quarta-feira, 22 de novembro de 2017

DEU BANDEIRA

O fodástico designer gráfico Hans Donner propôs uma alteração nos dizeres centrais da bandeira brasileira, acrescentando a palavra “AMOR” ao texto original, que ficaria assim: “AMOR, ORDEM E PROGRESSO”.

Achei bacanérrima a sugestão, mas, já que é um símbolo, acredito que nossa bandeira precisa passar por uma fase civilizatória intermediária. Minha proposta é, num primeiro momento, mudar para este modelo:


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

COMENTANDO AS RECENTES - 047 (GLÓRIA)

Às vésperas do Dia da Consciência Negra, a repórter Glória Maria publicou no Instagram uma frase atribuída ao ator americano Morgan Freeman, que diz o seguinte: "O dia em que pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela, ou Branca e nos preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparece”.Ótima frase, mesmo que não dê para saber se corresponde à realidade. Mesmo assim, cutucou todos os que têm "aquela velha opinião formada sobre tudo". O resultado é que só faltou ser crucificada,  tantas foram as críticas e reações negativas.    

O Millôr Fernandes ensinou que "livre pensar é só pensar". E a Glória Maria demonstrou ter essa qualidade cada vez mais rara hoje em dia: ela pensa! Sua reação às críticas foi um texto claro, lúcido e perfeito. A transcrição de suas palavras no Blogson só dignifica e valoriza este blog indigente, este blog da solidão ampliada. Não preciso comentar nada, pois o texto diz tudo o que eu penso e sinto. Bora lá.

Pra todos que não concordam com este pensamento do Morgan Freeman: não concordar é um direito de vocês! Mas pretender que todos pensem igual é no mínimo prepotente! Eu concordo totalmente com ele! Pra começar, ele não é brasileiro e não está citando o dia da Consciência Negra. Uma conquista nossa! Está falando de algo muito maior. Humanidade! Eu e ele também nascemos negros e pobres e conquistamos nosso espaço com muita luta é trabalho! Não somos privilegiados. Somos pessoas que nunca aceitaram o lugar reservado pra nós num mundo branco! Algum de vocês conhece a minha história e a dele? Se contentam em tirar conclusões e emitir opiniões equivocadas em redes sociais! Nós estudamos, lutamos, resistimos e combatemos todo tipo de discriminação! O preconceito racial é marca nas nossas vidas! Mas não tenho que mudar minhas ideias por imposição de quem quer que seja! Apagar este post???? Nunca!!!! Quem não concorda com ele ok! Acho triste mas entendam. As cabeças e os sentimentos graças a Deus não são iguais! Como lutar contra a desigualdade se não aceitamos as diferenças? Queridos vivam suas vidas e nos deixe viver a nossa! Temos que tentar sempre encontrar nosso próprio caminho! Sem criticar e condenar o dos outros! Cada um precisa combater o racismo da maneira que achar melhor! Lembrando sempre do direito e da opinião do outro!sou negra e me orgulho . Mas não sigo cartilhas . Minhas dores raciais conheci e combati sozinha! Sem rede social para exibir minhas frustrações! Tenho direito e dever de colocar o que penso num espaço que é meu! Não imponho e não aceito que me digam como devo viver ou pensar! 

FALTA DECORO

Quando eu era criança, minha mãe, ao ver um menino fazendo birra, dizia que o birrento estava “precisando de couro”. O curioso nessa história é que ela nunca nos bateu. Quando passávamos muito dos limites, um tapa no braço ou um beliscão resolviam o assunto. Hoje em dia os pais não podem corrigir os filhos pelo método Braille (usando a mão), mas algumas pessoas demonstram que deveriam ter sido exempladas na infância, para aprender a ter vergonha na cara.

Pertence a esse grupo (ou "bando" ou "quadrilha") a maioria dos parlamentares brasileiros. Aparentemente, nunca receberam educação nem um corretivo adequado de seus pais; usando as palavras de minha mãe, sempre precisaram “de couro”. Cresceram, foram eleitos e deu nisso que vemos atualmente. Porque hoje em dia, o artigo mais em falta no Congresso é decoro parlamentar (entenderam agora onde eu queria chegar?).

Mas não foi sempre assim. Em 1949 cassaram um deputado por quebra de decoro parlamentar. O motivo da cassação – dá até pena do coitado – foi ter sido fotografado fazendo pose, vestido de fraque e cueca samba-canção (gigantesca). Deveria ter sido cassado pelo ridículo da indumentária, nunca pela falta de decoro. Mas foi cassado, talvez porque os parlamentares da época possuíam um mínimo de vergonha na cara, prezavam e respeitavam o tal decoro parlamentar.

