terça-feira, 29 de julho de 2014

HISTÓRIAS DO DIGÃO - PARTE II


O CONTO DA MEMÓRIA

O Digão era muito culto e um ótimo contador de casos, sempre dizia coisas interessantes e era particularmente bom no que se conhece como “cultura inútil”. Nas conversas diárias sempre saía algum assunto curioso, precedido pelo vocativo – “Aqui, você viu...?”. Quando o assunto foi “memória”, gabou-se de ter uma excelente para números, sendo capaz de lembrar com facilidade quinze ou mais algarismos. O Anísio ironizou – “Qualé, Véio, você não lembra nem quando nasceu!..”

Seguiu-se uma animada discussão sobre a forma utilizada por ele para guardar números – “É tudo uma questão de ritmo”, disse, batendo ritmadamente a mão na mesa. Questionado sobre isso, comentou que no início da humanidade, ainda na ausência de escrita, os ensinamentos religiosos eram divulgados oralmente, de forma cantada e cadenciada, mais fácil de memorizar. A explicação me pareceu fascinante, totalmente lógica e, claro, fruto de uma grande cultura. Aí ele propôs um teste para demonstrar sua “incrível” memória
.
– Escreve aí qualquer número, que eu vou ler e memorizar, disse para o Anísio.

Condescendente, o Anísio sugeriu que ele mesmo escrevesse os algarismos. Para empatar, ele foi ditando os algarismos e o Anísio anotando. De vez em quando perguntava quantos já tinham sido escritos. Quando chegou a vinte, parou. Olimpicamente, pegou o papel, leu-o por alguns minutos e o devolveu para meu colega. Em seguida, batendo cadenciadamente a mão na mesa, começou:

– 2 71 82 81 14 15 92 65 35 26 14

Meu colega, com um sorriso irônico, comentou que o número estava correto.

– Eu posso guardar esse número por, pelo menos, um mês, diz o Digão, exultante. 

Encantado com esse prodígio de memória peguei o papel e pedi que repetisse. E ele, satisfeito, repetiu tudo sem errar: – “2 71 82”...

No dia seguinte, o Anísio refez o teste e ele acertou na mosca. Aí eu comecei a fazer propaganda de sua memória com os outros engenheiros. Uma semana depois, eu já contava esse feito extraordinário para os gerentes. Um mês depois, eu contei para o diretor. 

Ao ficar sabendo disso, o Digão e o Anísio começaram a rir descontroladamente. Sem entender nada, perguntei o que estava acontecendo:

– Isso é uma brincadeira! Eu não tenho memória nenhuma. Esses números são o número e (base dos logaritmos neperianos), seguido pelo número PI com 10 algarismos e mais o telefone lá de casa, sem o prefixo.

– Filhos da puta!!!!! Eu fiz a maior propaganda de sua memória, seu bosta! Agora, eu não acredito em merda nenhuma que você contar.

E tome xingamentos do otário aqui e tome risadas da parte dos cúmplices no conto da memória

segunda-feira, 28 de julho de 2014

HISTÓRIAS DO DIGÃO - PARTE I

Hoje em dia, quando vejo que a intolerância e o rancor, independente de que lado do espectro político ou espiritual em que as pessoas estejam, continuam tão presentes no Brasil e em outros países, eu me lembro de uma pessoa a quem tive a sorte, a honra e o prazer de conhecer, um humanista, um sujeito que celebrava a amizade e a tolerância como dois dos grandes valores que sempre nortearam sua vida. 

É à memória desse cara, o melhor amigo que já tive, que dedico os próximos posts que, reunidos, formam o texto original que escrevi sobre ele logo após sua morte. E foi muito bom remexer nessas lembranças, relembrar suas histórias. Todos os nomes e apelidos citados são fictícios e foram trocados para preservar a privacidade de quem participou dos casos contados. Ao todo, serão quinze os posts que tentam preservar as histórias contadas e vividas por uma pessoa absolutamente singular. Assim, esta semana e também a próxima serão dedicadas ao Digão, meu amigo queridíssimo. A um eventual leitor desse blog, eu sugiro que leia todos os quinze posts, pois trazem casos divertidos e histórias saborosas. Por isso, som na caixa:


Por absoluta falta do que fazer e por já ter contado esses casos para muitas pessoas, resolvi escrevê-los, como forma de passar o tempo enquanto o serviço não surgia. Descobri com isso que o trabalho de escrever é muito cansativo e enfadonho, pois é cheio de faz e refaz, correções ortográficas e coisas que me fazem pensar em monges da idade média, reclusos em suas celas, com todo o tempo do mundo para refletir sobre suas vidas, enquanto copiavam e ilustravam pacientemente textos antigos de outros povos e outras épocas. Ou seja, um senhor programa de índio.

