Hoje, enquanto estava
dirigindo, vi um backbus da Unimed, uma frase estampada no vidro traseiro do
ônibus que estava à minha frente. Esta era a frase: “A vida é grande demais
para se viver sozinho”, extremamente apropriada para meu atual momento. E aí me
lembrei de uma música do Erasmo Carlos (a melhor parte da dupla Roberto & Erasmo), que ele gravou com a Marisa Monte.
Eu sempre gostei dessa música, que, pela delicadeza de letra e melodia, lembra aqueles namoros da adolescência. Por isso resolvi
compartilhar o vídeo de sua apresentação ao vivo. Antes, porém, só um causo da
época em que eu era adolescente. Eu sempre achei a Jovem Guarda uma coisa
brega, pois apesar de pobre, muito pobre, eu era um pobre elitista. E
beatlemaníaco. Estava sem grana e fiquei na porta da sede social do Cruzeiro
Esporte Clube, onde estava acontecendo uma daquelas "horas dançantes"
tradicionais.
Foi quando chegou o Erasmo Carlos,
para fazer um show dublado, na base do playback. Um conhecido, de
sacanagem, gritou para ele: "Oi, primo!" O Erasmo
olhou de relance e entrou no clube. E nós continuamos do lado de fora.
Depois disso, eu, beatlemaníaco
fundamentalista, passei a gostar de algumas músicas compostas só por ele ou em dupla com o caretíssimo Roberto Carlos. Esta é uma delas. E já não sou um
beatlemaníaco fundamentalista (mesmo que continue a ser elitista).
Escutaí.
quarta-feira, 25 de março de 2026
terça-feira, 24 de março de 2026
PESCARIA
Gostaram da analogia?
segunda-feira, 23 de março de 2026
HUMANISMO É IDEOLOGIA?
Algumas pessoas se orgulham em afirmar que “pensam fora da caixa”. Cara, eu nem quero saber se existe uma caixa! O que eu quero é liberdade de pensamento, sem me prender a dogmas, ideologias, regras ou decretos. O genial Millôr Fernandes assim definiu ideologia: “Bitola estreita para orientar o pensamento” e completou: “A ideologia leva à idolatria, à feitura e adoração de mitos. E, finalmente, ao boquete ideológico”.
domingo, 22 de março de 2026
MANUAL PROVISÓRIO DE JUSTIÇA BIOLÓGICA
Não sei se a moçada que acessa este blog com
cheiro de gelol e sanador sabe disso, mas com o avanço da idade, o cérebro dos
idosos diminui de tamanho e fica mais soltinho dentro do crânio, situação real
e potencialmente perigosa se você cair de cabeça e enfiar o cifre no chão. E
isso é sério.
Pois bem, estava despreocupadamente fazendo nada, quando meu cérebro foi chacoalhado por uma nova ideia, uma ideia meio louca, tão sem propósito que resolvi chamar o ChatGPT para descascar o abacaxi e fazer uma crônica (estava chupando manga, muito melhor que ficar pensando e digitando idiotices). E este foi o pensamento que pedi para desenvolver:
“Talvez seja uma visão egoísta, mas considero injusto que as pessoas idosas possam morrer quando estão felizes. O corpo deveria ter um timer automático que fosse acionado quando estivessem altos os níveis de serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina. Funcionaria na base do “não se mexe em time que está vencendo”.
Em compensação, se o cortisol estivesse muito alto, o corpo já começaria a desligar os sistemas vitais, começando pelos menos importantes. Que acha desta piração?”
Não demorou muito para a IA surgir com esta crônica (claro, depois de fazer mil perguntas impertinentes.). Acho que ficou bem legal. Mas lembrando de que a autoria é do ChatGPT, OK?. Lêaí.
Manual Provisório de Justiça Biológica
Ele começou com um pedido de desculpas que já denunciava o contrário: “talvez seja egoísmo”. Não era. Era, como quase todas as boas ideias impraticáveis, uma tentativa sincera de melhorar o mundo.
A proposta era elegante: ninguém deveria morrer quando está feliz. O corpo, finalmente organizado, passaria a respeitar o momento. Detectaria níveis elevados de alegria — esses coquetéis internos de bem-estar — e concluiria, com bom senso: “melhor não mexer nisso agora”.
