segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

UM MUNICÍPIO INVISÍVEL


Já manifestei aqui no blog minha preocupação com os miseráveis que dormem debaixo das marquises de prédios, tendo muitas vezes apenas um papelão como defesa contra a friagem do solo. Para mim, pouco importa o que levou esses infelizes a chegar a esse nível de absoluta miséria e desamparo. Só sei que fico penalizado por cada um que vejo deitado nas calçadas. E esse número tem aumentado.

Todos os dias, pela dificuldade que tenho para andar a pé (artrose nos joelhos) vou de carro para comprar o pão nosso de cada dia. E saio bem cedo de casa, por volta das seis da manhã. Na volta, sou obrigado a passar pela praça principal do bairro, bem em frente ao icônico Bar do Bolão. Hoje, debaixo da marquise desse bar, quatro pessoas estavam deitadas, ainda dormindo. E é isso que me deixa desolado. São tantos os que se (des)abrigam nas calçadas e praças que, sinceramente, não consigo pensar que alguém tenha uma solução real para o problema. Por isso, resolvi apelar para a ironia.
 
Minas Gerais tem 853 municípios. Em Belo Horizonte, (sobre)vivem 15.474 pessoas em situação de rua – um contingente maior do que a população de 618 municípios do estado.
 
Diante dessa situação absurda, talvez seja uma boa criar o 854º município  o da população em situação de rua. Com direito a prefeito e verbas federais! Ou não?

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