domingo, 12 de abril de 2026

CONHECE O HORÁCIO?

Conhece o Horácio? Se alguém me fizesse esta pergunta eu me lembraria de imediato do Tiranossaurinho Rex vegano, uma sacada genial dos estúdios Maurício de Souza. Também me lembraria do boulanger Horácio, simpático padeiro que prepara pães artesanais na "Padoca do Biju" (ótimos pães, diga-se). Mas não é desses dois que quero falar. Na verdade, foi o padeiro que citou o homônimo famoso quando eu errei seu nome (sou bom nisso). E aí veio com aquele papo de Wikipédia:
 
"Foi um dos maiores poetas líricos e satíricos da Roma Antiga, influente na literatura ocidental, famoso por suas Odes e pela expressão "carpe diem". Também ficou conhecido por seus poemas reflexivos sobre o amor, amizade e filosofia, muitas vezes adotando uma postura equilibrada e moderada".
 
Muito bem, muito bom. Por causa do pão da Padoca, descobri que o romano mandava bem nas frases e aforismos. Que formam o material que as gentis leitoras e os garbosos leitores lerão a partir de agora:
 

A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.

A cólera é uma loucura momentânea.

A duração breve da nossa vida proíbe-nos de alimentar uma esperança longa.

A força bruta, quando não é governada pela razão, desmorona sob o seu próprio peso.

A pálida morte bate com pé igual nos casebres dos pobres e nos palácios dos ricos.

A riqueza pode servir ou governar o seu possuidor.

A vida nunca deu nada aos mortais sem grandes fadigas.

Ainda que a expulses com um forcado, a natureza voltará a aparecer.

Aqueles que cruzam depressa o mar, mudam seus ares, mas não suas mentes.

As palavras... Muitas que hoje desapareceram irão renascer, muitas, agora cheias de prestígio, cairão, se assim o quiser o uso.

Carpe diem, quam minimum credula postero – aproveite o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã.

Considera bem a medida da tua força e aquilo que excede a tua aptidão.

Desconfiai daquele que detrai no amigo ausente, e o não defende quando o deprimem.

Despreza os prazeres: é prejudicial o prazer comprado ao preço da dor.

é doce deixar a mente relaxar de vez em quando.

É feliz e senhor de si mesmo quem ao fim do dia pode dizer: eu vivi

Em todos os teus atos, lê e pergunta aos doutos, procurando assim conduzir serenamente a tua vida; que não sejas atormentado pela cobiça sempre insaciável, nem pelo temor e pela esperança de bens de pouca utilidade.

Ganha dinheiro primeiro, a virtude vem depois.

Há uma medida nas coisas; existem enfim limites precisos, além dos quais e antes dos quais o bem não pode subsistir.

Musa, dize-me o que é o homem.

Na realidade, ninguém nasce sem vícios: o melhor é quem cai nos mais leves.

Não é pobre aquele que se contenta com o que possui.

Não existe felicidade perfeita.

Não há ninguém sem defeitos: o melhor é o que menos tem.

Não pode um homem ter melhor morte que lutando contra o desconhecido pelas cinzas de seus pais e pelos templos de seus deuses!

Não sou obrigado a jurar sobre as palavras de nenhum mestre.

Não terás razão em chamar feliz àquele que muito possui.

Ninguém é feliz sob todos os aspectos.

O avarento vive sempre na pobreza.

O destino tem a mesma lei para todos: tira à sorte entre o humilde e o grande; a sua urna é vasta e contém todos os nomes.

O dinheiro não possui a faculdade de mudar a natureza íntima.

O dinheiro ordena ou obedece a quem o acumulou.

O dinheiro será sempre ou escravo ou patrão.

O fracasso descobre o gênio; o sucesso esconde-o.

O invejoso emagrece com a gordura dos outros.

O pinheiro mais alto é aquele que o vento agita mais vezes.

O que impede de dizer a verdade rindo?

Os nossos pais, piores do que os seus, geraram-nos ainda mais celerados do que eles; nós, por nossa vez, geraremos filhos ainda mais perversos do que nós.

Os pintores e os poetas sempre gozaram da mesma forma do poder de ousarem o que quisessem.

Os poetas têm de ser pessoas médias, nem deuses, nem vendedores de livros.

Podes atirar longe a natureza com o forcado: ela sempre retornará.

Quando a casa do vizinho está pegando fogo, a minha casa está em perigo.

Quem ama a áurea moderação, seguramente não sente falta da desolação do vil abrigo, nem do esplendor frugal do palácio invejado.

Quem começou, tem metade da obra executada.

Quem tem confiança em si próprio comanda os outros.

Raramente podemos descobrir um homem que diga que viveu feliz e que quando termina o seu tempo deixa a vida como um conviva satisfeito.

Seja qual for o conselho que vai dar, seja breve.

Todos nós somos levados ao mesmo lugar; na urna agita-se a sorte de cada um: mais cedo ou mais tarde, a sorte terá de ser lançada, e nos fará entrar no barquinho em direção ao exílio eterno.

Uma vez lançada, a palavra voa irrevogável.

Vós que escreveis, escolhei um assunto correspondente às vossas forças.

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