Foi-se
a Copa? Não faz mal.
Adeus, chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.
Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.
O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
a Copa da Liberdade.
24/06/1978
Gente, que escolha perfeita! Trazer Drummond para o blog é jogar em nível de seleção. Esse poema é uma genialidade pura. Ele usa a Copa do Mundo para lembrar a gente que, quando a festa do futebol acaba, os nossos problemas reais continuam na mesa.
ResponderExcluirMas o que eu mais amo é essa esperança bonita e firme do final: o nosso verdadeiro campeonato é o do dia a dia, em busca da nossa liberdade e dignidade.
Parabéns pelo bom gosto em compartilhar essa obra-prima por aqui!
Obrigado! Com Drummond tudo fica bom.
ExcluirNossa, não sabia que alguém teve a capacidade de retratar um momento tão atual um ano depois que eu nasci. Se eu não esquecer, usarei esse poema em algum conteúdo. Provavelmente, no meu canal.
ResponderExcluirAlgumas dores se repetem em momentos distintos.
ExcluirA copa em que fomos "campeões moral". Terceiro lugar invicto e a Argentina comprando o Peru.
ResponderExcluirEm 78 a liberdade já estava voltando aos poucos.
Falando de Copas do Mundo, reproduziria um verso da Paula Toller: "nada sei desta vida, nunca saberei". Que negócio é esse de "Argentina comprando o Peru"?
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