sexta-feira, 26 de outubro de 2018

GUERRA DE TRINCHEIRAS

Observando o comportamento e reações dos partidários desse ou daquele candidato a presidente nas redes sociais e, mais especificamente no Facebook, tive a nítida sensação de tratar-se de um confronto de torcidas organizadas ou mesmo de uma guerra de trincheiras, daquelas que foram travadas na guerra de 1914-1918. Pelo que sei, os soldados ficavam enfurnados naquelas valas por longo período, trocando tiros com o inimigo, sem que isso resultasse em grande coisa. Sofria-se muito, mas ninguém mudava de lado, ninguém se rendia.

Guardadas as devidas proporções, quase a mesma coisa acontece hoje entre bolsonaristas e petistas. Trocam-se insultos, acusações, fake news, textos em mau português, intolerância, medo e ódio, mas nada disso convence alguém a mudar seu voto. E fica aquela aporrinhação mútua o tempo todo. Nos últimos tempos tem mais fake news compartilhada circulando na internet que correntes de orações ou imagens de bichinhos fofinhos. É mole?


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

REHAB


Prevendo uma necessária desintoxicação de alguns amigos a partir do dia 29/10, sugiro as seguintes atividades para a “rehab” dos mais necessitados:

- Passar a limpo as receitas que estão no caderno da vovó (titia, mamãe, priminha, Margie Simpson, etc.);

- Fazer uma pequena biografia da cantora Annita, comparando sua música com o samba partido alto (ou bossa nova ou jazz ou choro ou jongo, etc.);

- Assistir as últimas gravações d’A Fazenda e elaborar um bolão sobre quem ganhará;

- Tentar criar um produto novo, tipo “sorveja” (cerveja à base de sorvete) ou “cervete” (sorvete à base de cerveja). Se der certo, arranjar alguém que queira investir no negócio;

- Cantar aquela música de fim de ano da Globo: “Hoje é um novo dia, um novo tempo”, etc., etc.  (se quiser, pode substituir pela música “Vai passar”, do Chico Buarque).

Se nada disso der certo e a dor de corno continuar, o negócio é encher a cara (mesmo que seja segunda-feira).

O BRASILEIRO É CORDIAL - 02 (FINAL)

Com estas frases extraídas do meu perfil de Facebook encerro minha aporrinhação aos "amigos" dessa rede social. Se eles não se cansaram, eu, pelo menos, fiquei de saco cheio. Pensei em mais algumas frases para cutucar o bom mocismo do pessoal, mas não tive paciência de postá-las na rede nem vontade de registrá-las no blog, pois são muito, muito sem graça. Além do mais, esgotei as "opções de padronagem" oferecidas pelo Facebook (bem ridículas e infantis, para dizer o mínimo).

 

AFINAL, O BRASILEIRO É CORDIAL?


Nos últimos tempos tenho me divertido em postar frases provocativas no Facebook, só para espicaçar ou provocar meus 127 “amigos de Facebook”. Essas postagens sempre começaram com a frase “O brasileiro é cordial!”, seguida de um comentário pessoal, não necessariamente motivado por alguma notícia recente. E a razão de ter feito isso reside no fato de que a defesa de candidaturas e posições políticas tem gerado uma histeria tão grande e reações tão explosivas que acabo pensando que essa propalada crença na cordialidade do brasileiro pode ser apenas um equívoco, ou, no mínimo, um pouco de "ufanismo social".

Apesar disso, pude contar com a cordialidade de meus amigos, pois nunca fui agredido por nenhum deles, talvez por levar tudo na brincadeira, na ironia e gozação. Cutuquei petistas e bolsonaristas sem nenhum problema, pela simples vontade de tentar provocar o riso e desarmar os espíritos. Talvez tenha sido considerado inconveniente ou chato pra caramba, o "mala da internet", pois não me posiciono claramente. Meu negócio sempre foi tentar mostrar que "o rei está nu" (qualquer “rei”).

 Mas percebi uma coisa preocupante e verdadeira: muitas "amizades" foram abaladas ou desfeitas justamente pelos envolvidos não suportarem ver seus "amigos" com opiniões e crenças antagônicas às suas. Isso é realmente triste, pois, para mim, indica também uma visão estreita da vida. Essa visão estreita é que leva à violência verbal e, às vezes, até à física. Por isso mesmo é que me surpreendi ao ver que pessoas tão gentis e amistosas no dia a dia tenham se mostrado como se fossem ogros (ou ogras). Nesses casos, achei uma solução provisória, que durará só até o dia da eleição do segundo turno: deixei de seguir os mais chatos e exaltados, independente de suas escolhas eleitorais.

Tenho certeza (por já ter sido cobrado por isso) que alguns estranham minha “neutralidade”, pois porto-me como se fosse só um espectador. Mas o que vejo, leio ou fico sabendo às vezes me deixa arrepiado, tal o espanto que me causam as fake news. Mas, se fosse "só" isso, dava para suportar um pouco. O que realmente me surpreende são os comentários de pessoas que eu julgaria as mais equilibradas e tranquilas, gente que posta fotos de bichinhos fofinhos, flores e orações. O que vejo são pessoas “cordiais” distribuindo "voadoras” do pescoço para cima, verdadeiros golpes (virtuais) de MMA, tão grande é a agressividade que expressam.

