domingo, 11 de janeiro de 2015

POLITEISMO

Hoje me bateu uma ideia meio estranha: Alguém já parou pra pensar que muitos evangélicos poderiam ser considerados politeistas?

Não? Vejam bem, é só prestar atenção (coisa bem difícil) ao que alguns dizem, quase batendo no peito: "Quão grande é o meu Deus" ou "O meu Deus nunca falhará" (acreditem, essas frases eu encontrei na internet).

Ora, se há um Deus deles, o deus dos católicos e judeus só pode ser outro.  Politeísmo, portanto, sem tirar nem por (tá bom, eu sei que isso é sofisma, mas não resisti à tentação da piadinha).


Em tempo: Os ateus e agnósticos estão desobrigados de achar alguma graça nisso (os que têm algum tipo de crença, também)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

DISTOPIA

George Orwell publicou “1984” no ano de 1949. O título é uma inversão do ano em que foi escrito, 1948. O livro pinta um futuro não muito distante onde tudo e todos são controlados pelo Grande Irmão, o “Big Brother”, através de equipamentos espalhados por todo lado, que gravam e espionam todo mundo. É um romance muito opressivo, sem final feliz.

Pois bem, trinta anos depois da data onde é ambientado esse romance, o mundo não atingiu a situação asfixiante e claustrofóbica imaginada pelo autor, mas parece que caminha devagarinho para ela, tantas são as tragédias provocadas pelo ódio e pela intolerância religiosa e política (11 de setembro, atentado ao jornal francês, etc., etc.) que vem acontecendo.

Pensando nisso fiquei imaginando que alguma pessoa criativa possa querer escrever um romance tão distópico como “1984”. A título de sugestão (não solicitada) imaginei a linha mestra para o novo livro:

O cenário básico seria o seguinte: um cometa ou asteroide (o Apophis, por exemplo) atingiu a Terra e provocou a morte da maioria da raça humana, além de também destruir a maior parte da fauna e da flora do planeta. A população que restou é majoritariamente composta por fundamentalistas religiosos e a temperatura global subiu quatro graus. O título poderia ser “2080”, por exemplo.

Porque “2080”? Escolhi “2080” para poupar meus filhos de viver a situação opressora e trágica que imaginei. Nessa data, provavelmente todos eles já terão morrido ou estarão usando fralda geriátrica e dizendo à la Tiririca : “quem é você?”

Alguém se habilita?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

MAIOR GRILO

Na década de 1970 surgiu no Brasil um jornal tabloide chamado "Grilo", que publicava histórias em quadrinhos dos papas do desenho de humor da grande imprensa internacional. A partir de algum momento, o formato e conteúdo mudaram radicalmente. E para melhor, em minha opinião. Das páginas da agora revista, brotou uma gangue de fantásticos cartunistas e redatores de traço e texto absolutamente irreverente e crítico, alguns extremamente alternativos ou underground ou erotizados.

Eu, que comprei todos os números no formato tabloide, comprava sistematicamente todos os exemplares no novo formato. Até hoje guardo essa coleção. Infelizmente, não consegui comprar o último número, uma puta sacanagem.

Pois bem, Wolinski, um dos cartunistas dessa segunda fase do Grilo foi assassinado hoje em um atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, onde ainda trabalhava, aos oitenta anos. Quando se assassina um cartunista, o que se tenta realmente é impedir que “a nudez do rei” - de qualquer rei - seja mostrada, comentada e criticada.

Que se pode dizer sobre uma notícia dessas? Que a intolerância e o obscurantismo manifestaram-se em seu grau máximo?
Que o mundo ficou um pouco pior do que já é normalmente?
Que a liberdade de expressão foi fuzilada justamente na pátria da "Liberté, Égalité, Fraternité"?
Que os humoristas e cartunistas do mundo todo devem, a partir de hoje, receber adicional de periculosidade e insalubridade?

Que mundo triste esse nosso! Alguém já disse que a raça humana é um equívoco da seleção natural. E, diante deste fato, sinto-me obrigado a concordar com isso. Muito triste, muito preocupante.

E, guardadas as devidas proporções, não deixa de ser um motivo para reflexão o fato de que esse atentado seria uma "regulação da mídia", só que feita à mão armada.

Para encerrar, um trecho de uma letra do compositor Belchior, que fica como paráfrase ou metáfora de toda essa tristíssima situação:

 Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve, correta, branca, suave, muito limpa, muito leve. Sons, palavras, são navalhas. E eu não posso cantar como convém sem querer ferir ninguém

Mas não se preocupe, meu amigo, com os horrores que eu lhe digo. Isso é somente uma canção. A vida realmente é diferente, quer dizer: a vida é muito pior.

E eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco. Por favor, não saque a arma no "saloon", eu sou apenas o cantor.


NOÇÕES DE ZÉOMETRIA ESPECIAL - AULA 09



TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...