sábado, 30 de agosto de 2025

DIGA NÃO ÀS DROGAS

 
Uma vez alguém me mandou talvez ainda por e-mail um texto engraçadíssimo atribuído ao Millôr Fernandes. Por ter uma visão ética da vida (talvez nem tanto assim), tentei confirmar sua autoria e descobri que o Millôr renegava ser o pai daquele texto e ainda dizia que era “muito mal escrito”. Fiquei meio desapontado, principalmente por jamais ser capaz de escrever texto tão engraçado.
 
Agora estou diante do mesmo dilema, mas não estou mais nem aí se o autor do texto transcrito a seguir é meu ídolo Luís Fernando Veríssimo ou não. Infelizmente, o gaúcho é mais uma peça que se solta do mosaico cultural que fui montando ao longo da vida. E o mundo vai ficando cada vez mais sem graça. Luis Fernando Veríssimo, você era o cara!

  
Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois, quando você quiser, é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", "natural" , da terra", que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do "Chitãozinho e Xororó" e em seguida um do "Leandro e Leonardo". Achei legal, coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de "Amigo" e acabei comprando pela primeira vez.
 
Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... "Banda Eva", "Cheiro de Amor", "Netinho", etc. Com o tempo, meu amigo foi oferecendo coisas piores: "É o Tchan", "Companhia do Pagode", "Asa de Águia" e muito mais. Após o uso contínuo eu já não queria mais saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido antes, então, meu "amigo" me deu o que eu queria, um Cd do "Harmonia do Samba". Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, minha razão de existir. Eu pensava por ela, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais . . . Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos "Karametade" e "Só pra Contrariar", e até comprei a Caras que tinha o "Rodriguinho" na capa.
 
Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de Pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma "música" que não dizia nada, eu e mais 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorriamos fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a coletânea "As Melhores do Molejão". Foi terrível!! Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas "miseráveis" e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana, quando comecei a escutar "Popozudas", "Bondes", "Tigrões", "Motinhas" e "Tapinhas". Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido. Quando saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas; uns nobres queriam me mostrar o "caminho das pedras", outros extremistas preferiam o "caminho dos templos". Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa.
 
Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é possível que tenham que recorrer ao Jazz e até mesmo a Mozart e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas.
 
Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente.
 
Em vez de encher cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:
 
* Não ligue a TV no domingo à tarde;
* Não escute nada qu e venha de Goiânia ou do interior de São Paulo;
* Não entre em carros com adesivos "Fui.....";
* Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe ou ao Sábado do Gugu;
* Mulheres gritando histericamente são outro indício;
* Não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;
* Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;
* Não compre nenhum CD em que a capa tenha nuvens ao fundo;
* Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no
Brasil; e
* Não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.
 
Mas principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela!!!! Eu sei que você consegue!!! Diga não às drogas!!

BRASILEIROS E BRASILEIRAS!


Às vezes eu digo em tom de brincadeira (sou muito repetitivo) que devo ter nascido em Marte e deixado aqui por engano, porque detesto quase tudo o que boa parte dos brasileiros curte. Um breve inventário das minhas aversões confirma a tese:
- não gosto nem assisto a jogos de futebol, mesmo em Copa do Mundo. Nesse ponto digo que é trauma de infância (o que é real);
- não gosto de música sertaneja, pagode ou funk;
- parei de beber em 2014 e detesto o gosto de cerveja e de destilados, só abrindo exceção para bombons de licor;
- detesto picanha gorda e malpassada. Nos raríssimos churrascos a que vou, sempre peço as carnes já passadas do ponto, quase carvão;
- para finalizar, odeio programas popularescos de televisão.
E aí eu pergunto: sou ou não sou de Marte?
 
Fiz essa introdução só para perguntar: você é brasileiro? A resposta mais provável é “sim”. Eu também sou. Mas, tirando as filigranas legais e constitucionais, quem realmente é brasileiro? Essa dúvida me ocorreu ao ver alguns nomes na lista dos “brasileiros” mais ricos da Forbes. Para tentar responder, escolhi apenas os dois primeiros colocados entre 300 bilionários – André Saverin e Jorge Paulo Lehmann.
 
O André Saverin (fortuna de 220 bilhões de reais) tem o seguinte percurso: nasceu no Brasil em 1982, mudou-se com a família para os Estados Unidos em 1993 (tinha 11 anos), naturalizou-se americano aos 16, emigrou para Singapura em 2009 e renunciou à cidadania americana em 2011.
 
Já o Jorge Paulo Lehmann (fortuna de 88 bilhões de reais) nasceu no Brasil, estudou em Harvard, voltou, foi campeão brasileiro de tênis, trabalhou em instituições financeiras daqui, fez seus primeiros investimentos aqui. Hoje mora na Suíça depois que seus três filhos mais novos sofreram uma tentativa de sequestro no Brasil – frustrada graças ao carro blindado e à habilidade do motorista. Mantém três fundações que apoiam jovens talentosos – Fundação Estudar, Fundação Lemann e Instituto Tênis.
 
E aí vem a pergunta que não quer calar: qual dos dois pode ser considerado brasileiro? Para mim, a partir de sua naturalização como americano, o sócio do Facebook já deixou de ser. Que vínculo emocional ele pode ter com um país de onde saiu aos 11 anos de idade – e nunca mais voltou?
 
Talvez o problema esteja no nosso velho complexo de vira-lata: queremos a todo custo carimbar como “brasileiros” os que enriqueceram lá fora, mesmo que já não tenham nenhum laço real com o país. Mas, no fim das contas, ser brasileiro não é só ter nascido aqui. É, sobretudo, ter vínculo afetivo com o país – e isso, talvez, Saverin tenha perdido há muito tempo.
 
 

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

E VOCÊ RECLAMANDO DO SEU TRABALHO!

 
Lendo um artigo sobre o déspota Vladimir Putin, meu queixinho quase bateu no chão com uma informação surpreendente. Se fosse contada para uma moça desbocada que conheço, provavelmente sua reação seria dizer “- meu cu caiu da bunda!”.
 
E por que toda essa vulgaridade, digamos, tão escatológica? Já vão saber. Ao procurar confirmação para fato tão inusitado, descobri que foi publicado em 2022 pelo Estadão e outros veículos de comunicação. Mas imagino que seja uma atividade rotineira que ainda aconteça. Doido para saber de que estou falando? Segura aí:
 
Entre os integrantes das comitivas que acompanham o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em viagens ao exterior, pelo menos um funcionário do Kremlin exerce um papel peculiar.

De acordo com a revista francesa Paris Match, um agente do Serviço Federal de Proteção da Rússia é responsável por recolher as fezes e urina de Putin e levá-las de volta a Moscou, a fim de evitar que governos estrangeiros coletem informações sobre a saúde do presidente.