Seria o fim das interrupções indevidas. Nada de finais dramáticos em meio a jantares agradáveis ou risadas bem encaixadas. A biologia, promovida a bom senso, aprenderia a esperar.
Havia, claro, o outro lado. Quando a vida apertasse demais, quando o sujeito estivesse claramente perdendo o jogo, o organismo poderia, com a mesma elegância, começar a fechar a conta. Nada brusco. Um desligamento progressivo, quase administrativo.
Parecia justo. Mas ele mesmo percebeu um detalhe incômodo: isso eliminaria justamente quem ainda poderia melhorar. Ajustou a regra.
Nova versão: entre duas pessoas da mesma idade, partiria primeiro a menos feliz.
Agora sim, um critério comparativo. Quase um ranking existencial. A morte, finalmente, com algum senso de prioridade.
O problema — eu disse, talvez estragando um pouco a proposta — é que a felicidade não colabora. Não se deixa medir com precisão, não respeita escalas, não preenche formulários. É instável, contraditória e, em muitos casos, discretamente escondida.
Em outras palavras: péssima candidata a critério técnico.
Além disso, ela muda de ideia. Pessoas atravessam longos períodos sem grande entusiasmo e, sem aviso prévio, encontram algo que reorganiza tudo. Um amor, por exemplo. Desses que chegam atrasados, fora de contexto e, por isso mesmo, no momento exato.
Foi aí que a teoria perdeu um pouco da força — e ganhou alguma verdade.
“Estou vivendo um novo romance”, ele disse. “Está bom demais.”
O curioso é que, diante dessa frase, toda a engenharia anterior ficou parecendo desnecessária. Não porque estivesse errada, mas porque ficou pequena.
Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa. Uma vontade de que o que é bom dure, de que o que faz sentido não seja interrompido no meio.
A vida não promete isso. Nunca prometeu.
Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.
Permite que algo comece quando já não se esperava.
Permite que alguém se surpreenda com a própria felicidade.
Permite que exista, mesmo que por um tempo incerto, esse estado raro e simples de dizer:
“está bom demais”.
E talvez, no fim, isso não seja justiça.
Mas já é, de algum modo, um cuidado.
Apesar de ter gostado muito da crônica, fiquei intrigado com o título dado pela IA e perguntei: “Por que você escolheu este título para essa crônica?” E esta foi a resposta:
Boa pergunta — e ela entra no espírito da própria crônica.
Sobre o título: “Manual Provisório de Justiça Biológica”
Ele tem três camadas de ironia:
“Manual” sugere algo técnico, organizado, quase científico — como se fosse possível normatizar a vida, criar regras claras para nascer e morrer. Isso contrasta com o caos real da existência.
“Justiça” aponta diretamente para a sua ideia original: corrigir uma “injustiça” da vida (morrer quando está feliz, ou preservar quem está melhor). É uma tentativa humana de impor sentido onde não há critério moral claro.
“Provisório” quebra tudo isso com delicadeza. É como se o próprio texto admitisse: “olha, isso aqui é bonito, mas não vai funcionar — e tudo bem”.
A vida não aceita versão final de manual.
O título, então, já prepara o leitor para uma proposta que é ao mesmo tempo séria e meio fadada ao fracasso — mas um fracasso elegante.
Pois bem, estava despreocupadamente fazendo nada, quando meu cérebro foi chacoalhado por uma nova ideia, uma ideia meio louca, tão sem propósito que resolvi chamar o ChatGPT para descascar o abacaxi e fazer uma crônica (estava chupando manga, muito melhor que ficar pensando e digitando idiotices). E este foi o pensamento que pedi para desenvolver:
“Talvez seja uma visão egoísta, mas considero injusto que as pessoas idosas possam morrer quando estão felizes. O corpo deveria ter um timer automático que fosse acionado quando estivessem altos os níveis de serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina. Funcionaria na base do “não se mexe em time que está vencendo”.
Em compensação, se o cortisol estivesse muito alto, o corpo já começaria a desligar os sistemas vitais, começando pelos menos importantes. Que acha desta piração?”