Depois que comecei a escrever, percebi que este texto, para mim, é uma forma de homenagear a memória de um amigo querido, ao registrar suas histórias e casos mirabolantes.

Falando francamente, alguns são tão insólitos que nunca saberei se realmente aconteceram tal como nos foram contados ou, até mesmo, se não são invencionices de um grande contador de casos. Os diálogos, mesmo que recriados, são o mais próximo possível do que consegui lembrar e tentam manter a mesma descontração com que foram proferidos.

O INÍCIO

Foi no início da década de oitenta, talvez em 1980 ou 1981, que ouvi falar do Rodrigão, um sujeito que viria tornar-se meu melhor amigo fora do ambiente familiar, apesar da grande diferença de idade existente – uns trinta anos, talvez.

Trabalhávamos na mesma sala eu e o Anísio, colega recém-transferido para a sede da empresa, vindo de uma obra em Belo Horizonte. Com o passar do tempo, meu colega começou a falar sobre o Rodrigo, a contar alguns casos, sempre rindo muito. Disse que esse sujeito era tratado por alguns engenheiros pelo apelido "Digão" para diferenciá-lo do filho Diguinho, que também trabalhava na empresa e tinha o mesmo nome do pai.

Esse “Digão” era cunhado do presidente da empresa, pois sua primeira esposa, mãe do “Diguinho” e já falecida, era irmã do dono. Assim, antes de conhecê-lo, já sabia que era apaixonado por livros, que tinha cinco mil livros em casa, que era muito engraçado, etc.

Um belo dia entra em nossa sala um senhor de cabelos grisalhos já quase integralmente brancos, de óculos, vestindo o que me pareceu ser paletó de terno, mas sem gravata (o que acho feio demais). Além de notar a calva que avançava em direção à nuca, pareceu-me ser estrábico. Tinha também o nariz ligeiramente adunco, a pele seca, enrugada e meio avermelhada. E era velho, bem mais velho que eu e meu colega, pois aparentava ter uns setenta anos ou mais.

Ao ser apresentado a ele pelo Anísio – “Olha aí, esse é o cara de quem falei”, reagi com a maior efusão:

- Ah, você é que é o famoso Digão?

A reação foi a mais chocha e tímida possível, deixando-me constrangido e meio descrente das histórias hilariantes que já tinha ouvido sobre ele. Naquele dia, entretanto, começava uma amizade muito grande, um relacionamento quase diário, espontâneo, cordial e divertidíssimo, que durou até o ano de 1994, quando saí da empresa. 

Depois disso, embora sempre caloroso, o contato ficou muito esporádico, feito através de ligações telefônicas que geralmente partiam dele (– “venha me visitar antes que eu morra, pô!”). 

Em 2007 eu e minha mulher fizemos três visitas a ele, quando já o encontramos bem alquebrado. Morreu em 2008, mas vira e mexe eu me lembro dele, de sua companhia agradabilíssima e de seus casos mirabolantes. Como esse:


O OLHO DE VIDRO

Um dia, pela manhã, pouco tempo depois de já estar trabalhando conosco na mesma sala, ele não apareceu. Perguntei ao Diguinho, que ainda era estagiário, onde estava seu pai.

– Ele foi trocar o olho.

Não entendi nada, e perguntei: – Foi trocar o óleo?

– Não, pô, foi trocar o olho, olho de vidro, que gastou e está causando irritação na pálpebra. Você não sabia que ele tem olho de vidro?

Depois do almoço, o Digão – com um sorriso meio irônico e uma expressão que eu definiria como cara de vaca – ficou nos olhando de sua mesa. Eu, meio constrangido, sorri sem jeito enquanto notava que o cristalino da nova prótese parecia ligeiramente maior que o da anterior. Ele não se conteve e disse:

– Vocês são péssimos observadores!

Meu colega, mais debochado, retruca: – "Que é que foi, 'Véio'?”

– Eu estou de olho novo e vocês nem falam nada!