O tempo passou, a decência dos homens públicos caiu de moda e descobriu-se outra serventia para a cueca, depois de um assessor “paralamentar” de um deputado petista (só tem honesto no PT!) ser preso com US$100 mil dentro de sua “underwear”. Pensem bem, cem mil dólares equivalem a 325.000 paus em moeda brasileira. Creio que ninguém nunca imaginou que caberia tanto pau dentro de uma mesma cueca!

E agora, para arregaçar de vez a moral pública (entidade abstrata tão improvável quanto a existência de fadas e duendes), temos um deputado presidiário. O velho e bom Celso Jacob, do PMDB-RJ, mesmo condenado definitivamente pelo STF (a suprema instância) a cumprir pena de sete anos por crime de falsificação de documento público e dispensa de licitação, continua deputado, continua a exercer o seu mandato em Brasília, continua a receber auxílio-moradia, mesmo tendo que dormir na Papuda.

Segundo a revista VEJA, o "inocente" dorme em uma cela de 12 metros quadrados (pequena!) na ala dos “vulneráveis”. Mas, como pode alguém com “direito a foro privilegiado” ficar na ala dos “vulneráveis”? Mais invulnerável que ele só mesmo o Aécio e o Temer!

A reportagem informa ainda que toma banho (quente) no Congresso (na Papuda é banho frio), toma café e almoça do bom e do melhor no restaurante do Congresso e fica no celular o tempo todo (na Papuda não pode). Filé! E Suas Excelências não cassam o “desinfeliz”! Por isso, ao sair do presídio-dormitório para “trabalhar” e lembrar que foi condenado mas não foi cassado, poderá sorrir com ironia e dizer algo assim: “-Tomou, Papuda?

Em 02 de novembro o site UOL também publicou uma reportagem sobre as “dificuldades” desse deputado. O que mais chamou minha atenção foram estas informações (o grifo é meu): 
Mais de cinco meses depois da condenação, já transitada em julgado, a Mesa Diretora da Câmara e partidos com representação na Casa ignoram a decisão do STF. Embora a Constituição preveja que o peemedebista deve perder o mandato por ter sido condenado, a direção da Casa e os partidos, inclusive os da oposição, não apresentaram até agora no Conselho de Ética pedido de cassação do parlamentar.
O artigo 55 da Constituição estabelece que perde o mandato o deputado ou senador que "sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado". A perda, porém, não é automática após a condenação.
Para que o processo de cassação seja aberto, a Mesa Diretora da Câmara ou algum partido com representante no Congresso deve apresentar o pedido. A palavra final é do plenário, por maioria absoluta da Casa --257 deputados, no caso.

Antigamente, ser fotografado de cuecas era inadmissível, não podia, mas, hoje em dia, fraudar licitação é considerado normal (ou norma)? Como diria a finada Hebe Camargo cerrando os dentes: “- Gracinha!

A esculhambação, o corporativismo e a falta de vergonha na cara atingiram níveis tão altos no aquário onde vivem Suas Excelências que o cumprimento da lei magna tornou-se irrelevante para eles. Se fossem ainda crianças estariam precisando de couro. A falta de bom senso, decência e decoro dos nobres parlamentares faz com que mereçam uma boa surra, mesmo que seja só nas urnas. Aliás, essa é a única resposta que merecem receber da população.



domingo, 19 de novembro de 2017

MATEMÁTICA APLICADA

Uma vez eu recebi um e-mail profissional, que tinha no final a seguinte frase: “nós somos o resultado de nossas escolhas”. Na época, fiquei muito impressionado, mas depois descobri que é uma frase bem na linha daquela que diz que “o homem é filho do menino”.

Neste fim de semana, por não ter nada com que me preocupar (afinal, os parlamentares estavam gozando o feriadão de 15 de novembro!) nem nada que me ajudasse a passar o tempo - nem mesmo uma unha encravada ou dente siso - lembrei-me dessa frase e fiquei por ali pensando sobre as escolhas que fiz ao longo da vida e em que resultaram (não há um lugar específico para “ali”, isto é só um artifício para engordar um pouco o texto).

Depois de muito matutar sobre o assunto (uns 2,3 minutos), cheguei à conclusão de que deveria fazer uma releitura da frase inicial. No meu caso, ela ficaria assim: “eu sou o resultado da soma das minhas escolhas”.

