Este é o primeiro de cinco episódios
(01/05 - tá na cara, né?) de mais uma série com apenas dois personagens. Um
deles é "visível" e muito badalado ultimamente; já o outro fica dentro da nuvem, como em outras séries e
charges. Claro, é o Deus do Antigo Testamento - impaciente, bravo e sempre
disposto a puxões de orelha. Preciso dizer que não vejo nenhum desrespeito
nisso, pois ele seria como a "mãe de juiz de futebol", uma entidade
paralela, independente da realidade ou da crença de cada um. Resolvi deixar
tudo cinza pois cinza é o momento atual. E antes que eu me esqueça, a série foi
imaginada como um encadeamento de páginas. E o humor, bem... continua a mesma
merda de sempre!
domingo, 17 de maio de 2020
sábado, 16 de maio de 2020
NO REINO DE ASGARD
Nunca
frequentei o jardim de infância. Aliás, isso é uma meia verdade, pois só fui a
um jardim de infância na qualidade de pai. Por isso, não tive a alegria de
ver uma professora novinha e mais ou menos roliça limpar a vomitada que alguém
deu no lanchinho de um coleguinha. Preciso também dizer que minha infância
nunca foi um jardim, pois parecia mais um deserto de ata cama, já que era obrigado
a me deitar depois do almoço, na marra, quase atado.
Bom,
onde estávamos mesmo? Ah, sim, como não aprendi no jardim de infância – pois só
fui saber disso em meu pós-doutorado em mitologia nórdica realizado no blog Ozymandias Realista - que Loki, além de nome de disco solo do ex-Mutantes Arnaldo Baptista, seria o
irmão mala, mais fracote e cornudo do poderoso, magnífico, insuperável e legalático deus do
trovão Thor, que bate cartão na franquia
“Os Vingadores” (alguém tem de
trabalhar!).
Pois
bem, no tempo em que ainda moravam em Asgard
(nome que lembra um engasgo provocado por pedaço de frango maior que a boca – “Asgaaard, gard, asgard!” – “Bate nas costas
dele!” “Bebe água!” “Levanta os braços!”)... Rebobinando: no tempo em que
ainda não tinham sido adotados por Stan Lee e moravam em Asgard, eram vigiados de perto por Odin, pai amoroso e delicado. Mesmo assim, aproveitando-se da
embriaguez frequente de Wotan (o cara
só queria saber de beber!), brigavam muitas vezes, quebravam o pau, a cara, o
que encontrassem pela frente. Um dia, em uma briga particularmente violenta, Loki tomou uma martelada de Thor, caindo desmaiado. Foi desse
episódio que surgiu a expressão “Loki
down”, que os ingleses da Inglaterra aportuguesaram para Lockdown.
Outra expressão ex candinava que teve seu
significado deturpado é Mjölnir , o nome do poderoso martelo que
Thor comprou pelo site “A Marreta do
Azarão”. Apesar do carinho que tinha pelo martelo, uma de suas
excentricidades era guardá-lo dentro do latão que usava para aliviar a bexiga à
noite (naquela época ainda não havia suítes). Um dia encontrou o martelo jogado
ao lado do latão e exclamou raivoso: “Mjölnir fora do penico! Quem se atreveu a fazer isso?” E essa exclamação foi traduzida depois (equivocadamente!)
para “mijada fora do penico” e usada
quando alguém (até mesmo presidentes!) pisa na bola ou no tomate.
sexta-feira, 15 de maio de 2020
A ARTE 3D DE SERGIO ODEITH
Nunca tinha ouvido falar de Sergio Odeith até
receber de minha mulher um link com grafites absolutamente geniais. Fiquei
tão impressionado que resolvi enriquecer o Blogson com algumas das imagens que
reviraram minha cabeça.
Sergio Odeith é um artista português que
começou a criar grafites nos anos 1990, quando passou a ganhar destaque em seu
país. Como todo grafiteiro, utiliza como “telas” as paredes de imóveis
abandonados, (alguns nem tanto assim). Para mim, não fica a dever nada aos brasileiros
Cobra, OSGEMEOS ou ao misterioso Banksy, tão geniais e tão internacionais
quanto ele.
O que mais me impressionou é a ilusão 3D que
consegue criar com seus grafites hiper-realistas. Acho que vou começar a treinar
para ver se chego perto desses mestres. Mas primeiro preciso saber o que é um
spray. Olhaí.
quinta-feira, 14 de maio de 2020
QUER QUE DESENHE OU ASSIM JÁ ESTÁ BOM?