A partir daí, começamos a conversar sobre a prótese e sobre o motivo da perda do olho, como se estivéssemos comentando sobre outra pessoa ou conversando sobre futebol, tão à vontade ele nos deixou.

Fiquei sabendo que perdeu a visão aos quinze anos, ao levar um tiro de chumbinho de um amigo, que brincava com uma espingarda de ar comprimido (–“Vou te dar um tiro!” – "Então dá, pô!”). Esse tiro, segundo ele, acabou com o maior sonho de sua vida, que era ser piloto de avião.

Depois do tiro, em lugar de ser extraído todo o olho, foi colocada apenas uma capa no que restou do globo ocular. Assim, os movimentos do olho cego foram preservados, causando no máximo a impressão de que sofria de estrabismo.

Quando ficou viúvo, os quatro filhos (três meninas e um menino) eram pequenos e ficavam durante o dia aos cuidados da avó materna. À noite, ao voltar do serviço, ele os levava para casa. Os meninos, como qualquer criança sadia, eram provavelmente, irrequietos, levados. Como ficavam o dia todo longe do pai e sem a mãe para tomar conta, eles ficavam em um “freje” danado, segundo suas palavras. Para manter os meninos quietos enquanto tomava banho, tirava a prótese e a colocava sobra a mesa, com uma ameaça do tipo:

- É bom não fazer bagunça, pois eu estou vendo. 

E os meninos ficavam acuados, encolhidos talvez, olhando aquela coisa, aquele olhar congelado.


Segundo o Digão, essa história maluca foi lembrada por uma das filhas vigiadas.

domingo, 27 de julho de 2014

TRAZ AÍ O INSETICIDA!

Tem pensamentos que ficam “revoando” em meu cérebro como mariposas em volta de uma lâmpada. Aí eu tenho que escrevê-los, para “liberar o trânsito” (falou, BHTrans!). O que está circulando agora é o seguinte:

A palavra “bossa” foi usada como gíria no final dos anos cinquenta, no Rio de Janeiro. Significava jeito, maneira ou modo diferente de ser. Assim, a “Bossa Nova” foi apresentada como uma forma nova, diferente (cheia de bossa) de compor e cantar o Samba.  E há várias referências ao velho samba em clássicos da Bossa Nova. Exemplos: “Samba de uma Nota Só”, "Só danço Samba”.

Uma das músicas mais sofisticadas dessa nova bossa, “Influência do Jazz” começa assim: “Pobre samba meu, foi se misturando, se modernizando e se perdeu”...

Um pode até ter surgido do outro, mas, para um leigo como eu, Samba e Bossa Nova são ritmos totalmente distintos. Para mim, compará-los seria o mesmo que dizer que tango e bolero são a mesma coisa. Não são, claro. (isso é que é erudição!). Mas se alguém acha que meu pensamento renitente está associado apenas à música, vai se assustar. “As mariposas” no meu cérebro relacionam-se com os evangélicos.

Já disse que tenho algumas obsessões. Poucas mas intensas. Uma delas é uma certa birra com as novas religiões cristãs. Não é que eu não goste das pessoas que migraram para essas igrejas. Eu até gosto de alguns. O problema é sua forma de conversar, cheia de “Oh! Glória!”, “em nome de Jesus”, “Amém, Senhor!”. Isso estraga meu fígado. Chego a pensar que se eu contar uma piada bem sacana e obscena para um “convertido” e ele achar graça, talvez diga, entre risos, “Aleluia!". Aí, seria demais.

Parêntese: Essa xaropada que estou escrevendo foi motivada por uma campanha publicitária recente, lançada pela Igreja Universal e divulgada na TV e em backbus, com o tema “Eu sou a Universal”.

Então (gosto muito de usar essa palavra), esse pessoal – para mim – lembra um pouco o pepino, a melancia: você pode até gostar de comer (no sentido digestivo, por favor), mas depois fica com uma azia danada.

Voltando “às mariposas”, o pensamento é o seguinte: pelo que vejo nos programas maciçamente veiculados nos canais abertos, as novas igrejas evangélicas dão muito mais ênfase, valorizam e pregam de forma literal e sem crítica, os textos do Antigo Testamento, sem se preocupar com o fato de que muitos são verdadeiras alegorias, para dizer o mínimo. Falam também de Jesus, mas ele mais parece um coadjuvante. Assim, estão mais propensas a oferecer “milagres”, e “curas” que “acontecem” o tempo todo. Vendem ideias (e sonhos) de progresso material, de conquistas, etc.