Não demorou muito para a IA surgir com esta crônica (claro, depois de fazer mil perguntas impertinentes.). Acho que ficou bem legal. Mas lembrando de que a autoria é do ChatGPT, OK?. Lêaí.
Manual Provisório de Justiça Biológica
Ele começou com um pedido de desculpas que já denunciava o contrário: “talvez seja egoísmo”. Não era. Era, como quase todas as boas ideias impraticáveis, uma tentativa sincera de melhorar o mundo.
A proposta era elegante: ninguém deveria morrer quando está feliz. O corpo, finalmente organizado, passaria a respeitar o momento. Detectaria níveis elevados de alegria — esses coquetéis internos de bem-estar — e concluiria, com bom senso: “melhor não mexer nisso agora”.
Seria o fim das interrupções indevidas. Nada de finais dramáticos em meio a jantares agradáveis ou risadas bem encaixadas. A biologia, promovida a bom senso, aprenderia a esperar.
Havia, claro, o outro lado. Quando a vida apertasse demais, quando o sujeito estivesse claramente perdendo o jogo, o organismo poderia, com a mesma elegância, começar a fechar a conta. Nada brusco. Um desligamento progressivo, quase administrativo.
Parecia justo. Mas ele mesmo percebeu um detalhe incômodo: isso eliminaria justamente quem ainda poderia melhorar. Ajustou a regra.
Nova versão: entre duas pessoas da mesma idade, partiria primeiro a menos feliz.
Agora sim, um critério comparativo. Quase um ranking existencial. A morte, finalmente, com algum senso de prioridade.
O problema — eu disse, talvez estragando um pouco a proposta — é que a felicidade não colabora. Não se deixa medir com precisão, não respeita escalas, não preenche formulários. É instável, contraditória e, em muitos casos, discretamente escondida.
Em outras palavras: péssima candidata a critério técnico.
Além disso, ela muda de ideia. Pessoas atravessam longos períodos sem grande entusiasmo e, sem aviso prévio, encontram algo que reorganiza tudo. Um amor, por exemplo. Desses que chegam atrasados, fora de contexto e, por isso mesmo, no momento exato.
Foi aí que a teoria perdeu um pouco da força — e ganhou alguma verdade.
“Estou vivendo um novo romance”, ele disse. “Está bom demais.”
O curioso é que, diante dessa frase, toda a engenharia anterior ficou parecendo desnecessária. Não porque estivesse errada, mas porque ficou pequena.
Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa. Uma vontade de que o que é bom dure, de que o que faz sentido não seja interrompido no meio.
A vida não promete isso. Nunca prometeu.
Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.
Permite que algo comece quando já não se esperava.
Permite que alguém se surpreenda com a própria felicidade.
Permite que exista, mesmo que por um tempo incerto, esse estado raro e simples de dizer:
“está bom demais”.
E talvez, no fim, isso não seja justiça.
Mas já é, de algum modo, um cuidado.
Apesar de ter gostado muito da crônica, fiquei intrigado com o título dado pela IA e perguntei: “Por que você escolheu este título para essa crônica?” E esta foi a resposta:
Boa pergunta — e ela entra no espírito da própria crônica.
Sobre o título: “Manual Provisório de Justiça Biológica”
Ele tem três camadas de ironia:
“Manual” sugere algo técnico, organizado, quase científico — como se fosse possível normatizar a vida, criar regras claras para nascer e morrer. Isso contrasta com o caos real da existência.
“Justiça” aponta diretamente para a sua ideia original: corrigir uma “injustiça” da vida (morrer quando está feliz, ou preservar quem está melhor). É uma tentativa humana de impor sentido onde não há critério moral claro.
“Provisório” quebra tudo isso com delicadeza. É como se o próprio texto admitisse: “olha, isso aqui é bonito, mas não vai funcionar — e tudo bem”.
A vida não aceita versão final de manual.
O título, então, já prepara o leitor para uma proposta que é ao mesmo tempo séria e meio fadada ao fracasso — mas um fracasso elegante.
Ainda com vontade
de fazer nada, resolvi imitar uma característica irritante do ChatGPT, que é sempre fazer novas perguntas e comentários após sua próprias
ponderações e explicações. Por isso, dei a “estocada” final com esta
pergunta: “Poderia explicar melhor o final desta crônica?”