A publicação francesa detalhou uma dessas delicadas missões, que aconteceu em outubro de 2019, durante uma visita presidencial à Arábia Saudita. Um agente do FSO ficou responsável por recolher todo o excremento de Putin e guardá-lo em recipientes projetados para esse fim, com o objetivo de não deixar vestígios do presidente no país. Ao fim da viagem, as fezes e a urina foram transportadas de volta para Moscou em uma mala especial, disseram fontes indiretas do Oriente Médio.

A mesma prática teria ocorrido durante outra viagem oficial, em maio de 2017, à França, quando Putin se encontrou com Emmanuel Macron em Versalhes.
 
A provável causa do transporte escatológico seria evitar alguma possível ação de espionagem de governos estrangeiros, por meio da análise das fezes e da urina de Putin. Segundo a publicação, a operação também teria por objetivo impedir que serviços de inteligência descobrissem alguma possível doença do presidente russo.

Numa boa (maneira de dizer), fiquei pensando no aparato necessário para tão importante missão: o presidente utiliza bolsa com sonda para coletar a mijadinha? Ou usaria o que no Patropi se convencionou chamar de "marreco"? E para o cocozinho? O russo utiliza um penico cravejado de brilhantes? Loucura pouca é bobagem!

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

NA TÁBUA DA BEIRADA

Há algum tempo encontrei este artigo no facebook. Foi publicado originalmente na revista digital Fórum . Por eu ter especial antipatia pelo que esse mala fala, ou melhor, por esse Malafala, não resisti à tentação de compartilhar aqui no blog a crítica a um pastor feita por outro pastor. Lêaí.

O que o discurso de ódio de Malafaia tenta esconder – Pastor Zé Barbosa Jr
Enquanto posa de porta-voz dos evangélicos, o mercador da fé esconde o colapso de sua influência política, financeira e moral por trás de discursos de violência e alianças com a extrema direita
Durante anos, Silas Malafaia construiu uma imagem pública de liderança religiosa entre os evangélicos no Brasil. Dono de uma retórica agressiva e sempre pronto para os holofotes, ele se autoproclamou representante legítimo dos evangélicos brasileiros. No entanto, essa imagem está em franca erosão. A cada novo passo dado em direção ao extremismo político, mais evidente se torna que Malafaia não representa nem a totalidade dos evangélicos, tampouco a Assembleia de Deus — denominação histórica da qual um dia fez parte, mas da qual se afastou para fundar sua própria igreja, a ADVEC (Assembleia de Deus Vitória em Cristo).
Ao contrário do que tenta fazer parecer, o empresário da fé Silas é, na prática, mais um entre tantos pastores que se aliaram ao projeto da extrema direita bolsonarista, não por convicção teológica, mas por conveniência política. Sua atuação nos últimos anos é marcada por uma aproximação cada vez mais íntima com Jair Bolsonaro e seus seguidores — inclusive adotando como "bebê reborn" o deputado federal Sóstenes Cavalcante, a quem trata quase como uma extensão de si mesmo no Congresso. Sóstenes, por sua vez, também atua como braço da pauta conservadora mais reacionária, focado em questões de costumes enquanto o Brasil real sofre com pobreza, desigualdade e violência.
Mas a realidade, sempre mais teimosa que o discurso, começa a apresentar sua conta. A derrocada de Silas Malafaia não é apenas simbólica ou moral, é também financeira e política. Sua editora, a Central Gospel, que já foi uma das mais lucrativas do meio evangélico, está em recuperação judicial — um sinal claro de que o império midiático e comercial que ele construiu com base em programas de TV e produtos religiosos está ruindo. Em meio ao crescimento de outras igrejas, novas lideranças e o avanço da digitalização da fé, Malafaia parece uma figura anacrônica, tentando manter viva uma estrutura ultrapassada e pesada.
No campo político, as derrotas também se acumulam. Em 2024, Malafaia apostou alto ao lançar como candidato a vereador no Rio de Janeiro o cantor gospel Waguinho, membro de sua igreja e antigo aliado. A candidatura foi um fracasso retumbante, sinal de que sua influência política não tem o alcance que ele imagina. A tentativa de usar a máquina da igreja como trampolim eleitoral encontrou resistência até mesmo entre os fiéis, muitos dos quais rejeitam a instrumentalização da fé para fins eleitorais.
É importante destacar, mais uma vez, que o discurso de Malafaia não representa a pluralidade do povo evangélico brasileiro. Ele se coloca como voz única de um segmento que é, na realidade, diverso, com lideranças que atuam em defesa dos direitos humanos, da justiça social e da democracia. Muitos pastores e pastoras, especialmente entre os evangélicos progressistas, veem com profunda preocupação o uso do nome de Deus para justificar alianças com discursos de ódio, negacionismo científico e intolerância religiosa.
Malafaia ainda tenta manter sua relevância apostando todas as suas fichas no bolsonarismo. Com a volta de Bolsonaro à cena política, o pastor aparece em manifestações, entrevistas e redes sociais como defensor incondicional do ex-presidente. Mas essa aliança, que um dia pareceu estratégica, hoje soa como um abraço de afogados. Ambos estão cercados por investigações, processos e uma crescente rejeição por parte da população, inclusive de setores religiosos.
A derrocada de Silas Malafaia é o retrato de uma liderança que se distanciou da comunidade para se tornar caricatura de si mesma. Não se trata apenas da decadência de um pastor midiático, mas do esgotamento de um projeto que usa a religião como palanque, a fé como escudo ideológico e o púlpito como extensão de um comitê político-partidário. Hoje não passa de uma sombra na parede que parece muito maior que as mãos que são projetadas.
Seus últimos suspiros públicos são tentativas desesperadas de manter a relevância. Mas o povo evangélico — diverso, plural e cada vez mais consciente — já começa a olhar para outros caminhos. A fé que move multidões no Brasil é maior do que qualquer liderança personalista. E isso, Malafaia ainda não entendeu, ou finge não entender. Mas o abismo está logo ali...
Escrito em Opinião7/8/2025

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

JOGO DE ESPELHOS

 

Quando me olho no espelho

Até me sinto atraente

De frente

 

Quando me vejo no espelho

Fico muito desolado

De lado

 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

O JAGUAR ERA UMA FERA!

Conheci o humor e os traços do premiado cartunista Jaguar no Pasquim, semanário que praticamente reinventou o jornalismo brasileiro durante a época mais repressora da ditadura militar. Eu tinha dezenove anos quando esse jornaleco foi fundado. Para quem não viveu aquela época, é difícil imaginar a importância de um jornal alternativo que chegou a atingir a tiragem de mais de 200.000 exemplares, graças à irreverência de um time de jornalistas e cartunistas de língua afiada e traço demolidor e à sua coragem de criticar, incomodar e irritar os generais-presidentes – a ponto de toda a redação ter sido presa por causa de uma charge do Jaguar.
 