Meu amigo virtual Scant parece ser um sujeito super organizado, pois sempre publica
em seus blogs listas e mais listas, seja de animes ou coisa parecida, seja de
aquisições e compras realizadas, por aí. Eu também curto fazer listas, mas
procuro listar comportamentos, características e impressões sobre mim mesmo e
sobre pessoas que conheço (às vezes nem conheço de verdade, como alguns de
meus “amigos de facebook”). Não são
muitos, pois não solicito a "amizade" de ninguém e até recuso
solicitações que recebo de gente que desconheço totalmente. Mesmo assim, dá
para me divertir bastante tentando adivinhar suas preferências, situação
econômica, grau de instrução, etc.
Por exemplo, em termos de religião tenho
"amigos" ateus, agnósticos, umbandistas, espíritas, budistas, católicos e
evangélicos. Quanto à classe social, tenho amigos muito ricos (só dois), um favelado,
vários "remediados", classe média baixa e classe média alta. Grau de
instrução? Analfabetos funcionais, professores, primeiro e segundo grau, universitário, com
mestrado, com doutorado e pós-doutorado (um). Em relação à faixa etária, tenho um
"amigo" de 13 anos, adultos jovens, meia idade e idosos. Toda essa diversidade em um total de 164 !amigos"
Mas o que mais tenho tentado descobrir é o
ramo de atividade de cada um e sua relação indireta com o corona vírus. Esse é
o estopim deste post. Já percebi que, em linhas gerais, o pessoal de Esquerda,
os aposentados, os idosos (redundância!) e os que estão com os burros na sombra são a favor do isolamento
social, enquanto os adoradores do presidente, os de Direita não tão radical,
os autônomos, os profissionais liberais ou micro empresários desejam
a flexibilização da quarentena. Mas há também os inconsequentes, os egoístas,
os egocêntricos, os donos da verdade e o mal informados. Pensando nesse
pessoal que é contra o isolamento, vesti minha indumentária de "mala da
Internet" e lasquei esse texto no facebook. Curiosamente, só dois amigos
verdadeiros “curtiram”.
Antes, preciso apenas fazer um comentário:
como o post oficial de hoje é um requentado de posts já publicados, resolvi
postar aqui o texto originalmente destinado aos "amigos de Facebook"
(mentira, em qualquer hipótese eu o publicaria na minha "blogoteca") Bora lá.
QUER QUE DESENHE OU ASSIM ESTÁ BOM?
Não sou médico, mas resolvi anotar o que já
aprendi até agora:
- Só haverá segurança para as pessoas quando
a vacina for criada e vacinada a população. Até lá, pode-se achatar a curva de
evolução do número de casos, mas isso só servirá para aliviar a situação dos
hospitais e UPAs, não é um passaporte para a liberdade;
- A chamada “imunidade de rebanho” só te beneficiará se 70% (talvez 90% ou
mais!) da população for vacinada ou contaminada, pois os anticorpos dos
curados ou vacinados indiretamente servirão de escudo ou barreira para aqueles
que não tiverem sido infectados. Você também precisará de um pouco de sorte;
- O isolamento social só funciona
efetivamente se as chances de circulação e disseminação do vírus forem
reduzidas ao máximo. Ficar em casa não é sinônimo de “só vou dar uma voltinha”;
- Se você for jovem, saudável e com o sistema
imunológico zero bala, você poderá ser infectado e se curar, mas precisará
também de sorte para não ter uma forma grave ou fatal dessa doença;
- Mas se você for idoso, obeso, cardiopata,
diabético asmático, transplantado e “coisinhas” do gênero, você precisará de
muita, mas muita sorte mesmo para não “encerrar as atividades” em 2020. E
acredite, a Globo não tem culpa disso;
- Só os idiotas se preocupam se a Covid-19 é
ou não um “comuna vírus”, como disse
um idiota que está ministro;
- Por tudo que foi dito, até que se tenha a
vacina que imunize as pessoas contra a Covid-19, tudo o que existirá são
paliativos e estatísticas. De quem foi infectado, de quem foi curado, de
quantos morreram e de quantos não foram (ainda) contaminados. Apenas estatísticas.
De qual estatística você quer ou acha que pode fazer parte?
EU VIVO SEMPRE NO MUNDO DA LUA - A REVISTA
A série “EU
VIVO SEMPRE NO MUNDO DA LUA” foi concebida como uma história com "capítulos" encadeados, como se fosse uma revista de HQ onde os episódios fazem mais sentido se
forem lidos de uma única vez (mesmo que isso não melhore a qualidade da história ou o nível do humor). Por isso, resolvi juntar tudo como se fosse um gibi virtual, para ser lido de uma sentada. Parece
picaretagem? Também!
quarta-feira, 13 de maio de 2020
OS PSICANALISTAS E O PRESIDENTE
Recentemente
li um livro que é a transcrição de um relatório ou análise psicológica feita à distância por um psiquiatra renomado sobre o comportamento de Adolf Hitler. O detalhe é que o alemão ainda estava vivo e
a encomenda partiu do exército americano. É muito interessante e traz um
comentário feito pelo psiquiatra que o elaborou. Segundo ele, uma análise psicológica à
distância não seria tão confiável quanto uma realizada de forma presencial, olho
no olho. Mas ele acertou que o Hitler cometeria suicídio.