Já a Igreja Católica, pelo que percebo, valoriza mais o Novo Testamento, os valores pregados por Jesus. Quem está certo? Como sou católico, digo apenas dizer que prefiro a humildade de Jesus e seus belíssimos ensinamentos.

Mas, afinal, o que isso tem a ver com a música? Isso: para mim, a Igreja Católica, paradoxalmente mais antiga, lembra muito a Bossa Nova: sofisticada, crítica, moderna (para uma religião, lógico). Já as igrejas evangélicas – embora surgidas há muito menos tempo – seriam comparadas ao samba de partido alto: tradicionais, primitivas, sem nenhuma sofisticação. Igrejas de mesma origem, mas radicalmente dessemelhantes. É isso.

Aí, alguém que ler isso, poderá dizer:
É só isso? São essas as tais “mariposas”? E eu terei que responder:

É, um pensamento merda surgido em uma cabeça merda. Fazer o quê,, né?


Ah, é? Traz aí o inseticida!

sábado, 26 de julho de 2014

SANDUBA

O Eike Batista é um empresário que alcançou muito suXesso. Todas – ou quase todas – empresas que criou têm a letra “X” no final do nome, para “multiplicar” o resultado e o sucesso de cada uma delas. Por conta dessa crença, surgiu o diálogo idiota a seguir. 

Antes do diálogo, preciso fazer só um comentário: ele pode até apreciar algum tipo de ciência (talvez ele também acredite em duende), mas exatas não é muito o forte dele. Matemática, pelo menos, não é. Tá bom, ele pode ter esquecido alguma coisa.  Esqueceu-se de que o sinal gráfico ”x”, além de ser utilizado para indicar multiplicação, tem também a função de incógnita.  E aí dançou.

 -   Sabe qual sanduiche o Eike Batista deve gostar de comer?

-   Sei lá, pô!

-   Chuta aí...

-   Não enche o saco!

-   Ele gosta de cheese egg burguer...

-   Que que eu tenho com isso?

-   Não sacou o trocadilho não?

-   Que trocadilho, mané?

-   Quando quer um sanduba, ele pede pra trazer um X eike burguer.

-   Putaquiupa!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

TEIXEIRA SOARES 860 - 1030

Eu sempre ouvi falar em “Revolução”, mas agora que a esquerda está no poder, parece que consideram como “Golpe de Estado” o que ocorreu em 1964. No Google, mais especificamente no UOL Educação, encontrei um texto de autoria de  Renato Cancian, cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais, de onde extraí os trechos a seguir:

Segundo o autor,  “revolução” é “um movimento coletivo e, portanto, é a expressão da vontade do povo (grifo meu). Já o “golpe de estado” é realizado por grupos ou setores sociais que integram a elite dominante da sociedade”. Tem mais: Um movimento golpista consiste na tomada do poder sem pretensões de subverter a estrutura e os valores da ordem social vigente. Os movimentos golpistas de modo geral são realizados por grupos ou setores sociais que integram a elite dominante da sociedade”. E a chave de ouro: “Um golpe de Estado (...) além de ser uma iniciativa de poucos indivíduos, é considerado uma ilegalidade”. (ué,  eu nunca sonhei que uma revolução "é" legal !!!)

Eu tinha treze anos em abril de 1964, mas me lembro de uma “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” acontecida em São Paulo (antes do "golpe") e que reuniu umas trezentas mil pessoas pelo menos, justamente para contestar a direção ideológica apontada pelo governo de João Goulart. Se isso tivesse ocorrido em Brasília, era bem capaz de as piedosas senhoras participantes tomarem o poder só dando terçadas (batendo com o terço, pô!) em quem resistisse...

Agora, pensem bem: trezentas mil pessoas, só em uma única manifestação de rua? Sei não, mas a mim parece que o “golpe” apenas expressou a tal “vontade do povo”, por mais que a esquerda esperneie. Então, foi uma revolução. Outra coisa: alguém já viu uma revolução em que não há o envolvimento (mesmo que tardio) de militares? Alguém imagina “revolucionários” enfrentando uma tropa ou um exército, empunhando só tacapes, foices e cartucheiras? Por favor, né?

