentemente associado a Spinoza?
Spinoza, filósofo do século XVII, apresentou uma visão de Deus muito distinta das tradições religiosas da época. Em sua obra principal, Ética, ele descreve Deus não como um ser antropomórfico ou pessoal, mas como a substância única que constitui tudo o que existe — a natureza em si. Essa visão, conhecida como panteísmo, influenciou a maneira como muitas pessoas veem a relação entre Deus, a natureza e a humanidade.
O texto "Deus segundo Spinoza" reflete ideias compatíveis com o panteísmo spinozista, como:
A negação de um Deus punitivo e antropomórfico.
A valorização da experiência direta com a natureza.
A ideia de que Deus está presente em tudo e em todos.
 
Diferenças entre Spinoza e o texto atribuído
Estilo: Spinoza escrevia de forma rigorosa, em linguagem filosófica e sistemática, sem o tom coloquial ou emocional que o texto apresenta.
 
Conteúdo: Spinoza não condenava explicitamente práticas religiosas nem escrevia de forma crítica ou irônica sobre templos e escrituras. Sua abordagem era mais analítica e filosófica, evitando confrontos diretos com dogmas religiosos.
 
Origem provável
O texto parece ser uma criação moderna inspirada nos ideais do panteísmo e em uma visão espiritual menos institucionalizada, mas sem relação direta com os escritos de Spinoza.
 
Portanto, embora o texto seja compatível com algumas ideias do Deus de Spinoza, ele não foi escrito pelo filósofo holandês.
 
E agora, se quiser conhecer o texto que mexeu comigo, ele está transcrito a seguir:
 
 
O DEUS DE SPINOZA
Estas palavras são de Baruch Spinoza, filósofo holandês que viveu em pleno sèc. XVII. Este texto foi chamado de "Deus segundo Spinoza" ou "Deus Falando com você".
 
"Para de ficar rezando e batendo no peito.
O que eu quero que faças é que saias pelo mundo, desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Para de ir a estes templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nas praias. Aí é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti.
Para de me culpar pela tua vida miserável; eu nunca te disse que eras um pecador.
Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar dos teus amigos, nos olhos de teu filhinho... não me encontrarás em nenhum livro...
Para de tanto ter medo de mim.
Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem me incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro amor.
Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te castigar por seres como és, se sou Eu quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos os meus filhos que não se comportam bem pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita o teu próximo e não faças aos outros o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Para de crer em mim... crer é supor, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho de mar.
Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
Não me procures fora! Não me acharás.
Procura-me dentro... aí é que estou, dentro de ti."
.
Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: - " Acredito no Deus de Spinoza que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa em premiar ou castigar os homens".
 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

VOCÊ ANDOU BEBENDO?

 Não se pode mais confiar nem em robôs! Pelo menos nos robôs do blogger. Aparentemente estão enchendo a cara até hoje, pois estão muito descontrolados. Hoje, como faço em todos os dias, todas as horas, resolvi dar uma conferida nas estatísticas do Blogson. E o que encontrei foi absurdamente surreal, mais ou menos como se eu encontrasse o Papai Noel de verdade vestido só de cueca e saindo discretamente da casa da vizinha gostosa.
 
Tudo bem que não tenho vizinhas gostosas e nem gostaria de ver um senhor de barbas brancas vestido apenas com uma cuequinha vermelha e dizendo ho ho ho! Mas a realidade é tão constrangedora quanto isso. E o motivo (estou tentando espichar o texto, mas está difícil) é o fato de ter tido hoje 1472 visualizações! Só para comparar, ontem o blog teve 27.
 
O que se imagina é que os robozinhos encheram o latão ou fumaram substâncias ilícitas (mas boas) e resolveram presentear o Velho Blogson com estatísticas estupendas, verdadeiro presente de Papai Noel. O problema é que eu não acredito nem em Papai Noel nem nas estatísticas do blogger.
 