O Bolsonaro adota comportamentos tão assustadores, condenáveis ou, no mínimo, discutíveis, que muita gente já duvidou de sua sanidade mental. Seria razoável, portanto, o desejo de conhecer um pouco da mente do atual presidente. Suas atitudes destemperadas seriam apenas uma forma bizarra de marketing pessoal? Curiosamente,
recebi cópia de um artigo publicado na Folha de São Paulo quando o Mandetta ainda
era ministro da saúde e quando o Covid-19 só tinha atingido a marca de “centenas
de mortos”. Guardei com carinho o artigo da Folha, mas infelizmente não sei
quem o escreveu. É o resultado de uma solicitação desse jornal a psicanalistas de
diferentes correntes e abordagens profissionais “para que comentassem aspectos
recentes do comportamento do presidente da República”. Por ter recebido esse artigo na forma de imagem (cada trecho era um "print screen"), resolvi fazer uma digitação seletiva do que li, deixando apenas parte da introdução e as opiniões de psicanalistas
sobre o comportamento de nosso - infelizmente – primeiro mandatário. Aplica-se
aos comentários dos profissionais o mesmo raciocínio do relatório sobre o
Hitler: não é a última palavra sobre a mente do “mito”, mas deve estar bem
próximo disso. Olha aí.
A crise do coronavírus, que já deixou centenas
de mortos no país, tornou mais evidente a inconstância e ambiguidade do
comportamento do presidente Jair Bolsonaro no exercício do cargo.
Da decisão de se manter em confronto
permanente com variadas forças políticas, mesmo em momento de comoção social, à
arriscada iniciativa de se expor ao contato público apesar do risco de
infecção, as atitudes do presidente provocaram o afastamento de antigos aliados
e intrigaram inclusive colaboradores próximos.
Lógica paranoica, messiânica e delirante,
demonstrações de fragilidade e onipotência são alguns dos elementos nos
discursos de Bolsonaro das últimas semanas identificadas pelos especialistas.
Eles fizeram a ressalva de que as observações sobre suas declarações e
atitudes, feitas à distância, não constituem um diagnóstico profissional.
Um dos pontos que mais chamam a atenção dos
entrevistados pela reportagem é a necessidade de manter posição agressiva
recorrente ante adversários e mesmo apoiadores – caso do ministro da Saúde,
Luiz Henrique Mandetta, a quem Bolsonaro acusou na semana passada de falta de
humildade.
Para o psicanalista Christian Dunker,
professor do Instituto de Psicologia da USP, o bolsonarismo tem na criação de
inimigos o mecanismo de seu funcionamento. “A
pandemia viola muito fortemente essa lógica. Porque aí é um inimigo que não foi
você quem criou, portanto não é você quem manipula”, afirma Dunker.
Ao se dar conta disso, diz o professor,
Bolsonaro tentou negar a gravidade do vírus. “A negação é uma atitude psíquica, a mais simples diante do
desconhecido”, diz.
Para a professora Miriam Debieux Rosa, da USP
e da Rede Interamericana de Psicanálise e Política, Bolsonaro tenta agora
transpor para a gestão política sua “lógica de guerra”, de respostas violentas
a problemas, que defendia enquanto deputado. O resultado disso são crises
incessantes.
“É
uma cultura que não admite desaforo. O que o outro diz e que é contra o que eu
estava pensando já é considerado uma ameaça.”
O psicanalista e escritor Mário Corso vê nas
reações exacerbadas contra os mais variados atores uma consequência de um
sentimento de fragilidade.
“Ele
se sente inferiorizado e ataca. Sai em ataque de tudo, mas justamente pela
fraqueza intelectual dele. Quando não tem argumento, troca de assunto chutando
as canelas do adversário. Ele não faz discussão nenhuma. Só ataca o adversário
porque ele é consciente de sua fragilidade intelectual”, afirma.
Diariamente. Bolsonaro vai à portaria do
Palácio da Alvorada tirar fotos com fãs que vão a Brasília de diversas partes
do país. O contato com simpatizantes e as manifestações de apoio costuma ser
publicadas em suas redes sociais.