E a danada da IA respondeu assim:
Vou destrinchar as últimas ideias.
1. “Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa.”
Aqui a crônica revela o motivo real da ideia do “design ideal”.
Não é engenharia da vida. É um gesto de proteção.
Quando alguém está vivendo algo muito bom — como um amor que chegou num momento inesperado — nasce um impulso quase automático:
“isso não podia acabar agora.”
Então a mente tenta criar regras para o universo.
É uma forma de defender o momento.
2. “A vida não promete isso. Nunca prometeu. / Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.”
Esse é o ponto de virada emocional do texto.
Ele reconhece duas coisas ao mesmo tempo:
a vida não garante justiça emocional
mas ela também não impede que coisas boas aconteçam
Ou seja: o mundo não foi feito para preservar a felicidade…
mas curiosamente ela aparece mesmo assim.
Isso cria uma sensação de milagre cotidiano, sem chamar de milagre.
3. A repetição de “Permite…”
Essa parte é importante no ritmo e no sentido.
Ela transforma o final numa espécie de respiração calma, quase contemplativa.
Cada linha amplia um pouco a ideia:
algo pode começar tarde
alguém pode se surpreender com a própria felicidade
e, finalmente, alguém pode dizer algo simples
Essa progressão aproxima o leitor do momento humano que originou a crônica.
4. A última frase:
“E talvez, no fim, isso não seja justiça. Mas já é, de algum modo, um cuidado.”
Essa é a chave do final.
No começo da crônica, a preocupação era justiça (um sistema que decidiria quem vive mais).
Mas no fim, o texto percebe que talvez a vida não funcione com justiça — pelo menos não nesse sentido.
Então surge outra palavra mais suave: cuidado.
Não um cuidado planejado, técnico ou garantido.
Mas aquele tipo de cuidado que a gente sente quando algo bom aparece no momento certo, mesmo sem explicação.
É quase como se o texto dissesse:
Talvez o mundo não seja justo.
Mas às vezes ele é gentil.
E essa mudança — de justiça para gentileza da vida — é o verdadeiro fechamento da crônica.
Que mais eu poderia sentir além de inveja por tudo o que o ChatGPT criou em poucos minutos?
E a danada da IA respondeu assim:
Vou destrinchar as últimas ideias.
1. “Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa.”
Aqui a crônica revela o motivo real da ideia do “design ideal”.
Não é engenharia da vida. É um gesto de proteção.
Quando alguém está vivendo algo muito bom — como um amor que chegou num momento inesperado — nasce um impulso quase automático:
“isso não podia acabar agora.”
Então a mente tenta criar regras para o universo.
É uma forma de defender o momento.
2. “A vida não promete isso. Nunca prometeu. / Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.”
Esse é o ponto de virada emocional do texto.
Ele reconhece duas coisas ao mesmo tempo:
a vida não garante justiça emocional
mas ela também não impede que coisas boas aconteçam
Ou seja: o mundo não foi feito para preservar a felicidade…
mas curiosamente ela aparece mesmo assim.
Isso cria uma sensação de milagre cotidiano, sem chamar de milagre.
3. A repetição de “Permite…”
Essa parte é importante no ritmo e no sentido.
Ela transforma o final numa espécie de respiração calma, quase contemplativa.
Cada linha amplia um pouco a ideia:
algo pode começar tarde
alguém pode se surpreender com a própria felicidade
e, finalmente, alguém pode dizer algo simples
Essa progressão aproxima o leitor do momento humano que originou a crônica.
4. A última frase:
“E talvez, no fim, isso não seja justiça. Mas já é, de algum modo, um cuidado.”
Essa é a chave do final.
No começo da crônica, a preocupação era justiça (um sistema que decidiria quem vive mais).
Mas no fim, o texto percebe que talvez a vida não funcione com justiça — pelo menos não nesse sentido.
Então surge outra palavra mais suave: cuidado.
Não um cuidado planejado, técnico ou garantido.
Mas aquele tipo de cuidado que a gente sente quando algo bom aparece no momento certo, mesmo sem explicação.
É quase como se o texto dissesse:
Talvez o mundo não seja justo.