PUT YOUR RECORDS ON - CORINNE BAILEY RAE

Eu me apaixonei por essa música desde quando a ouvi pela primeira vez no rádio do carro, mas só hoje pensei em procurá-la no youtube. Nunca soube o nome da cantora e o único trecho da letra de que me lembrava era "put your records on", sem saber que esse é o título da música, uma canção para se ouvir deitado em uma rede com a pessoa amada, despreocupadamente.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

WILLTIRANDO

 
Recebi de meu filho este cartum engraçado, bem na linha do que tenho pensado. Achei a ideia tão boa que não poderia deixá-la fora do blog. Pode parecer falta de assunto, mas é apenas o prazer de compartilhar a piada com os leitores. Como cantou Gonzaguinha, “e a vida o que é diga lámeu irmão?”



terça-feira, 24 de dezembro de 2024

HOMEM NA LUA

 
Amanhã você comemorará seu aniversário e eu comemorarei mais ainda, porque você é o melhor presente de Natal que ganhei em toda a minha vida, justamente por ter nascido nesse dia. Não às 23h55min ou à zero hora mais dez minutos, mas às 11h35min da manhã do dia 25 de dezembro. Nada mais natalino ou natalício, concorda? Mas nenhum desses é seu nome, pois tivemos o bom senso de registrá-lo com um nome de gente normal (afinal, tenho experiência nisso!).
 
E este post é uma homenagem a quem foi e continua sendo o responsável pela maior emoção que já senti na vida: me saber pai. Um pai muito novo, muitíssimo inexperiente, pois tinha apenas 26 anos quando você nasceu. Você nunca desejou ter filhos – e creio que você estava certo – mas a   emoção de ser pai, ainda mais de ser pai pela primeira vez é única, algo que só quem a sente pode entender. Essa sensação, acredito, é universal para os pais de primeira viagem. Há algo especial no “pontapé inicial” que um primogênito provoca na vida de um casal.
 
A emoção de ver os filhos nascerem é sempre avassaladora, mas a primeira vez é um divisor de águas. Talvez minha pouca idade e inexperiência tenham intensificado tudo. Não sei. O que sei é que olhar para um bebê recém-nascido, lindo (você e seus irmãos são bonitos pra caramba – e isso não é minha culpa!), tão frágil e indefeso, mudou para sempre minha forma de medir o mundo. Todos os sentimentos passaram a ter você como o ponto máximo da escala. Nunca houve nada que superasse essa emoção.
 
Ver seu desenvolvimento intelectual, sempre rápido e surpreendente, foi outra experiência marcante. As primeiras alegrias de ser pai foram estratosféricas (só igualadas às que senti com seus irmãos). Mas, com a intensidade, vieram também as primeiras preocupações, remorsos e culpas.
 
É inegável: você me redimensionou como pessoa. Usando as palavras de Gilberto Gil, foi você que me deu "régua e compasso". Você foi decisivo para que eu tentasse ser melhor, mais humano, mais livre para demonstrar amor e afeto. Espero ter conseguido. E isso sem mencionar sua inteligência e seus múltiplos e incríveis talentos!
 
Se este texto é uma homenagem escancarada a você, preciso deixar claro que seus irmãos têm a mesma importância para mim. Cada um deles é depositário da melhor parte do que sou. Jamais consegui imaginar gostar mais de um do que de outro. Essa é uma certeza tranquila e serena, pois o amor que sinto por cada um de vocês é absolutamente igual, e minha Amada e vocês, “nossas crianças”, são o que dá sentido à minha vida.
 
Para encerrar, uso uma imagem espacial: se os pais fossem como o solo lunar, você seria como a bota do primeiro homem a pisar na Lua, pois a marca da sua pegada jamais será igualada em importância e significado.

 

 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

ESTRELA, ESTRELA DE BELÉM!

 

Na música “Ouro de Tolo” o Raul Seixas cantou estes versos: “Ah! Mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado. Macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco”.
 
Eu fico nessa linha quando o fim de ano se aproxima, pois acho um saco os programas especiais que as emissoras de TV apresentam – o especial de envelhecimento do Roberto Carlos, as festas de amigo oculto dos funcionários e, principalmente, os programas populares que trazem videntes, astrólogos, tarólogos, nutrólogos (porque eles se nutrem com a popularidade adquirida nessa época) com suas previsões “infalíveis” sobre a vida dos famosos. Enfim, precisa mesmo de muita paciência para não talhar o sangue e azedar o fígado. com essas idiotices.
 
Mas estamos às vésperas do Natal e redescobri um texto extraído de um livro lido em 2015 que fala da Estrela de Belém. Os cientistas que estudaram o mapa celeste da época em que teria nascido Jesus contestam a existência de algum corpo celeste minimamente semelhante à descrição da “estrela” que guiou os magos. Poderia ter sido um cometa – por ter ficado visível por algum tempo -, mas nenhum cometa de órbita conhecida teria surgido nos céus daquela época.
 
