segunda-feira, 30 de junho de 2025

RESPOSTA PARA NENHUMA PERGUNTA


O post de hoje é dedicado às leitoras e leitores mais recentes deste blog, que talvez não saibam que Jotabê tem uma “vasta” produção “literária” disponível sob a forma de e-books publicados na Amazon.com.
 
Tudo começou com o incentivo e mentoria (palavra da moda!) de Fabiano Caldeira, um multitalentoso (ex)leitor que me ajudou a publicar o primeiro e-book na Amazon. Aquilo foi como rivotril para minha ansiedade congênita. Fiquei tão feliz com o resultado que saí fatiando, selecionando, peneirando tudo o que tinha publicado no blog.
 
Isso foi bom? Não, porque - por presunção e autoindulgência excessiva -, acabei publicando muito lixo nos quatorze e-books criados. Depois, um pouco mais calmo, percebi o equívoco de ter feito isso e resolvi corrigir a falha, com novas seleções, expurgo do que considero puro lixo (ou quase isso). Essa faxina está em andamento e rendeu a transformação de dois livros de poesia em apenas um e três livros de desenhos e experiências gráficas em dois. Para não tumultuar a promoção de download gratuito do livro de poesia (que termina no próximo dia 02/07), resolvi publicar os livros de desenhos a partir de 03/07, um de cada vez. E já aviso que os três e-books originais de dezénhos (os desenhos do Zé) não estão mais disponíveis para venda (ou compra).
 
Mas há uma informação que é a “resposta para nenhuma pergunta”: um dos quatorze livros publicados permanecerá tal como foi lançado. Trata-se do e-book dedicado aos casos mirabolantes e hilários protagonizados por um amigo querido e já falecido. Esse e-book tem o título O CASO DA VACA VOADORA E OUTRAS LEMBRANÇAS: "CAUSOS" DO PINTÃO. Caso alguém se interesse em saber mais sobre ele, siga este link.
 
https://www.amazon.com.br/dp/B0DGWR7C8K

domingo, 29 de junho de 2025

BABANDO NO LAMARTINE


Cada vez mais eu preciso me conformar e aceitar que as luzes culturais que me iluminaram e ainda iluminam estão se apagando. Refiro-me aos artistas que o envelhecimento atropelou e até incapacitou. Nem todos têm o mesmo nível de importância dos meus grandes e eternos ídolos, mas é triste ficar sabendo dos problemas de saúde do Elton John, Peter Frampton, Phil Collins ou Celine Dion. Sem falar nos já falecidos que admirava tanto: B.B.King (ídolo), George Harrison, (ídolo máximo), o baterista dos Stones Charlie Watts, a moçada do primeiro festival de Woodstock – Ritchie Havens, Joe Cocker, David Crosby, Jerry Garcia. E nem preciso incursionar no século passado. No Brasil temos a Gal Costa, o Tom Jobim, a Rita Lee, o João Gilberto, o Aldir Blanc, Tavito, Cazuza, Renato Russo e outros que não deram as caras (memória!). O Gil está parando, o Milton e o Beto Guedes estão uma lástima. Enfim, minhas raízes musicais estão sendo arrancadas.
 
Eu sempre gostei de compartilhar com o pessoal que acessa este blog vagabundo as músicas que mais me tocaram em algum momento, sempre dando preferência às “pepitas” que pouca gente conhece. Mas hoje resolvi mudar um pouco. Em vez de falar de músicas falarei de um compositor que merece não ser esquecido. Autor de 400 e poucas músicas, era o rei da ironia e bom humor, que colocava nas marchinhas carnavalescas – no tempo em que os foliões literalmente marchavam nos salões, época em que escolas de samba não eram muito valorizadas, para dizer o mínimo. Esse autor foi Lamartine Babo, um sujeito feio pra burro, muito magro e dono de uma voz fininha, atributos que renderam este caso:
 
Em uma ida aos Correios para enviar um telegrama, o telegrafista mandou uma mensagem em código Morse para seu colega, batendo o lápis na mesa: "Magro, feio e de voz fina". Lamartine pegou um lápis e rebateu: "Magro, feio, de voz fina e ex-telegrafista".
 