A matéria principal do semanário era sempre uma entrevista, quase sempre regada a uísque. Creio que as conversas gravadas em fita cassete não eram editadas. Uma delas, com Leila Diniz, ficou célebre: havia tantos palavrões que Jaguar, inexperiente na transcrição, simplesmente os substituiu por asteriscos, criando sem querer um padrão editorial.
 
Como cartunista, ele tinha um estilo tosco e ao mesmo tempo extremamente engraçado. Em entrevista ao pessoal do Casseta & Planeta, contou este caso, matando a plateia de rir:
“Chico (Buarque), que era amigo do Tarso (de Castro, um dos fundadores do Pasquim), virou inimigo do Millôr. Certa vez, num bar no Leblon, Chico foi tirar satisfação: ‘O que você tem contra mim?’. Millôr o ignorou. Chico reagiu com uma cusparada. Millôr atirou tudo o que tinha à sua frente – mas só acertou o garçom.”
“Contei essa história várias vezes sem citar nomes, apenas dizendo que o maior humorista brasileiro brigara com o maior compositor brasileiro. Um dia me ligaram para perguntar se eu tinha brigado com Martinho da Vila”.
 
Esse era o Jaguar, morto aos 93 anos. A notícia de seu falecimento trouxe-me uma sensação que só conheci depois de envelhecer: a morte de alguém a quem se admira tem peso diferente se somos jovens ou idosos. Na juventude, entristece, mas não nos abala tanto. Lamentei a morte do Henfil, mas senti mais com a de Ziraldo e, agora, de Jaguar. É como se pedaços do mosaico da minha vida se soltassem. Ou como se o pano de fundo, a paisagem por trás do que fui e do que sou, tivesse perdido nitidez.
 
Mas “deixemos de coisas, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida”, como cantou Belchior. Para não passar batido e como uma sincera homenagem ao cartunista, tentei reproduzir uma de suas charges, uma HQ com fundo preto e só com os balões aparecendo, pois não consegui encontrar a original. O resultado é uma falsificação, uma adulteração grosseira, mesmo que bem intencionada. A vantagem é que não preciso desenhar nada. Será uma charge cover, do Paraguai. A original começava com essa frase: “Jaguar visitou a Bolsa de Valores e achou tudo muito excitante”.
 
Em seguida, viam-se vários quadrinhos totalmente pretos, visíveis apenas os balões de diálogo. Os nomes das ações de que me lembro eram Ferro Brasileiro, Sifco, Zivi e a hilária Bundy Tubing. Lembro-me também das expressões "Como dizia (não me lembro que pessoa era citada), Apaga!",“Argh!” e “É ferro na boneca”, de uso recorrente no jornaleco. O resto eu tive de inventar para tentar preservar o clima de sacanagem do original.  Em tempo: o original era muitíssimo melhor! Salve, Jaguar – e perdoe-me! Olhaí o cover mambembe:



A LADINA E O GÊNIO DA LÂMPADA

 
Estava uma mulher andando pela praia de Ipanema quando viu semi-enterrada na areia uma garrafa de vidro de formato pouco usual.
- Alguém vai acabar se machucando com isto! – disse, enquanto pegava a garrafa para jogá-la no lixo.
Mas a garrafa estava intacta, lacrada e com um bilhete dentro. Impossível resistir à curiosidade de saber o que nele estava escrito. Ao abrir a garrafa, “PUF!”, sai de dentro um gênio sorridente, vestindo uma espécie de abadá multicolorido.
- Nooossa! Como é bom respirar ar puro!
 
A mulher, meio atônita, quis saber mais sobre o que estava acontecendo.
- Ah, gata, por achar inadequado meu comportamento alegre e desinibido, a congregação dos gênios da lâmpada me condenou ao ostracismo. Quiseram até me prender em uma concha, vê se pode! Mas resolveram mudar de ideia e me meteram dentro desta garrafa vagabunda – disseram que era contenção de despesas, bla bla bla, nada de lâmpada de bronze  e me despacharam para este lugar. Mas até que gostei, a paisagem daqui é ótima!
 
- Você é igual ao gênio da lâmpada do Aladim? – perguntou a mulher.
- Ele é meu primo. E como está na norma, vou te conceder três desejos, pois depois que uma filhadaputa resolveu colocar um bilhete mal escrito dentro da garrafa, meu cafofo ficou muito desconfortável. Pode fazer seus pedidos, querida!
 
Ela franziu a testa:
- Só três? No tempo das Mil e Uma Noites até podia bastar. Hoje, com inflação alta, guerra na Ucrânia, tarifaço do cabelo de milho, precisa reajustar a quantidade de desejos! Vou precisar de pelo menos trezentos.
- Amor, não pode, o regulamento não permite!
- Ora, você está no Brasil. Aqui nem todas as leis são cumpridas. Por que seu regulamento seria?
- Você é muito ladina, mas é assim que as coisas são.
- Ladina? Que expressão antiga! Eu sou é empoderada. Hoje as mulheres esclarecidas não aceitam imposições machistas  mesmo que vindas de um gênio.
- Miga, não fui eu que criei isto! São três pedidos e fim de papo.
- Ah, é? Tudo bem, eu aceito. Vou até simplificar: nem preciso de três, só de um.
- Jura? Que mulher instável!
 Primeiro fala em trezentos e depois se contenta com apenas um! Está com TPM? Então diga logo, porque eu quero ver como estão as coisas lá no Posto Oito.
- Meu pedido é este: eu quero fazer 299 pedidos.
- Mas isso é trapaça!
- Não é não! Tenho certeza de que seu regulamento diz apenas para que você atenda três pedidos. E eu só fiz um.
- Garota, você me derrubou! Você é muito ladina e inteligente. Qual é o seu nome?
- Meu nome? Ah, ah... Eugênia.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

UM HOMEM DÓLAR

Por motivos que não vêm ao caso, tornei-me um homem extremamente valorizado, pois hoje sou um homem dólar – ou melhor, do lar (piada antiga e ruim, mas não resisti).
 
Por isso, tento fazer tudo o que minha mulher fazia antes: arrumar a casa, lavar, estender e dobrar roupas, preparar seu café, lavar vasilhas, espanar os móveis, molhar as plantas, regar a grama, lavar o quintal, fazer compras de supermercado, lavar e higienizar banheiros. Muita coisa! Só não cozinho, pois se eu lavo eu não cozinho, se eu cozinho eu não lavo (outra piada ruim!).
 