Quem tem fé cega e crença inabalável na Bíblia está pouco se lixando para isso, mas é um assunto que deixa a pulga atrás da orelha. E o texto que li faz justamente o contrário disso, pois traz uma explicação fascinante para o surgimento da Estrela de Belém quando Jesus nasceu. O raciocínio desenvolvido a partir de detalhes históricos me pareceu tão sensato que hoje eu creio ser verdade. Independente da fé de cada um (ou de sua falta) é um texto que merece ser lido. Bora lá:
 
 
“É muito estranho que, embora os estudiosos se dispusessem a fazer arranjos com as datas das conjunções planetárias - e até com a morte de Herodes - para ajudar a enquadrar a evidência astronômica, nenhum tenha reexaminado a sério os argumentos tradicionais para datar o nascimento de Cristo. Isso foi conseguido nos últimos vinte anos pelo Dr. Nikos Kokkinos, sábio ateniense hoje vivendo na Inglaterra. Diplomado em teologia, arqueologia romana e história antiga, Kokkinos é um dos poucos pesquisadores polimáticos o bastante para lidar com o amplo espectro de provas vinculadas a essa importante questão. Em 1980, ele propôs uma cronologia radicalmente diferente para Jesus. Um estudo detalhado de provas dos romanos e do Novo Testamento mostra que Cristo teria sido crucificado em 36 d.C. E não no tradicional 33 d.C.). Essa data, hoje amplamente aceita por outros estudiosos do Novo Testamento, fornece o primeiro passo para se datar o nascimento de Cristo.
Naturalmente, o passo seguinte é descobrir a idade de Cristo quando foi crucificado. A visão mais comum aceita que Cristo era bastante jovem, com pouco mais de 30 anos. Segundo Kokkinos, isso não parece verdade. Para ser considerado um rabi (mestre religioso) na antiga sociedade judaica, em geral era preciso ter atingido a idade de 50 anos. Um conjunto de outras provas nos leva à mesma conclusão. Por exemplo, o bispo Irineu declarou no século II d.C. que Jesus tinha cerca de 50 anos de idade quando ensinava. (Irineu foi discípulo de Policarpo, que conheceu pessoas que alegavam ter visto Cristo.) Mais intrigantes ainda são as indicações precisas oferecidas pelo Evangelho de São João, que declara em determinado ponto (8:57) que Cristo "ainda não chegara aos cinquenta”. Outra passagem em João (2:20) relata uma curiosa história na qual Cristo compara o seu corpo - na verdade, a sua vida - com o templo de Jerusalém, que demorou "quarenta e seis anos em construção”. Nenhum dos três sucessivos templos de Jerusalém demorou quarenta e seis anos para ser construído e a melhor interpretação para essa enigmática curiosidade é a defendida por Kokkinos: Cristo estava declarando ter a mesma idade do templo - ou seja, 46 anos. O templo que existia em Jerusalém durante a vida de Cristo fora concluído pelo rei Herodes em 12 a.C. Quarenta e seis anos nos leva ao ano 34 d.C., primeiro ano do ministério de Cristo, segundo Kokkinos. Seguir-se-ia, pois, que Cristo teria 48 anos ao ser crucificado no ano 36 d.C., o que concorda com todas as outras indicações de que tinha perto de cinquenta anos de idade.
A outra alegação explosiva é que Jesus teria nascido em 12 a.C. Kokkinos demonstrou que o ano de 8 a.C., aceito por muitos estudiosos como a mais antiga data para o nascimento de Jesus, se apoiava em terreno muito frágil. Não há provas de um recenseamento de impostos romanos naquele ano – de fato, o primeiro censo romano na Judéia foi no ano 6 d.C., tarde demais para a cronologia da Natividade. É mais provável que José e Maria tenham ido a Belém em 12 a.C. para se registrar num censo de impostos locais, organizado pelo rei Herodes. Só depois de defender a data de 12 a.C., com base em outros fundamentos, Kokkinos notou que ela coincidia com o aparecimento do cometa Halley em 12-11 a.C. Depois que Kokkinos revisou as datas da vida de Cristo, o cometa Halley aparece como o candidato ideal para ser a "estrela".
(...) À época da sua chegada, o mundo romano fervilhava de rumores e profecias de que estava prestes a surgir um novo líder mundial.  Muitos achavam que as profecias já haviam se cumprido na pessoa do imperador Augusto (...) Outros acreditavam que as profecias se aplicavam a Marco Agripa, genro e aparente herdeiro do imperador, homem capaz e de origem humilde (...) Mas depois de uma bem-sucedida parceria com Augusto que durou muitos anos, Agripa morreu de febre em 12 a.C. Quando estava morrendo, em Roma, apareceu o cometa Halley, que os relatos dizem “pairar” sobre Roma, assim como a estrela parecia “permanecer” sobre Belém.
Isso acrescenta uma outra dimensão à história da Estrela de Belém. O patrono do rei Herodes era Agripa e Herodes dependia muito da continuidade dos favores desse homem, que considerava amigo pessoal próximo. As notícias da morte de Agripa podem ter provocado um grande choque no tirano da Judéia e certamente foram acompanhadas pelo relato de um prodígio mortífero visto nos céus de Roma. Que se passaria na mente de Herodes quando ele entrevistou os Magos e “habilmente indagou deles a que horas a estrela aparecera" (Mateus 2:7)? Não lhe teria sido difícil vincular a estrela dos Magos ao cometa da morte de Agripa. Agora pode-se compreender inteiramente o terror de Herodes com a notícia trazida pelos Magos. Agripa fora o governante do Império Oriental. Se o cometa previra a sua morte, talvez pudesse também prever o nascimento de um novo governante no Oriente, justo como os Magos sugeriam.
Uma detalhada simulação em computador dos movimentos exatos e do aparecimento do cometa, observado em Roma, na Pártia e em Jerusalém em 12-11 a.C. seria o teste final para essa ideia”.