Então, para mim, tudo é a mesma merda, mas fica combinado que “Revolução” só a Esquerda pode fazer. Se a Direita quiser fazer o mesmo, vai ter de se contentar em dar um “Golpe”. Fecha-se o parêntese.

Pois bem, para minha tristeza, o elevado hoje chama-se Helena Greco. Isso é pura babaquice, revanchismo e mau uso do rancor guardado. Não importa se o Castelo participou ou não do golpe (revolução?). Importa é que, bem ou mal, por ter sido presidente tornou-se uma figura que faz parte da história do país. Agora, e Dona Helena, com todo o respeito (sincero), quem foi? Entrei no Google para descobrir que ela foi a primeira vereadora eleita de BH e uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores!!!!! Ah!... agora está explicado: com essa importância toda, tinham mais é que mudar o nome mesmo.

Sinceramente falando, parece que há um grupo de pessoas que quer reescrever a história, que quer punir e se vingar de quem os mandou para o exílio ou para a prisão, que quer curar as feridas morais e mentais causadas pela prática hedionda da tortura de que foram vítimas, apagando os rastros de quem esteve do mesmo lado dos torturadores. Não sei se isso funciona. Até onde li, o Castelo não tolerava ou compactuava com a prática de tortura de presos. É claro que não se pode dizer o mesmo dos dois generais que o sucederam (mais a junta militar). 

Mas dá para fazer um paralelo sobre isso: mesmo discordando da prática desse crime hediondo, talvez pouco pudessem fazer aqueles militares que eram contrários a isso. O mesmo se pode dizer da maioria dos petistas: mesmo ouvindo falar do mensalão e sendo contrários a isso, pouco podiam fazer para evitar essa lama. Até porque, nos dois casos, pode-se dizer que os crimes cometidos nunca eram feitos às claras. Melhor dizendo: em geral, crimes nunca são cometidos às claras.

Volto a dizer: eu tinha apenas treze anos quando essa muvuca aconteceu. Além disso, politicamente falando, sou de centro e um pouco pendular: às vezes um pouco à esquerda, às vezes um pouco à direita. Mas jamais fui de direita pura ou esquerda pura, pois considero os extremos apenas burrice e intransigência do tipo –“só nós estamos certos, vocês todos estão errados”. Comigo não, mané. Até já votei no Lula uma vez, acreditando que seria bom para o Brasil (o oponente era o Serra). Mas só um idiota não aprende com o erro e o repete.

Então, voltando à mudança tão infeliz do nome do viaduto, fica uma pergunta: porque não mudar também o nome da Rua Marechal Deodoro, na Floresta? Afinal, esse militar do século XIX (o cara era marechal, mais que general de quatro estrelas!) deu um puta golpe, pois depôs Dom Pedro II e acabou com a monarquia no Brasil. 

Ué, ninguém pensou nessa mudança? Seria porque o imperador era a instância máxima da "elite dominante da sociedade" da época?  Ah, então esse nome de rua pode ficar, né? Hum hum... Então tá!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

TEIXEIRA SOARES 530 - 660

Em Belo Horizonte muitas ruas que tinham nomes simpáticos e até ingênuos receberam nomes de personalidades que os puxa-sacos da vez houveram por bem “homenagear”. Por exemplo: alguém sabe onde fica a “Avenida da Liberdade”? Atende hoje pelo nome de “Avenida João Pinheiro”.

E “Avenida Tocantins”? Hoje se chama “Assis Chateaubriand”. Muita gente, especialmente os mais jovens, não sabe quem foi essa “peça”. Assis Chateaubriand foi o maior empresário de telecomunicações que existiu no Brasil até a década de 1960, dono de mais de cem jornais, emissoras de rádio e televisão. Então o sujeito bem que merecia essa homenagem, não é?

Pode ser. Entretanto, lendo sua excelente biografia escrita por Fernando Morais (“Chatô, o Rei do Brasil”), verifica-se que ele era quase um gangster, um sujeito aético e amoral que passava por cima de quem ou o que ficasse na sua frente. Então, para o bem da moral e dos bons costumes, essa avenida nunca deveria ter mudado de nome? Para mim, a questão é outra. Se ela se chamasse “Avenida A” ou coisa parecida, até justificava-se a mudança. Mas ela já tinha um nome, pô! Para que mudar?

Por isso, acho total babaquice e falta do que fazer alguém que é pago para zelar pelos interesses do município e de seus eleitores ficar brincando de dar nome ou, pior, de mudar nomes já consagrados de ruas e avenidas e outras construções, como aconteceu há pouco. 