Com isso, passei a admirar ainda mais as mulheres (e alguns homens) que encaram essa pedreira de pequenas tarefas que nunca cabem dentro das 24 horas do dia.
 
O problema é quando minha mulher resolve me lembrar que tem TOC e soltar seu lado perfeccionista, pedindo que faça isso e aquilo e mais um pouco: “corte as folhas secas dos vasos, “tem uma traça no teto, “alguém encostou a mão no vidro, precisa limpar”, “aquela jarra está fora do lugar”. Uma lista quase infinita de pequenos pedidos.
 
Por isso, comecei a dizer para ela “incluir na lista” suas observações, desejos e ordens (por que não?), pois só fazendo uma lista de tudo o que precisa fazer para que as prioridades possam ser estabelecidas. Até brinquei que ela precisaria encontrar um gênio da lâmpada que atendesse não três, mas trezentos pedidos.
 
E comecei a viajar nesta ideia, imaginando o que aconteceria com uma mulher ao encontrar a lâmpada de Aladim. Aí já me ocorreu o nome dessa história: “A ladina e o gênio da lâmpada”. Fala sério, o trocadilho ficou legal, concordam? Para quem não conhece esta palavra, “ladina” é uma pessoa “que expressa muita inteligência, esperteza, agudeza de espírito”, segundo o dicionário.
 
Mas, e a história? Vai ter que esperar a próxima postagem…

domingo, 24 de agosto de 2025

EDUCAÇÃO DE BERÇO É TUDO!

 

Certa vez, nosso ex-presidente disse em um programa de televisão que seus filhos haviam sido “muito bem educados”.

Recentemente, ao ser chamado pelo pai de “imaturo”, o filho autoexilado mostrou toda essa educação exemplar ao responder com a seguinte mensagem:

“VTNC, SEU INGRATO DO CARALHO!”

É por isso que eu digo que a boa educação vem de berço.

MAIS AUTORREFERENTE QUE ISSO, IMPOSSÍVEL!

 
Depois de receber uma mensagem da Amazon KDP informando que no próximo dia 29 encherei as burras com dinheiro da venda de e-books (mais precisamente R$1,25) fiquei pensando que as alguns leitores e as novas "seguidoras" (só mulheres mesmo) talvez nem façam ideia da copiosa lista de e-books que publiquei na Amazon.

Está claro que não poderia perder a oportunidade de fazer uma postagem picareta e oportunista, cuja única intenção é fazer publicidade das “gracinhas” à venda sob a forma de e-books na Amazon. Evitarei citar quantidades e nomes das novas seguidoras, para não cometer nenhuma injustiça nem causar constrangimento às malucas que acharam graça nas coisas que publico aqui no Blogson. Mesmo assim, farei para seu (delas) conhecimento um pequeno resumo dos livros que obrei (a falta de vergonha na cara está passando dos limites).
 
Antes de continuar, preciso dizer que todo o conteúdo desses e-books foi antes publicado no blog. Não há, portanto, textos inéditos. Em compensação, há muita pretensão e vaidade nesse projeto (eu me amo!). Para facilitar o entendimento, resolvi transcrever trechos dos textos de divulgação publicados na Amazon, esclarecendo que a maioria foi proposta pelo ChatGPT (mas só as apresentações!). E já aviso que não espero que alguém pague os preços escorchantes que fui obrigado a aceitar para que fossem publicados (na verdade, o que eu queria mesmo é que fossem gratuitos). A partir de agora, som na caixa!
 
JUNTANDO CACOS DE MIM: ANTOLOGIA AFETIVA DE POEMAS SEM VALOR
https://www.amazon.com.br/dp/B0FFK3V4N8
Este livro nasce da fusão de dois volumes anteriores – O Eu Fragmentado e Garimpo de Palavras – e carrega justamente isso: estilhaços de mim e palavras escavadas com paciência. São poemas recolhidos de dois tempos distintos, frutos de um processo mais emocional do que racional, mais intuitivo do que literário.
Aqui não há ouro em estado bruto, mas talvez alguma pepita perdida entre versos tortos e imagens improvisadas.
 
NA BATEIA DA MEMÓRIA: (Crônicas, Contos e Mais Alguma Coisa)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FK2HZ792
Misturando crônicas, lembranças de família, contos ficcionais e confissões bem-humoradas, o autor cria um mosaico afetivo de sua vida e dos que cruzaram seu caminho. Aqui, a memória não é apenas registro do passado – é matéria-prima de histórias que resistem ao esquecimento e, com leveza e humanidade, pedem licença para sentar à nossa mesa.
 
ALGUÉM PEDIU SUA OPINIÃO? (Um Manual De Reflexões Irrelevantes)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FKYS6HWB
Coletânea de 43 crônicas que transitam com desenvoltura entre a filosofia de botequim e a física dos materiais, entre o desencanto existencial e o riso irônico, entre a teimosia de pensar e o prazer de escrever.
O autor – engenheiro de formação e cronista por vocação – reflete sobre o envelhecimento, a fé, o ceticismo, a estupidez humana, o universo e a matemática da irrelevância. Nada escapa ao seu radar: nem “gafanhomens”, nem trigonometria, nem a solidão pós-aposentadoria, nem a mania de “falar em línguas”.
 
O CASO DA VACA VOADORA E OUTRAS LEMBRANÇAS: "CAUSOS" DO PINTÃO
https://www.amazon.com.br/dp/B0DGWR7C8K
Este e-book reúne os casos mirabolantes e histórias contadas e vividas por meu ex-colega “Pintão”, uma pessoa absolutamente singular.
Falando francamente, alguns casos são tão insólitos que nunca saberei se realmente aconteceram tal como nos foram contados ou, até mesmo, se não são invencionices de um grande contador de casos.
  
SEM MEDO DE SER ReDÍCULO: (Cuidado! Aqui Só Tem Humor de Quinta Série!)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FHGHLSXX
Se você ainda acredita que o humor morreu soterrado por correções políticas e piadas sem graça em redes sociais, este livro veio para ressuscitar as gargalhadas malcriadas. SEM MEDO DE SER ReDÍCULO é uma seleção cuidadosa (nem tanto assim!) de textos idiotas e nonsense publicados ao longo de onze anos no Blogson Crusoe – o blog da solidão ampliada – e, agora, “eternizados” em formato de e-book.
Dedicado a todos que fizeram o autor até relinchar de tanto rir – e, por que não? – ao saldo de sua conta corrente que o banco exibe no final do mês.
 