domingo, 22 de dezembro de 2024

MONOGLOTA BILINGUE

Não tenho vergonha de dizer que meu cérebro parece estar se liquefazendo, tal a quantidade de brancos que têm ocorrido. Talvez devesse dizer lapsos de memória, mas como estou mesmo tendo apagões no cérebro, minha linguagem tende cada vez mais a ficar coloquial. Palavras chiques, cultas, “gourmet” não eram comuns na casa de gente simples onde fui criado e me eduquei. Foram adquiridas à custa de leituras e mais leituras, mas não se fixaram adequadamente.
 
Outro dia, indo à drogaria comprar um remédio controlado, só vendido com a retenção da receita, descobri que a tinha esquecido em casa. Fiquei puto e comecei a me queixar com a funcionária que me atendia sobre o assédio do Alzheimer que percebo estar sofrendo. Obviamente, tudo dito entre sorrisos e caretas.
 
Um jovem que aguardava para ser atendido comentou sobre a necessidade de aprender coisas novas para reduzir a velocidade do avanço dessa doença. Bastou isso para que o interativo Jotabê provocasse este diálogo:
- Estou pensando em aprender alemão – para falar com o Alzheimer!
- É uma boa ideia, mas não precisa ser alemão, pode ser outra língua.
 
Não sabendo se ele tinha entendido a piada mil vezes recontada, continuei:
- Eu sou monoglota, só sei falar português e gírias antigas
- Ah ah! Então aprenda inglês, é mais útil quando viajar para o exterior.
 
Pensando na situação de indigência financeira em que me encontro, fiquei sem saber se chorava ou ria da sugestão, mas ao ouvir palavras tão técnicas para explicar que aprender coisa novas é fundamental, não resisti e mandei:
- Você é neurologista?
- Não, sou neurocientista.
- Uau! Neurocientista? Pode me dar seu autógrafo?
 
Todos rimos dessa idiotice e a conversa acabou, pois precisava trazer a receita esquecida. Hoje, lembrando-me de mais essa interação com estranhos, cheguei à conclusão que vou tentar aprender inglês tal como fez meu filho. Apenas com o inglês ensinado no colégio onde estudava, começou a ler livros e manuais de jogos de RPG, todos em inglês. E o resultado foi conseguir hoje ser fluente na língua do Elon Musk (péssimo exemplo!).
 
Como eu não curto nenhum tipo de jogo, nem mesmo a mega-sena, vou tentar um método jotabélico para atingir meu objetivo. A partir deste post, todos os textos publicados serão traduzidos e arquivados fora do blog - que continuará para sempre monoglota -, para que eu possa reler e tentar entender o que escrevi (mal) na língua do Tiririca. Primeiro com a ajuda do Google Translator ou do ChatGPT, depois sozinho. Talvez consiga, pois ainda tenho seis anos para praticar, antes de perguntar:
- I guess you're Saint Peter, am I right?

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...