quarta-feira, 29 de abril de 2026

MÃE...

 Vou tentar reproduzir o que ouvi de meu filho, um caso tão comovente que me fez abraçá-lo com os olhos marejados, ele também com lágrimas ao final do caso.
 
Meu filho parece ser um médico à moda antiga, que se importa mais com o atendimento do que com a duração da consulta. Por isso, sempre tem algum caso pitoresco para contar, como quando recebeu de um paciente uma bandeja com um pato já limpo e esquartejado, providencialmente doado depois para a sogra.
 
Hoje ou ontem, atendeu a uma paciente que lhe contou um comovente episódio ocorrido há algum tempo. Segundo essa senhora, o dedinho do pé de sua mãecomeçou a ficar roxo, escuro, sinal de necrose. Levada a um especialista, constatou-se que o problema avançava pela perna, o que levou o médico a recomendar sua amputação. A idosa, totalmente lúcida apesar de seus 96 anos, recusou-se a concordar com a cirurgia. Coube à filha mais nova ficar cuidando     dela, enquanto suas irmãs se encarregavam das tarefas da casa.
 
Um dia, a filha surpreendeu-se ao ser chamada de “mãe”. Pensando tratar-se de um sinal de demência, corrigiu-a, dizendo que era filha, não mãe. A senhora concordou, afirmando que sabia disso, que sua cuidadora era a filha mais nova, mas explicou (explicação que nos fez emocionar e chorar abraçados):
 
- Eu perdi minha mãe quando eu tinha dois anos; quando meu pai faleceu eu tinha seis anos de idade. Por isso, nunca tive ninguém a quem chamar de mãe. E você me trata com tanto carinho, que me faz pensar que seria essa forma com que eu teria sido tratada pela mãe que perdi tão cedo.
 
Seis meses depois a idosa faleceu.

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