Quando criança, quase feri meu pé ao pisar despreocupadamente em um monte de serragem já quase totalmente queimada, mas ainda fumegante. Mal comparando, hoje eu percebo que muitas pessoas são como essa serragem queimando “inofensivamente”. Por cima, ficam as cinzas e uma fumacinha saindo. Mas não queira bulir nesse monte, pois em baixo há brasa e fogo.

Talvez as redes sociais liberem comportamentos e reações que no mundo real (não virtual) as pessoas se preocupem em controlar ou não exibir. Ou seja, paixão em estado puro, como se fosse uma guerra de torcidas enlouquecidas. Por isso mesmo, eu tenho feito brincadeiras e ironias com essa frase tão simpática. E, se querem saber minha resposta à pergunta "o brasileiro é cordial?", a resposta é "Não". Mesmo que aparente ser.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

TEXTO FORA DE CONTEXTO

Hoje em dia (talvez tenha sido sempre assim) as pessoas aparentam ter preguiça de ler textos com mais de quatro frases. Deve ser esse o motivo dos posts publicados nas redes sociais geralmente vir acompanhados de imagens e com a primeira frase em destaque. A partir daí, o que rola é só interpretação.

Por isso, resolvi fazer uma experiência (duas, na verdade): busquei na internet frases com origens e datas distintas sobre determinado tema, interliguei tudo e tirei uma conclusão. Só falta agora dar destaque à conclusão, arranjar uma boa imagem e publicar no Facebook. Creio que fará o maior sucesso.


BREJA (CERVA)
- Cresce o consumo de cerveja artesanal no Brasil
- Com 15 cervejarias artesanais, Grande BH se consolida como o 'cinturão da cevada' em MG
- Trump questiona influência do homem em mudanças climáticas ao visitar áreas varridas por furacão
- Amantes de cerveja vão enfrentar escassez com mudanças climáticas, diz estudo

Conclusão possível: o presidente dos EUA é a maior ameaça ao polo cervejeiro de BH. Ah, Trumpalhão!


BOZO (COISO)
- Bolsonaro:meus filhos foram muito bem educados
- Em vídeo, filho de Bolsonaro diz que para fechar o STF basta 'um soldado e um cabo'
- Bolsonaro reprova fala de filho: "Se propôs fechar STF, precisa de psiquiatra"
- Le Monde: ódio ao PT impulsiona extrema-direita no Brasil

Conclusão possível: o PT é a maior ameaça à democracia brasileira. Ah, PT filhadaputa!






domingo, 21 de outubro de 2018

O BRASILEIRO É CORDIAL - 01


“O brasileiro é cordial”. Essa belezura de frase foi criada pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, também conhecido como “pai do Chico Buarque” (tal como ele mesmo se definiu uma vez). Mesmo que tenha sido criada em outro contexto, o fato é que parece slogan publicitário, de tão boa que é. Por isso mesmo, resolvi utilizá-la neste período eleitoral para introduzir comentários “tweet” que venho fazendo no Facebook a propósito de coisas que leio na grande mídia ou nos posts e comentários de “amigos” e amigos de amigos. Afinal, eu sou o “mala da internet”. Em outras palavras: você discorda de alguma coisa? Só por isso eu vou concordar. E vice versa.

A ideia de fazer frases curtas é para aproveitar o destaque que essa rede proporciona, não só pelas letras maiores como pelas padronagens (meio bizarras) disponíveis. Não há alvo pré-determinado, só o desejo de ironizar as verdades estabelecidas, o moralismo (seja ele falso ou verdadeiro) e o destempero verbal dos mais “entusiasmados”. Coisa de gente mala. Como estava meio sem assunto, resolvi postar no blog um lote dessas frases tal como sairam no Facebook. A ordem de postagem na rede é inversa. A primeira delas é uma referência à facada que o Bolsonaro recebeu. São fraquinhas, eu sei, mas são minhas.





quarta-feira, 17 de outubro de 2018

AO COMPRADOR, AS BATATAS


Vou usar uma palavra da moda: “icônica”. Algumas manifestações artísticas são tão icônicas que inspiram novas abordagens e releituras, até mesmo em desenhos animados. Um episódio dos Simpsons recriou a cena final do filme “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, em que um piloto texano de bombardeiro – que tem como missão jogar uma bomba atômica sobre a Rússia –, desce montado nela, de chapelão na mão, como se estivesse em um rodeio. O filme, estrelado por Peter Sellers, é hilariante. Essa mesma cena foi reproduzida nos Simpsons, mas quem monta a bomba é o Hommer.

A manifestação mais recente aconteceu com uma obra do grafiteiro misterioso Banksy, tornada icônica por se autodestruir depois de ser vendida em leilão por uma grana respeitabilíssima. A compradora, demonstrando seu tino comercial, disse que ficaria com ela assim mesmo.  Provavelmente a obra irá se valorizando cada vez mais. E foi aí que entrou um francês supercriativo (fiquei com inveja!) e fez sua releitura super irônica. Achei tão bacana que resolvi postá-la no Blogson, um blog que tem especial apreço por releituras. Olhaí.



LIMITE

  O passado não está cabendo mais dentro de mim.   O passado vivido somou-se ao que não foi vivido e ao que foi só desejado.   Sinto minha m...