Acho até que ficou bacana, mas tem um problema nesta história: ao fazer a soma das minhas escolhas descobri que essa operação é algébrica e, pior, o resultado que encontrei foi zero. Matemática filha da puta!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

PATRULHEIRO TODDY

Quando eu era criança (o asteroide responsável pela extinção dos dinossauros ainda não tinha caído na Terra), revistas em quadrinhos e filmes de faroeste eram a coisa mais comum que existia. Incomuns ou raras eram as casas que possuíam televisores. Por conta disso, criou-se até a expressão “televizinho” para indicar os amigos e moradores mais desinibidos e sem noção que, confortavelmente acomodados nos sofás e cadeiras do feliz proprietário desse aparelho, assistiam a programação noturna da única emissora que existia em BH. No caso, a TV Itacolomi, dos Diários Associados.

A casa de minha avó onde morávamos não tinha televisão. Em compensação, no barracão (edícula) construído na lateral da casa, morava minha tia, recém-casada. E ela possuía. O resultado é que no final da década de 1950 e início de 1960 eu era freguês dos seriados em preto e branco passados à tarde e início da noite: Rin Tin Tin, Papai Sabe Tudo, O Último dos Moicanos, Maverick, Bat Masterson, Ivanhoé, Aventura Submarina, Os Intocáveis, Além da Imaginação e Patrulheiros Toddy

Posso ter-me confundido ou esquecido de algum, mas essas séries estão no Big Bang da televisão brasileira. Batman (zás! pow!), O Agente da Uncle, Zorro (o do hilário Sargento Garcia), Agente 86, Perdidos no Espaço, Jornada nas Estrelas, Família Adams, Bonanza e outros jurássicos foram exibidos quando eu já era “grande”, ou melhor, quando já estava às voltas com minha insegurança, medos e dramas da adolescência.

Recentemente, lembrei-me de um desses antigões, mais especificamente dos “Patrulheiros Toddy”. Eu estava no final da infância quando esse seriado foi exibido em BH. Os heróis eram os Texas Rangers americanos, sempre às voltas com algum criminoso e exibindo aquele chapelão ridículo, do tipo que o dono da Igreja Mundial e os cantores sertanejos gostam de usar. Muito bem.

Nos intervalos de cada episódio desse seriado, obviamente patrocinado pelo achocolatado que dava nome ao programa, entrava um ator brasileiro vestido de patrulheiro, tendo ao lado um ou dois meninos vestidos da mesma forma. Aquilo para mim era o máximo, pois eu sonhava (sonho irrealizado) ser também um patrulheiro Toddy. Os potes desse achocolatado vinham com pequenos brinquedos tipo estrela de xerife, essas coisas. Certamente devo ter implorado para minha mãe comprar um, para poder ganhar aquela estrela “fantástica”. Mas não me lembro de ter ganhado ou não, pois creio que nem todos os potes traziam esse brinquedo. Bela sacanagem!

Anos depois, já casado ou namorando, descobri que um dos conhecidos da família de minha mulher havia sido um dos patrulheirinhos que me causaram tanta inveja. É engraçado dar-me conta de que nunca conversei sobre isso com ele, apesar de ter utilizado seus serviços de contador por breve tempo. Só pode ter sido ato falho ou inveja recalcada!

Mas alguém pode estar se perguntando por que resolvi escarafunchar a memória para extrair essa bobagem. O primeiro motivo é que eu gosto de contar casos (mesmo que já não tenha muita coisa para contar), como bem sabem os dois leitores do Blogson. O segundo motivo não tem nada de nostalgia. Na verdade, vem acontecendo já há algum tempo, pois estou falando de patrulhamento, ou melhor, dos diversos tipos de patrulhamento que viraram moda no país.

Aliás, pensando bem, "patrulhas" cujo papel era perseguir e punir os diferentes, os independentes sempre existiram. Fariseus da Bíblia, Guarda Vermelha, Inquisição, Comando de Caça aos Comunistas, Guarda Bolivariana, Ku Klux Klan, milícias de todo tipo, etc. Caçar e queimar bruxas literal ou metaforicamente falando sempre foi sua missão e razão de existir. E depois ainda dizem que a espécie humana é gregária. Boa para criar presentes de grego, isso sim!  Mas hoje em dia a coisa ficou pior, graças à visibilidade que esses grupos ganharam nas redes sociais da internet.