Mas às vezes ele é gentil.
E essa mudança — de justiça para gentileza da vida — é o verdadeiro fechamento da crônica.
Que mais eu poderia sentir além de inveja por tudo o que o ChatGPT criou em poucos minutos?
sábado, 21 de março de 2026
TIVE SIM - LUIZ MELODIA
Luiz Melodia foi um compositor
que me cativou logo de início, quando ouvi a Gal Costa cantar “Pérola Negra” (“tente passar pelo que estou
passando”), de sua autoria. Depois vieram “Juventude Transviada”, "Estácio, Holly Estácio" (“se alguém
quer matar-me de amor que me mate no Estácio”) e outras que fogem do tema
deste post, porque ele era um cantor fabuloso, com uma voz anasalada que punha
no chinelo gente como o Cazuza ou Diogo Nogueira.
Infelizmente, faleceu vítima
de câncer (doença filha da puta!) em 2017. Mas deixou uma interpretação ao vivo
da música “Tive Sim” que é
espetacular (desculpe, Diogo Nogueira, você pode ter pegado a deliciosa Paola
Oliveira, mas como intérprete não chega aos pés nem de seu pai João Nogueira
nem do Luiz Melodia).
Para provar isso (embora não seja essa a intenção) vejam
e escutem esta maravilha composta pelo genial Cartola. A propósito, o vídeo erra o autor, ao atribuir a música ao Zeca Pagodinho (faltou cultura inútil a quem deu esse vacilo!). Segura aí.
sexta-feira, 20 de março de 2026
TÔ ERRADO?
Se eu soubesse que vc iria me tratar dessa forma após casar eu que não queria casar
Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa
Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa
Como toda mulher casada deve ser.
- Lugar de mulher é em casa cuidando do marido e não na rua caçando assunto
- Rua é lugar de mulher solteira a procura de macho.
- Se você quer ter liberdade, não fique casada
- são as minhas regras e do meu jeito.
Hoje é inegável - e positivo - o fato das mulheres estarem ocupando espaços antes reservados quase exclusivamente aos bigodudos:
policiais, delegadas, juízas, promotoras, CEOs, ministras e até presidente da
República. E talvez seja justamente isso que alguns não conseguem aceitar:
perder o controle que acreditavam ter sobre a vida de outra pessoa ou sentir-se
inferiorizados pela competência feminina.
quarta-feira, 18 de março de 2026
JÁ COMEU CAVIAR?
Sou um ignorante, um caipira. Eu ignoro tantas coisas, tantos assuntos, que me atrevo a dizer que sou um sujeito com pós-doutorado em ignorância. Apesar disso, tenho a mania de dar palpite em tudo, com especial ênfase nos assuntos de que não entendo porra nenhuma. E é com essa visão sócio-antropológica que resolvi falar hoje de “demeritocracia”, um neologismo jotabélico que explico melhor no final deste post.
terça-feira, 17 de março de 2026
NOVAS EMOÇÕES
Tenho andado tão feliz ultimamente
Como se nas nuvens estivesse
Na boca um sorriso permanente
No rosto, expressão de bobo alegre
Irrefletido, aturdido, sorridente
Sonhando com o dia de encontrá-la
E que esse dia não tarde a chegar
Pois tudo o que eu quero é abraçá-la
E abraçar e abraçar e abraçar
Como se não houvesse outro
Como se fosse o último
Um abraço que trará a cura
De um sonho tão sonhado
E que jamais pude alcançar,
Sem que eu nada pudesse fazer
Tempo de dor, de conflito e tristeza
Impossível de ser esquecido
Mas hoje eu tenho a certeza
Que há novo tempo a ser vivido
Um fechamento de ciclo
Mato de chuva molhado
Aroma fresco, doce, terroso
Sabor de abraço apertado
De quem está ao meu lado.
Aroma fresco, doce, terroso
Sabor de abraço apertado
De quem está ao meu lado.
segunda-feira, 16 de março de 2026
E O BRASIL NÃO GANHOU!