NÃO ADIANTA ESPERNEAR! (Os Dezénhos Ahahvulsos de Jotabê)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FH2XN584
Este e-book reúne os “dezénhos avulsos” publicados ao longo de mais de uma década no blog Blogson Crusoe – um espaço onde Jotabê, cronista gráfico e autodeclarado “não-desenhista”, deu vazão ao seu lado mais caótico, criativo e nonsense.
Entre colagens digitais, desenhos feitos à mão (os famosos “desenhos rupestres”) e situações absurdas protagonizadas por objetos inanimados, células e pandemias falantes, o autor nos convida a visitar um território onde o humor é de quinta série e a diversão, sincera.
Recomenda-se folhear sem pretensão artística, mas com disposição para rir – nem que seja de nervoso.
 
NÃO ADIANTA RECLAMAR! Eu Não Sei Desenhar, Pô!
https://www.amazon.com.br/dp/B0FGDRWJK3
Este é o resultado de um desejo antigo, acalentado com afeto e desleixo em igual medida: criar suas próprias HQs, suas revistinhas de humor, mesmo sem o menor dom para o desenho.
Sem deixar que essa "falha de caráter" o impedisse, Jotabê improvisa mundos com retas, círculos, bactérias e corpos celestes, usando o Word como ferramenta de arte e o nonsense como motor de criação. O resultado é um desfile de séries visuais, quadrinhos minimalistas e ideias malucas encenadas por personagens improváveis: objetos inanimados, vírus, figuras geométricas e entidades cósmicas com opinião formada.
 
THE FLYING COW CASE AND OTHER UNBELIEVABLE TALES (Edição em inglês dos casos do Pintão)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FJ4QQTY4
 
Eu comecei este texto fazendo aquelas piadinhas jotabélicas manjadas, buscando aquela ironia antiga e rançosa, mas, falando seriamente, vocês poderão se perguntar por que resolvi transformar em e-books uma seleção das postagens que fiz ao longo de onze anos. O principal motivo é por ter gostado – e ainda gostar – do que fui imaginando e escrevendo nesse tempo todo. Eu sei, tenho certeza de que há pouca ou nenhuma qualidade literária nessas publicações, mas elas são a síntese do melhor que consegui fazer.

O outro motivo é que essas seleções na forma de e-book tiveram custo zero para mim, nada paguei para publicá-las. E, finalmente, imaginar que existem à venda livros de minha autoria fez bem a meu ego machucado. Por que machucado? Porque sim, mas não pretendo explicar. Se um dia, se ainda der tempo, alguém ler alguma coisa, uma crônica que seja e gostar e resolver me contar, eu sentirei que valeu a pena ter feito e escrito o que fiz e escrevi.
E não voltarei mais a falar desse assunto.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

DURA É A VIDA DE UM NÃO-DESENHISTA!

 
Dura é a vida de um não desenhista preguiçoso! Lembrando-me da musiquinha do extinto banco Bamerindus, imaginei uma charge com os versos iniciais do jingle e fiz este pedido ao ChatGPT:
Gerar uma charge em preto e branco de um homem que está sendo levado aos ares por seu relógio de pulso com asas. De sua boca sai um balão que diz: “Eu sei que o tempo passa, o tempo voa, mas isto é ridículo!”
Não demorou e saiu este desenho:


Fiquei irritado e reclamei: 
Está errado o desenho. É o relógio que tem asas. E ele está no braço do homem.

Depois disso, a anta do GPT repetiu o mesmo desenho mais três vezes. Eu já estava espumando de raiva, mas tentei obter a charge imaginada e fiz este esboço do que estava pensando, com uma observação em inglês para se destacar do pedido em português. (Sente só a gentileza com uma IA)
Por favor, gere a imagem de um homem, tal como o esquema anexo. O texto em inglês é só informativo e não deve aparecer na charge.

Achando que tinha sido didático, esperei o resultado, que saiu assim(FODA!!!!)
 
Aí eu desisti, xinguei mentalmente a mãe da IA e fui dormir. Hoje, já mais calmo e resignado, resolvi eu mesmo desenhar a charge. Lápis e papel na mão! 

Aproveitei o desenho do relógio com asas para dar um zoom no braço do sujeito. Mas isso fica para o próximo post (frescura pouca é bobagem!).

terça-feira, 19 de agosto de 2025

AINDA ESTÁ VALENDO

Tive este insight há oito anos. Quem redescobriu o texto foi o Facebook. Não me lembro se já foi publicado no blog, mas continua valendo.

Às vezes me sinto como um desses casarões construídos no início do século passado, transformados agora em museus ou centros de convenções. Tenho uma mente de século XX, mas aberta à visitação pública no século XXI.

BONOBOS NO PANTEÃO

 
Às vezes – e com uma frequência cada vez menor – surgem pensamentos que me deixam feliz, nem tanto pela profundidade, mas pelo inesperado da "reflechão" (reflexão muito rasteira, entende?). E o mais recente foi uma “brincadeira” com as diferenças de pensamento entre os gregos antigos e os judeus da época bíblica. Bora lá.
 
Se você parar para pensar, notará que os gregos aparentemente privilegiavam a lógica e o raciocínio dos filósofos, enquanto os judeus davam ouvidos a profetas e profecias. Uns conversavam e debatiam, enquanto outros obedeciam e temiam. E isso teria uma explicação nas características da divindade de cada povo. Para mim (para mim!), o Deus do Antigo Testamento era um deus carrancudo, punitivo, fazendo os homens acreditar no pecado original e expiar sua culpa, sua máxima culpa através de penitências. Já os deuses gregos seriam uma espécie de bonobos do panteão de divindades adoradas pelos povos antigos, pois deuses e deusas estavam sempre pensando “naquilo” (e fazendo!).
 
Talvez esses comportamentos explicassem melhor a visão aceita por cada povo de seu(s) deus(es). Ou, melhor ainda, talvez esses comportamentos divinos fossem projeções do que entendiam ser próprio de uma divindade. Em outras palavras, cada povo imaginou seu(s) deus(es) “à sua imagem e semelhança”. E isso talvez explique por que os gregos (que influenciaram os romanos) tenham se tornado a principal fonte e base da civilização ocidental, mais tarde temperada com a visão judaico-cristã de mundo.
 
Resumindo, a filosofia e cultura greco-romanas e a religião judaico-cristã foram os principais ingredientes que moldaram o Ocidente: razão de um lado, culpa e penitência do outro.
Falei merda?

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

ACHAM QUE É SOPA?

 
Recentemente a mitologia grega ressurgiu em minha vida, resgatando os primeiros contatos que tive com ela ao ler os livros infantis do Monteiro Lobato. Hoje, quem está conhecendo esse mundo fascinante são as netas Bia e Cacá, que ouvem o pai ler esses mesmos livros que li quando tinha uns dez, doze anos.