“Pessoas
onipotentes se expõem mais. Faz parte de quem tem poder se sentir acima dos
mortais, de que as coisas não acontecem com ele. É um predestinado da natureza,
não vai pegar doença”,
diz Mário Corso.
Outra das marcas do comportamento do presidente
na pandemia foi a defesa da hidroxicloroquina, medicamento ainda em fase
experimental no tratamento para a Covid-19.
Desde o início da crise, ele já mandou o
Exército produzir mais doses da substância, postou em redes sociais um vídeo falando
sobre a “possível cura” e mencionou o medicamento em reunião do G20.
Para Dunker, a insistência tem raízes na
formação do discurso messiânico. “É dele
que tem que vir a palavra: ‘A cura está aqui’”.
Sérgio de Castro, diretor geral da Escola
Brasileira de Psicanálise, considera que o presidente busca demonstrar que “não
vacila” e não abre “nenhuma brecha para se questionar”. “Isso tudo é perfeitamente articulado com um narcisismo desmedido”,
afirma.
Levado ao extremo, esse funcionamento psíquico
faz uma pessoa direcionar toda a sua energia para si próprio. O narcisista
acaba inapto para reconhecer as necessidades e desejos do outro.
A convicção em seu projeto de poder, afirma
Castro, é quase delirante. Análise com a qual Tales Ab’Sáber, professor da
Universidade Federal de São Paulo, concorda.
“O
delírio é a construção de um campo de sentidos particulares que a relação com o
outro e com a linguagem não reconhece. Você está em um polo em que a realidade é inteiramente o que você
concebe”,
afirma. “Ele cria uma política do eu
sozinho contra o seu próprio governo, contra a sociedade, contra o país.”
Para Marcelo Galletti Ferretti, professor da
Escola de Administração da FGV (Fundação Getúlio Vargas), “O impulso de colocar na conta da loucura as idiossincrasias dele tira
a discussão do campo político para o campo psicopatológico.”
A professora Tânia Coelho dos Santos, do
programa de pós-graduação em teoria psicanalítica da Universidade Federal do
Rio de Janeiro, vai em direção diversa da de seus colegas e considera que o
presidente tem uma personalidade teatral e histérica, que faz com que possua grande
habilidade em conquistar o interesse das pessoas devido à sua espontaneidade.
Não o vê tomado de um sentimento de inferioridade.
“Ele é tão colorido em matéria de sentimentos
que vai ter raiva, vai ter ressentimento, afeto. Ele é muito espontâneo. Não dá
para dizer que é um ressentido crônico, de jeito nenhum.”
PSICANALISTAS
E O COMPORTAMENTO DE BOLSONARO
Aspectos mencionados por parte dos
especialistas acerca das atitudes do presidente
INSEGURANÇA
Menções frequentes a seu poder no cargo ecoam
uma sensação de inferioridade ao exercer a Presidência
“Não se esqueça que sou o presidente” na
terça (31) sobre a manutenção das recomendações de isolamento de Mandetta
ONIPOTÊNCIA
A ida a uma manifestação a seu favor, no
último dia 15, e o passeio a pé por Brasília, no domingo passado, apontam
despreocupação com os riscos da Covid 19, o que indica uma sensação de ser
inatingível pela moléstia
“Não vai ser uma gripezinha que vai me
derrubar” no dia 20 sobre a possibilidade de ter contraído Covid 19 em viagem
aos EUA
LÓGICA PARANOICA
A relação de confiança é rara e vinda
basicamente da família; mesmo aliados são vistos como adversários em potencial.
Fenômenos de fora da política são vistos como meios para prejudicá-lo
“Em 2009, 2010, teve crise semelhante, mas,
aqui no Brasil, era o PT que estava no poder e, nos Estados Unidos, eram os
Democratas, e a reação não foi nem sequer perto do que está acontecendo” em
entrevista sobre o coronavírus no último dia 15
MESSIANISMO
A insistência nas menções ao tratamento com
hidroxicloroquina indica uma tendência a querer ser aquele que vai apresentar a
cura para a moléstia
“Graças a Deus, Deus é brasileiro, a cura tá
aí” sobre hidroxicloroquina em giro por Brasília, no dia 29.03
ESTILO NARCÍSICO
A oposição veemente a um movimento global de
combate à doença e a recomendações de todas as autoridades de saúde sugere uma valorização
exclusiva da própria opinião
“Não é tudo isso que dizem. Até que na China
já está praticamente acabando” no dia 16, sobre a Covid 19.
E agora, caro visitante, qual é sua opinião sobre essas opiniões? Concorda em discordar? Discorda em concordar? Está pouco se lixando?
E agora, caro visitante, qual é sua opinião sobre essas opiniões? Concorda em discordar? Discorda em concordar? Está pouco se lixando?
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