E o Brasil não ganhou o Oscar! Que peninha… Ou melhor, ainda bem! Porque quem ganha Oscar de melhor filme, melhor ator ou coisas dessa área não é um país: são profissionais que se dedicaram a fazer um filme com qualidades e mérito suficientes para serem indicados a essa celebração hollywoodiana.
domingo, 15 de março de 2026
NOBLESSE OBLIGE
Eu sempre ficava encantado ao ouvir minhas netas – então com cinco ou seis anos – espontaneamente dizendo “obrigada” por algo que tinham recebido ou ganhado. Tão pequenas e tão bem educadas! E ainda respeitavam a flexão de gênero que a boa educação recomenda: os homens dizem “Obrigado”; as mulheres dizem “Obrigada”. Detalhes pequenos mas indicadores de boa “educação de berço”.
sábado, 14 de março de 2026
FRACOLINO
Creio que até os milhares de robozinhos que às vezes acessam este blog desconjuntado (o que será que eles procuram aqui? Qualidade do material publicado eu garanto que não é) sabem que Jotabê é um ogro mal-humorado e impaciente, além de velho pra kawaka.
sexta-feira, 13 de março de 2026
SUJEITO A DEVOLUÇÃO
Tenho medo de você
Talvez nem saiba dizer por quê
Medo de te magoar
Medo de decepcionar
Ou medo de te perder
Medo de não atender
Ou de não corresponder
Ao retrato que pintou de mim
Sou branco e preto no olhar
Mesmo tentando enganar
Quem desejou me adquirir.
Sou produto gasto, vencido
De segunda mão, já mexido
Sem nota fiscal, sem recibo
Sujeito a devolução
quarta-feira, 11 de março de 2026
VAZEZINHO!
Dizem que há muito, muito tempo (técnica para tornar imprecisa a data), viveu uma princesa bela como Branca de Neve – a quem a escumalha maledicente dizia sentir uma atração secreta e doentia por sete homenzinhos verticalmente prejudicados (anões, entendeu?). Mas beleza era o único ponto a unir essa personagem de história da carochinha com a outra, de crônica da carochinha (crônica sim, porque este narrador é preguiçoso e não gosta de escrever muito. E nem me perguntem o significado de “carochinha”!).
segunda-feira, 9 de março de 2026
VÔ, ME CONTA SUA HISTÓRIA?
Sentados nos sofás da sala, um de frente para o outro, um homem idoso absorto na leitura de um dos livros de memória de Pedro Nava. Do outro lado, uma jovem teclando seu inseparável smartphone. De repente, ela para, olha para o homem e pergunta:
- Que livro é esse?
- Ahn? É um dos sete livros que o médico e memorialista Pedro Nava escreveu contando suas lembranças.
- Sete livros? Pô, esse tinha caso pra contar!
- Ele tinha uma memória poderosa, mas também utilizava cartas, retratos antigos e lembranças diversas que guardava.
- Legal!
- É sempre bom ouvir casos de épocas passadas. Os franceses chamam isso de “petite histoire”: a história de objetos e pessoas comuns, anônimas, mas nem por isso menos interessantes.
- Eu? Não tenho história para contar.
- Aposto que tem! Conta aí a história de uma paixão secreta do passado. Pode ser do presente também, se tiver.
- Revolver o passado nem sempre é bom.
- Besteira! Agora que vovó morreu, você pode contar o que quiser para mim. Eu juro que fica só entre nós. Conta aí, vai!
- Tá bom. Vou contar de uma paixão que se misturou com o relacionamento que eu e sua avó tivemos, como se fosse um bordado, um trançado de linhas que volta e meia se cruzavam e que eu tentava manter em segredo.
- Eba! Já tô curiosa!
- Eu a conheci muito antes de sua avó...
- Pera aí: como ela se chama?
- Você quer uma história ou uma biografia?
- Tá, desculpe. Não vou mais te interromper.
- Vamos chamá-la de Jô, está bem?
- OK.
- Foi em uma hora-dançante. Eu a chamei para dançar e ela aceitou. Eu dançava horrivelmente mal, era tímido, bobo e inexperiente. Deus, como eu era inexperiente! Talvez eu tenha tentado dançar de rosto colado, mas creio que ela travou e logo disse que iria parar. Não me lembro mais o que aconteceu depois disso, só sei que ela disse onde morava, o que talvez eu tenha interpretado como um convite.