Outro caso engraçado acontecido com ele: começou a receber cartas apaixonadas de uma fã da cidade mineira de Boa Esperança. Imagino que ficou tão entusiasmado que até compôs a música “Serra da Boa Esperança”. Um dia resolveu conhecer a fã ardorosa e viajou até Boa Esperança para se encontrar com a suposta enamorada e descobriu que ela não existia. Na verdade, a autora das cartas recebidas era um homem, de quem acabou ficando amigo. Esse episódio bizarro rendeu ao Lamartine o título de cidadão honorário da gloriosa cidade mineira.
 
Mas chega de curiosidades. Quero terminar este post relacionando algumas músicas regravadas mais recentemente por outros intérpretes, sinal de sua atemporalidade:
 

As Frenéticas: Babando Lamartine – um vinil de dez faixas inteiramente dedicado a Lamartine Babo

Caetano Veloso: Hino do Carnaval Brasileiro

César Camargo Mariano e Wagner Tiso: Serra da Boa Esperança: (Versão Instrumental)

João Gilberto e Rita Lee: Juju e Balangandãs

Maria Bethânia: Serra da Boa Esperança

Os Mutantes: Canção Para Inglês Ver

Oswaldo Montenegro: Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda

Também não se pode esquecer dos hinos de times de futebol que compôs. Mesmo quem não curte futebol certamente já ouviu estes versos:
"Uma vez Flamengo, sempre Flamengo" ou  este:"Sou tricolor de coração".
 
No Youtube provavelmente serão encontradas todas essas músicas.

 


sábado, 28 de junho de 2025

O GARANHINHO

 
Um dia, na sala de espera de uma clínica de urologia, tive a oportunidade de conversar com um sujeito mais falante do que eu. Tinha a língua solta e nenhum filtro. Se não matraqueasse tanto ninguém notaria sua presença e aparência insignificante: baixinho, magrinho, feioso e ali na casa dos oitenta anos.
 
Sentado a meu lado enquanto esperava ser chamado e sem que eu lhe perguntasse nada, começou a desfiar suas reminiscências. Disse-me que tinha trabalhado a vida toda como representante comercial de laboratórios farmacêuticos. Não sei se por opção própria ou por circunstância, concentrou sua atividade na região mais pobre do estado.
 
Como todo representante da área, carregava sempre um arsenal de amostras grátis para distribuir a médicos como estratégia de divulgação. Mas, pelo que entendi, essas amostras também serviam para seduzir as mulheres humildes de quem se aproximava.
 
Segundo suas estimativas e apesar de casado, já teria feito sexo com mais de cinco mil mulheres. E não era nada seletivo, pois bastava ser do sexo feminino para que qualquer uma passasse por sua cama nas pensões baratas onde dormia. Nova ou velha, branca, parda ou preta, magra ou gorda, alta ou magra, feia ou bonita, casada, solteira ou viúva – e até prostitutas, o que importava para ele era a quantidade, não necessariamente a “qualidade”.
 
Mesmo não fazendo questão de disfarçar minha incredulidade, comentei já ter lido noticias tristes sobre meninas muito jovens que se prostituem para levar alimento para suas casas.
- Tem demais! – respondeu de imediato, e emendou com um caso:
 
- Um dia eu estava tomando café num posto de gasolina, depois de abastecer o carro, quando se aproximou uma menina muito magra, roupa surrada, cabelos despenteados, aparentando ter no máximo uns doze anos. Me pediu um cigarro.
- Menina, você já está fumando com essa idade? – perguntei.
 
Ela rebateu na hora:
- Eu não sou menina, eu sou é mulé!
Fez uma pausa e comentou comigo:
- Pense bem, uma prostitutazinha de doze anos!
 
Não resisti e o provoquei:
- E você, o garanhão das estradas, não fez nada?
- Não. Aquela eu mandei embora. Tinha a idade da minha filha mais velha.
 
Lembrando-me hoje dessa conversa, fiquei brincando com as palavras. Pela quantidade de mulheres que dizia ter conquistado, seria mesmo um garanhão. Mas pela estatura física e, principalmente, pela insignificância da aparência e comportamento desprezível, talvez fosse mais apropriado chamá-lo de “garanhinho”.
 