Mesmo não sendo um entendido nesse assunto, creio que os alicerces da cultura ocidental foram construídos com elementos e personagens da civilização grega – filosofia, estatuária, conceitos arquitetônicos, matemática, símbolos e mitologia. Fica difícil imaginar um vocabulário culto sem a influência de prefixos, sufixos ou vocábulos inteiros tomados de empréstimo à língua, mitologia e seus personagens da Hélade.
 
Sócrates, Platão, Aristóteles, Pitágoras, Euclides, Heródoto, Homero... Experimente tirar uma gangue como essa para ver o que aconteceria com a cultura e as ciências ocidentais! A medicina e, principalmente, a psicologia usaram e abusaram desse patrimônio. Basta lembrar de palavras e expressões como Narcisismo, Complexo de Édipo, Hipnose, Morfina, Histeria, Somatização e dos sufixos Filia e Fobia.
 
Talvez tenha sido na mitologia riquíssima que os gregos mais tenham se destacado. E é de uma dessas lendas que quero falar – o amor trágico de Orfeu e Eurídice. Para quem não conhece ou não se lembra, Orfeu era o bicho para criar melodias que encantavam e seduziam quem as ouvisse. Provavelmente foi com uma cantada dessas que conquistou o amor de Eurídice, com quem se casou.
 
Mas havia uma serpente no meio do caminho, no meio do caminho havia uma serpente. Não aquela cobra sedutora da Bíblia, mas uma cobra que picou e matou Eurídice. Inconformado, Orfeu resolveu descer ao reino de Hades (Plutão, para os romanos) para convencê-lo a deixar Eurídice voltar para o mundo dos vivos. Provavelmente executou e cantou seus maiores sucessos. Performance que deve ter agradado muito, pois Hades permitiu que Orfeu levasse de volta sua amada Eurídice. Só impôs uma condição (parece que os deuses antigos eram chegados a uma pegadinha): Orfeu deveria sair e ser seguido pela amada até a superfície, até que ambos estivessem totalmente fora do reino das sombras. E não podia olhar para trás! Mas olhou, o cretino. Cheio de ansiedade e medo de perdê-la, Orfeu não resistiu e se virou antes da hora. E Eurídice foi puxada de volta para sempre ao mundo dos mortos.
 
Depois desse desfile de lembranças e pedantismo, vamos baixar o nível. Outro dia, depois de publicar uma postagem falando de rock e do Festival de Woodstock, fiquei um pouco “melanchólico”. Mesmo que a vida atual esteja uma pedreira, aquela melancolia me fez pensar que não vale a pena olhar para trás, olhar para o passado. Você pode tirar dele ensinamentos e lembranças divertidas, mas não o cultue, não deixe que ele envenene seu presente.
 
E foi assim que me lembrei da história de Orfeu e Eurídice lida há tanto tempo. Se essa lenda fosse uma fábula, qual seria a moral da história? Talvez pudesse ser: "Evite olhar para trás, pois o passado que não volta pode envenenar o presente". Que acham disso? Eu achei uma merda, para ser sincero. Ou vocês acham que é sopa ser Esopo? Fui.
 

sábado, 16 de agosto de 2025

I ONLY HAVE EYES FOR YOU

 
Eu sou um velho roqueiro – ou um roqueiro velho e romântico –, que aprendeu a gostar tambem de músicas com belas melodias e letras inspiradas, compostas nas décadas de 1920 a 1950, quando eu nem tinha ainda nascido ou acabado de nascer. Por isso, resolvi postar o link de uma dessas canções, integrante do "The Great American Songbook", uma coleção, um verdadeiro cânone de standards da "MPA – Música Popular Americana” (piada com a MPB).
Ela foi composta em 1936 e gravada ao longo do tempo por vários artistas. A letra tem aquela pegada de amor adolescente, de paixão juvenil, de um tempo em que só se tinha olhos para ela/ele, quando dançar de rosto colado com a pessoa dos seus sonhos era o maior desejo dos enamorados. Nem era preciso saber dançar: abraçado com ela/ele, bastava um passo para cá, outro para lá, e a magia estava feita. Mas não preciso voltar tanto no tempo para apreciar essa linda música.
Recentemente, assistindo ao Graham Norton Show, pude ouvi-la impecavelmente interpretada por Michael Bublé, cantor até então desconhecido para mim. E é justamente essa apresentação que escolhi publicar num sábado à noite, dia em que os sonhos eram renovados ou desfeitos nas horas dançantes de então.



sexta-feira, 15 de agosto de 2025

CONTO TRISTE - AUTOR DESCONHECIDO

 
Na volta do interior, o silêncio no carro tinha peso de ferro.
O asfalto se estendia reto, sem curvas, sem surpresas.
Ele olhava adiante, mas não via.
A filha, no banco de trás, deitada no colo da mãe, fingia cochilar para escapar das discussões e da agressividade que tantas vezes transbordavam daquele carro.
 
A família da mãe gostava dele – saíam para pescar, bebiam juntos, muita cerveja gelada na sombra da varanda. Lá, ele era outro homem: ria alto, abraçava, contava histórias.
 
Na estrada, não bebia. Esse era o código: o volante era dele, a cerveja, só depois. Mas, mesmo sóbrio, parecia que a ressaca vinha de dentro, como se vivesse permanentemente embriagado de si mesmo. Olhos cansados, boca sempre pronta a reclamar e soltar frases que feriam.
 
- Você nunca... – começou, virando-se meio corpo para trás durante mais uma discussão.
 
Não houve tempo para terminar a frase. Um caminhão surgiu à frente – talvez ele tenha invadido a pista, talvez fosse o outro na contramão. Ninguém soube dizer. Não havia marcas de frenagem, não havia curva, não havia testemunhas.
 
Quando abriram os olhos no hospital, a mãe tinha cortes e hematomas. A filha perdera um rim. Ele, quase degolado, morrera no local do acidente.
 
Algum tempo depois, o álbum de fotos que ele tanto procurara, com retratos da infância e adolescência, reapareceu como se tivesse saído de um esconderijo. Talvez o sumiço fosse apenas mais um gesto de rancor da esposa pelo marido alcoólatra e violento.
 
Com sua morte, o álbum foi entregue a uma cunhada, pois nem a filha nem a viúva queriam guardar lembranças daquele homem cruel e tóxico que transformara em inferno a vida das duas.
 
Pouco depois, tatuagens começaram a surgir nos braços da moça. Algumas belas, outras sombrias. “São lembranças”, disse a um primo. E calou, guardando para si o que as tatuagens não conseguiam apagar.
 