- E você foi lá?
- Claro, eu queria arranjar uma namorada! Mas foi uma ducha fria, pois uma amiga dela não nos deixou a sós nem por um segundo. Agora imagine a situação: um jovem tímido, bobo e inexperiente, sem saber como agir. Não havia nada a fazer e eu tive de ir embora. Está gostando da história?
- Estou, mas esperando mais ação, romance, surpresa.
-Só depois que trouxer um café para mim. E traga água também, para molhar a garganta.
- Beleza.
- Continua!
- Logo no início do namoro com sua avó, eu ainda tinha “passe livre” para ir a horas dançantes depois de sair de sua casa. E era isso que eu fazia. Em uma dessas vezes, quem eu encontro?
- Já sei, a Jô!
- Claro! Eu não sei o que acontece comigo, o que sempre aconteceu comigo, parece que eu fui enfeitiçado, magnetizado pela Jô. Aí a chamei para dançar. Ela concordou, sem demonstrar muito entusiasmo. Mas aí aconteceu um “milagre”: a música que passou a ser tocada era daquelas que se dança separado.
- Ahahah, nem imagino você dançando assim!
- Naquele tempo, as danças já surgiam com passos coreografados e eu estava “up to date”, como dizem. Eu sabia a coreografia da nova dança. Quando me viu dançando assim, ela chamou uma amiga para me ver.
- Eita!!!!
- Pois é, eu me senti o rei da cocada. Quando a música lenta recomeçou, ela se aconchegou, e se aninhou em meu peito, a gata se transformando em gatinha. Mas era tarde, pois eu já namorava sua avó.
- E ficou por isso mesmo?
- Bom, teve ainda uma festa junina que era o que havia de mais top na época. Também fui sozinho – e lá estava ela. Ficamos a noite toda juntos, aos abraços e beijos.
- Acho engraçado ver você contar esses casos, seus olhos brilham ao falar dessa mulher. Ela era bonita?
- Era... e ainda é.
- E aí, que rolou depois?
- Aconteceu um fato curioso. Como eu estava com a cabeça super confusa, comecei a fazer terapia perto da Praça Sete. Não sei como, mas meu irmão encontrou com ela e contou que eu não andava muito bem. Acredita que ela apareceu na casa da minha avó? Eu estava saindo para a terapia e ela me ofereceu carona. Tinha acabado de ganhar um carro do pai e estava toda feliz.
- Me deixou no centro
e foi embora. Depois disso, foi de novo lá em casa, me pegou e acabamos parando
em rodovia , debaixo de um viaduto. Estávamos nos beijando quando chegou a
polícia rodoviária e nos mandou vazar dali.
- Sacanagem, nem uma mão no peitinho?
- Minha filha, você está falando com seu avô!
- E daí? Isso é tão normal!
- Pode ser hoje, mas naquele tempo não. Além disso, eu era muito, muito bobo e inexperiente.
- Nem imagino você assim!
- Deixa eu continuar mais um pouco, pois já estou cansado.
- Manda!
- Teve também o lance do vestibular. Como eu já tinha entrado na faculdade, consegui uma boquinha para trabalhar de fiscal no próximo vestibular. Estou lá tranquilão, quando quem vejo chegar?
- A Jô, claro. Tô achando que essa mulher tem super poderes ou GPS para te localizar!
- Pois é... Ela estava estonteantemente linda, toda de branco. Naquele momento o Mineirão era utilizado para as provas. Por isso perguntei qual era o setor onde ela ficaria. Peguei emprestado um binóculo do exército e comecei a procurá-la do outro lado do estádio, pois não podia sair do meu posto. E achei.
- Que mais, só isso?
- Eu preferia não entrar em mais detalhes, pois o caso fica meio constrangedor.
- Cê tá querendo escapulir, né? Mas vamos fazer assim: você para agora, mas continua amanhã, fechou?
- Combinado.
Mas a neta nunca ficou sabendo o resto daquela história banal do avô, pois pela
manhã, estranhando a demora dele para o café, foram até o
quarto onde dormia. Encontraram-no morto,
com os olhos abertos e um sorriso congelado em sua boca.
- Sacanagem, nem uma mão no peitinho?