Cinco mil mulheres? Acho um número improvável e fantasioso, parecendo mais um caso de pescador. Mas... e se for verdade?

 

 

sexta-feira, 27 de junho de 2025

ANTOLOGIA AFETIVA DE POEMAS SEM VALOR

As novas leitoras que se interessaram em conhecer as bobagens que publico compulsiva e quase diariamente neste blog, provavelmente não conhecem minha véia poética. E digo “véia” por ser velho e não poder dizer que tenho veia poética. No máximo, uma arteriazinha bem fininha. (Já comecei mal!)
 
Apesar disso, ao longo dos onze anos de vida do Blogson Crusoe, muitas vezes me vi tentado a registrar em versos minha dor, minha angústia e todo tipo de sentimento que me invadia. O resultado disso foram dois e-books, publicados com a ajuda e mentoria de Fabiano Caldeira, um talentoso leitor que, um dia, se cansou de acompanhar este blog.
 
Pois bem, acreditando piamente na irrelevância dos versos que escrevi, resolvi corrigir a pretensão que me levou a publicá-los: refiz a seleção, abandonei sem remorso os muitos ruins e reuni os menos piores em um único volume – mesmo sabendo que não são grande coisa. O título escolhido foi Juntando Cacos de Mim, com o subtítulo (sincero) de Antologia Afetiva de Poemas sem Valor.
 
O novo livro reúne 98 poemas, divididos em cinco seções que vão do autorretrato fragmentado às paródias "bem"-humoradas. O resultado é um rastro – modesto, mas honesto – da minha breve passagem pelos domínios de Calíope, musa da poesia (Mas fui barrado já no portão de entrada!).
 
Ah, e fica o aviso: os dois e-books originais já foram removidos do site da Amazon.
 
Este novo e-book já está disponível no site da Amazon pelo exorbitante preço de R$1,99. Mas ninguém precisa gastar essa fortuna: ele estará em promoção, a custo zero, de 28/06 a 02/07/2025. Para quem se interessar, o link é este:
https://www.amazon.com.br/dp/B0FFK3V4N8
 
E a partir de agora, começo a faxina dos outros e-books que publiquei com a mesma irresponsabilidade e pretensão exibidas nos dois livros agora excluídos.
 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

SPOILER DE ENVELHECIMENTO

No início deste mês completei 75 anos de idade, setenta e cinco anos! Duvido que existam blogueiros mais velhos que eu. Por isso, para “ensinar” a meninada mais jovem, aí na casa dos sessentinha ou menos, resolvi dar um spoiler de como provavelmente estarão quando atingirem a minha idade atual. E quis fazer isso agora, porque já terei virado poeira de estrelas (stardust) quando estiverem ouvindo alguém cantar que vai comer seu bolo.

Talvez minhas "aulas" sejam um segredo de Polichinelo, mas o fato real é que velhice chega como quem não foi convidada e, mesmo assim, age como dona da casa. E o mais curioso é que ela se instala sem avisar, em silêncio, insidiosamente, como um ladrão que invade uma residência que alguém se esqueceu de trancar.

Nessa fase meu corpo lembraria uma indústria dividida em vários departamentos ou seções, mas mal administrada e deficitária: o almoxarifado não tem peças de reposição, o setor de manutenção foi sucateado. O setor de transporte geralmente anda mal das pernas, o que é literalmente verdade, pois os joelhos guincham e choram – cantando fados tristes a cada tentativa de agachar. O setor de geração de energia usa e abusa de combustível de baixa qualidade – meu abdômen, volumoso, revela anos de alimentação descuidada, aliada a uma ansiedade congênita que me faz assaltar a geladeira e potes de biscoito durante a madrugada.

A visão embaça lentamente, graças a uma catarata que ainda não foi operada, como se o mundo também cansasse de ser visto. E por falar em sensação de cansaço, ela é companheira constante, assim como o desânimo e a vontade de nada fazer. Esse quadro é – ou deveria ser – preocupante, não fosse uma insólita sensação de imortalidade – sentida na juventude, mas injustificável na velhice.