“Redes sociais”, pensando bem, é um nome super adequado, pois a “pesca” é feita de forma indiscriminada, predatória, descartando-se as espécies que não interessam. Assim como na pesca de peixes, o que menos importa é preservar ou respeitar a integridade do descarte. Este papo está meio idiota e pouco consistente, mas o que eu estou tentando dizer é o seguinte: a ideia do Grande Irmão, do Big Brother é (na bem sacada observação do Marreta) uma coisa já ultrapassada, modesta, pouco ambiciosa, pois o que existe hoje é a Grande Irmandade, sempre pronta a devorar os independentes, os que não pensam ou seguem suas crenças e ideais.

A Grande Irmandade dos atores e famosos que se autointitulam intelectuais, por exemplo, é pródiga em perseguir e condenar os colegas considerados "de Direita", como se fossem os leprosos bíblicos dos dias de hoje. Curiosamente, nos Estados Unidos já houve um movimento semelhante, só que no sentido inverso, quando os considerados "comunistas" eram proibidos de trabalhar. Prova de que a Intolerância não precisa de ideologia ou religião para vicejar, para se manifestar e atacar.

Eu me entristeço ao observar o avanço do comportamento classificado como "politicamente correto", sinal que a humanidade está ficando a cada dia mais mal humorada, cada dia menos capaz de rir de si mesma. Ninguém poderia ser julgado e perseguido por ter  pensamentos racistas, sexistas, homofóbicos ou iconoclastas. E daí? Se esse comportamento não traz prejuízo real a ninguém, qual é o problema de alguém ter esse tipo de pensamentos e externar isso em sua vida privada?

Eu sou católico praticante (apesar de ter lido "Sapiens"), mas já fiz e já ri muito de piadas sobre religião, Jesus, etc. Da mesma forma, sou radicalmente contra o machismo, o racismo e a homofobia, mas já rolei de rir com piadas sobre isso. E ri justamente porque são piadas. E foram contadas sem a presença dos que poderiam ofender-se com elas.

Uma vez criei a expressão "Síndrome da Divindade Adquirida" (que era também uma piada) para indicar o comportamento de pessoas que acreditam que o mundo é ou deveria ser "à sua imagem e semelhança", segundo suas crenças. Os fundamentalistas religiosos são particularmente bons nisso, mas não há verdades absolutas, não há certezas absolutas. Por isso, divirto-me quando vejo no rosto de conhecidos e pessoas próximas expressões de perplexidade e espanto provocados por algum comentário que faço.

Hoje em dia, quando o comportamento politicamente correto vai aos poucos se transformando em epidemia - ou até pandemia - vejo pessoas que lembram o Giordano Bruno ao defender de forma intransigente sua independência intelectual, não se importando com as eventuais consequências. Esse é o caso de meu amigo virtual Marreta, que viu seu blog “colocado na fogueira”, mas não se intimidou nem se rendeu.

Eu, particularmente, me identifico mais com o Galileu Galilei, que para não sentir sua pele pururucar, viu-se obrigado a renunciar publicamente à sua descoberta de que a Terra não era o centro do Universo. Por isso, segundo a lenda (lenda mesmo), teria murmurado algo como "apesar disso, ela se move". Eu me vejo assim. Sigo e respeito convenções, por mais idiotas que as considere, mas sigo. Por dentro, entretanto, sou livre. E enquanto não inventarem um rastreador de pensamentos politicamente incorretos, continuarei livre, nunca patrulhando nada nem ninguém, pois só uma vez, só uma vez na vida eu quis ser patrulheiro. Patrulheiro Toddy.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

COMENTANDO AS RECENTES - 046 (LEILÃO)

Em 16/11/2017 o portal G1 divulgou esta notícia:

“A casa de leilões Christie's leiloou, na quarta-feira (15), por US$ 450,3 milhões, um quadro pintado por Leonardo da Vinci há cinco séculos, ‘Salvator Mundi’, a única obra do artista italiano mantida em coleções privadas.O quadro, que chegou a fazer parte da coleção do Rei Carlos I da Inglaterra, acabou nas mãos de um bilionário russo, que o comprou em 2013 por US$ 127,5 milhões”.

O único comentário que me ocorre é este: “Jesus Cristo, isso tudo?” Ou melhor, “Jesus, Christie's, isso tudo?”


AFRODITE

  Se eu soubesse como seria ter novo amor, O risco que eu correria de amar sem medida, Maré alta, sujeita a ressaca – que invade a praia E c...