- Minha filha, você está falando com seu avô!
- Pode ser hoje, mas naquele tempo não. Além disso, eu era muito, muito bobo e inexperiente.
- Nem imagino você assim!
- Deixa eu continuar mais um pouco, pois já estou cansado.
- Manda!
- Teve também o lance do vestibular. Como eu já tinha entrado na faculdade, consegui uma boquinha para trabalhar de fiscal no próximo vestibular. Estou lá tranquilão, quando quem vejo chegar?
- A Jô, claro. Tô achando que essa mulher tem super poderes ou GPS para te localizar!
- Pois é... Ela estava estonteantemente linda, toda de branco. Naquele momento o Mineirão era utilizado para as provas. Por isso perguntei qual era o setor onde ela ficaria. Peguei emprestado um binóculo do exército e comecei a procurá-la do outro lado do estádio, pois não podia sair do meu posto. E achei.
- Que mais, só isso?
- Eu preferia não entrar em mais detalhes, pois o caso fica meio constrangedor.
- Cê tá querendo escapulir, né? Mas vamos fazer assim: você para agora, mas continua amanhã, fechou?
- Combinado.
domingo, 8 de março de 2026
QUE DIA!
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Parabéns! Mas os outros 364 também deveriam ser dias internacionais da mulher. Só assim, quem sabe, acabaria essa explosão de feminicídios que a mídia divulga.
Procuro evitar comparações
A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre seu
sábado, 7 de março de 2026
sexta-feira, 6 de março de 2026
SEM TRADUÇÃO
Minha
cama está vazia
Minha casa está vazia
Minha vida está vazia
Têm sido assim os meus dias
Pode
ser que isso mude
E que alguém talvez me ajude
Fazendo algum sortilégio
Que possa matar o meu tédio
Minha casa está vazia
Minha vida está vazia
Têm sido assim os meus dias
E que alguém talvez me ajude
Fazendo algum sortilégio
Que possa matar o meu tédio
Ou me dê esperança
Algo
que se espera tanto
Impossível de alcançar
Imagem fugidia do passado
Que pretendo reencontrar
Isso
sim um privilégio
Um desejo, uma lembrança
Que dê sentido à vida
Que cure uma ferida
Que não quer cicatrizar
Não
quero apagar o que fiz
Remover a cicatriz
Lembrança de um tempo
Em que fui feliz e infeliz
Mas
era isso que eu queria
Sabendo que não podia ter
O passado e o presente
Os dois num mesmo dia
Agora que estou sozinho
Posso buscar o passado
Trazê-lo para novos dias
Sem culpa e sem pecado
Curiosa,
estranha ironia:
Um passado se fez presente
O presente se fez passado
Só deixando a nostalgia
Mais
que isso não direi
Pois dois presentes vivi
E precisei escolher
com qual dos dois eu ficaria
Escolha
difícil, sofrida
triste escolha de Sofia
Mandar pro passado um presente
Que me alegrava e aquecia
E
se ninguém me entender
Nada mais posso fazer
Não pretendo traduzir
Aquilo que eu quis dizer
Impossível de alcançar
Imagem fugidia do passado
Que pretendo reencontrar
Um desejo, uma lembrança
Que dê sentido à vida
Que cure uma ferida
Que não quer cicatrizar
Remover a cicatriz
Lembrança de um tempo
Em que fui feliz e infeliz
Sabendo que não podia ter
O passado e o presente
Os dois num mesmo dia
Posso buscar o passado
Trazê-lo para novos dias
Sem culpa e sem pecado
Um passado se fez presente
O presente se fez passado
Só deixando a nostalgia
Pois dois presentes vivi
E precisei escolher
com qual dos dois eu ficaria
triste escolha de Sofia
Mandar pro passado um presente
Que me alegrava e aquecia
Nada mais posso fazer
Não pretendo traduzir
Aquilo que eu quis dizer
quinta-feira, 5 de março de 2026
QUE DUPLA!
Segundo o dicionário, “sicário” é um assassino contratado para matar alguém. Deve haver algum erro aí, pois “Sicário” parece ser apenas o capacho do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master – um sujeito mais enrolado que bobina de motor elétrico.
quarta-feira, 4 de março de 2026
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