Mas a mudança mais estranha acontece no cérebro, que funciona como uma agência de publicidade e marketing, estruturada para atender todo tipo de público, pois nem tudo envelhece de forma igual ao mesmo tempo. A curiosidade continua infantil, um pouco na pegada do George Bernard Shaw quando disse que “alguns homens veem as coisas como elas são e dizem por que, eu sonho coisas que nunca existiram e digo, por que não?”

Mesmo embaralhado com outros sentimentos, o senso de humor continua a existir e lembra o de um  adolescente despreocupado. Mas o que mais me espanta é continuar a olhar a vida, o mundo, as pessoas com os mesmos olhos de quando tinha vinte ou trinta anos. E essa maneira de olhar, a visão atraída por corpos jovens, de pele hígida e formas sedutoras, ainda desperta em mim desejos de um homem de trinta — embora tudo permaneça platônico, apenas no território exclusivo da mente.

Resumindo a gororoba, a velhice inapelável se instala, mas sem um espelho à frente que nos mostre a verdade, a mente reage como se as idades já vividas pudessem ser revividas. Alguém disse uma frase muito boa que utilizo para fechar este spoiler de envelhecimento: “Envelhecer, no fundo, é esse embate entre a esperança e o espelho. E o espelho, ingrato, nunca mente”. E sempre vence.

terça-feira, 24 de junho de 2025

ISTO É LÁ COM SANTO ANTÔNIO

Quando eu era criança os compositores brasileiros de sucesso ainda não tinham problema nenhum para ver gravadas músicas compostas especificamente para essa ou aquela datas festivas Assim, foram lançadas marchinhas de carnaval, músicas para o Dia das Mães, Natal (não tanto quanto nos EUA) e para festas juninas. O lançamento era feito com a necessária antecedência para que pudessem ser aprendidas e cantadas nas datas certas. As músicas de carnaval certamente foram as mais numerosas, mas as inspiradas nas festas juninas também fizeram sucesso.
 
A de que eu mais gosto foi composta por Lamartine Babo, um compositor e letrista inspirado, autor de mais de 400 composições, incluindo sambas, valsas, marchinhas, fox-trotes, marchas-ranchos, canções para festas juninas e Natal, e hinos de diversos times de futebol cariocas. E é a letra de uma dessas músicas que resolvi publicar aqui neste blog jurássico para celebrar esses festejos tão caros a tantas pessoas e comunidades. No final, se alguém se interessar em ouvi-la em uma gravação de 1934, basta clicar no link.
 
ISTO É LÁ COM SANTO ANTÔNIO
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
São João disse que não!
São João disse que não!
Isto é lá com Santo Antônio!
 
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isto é lá com Santo Antônio!
 
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
São João ficou zangado
São João só dá cartão
Com direito a batizado
 
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio!
 
São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Disse o velho num sorriso
Minha gente, eu sou chaveiro
Nunca fui casamenteiro!
 
São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio!

 

domingo, 22 de junho de 2025

MR. STRANGE LOVE

 - Você viu o que o Donald fez?

- Quem, o Pato?

- Não o puto. O tramp ordenou o bombardeio de instalações nucleares no Irã!

- E por que ele fez isso?

- Bom, ele é aliado de Israel, que está em guerra com o país dos aiatolás.

- Eu, se fosse ele, transformava Israel no quinquagésimo primeiro estado norte-americano.

- Ficou doido?

- Olha só: primeiro pegaram o Havaí, depois anexaram Porto Rico como uma espécie de protetorado americano.

- E agora o tramp quis transformar o Canadá em mais um estado americano!

- Então? Nada mais natural que transformar Israel no 51º estado norte-americano!

- Eu acho que é mais fácil Israel anexar os Estados Unidos!

- Só se os americanos fizerem um desconto bom.

- Eitcha!


Dr. Strangelove é um filme de 1964, uma comédia de humor negro em que um general americano enlouquece e tenta começar uma guerra nuclear com a União Soviética.  A cena final do filme é hilária, mas não vou dar spoiler. Quem quiser que corra atrás. O título completo desse clássico já diz tudo: “Dr. Strangelove ou: Como Aprendi a Parar de Me Preocupar e Amar a Bomba”

 

POSOLOGIA

  Ficar de mãos dadas com você Nas ruas ou diante da TV.   Ouvir sua voz gravada Ler suas mensagens escritas Conversar por telefone.   Ou ol...