Na família dele, ainda se diz: “Era um ótimo pai, só bebia demais.” E ninguém discute  se o motivo do acidente foi distração, impulso ou escolha. Eu acredito em escolha.
 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

O QUE É SER PAI?

 
Em 2018, meu filho postou no facebook este emocionante e emocionado depoimento. Só me lembrei dele por ter sido agora republicado por minha mulher. Acho que traz as mesmas emoções que já senti e que o titular do blog “As crônicas do Edu” tão bem registrou em seu post “Minha melhor versão”.
Pois bem, o dia dos pais já passou, mas o Dia do Fã nunca passa. Lêai.
 
O que é ser pai? Quando descobri que a Ceci estava grávida tive um misto de sentimentos, de felicidade ao medo. Quando contava para outras pessoas que seria pai ouvi as mais diversas frases, desde "melhor coisa do mundo" até "tá fodido, filha gasta demais". Mais divertido foi ver a reação das pessoas ao descobrir que eram gêmeas, ainda é divertido ver.
Eu sou pai há quatro meses, deu para rir, chorar, desesperar e acalmar. É pouco tempo eu sei, mas um dia apenas te dá a dimensão do que é ser pai. Quando você pega aquele serzinho pequeno no colo, sente seu calor em seus braços, sua respiração e coração batendo, você sabe que agora não tem apenas alguém para cuidar, mas para amar e te amar também. Você percebe que tem alguém que depende muito de você no inicio para continuar respirando, comendo, desenvolvendo, mas percebe mais ainda que você se torna dependente daquelas duas pequenas pessoas para continuar respirando, comendo e vivendo. Tudo em sua vida para de girar em torno do sol e passa a orbitar aquelas duas pequenas estrelas "super novas", novas pela idade, mas principalmente pelo brilho.
Meu pai e minha mãe sempre demonstraram seu amor, afeto e carinho pelos filhos e claro que a recíproca sempre existiu, só quando eu virei pai eu pude entender a profundidade do que eles sentem por mim e meus irmãos. Esse é meu primeiro "Dia dos pais”, mas eu já sou pai da Cacá e da Bia há 367 dias. Obrigado aos meus pais pelo exemplo e à minha esposa pelas minhas filhas. Obrigado minhas filhas e parabéns ao meu pai!

SEE ME, FEEL ME - THE WHO

 
Outro dia comentei com um dos filhos que sou um cara de sorte no assunto “música”. Eu era jovem e tive a oportunidade de ouvir e assistir, “ao vivo e a cores”, artistas e eventos fundamentais, icônicos, tanto da música brasileira quanto da internacional.
 
Começando pelos brasileiros, tive o privilégio de ver surgir e acontecer os festivais de música no final da década de 1960 e início da de 1970, de onde despontaram artistas como Milton Nascimento, Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Curti e ouvi os músicos do Clube da Esquina, da Tropicália e dos Novos Baianos (grupo que mereceu um documentário realizado por uma TV alemã), sem falar nos cearenses Fagner e Belchior, todos em início de carreira, todos com a criatividade e inspiração a mil.
 
Do lado internacional, ouvi os Beatles quando ainda não tinham se separado e acompanhei a melhor fase dos Rolling Stones. E, para fechar, assisti no cinema (umas quatro vezes) ao documentário sobre o primeiro Festival de Woodstock – tão icônico e paradigmático que ganhou até um monumento no local onde aconteceu. E tudo isso quando eu tinha apenas dezenove, vinte anos. Poderia até dizer daquela época: “Meninos, eu vi!” – pois eu estava lá, quando tudo estava acontecendo. Muita sorte!

Falando em música, depois da charge sobre a manga Tommy, resolvi postar o vídeo da banda The Who interpretando a música de onde tirei os versos da piada. Escolhi a apresentação que incendiou a plateia que estava no festival de Woodstock e a que o assistiu na telona dos cinemas. Escutaí.



Não deixa de haver uma ironia triste no fato de que este monumento, que celebra os “3 Days of Peace & Music” (15, 16 e 17 de agosto de 1969), também lembre uma sepultura – que guarda os sonhos de toda uma geração e do próprio rock. 





quarta-feira, 13 de agosto de 2025

VOCÊ ESTÁ MANGANDO DE MIM?

 

Piada de roqueiro das antigas (meus filhos acharam um lixo). A ideia idiota é minha, o desenho é do ChatGPT e os versos são da ópera-rock Tommy.








terça-feira, 12 de agosto de 2025

O PAI DE CADA SIGNO

Como parte das comemorações de dia dos pais, minha mulher me mandou pelo zap esta “preciosidade”. Você pode ou não acreditar em horóscopo (eu não acredito), mas atire o primeiro tarô quem nunca leu o seu em algum jornal ou revista. Olhaí.
 
O Pai de Áries
O pai de Áries é estourado, cabeça quente, que na hora da raiva fala o que devia e o que não devia. Mas também é o pai cuja raiva passa cinco minutos depois da explosão. Aliás, cinco minutos depois ele nem lembra mais que brigou ou por quê. Assim como o pai ariano pode ser brigão com o filho, será brigão pelo filho. Ele será o primeiro a responder em caso de bullying, problemas no colégio, problemas na adolescência, especialmente se for pai de menina (se for pai de menino, ele tenderá a encorajá-lo a lutar e enfrentar seus próprios problemas, estando sempre em alerta na retaguarda).
 
O Pai de Touro
Calmo e tranquilo, o pai de Touro dará ao filho a liberdade de ser e agir. Poucas coisas tiram o pai taurino da sua calma e serenidade. Ele costuma ser o pai que quase nada abala. No momento em que ele sente que a segurança do filho ou da sua família está ameaçada, o pai de Touro entra em jogo sem hesitar. Sim, porque o taurino é protetor e provedor. Se você pensa no seu pai como um porto seguro, uma rocha ou uma árvore de raízes profundas e difíceis de abalar, ele provavelmente é do signo de Touro.
 
O Pai de Gêmeos (esse cara sou eu!)
É a alma da família nos jantares durante a semana e nos almoços de domingo. Ele é o que bate papo, conversa, tem sempre algo novo e interessante para contar. O pai geminiano também é que aquele que acende (e mantém acesa) a chama da curiosidade dos filhos sobre o mundo que os rodeia. Os filhos tendem a vê-lo como uma pessoa inteligente, curiosa, engraçada e bem informada. Como pai, ele é leve, embora possa ser surpreendentemente tradicional em muitos aspectos. O pai de Gêmeos geralmente apoia (e acompanha) o desejo de exploração dos filhos, que tendem a vê-lo como um “amigo mais velho”. E é por aí mesmo, até porque esse pai envelhece sem nunca entregar na aparência ou na atitude a verdadeira idade que tem. Mantém sempre jovem (há controvérsias!).
 