Recentemente, um bando de idiotas rancorosos resolveu mudar o nome do “Elevado Castelo Branco” para “Elevado Helena Greco”. Quando fiquei sabendo disso até espumei de raiva. Creio que a alegação para fazerem essa mudança ridícula e risível é o fato de Humberto Castelo Branco ter sido o primeiro general presidente depois do “golpe” de 1964. E daí? O nome já estava consagrado, consolidado!

Porque ninguém se interessa em corrigir excrescências como o que acontece com a "Rua Teixeira Soares"? Essa rua começa no bairro Floresta, é interrompida por um tanto de casas que nunca serão desapropriadas, tem um segundo trecho com apenas uma quadra – ou quarteirão – no início de Santa Tereza e um terceiro trecho que termina em uma rotatória, no meio do bairro de Santa Tereza. Se essa rua fosse interrompida apenas uma vez, os moradores até poderiam dizer – "Esse aqui é o módulo ‘Teixeira’, o número que o senhor procura está no módulo ‘Soares’”. Ficava até chique, concordam? Mas a rua tem três partes! Porque não usar esse tipo de situação para homenagear Dona Helena Greco, o palhaço Bozo ou quem quer que desejassem?

Antes de continuar, preciso fazer um parêntese: é “Golpe” ou “Revolução” de 1964? Se quiser ler o final deste texto, só amanhã (entendeu agora o título?). 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

TEIXEIRA SOARES 2 - 100

Este blog, embora levemente preconceituoso, politicamente incorreto e moderadamente escrachado, foi criado apenas para disponibilizar as bobagens que venho escrevendo há algum tempo. Ou seja, é um blog para minha diversão; se outros também se divertirem, melhor ainda. Mas, mesmo que não tenha sido criado para destilar ódio contra ninguém, às vezes eu me enfureço tanto com algumas coisas idiotas que vejo por aí, que chego até a espumar. E o que está me irritando tanto? Vamos lá:

Uma das coisas mais idiotas e desnecessárias que os vereadores de uma cidade podem fazer é “homenagear” alguém dando seu nome (o do/a falecido/a, lógico) a uma rua, escola ou posto de saúde da periferia mais distante. Porque desnecessária? Porque em várias situações existia um nome oficial já consagrado pelos moradores. Para que mudar então? 

Quando eu era criança, a Avenida Presidente Carlos Luz tinha o simpaticíssimo nome de Avenida Catalão. Mesmo que não “homenageie” ninguém, no Carlos Prates existe a rua “Rio Pomba”. Quando eu morava lá, essa rua chamava-se apenas “Rua Pomba”. Qual foi a vantagem trazida por essas mudanças?

Às vezes a homenagem é apenas uma idiotice sem sentido. Quer um exemplo? Lagoa Santa. Não sei em que lugar desse município existe uma rua com o nome de meu avô materno. Como isso foi feito? Uma de suas noras conversou com o prefeito ou outra “otoridade” local da época e a “homenagem” aconteceu. 

Aí eu pergunto: alguém do município sabe quem foi meu avô? Ou o que ele fez em benefício da cidade para merecer isso? A resposta é um NÃO absoluto. Eu sinto algum orgulho disso? Nenhum. Sinceramente falando, eu sinto é pena. Pena por algumas pessoas serem tão idiotas de aprovar uma bobagem dessas. 

Até onde eu sei, meu avô era construtor e construiu uma chaminé de tijolos que ainda existe na orla da lagoa. Mas certamente foi contratado para fazer isso, não doou nada, não foi um benemérito que merecesse ser lembrado. E nem nasceu lá, nem morou tanto tempo assim no município! Resumindo de forma britânica: não fez porra nenhuma que o tornasse merecedor de ter o nome em uma rua dessa cidade. E olha que eu gostava dele pra caramba! Mas, homenagem? Pfff...

Aviso aos eventuais leitores que eu ainda estou calmo! O caldo vai entornar mesmo é na segunda parte deste texto, que está programado para sair na próxima quinta-feira. Sacanagem por ter de esperar ou alívio por ter chegado ao final deste post?

DE ONDE EU VIM?

  Desde quando fiquei sabendo que o exame de DNA poderia trazer informações sobre a minha ancestralidade, eu tive vontade de fazer. Mas o di...