O Pai de Câncer
O pai de Câncer adora ficar em casa cuidando dos filhos. Ele curte ver a prole crescendo e nutri-los fisicamente e emocionalmente. Muitos se enganam quando pensam que pais cancerianos são permissivos ou acomodados. Não são não. Cancerianos são ambiciosos e, como tal, esse pai fará o que for preciso a nível social e de educação para equipar os filhos para chegar longe na vida. Ele é do tipo que estará presente em toda formatura, festa escolar, aniversário etc.
 
O Pai de Leão
O pai leonino é puro coração. Amoroso e generoso, seus filhos são o brilho dos seus olhos e eles não escondem isso de ninguém. É um superpai, muito interessado em ensinar aos filhos valores nobres e que eles saibam ocupar o lugar no mundo que lhes corresponde, protegendo seus espaços, seus valores e aqueles que amam. São ótimos pais para festejar (e acompanhar) em festas de aniversário e serão aqueles que terão prazer em ensinar aos filhos as boas coisas da vida. Para conquistar o pai de Leão, basta dizer a ele que seus filhos são incríveis e que puxaram a ele.
 
O Pai de Virgem
O pai de Virgem costuma ser extremamente envolvido na rotina dos filhos, ainda que sejam adultos, trabalhem e tenham sua própria carreira. Se eles não estiverem diretamente envolvidos, saberão da agenda dos filhos, como estão indo na escola e do que precisam. Embora seja apaixonado pelos filhos, o pai virginiano pode ser extremamente crítico, com o intuito de ajudá-los a serem melhores. Mas ai de quem se atreva a criticar a sua prole! Filho seu não tem defeito nenhum, além daqueles que ele mesmo (e só ele) tem o direito de apontar. Devido a sua facilidade para identificar o que não funciona ou pode ser melhorado, pode ser percebido como algo frio pelos filhos.
 
O Pai de Libra
Se há algo que esses pais serão excelentes é em ensinar aos filhos será o valor dos relacionamentos (e das relações sociais em geral), da negociação e da importância de sermos justos. Também calmo e tranquilo, o pai libriano lidará com conflitos com (ou entre) os filhos desde um lugar de diálogo que busca conciliar e encontrar um meio termo. Dificilmente, o pai de Libra dirá aos filhos o que fazer. Em vez disso, ele tentará apresentar os prós e os contras de cada opção para que eles decidam, quiçá conduzindo-os discretamente pelo caminho que pensa ser melhor para eles. E quando em situações sociais, os seus dificilmente estarão mal arrumados ou sujos: o libriano entende que sua aparência é seu cartão de visitas e ensina isso muito bem aos filhos.
 
O Pai de Escorpião
O vínculo do pai de Escorpião com seus filhos é muito profundo e intenso. No entanto, nem sempre seus filhos sabem do amor e da importância que têm na vida dos pais. Isso porque, muitas vezes, o pai escorpiano tenta conter o turbilhão que carregam dentro de si, externalizando uma imagem mais controlada, que nem sempre comunica o amor que os move. Leal, ele é daqueles que mata e morre por um filho. Mas melhor não tentar enganá-lo, porque ele é ótimo em perceber correntes emocionais e energéticas, e em ler o não dito. Seus filhos podem achá-lo muito radical e extremo em suas decisões, embora tendam a compreender suas razões quando são adultos.
 
O Pai de Sagitário
Se o pai sagitariano tivesse um único desejo, ele pediria que seus filhos fossem éticos e não tivessem medo de explorar no mundo. Ele é parceiro, acompanha e estimula a prole sempre a buscar algo maior e melhor, porque ele não só acredita na capacidade dos pequenos como sabe que a vida pode ser mais. O otimismo do pai de Sagitário os levará a acreditar que nem o céu é um limite para os seus sonhos. No entanto, como amantes incondicionais da liberdade, o pai de Sagitário dificilmente saberá lidar com filhos dependentes ou indecisos. Para esportes, aventura, estudos e vida ao ar livre, esse pai será a melhor companhia.
 
O Pai de Capricórnio
Este pode ser o pai com o qual os filhos não convivem muito porque está sempre trabalhando, dando duro, lutando para um futuro melhor para toda a família. Até em férias corre o risco de o pai capricorniano estar trabalhando. Com seu exemplo, seus filhos aprendem que nada cai fácil do céu (só chuva!), que é importante lutar pelos nossos objetivos, e que perseverando se chega longe. Não importa o cargo que ocupe, o pai de Capricórnio costuma ser uma pessoa respeitada por todos porque ele carrega consigo a importância da ética profissional. Além disso, o pai capricorniano é amante da tradição e da família, embora não deixe que nenhuma herança cultural dite como construir a sua própria vida. Independência, tradição e trabalho são seus nomes.
 
O Pai de Aquário
Devido a sua natureza intelectual e materialmente desapegada, o pai de Aquário costuma ser muito mais presente no lado abstrato da criação dos filhos do que no lado concreto do dia a dia, da troca de fraldas, de limpar o machucado. Além disso, o pai aquariano quer transmitir aos filhos a capacidade de questionar as regras estabelecidas, de criar neles uma mente inquisitiva que lhes permita ver além do que a maioria vê e lhes incutir um sentido de justiça social. Para eles, é importante ser socialmente vocal e ativo a respeito daquilo que não está correto, não importa quem diga o contrário. Ele deseja que seus filhos não sejam um a mais na multidão, ainda que isso lhes custe a própria multidão. Se o pai de Aquário tivesse um mantra, seria: não tenha medo da solidão, tenha medo de não ser você.
 
O Pai de Peixes
Calmo, tranquilo e generoso, o pai de Peixes é daqueles que pode ter dificuldade em enfrentar comportamentos problemáticos dos filhos, e quiçá até minimizá-los, devido a sua tendência a enxergar prioritariamente o lado positivo de quem ama (e de escapar dos problemas “mundanos”). Muito perceptivo, o pai pisciano é ótimo em “sentir” a sua cria, tanto do ponto de vista físico (quando algo não vai bem em relação à saúde) quanto em relação ao emocional e ao psicológico. Sua conexão com eles é algo literalmente espiritual. Às vezes, suas preocupações pelo bem-estar dos filhos podem ser confundidas com percepções e intuições que nem sempre estão corretas, o que pode causar desentendimentos. No geral, eles são vistos mais como uma fonte de amor e acolhimento do que uma referência de autoridade.
Márcia Fervienza
 

DIGA NÃO ÀS DROGAS

  Uma vez alguém me mandou talvez ainda por e-mail um texto engraçadíssimo atribuído ao Millôr Fernandes. Por ter uma visão ética da vida (t...