quarta-feira, 4 de março de 2026

AR CONDICIONADO

 




ENCICLOPÉDIA DO ROCK

 
Descobri um perfil no facebook inteiramente dedicado ao velho e bom rock and roll. O dono publica os “line-ups” de várias bandas, tanto as mega conhecidas como as que lembram o caviar do Zeca Pagodinho – “nunca vi, não ouvi, só ouço falar”. Algumas formações são originais, outras já mostram uma das às vezes muitas trocas de integrantes. Várias delas já nem existem mais, com os músicos em carreiras solo ou migrando para outras bandas.

Há um caso bizarro de picaretagem musical: a banda Herman's Hermits da minha juventude hoje tem duas versões, cada uma liderada por dois dos antigos integrantes. E nenhum se chama Herman (aliás, nunca existiu um Herman na banda original). 

Por trazerem as fotos e a data de nascimento de cada um dos músicos, é divertido perceber um traço comum entre a elite e a periferia do rock, que é a aparência ou a idade atual dos músicos, muitos inclusive já falecidos.
 
Sinceramente, fico chocado ou, no mínimo, assustado. Ver essas imagens me fez pensar que não é o rock que está morrendo, são os roqueiros, pois o que tem de gente velha se apresentando ainda, não está escrito. E o bizarro é ver esse povo com cara de “vô”, mas com cabeleiras (aqueles que ainda não ficaram calvos) que matariam de inveja um sansão da vida – não fosse a cor de neve suja que exibem.
 
Um dia o Cazuza cantou “meus heróis morreram de overdose”. Não discuto essa avaliação, pois alguns músicos podem ter abusado um pouquinho, embora haja aqueles que morreram por doença, suicídio ou acidente. Mas o Facebook tem-me feito pensar muito em rock, esse estilo de música que influenciou a moda, a diversão e o comportamento desde que surgiu no início da década de 1950. Talvez por isso alguns digam que o rock morreu ou está agonizante, mas também não discuto essa afirmação.
 
Isso pode até ser verdade no país do agro em que se transformou o Brasil – sim, porque nunca vi tanta fissura por cantores e música sertaneja, aquele estilo em que homens e mulheres usam chapéu de caubói americano, e se comportam como se fazendeiros fossem.
 
E aí, sem precisar olhar para o espelho, eu percebo que apresento a mesma cara de uva passa ou “maracujá de gaveta” que vejo nas imagens dessas bandas. Que merda!
 
Para divertir ou horrorizar quem acessa este blog sem rumo e sem assunto, alguns exemplos das bandas mais “bandaladas” (esta piada foi horrível!):



Ficou alguma dúvida?










terça-feira, 3 de março de 2026

FUI ASSEDIADO!

 
Estou pensando em raspar minha barba, ficar novamente “desbarbado”. Não porque esteja achando ruim ou muito branca (sou velho, tá lembrado?). Na verdade, estou me achando bem melhor até mais atraente, pois a barba disfarçou meu “queixinho esquisito”, na definição de um conhecido. O problema real é crer ter sido ela a causa do assédio que sofri recentemente.
 
Não tendo jamais a beleza de um George Clooney ou Reynaldo Gianecchini e estando mais próximo da aparência de um Didi Mocó, não tenho costume de ver olhares sedutores a mim dirigidos. Mas aconteceu. E isso me assustou, por partir de alguém que nunca imaginaria ser ainda capaz de saliências desse tipo.
 
Deixando o mistério de lado, o caso é o seguinte: fui ontem a um médico angiologista e estava tranquilamente sentado esperando ser atendido. A porta do consultório se abriu e de lá saíram duas mulheres, uma senhora andando com visível dificuldade para andar, amparada por quem imaginei ser sua filha.
 
A velha (spoiler!) acomodou-se na cadeira de rodas e eu gentilmente sorri para ela. Preciso dizer que sou um homem simpático, gentil, educado e atencioso – principalmente com mulheres. Talvez por ser feio de nascença tenha a veleidade de tentar seduzi-las com meu comportamento de hetero afeminado. E descobri que mulher gosta disso!
 
Pois bem, enquanto a filha acertava qualquer coisa com a recepcionista e o médico não me chamava, comecei a conversar com ela. Perguntei se estava tudo bem e, não sei por que ela ou a filha falou alguma coisa sobre idade. E o gentil aqui comentou:
 
- Eu jamais perguntaria a idade de uma mulher!
- Quantos anos o senhor acha que eu tenho?
 
O sedutor assumiu seu posto:
 
- Creio que a senhora deve ter uns sessenta e cinco anos.
 
Isso a faria mais nova que a filha, mas a sina do sedutor é seduzir. E ela respondeu:
 
- Sessenta e cinco? Eu tenho 88 anos – mas não gosto de revelar minha idade, pois olha como tenho a pele lisa.
-Uau! A senhora está de parabéns! Está com aparência de 65!
 
Percebi um sorrisinho de satisfação, mas diria que usei de “liberdade poética” ao afirmar isso.
 
- Quantos anos o senhor tem?
- 75 anos.
 
Aí o olhar da senhora (para não ser grosseiro e dizer "velha") mudou, ficou tipo "farol baixo". E a conversa foi ficando estranha...
 
- O Senhor é casado?
- Infelizmente, fiquei viúvo agora em dezembro.
- O senhor tem telefone?
- Heim? Tenho, quero dizer, tinha, pois pedi para desligar. Agora que moro sozinho...
- Minha filha me levou para morar com ela.
 
Aí o médico me chamou, mas ainda tive tempo de elogiar sua “aparência de 65 anos”. Creio que aquilo deixou a velha meio desestabilizada, pois estendeu a mão para mim, segurando-a um pouco mais longamente que um cumprimento pede. A filha precisou insistir para que fossem para o hall dos elevadores.
 
Ao sair do consultório, a secretária com um sorrisinho maroto no rosto, comentou:
 
- Acho que ela queria te caçar, pois precisou que a filha dissesse a ela para irem embora. E ela reclamou:
- Eu só quero me despedir dele!
 
Sei lá, pelo sim, pelo não, acho que vou raspar minha barba, pois assédio de octogenária é muito para minha cabeça!

domingo, 1 de março de 2026

INSÔNIA

 O homem acorda, olha o relógio e reclama:
- Merda, são três horas ainda!
 
O sono inquieto e curto provocado pelas lembranças de um antigo amor. Vira de lado, cobre, descobre, ajeita o travesseiro e nada de o sono voltar. Levanta-se, liga o computador e começa a digitar.
 
Eu estava pensando que tive a sorte de ter tido dois amores definitivos e definidores na minha vida. Creio que deve ser isso, pois aquela paixão que faz o coração palpitar na iminência do próximo encontro passa com o tempo, mas o amor parece ficar. E não me pergunte como consegui isso, pois eu nunca, nunca mesmo consegui deixar completamente de pensar em você.
 
Estava quieto no meu canto e de repente te via nos lugares mais improváveis: no jardim de infância onde nossos filhos estudavam (você estava absurdamente linda de blusa laranja sem manga e calça preta); grávida na missa de sétimo dia da irmã de sua colega; atravessando o viaduto em sentido contrário ao meu; descendo a escada rolante das Lojas Americanas, coincidências que sempre assopravam as cinzas sobre brasas que nunca se extinguiram.
 
Essas situações sempre me fizeram desejar estar com você, mas não necessariamente para transar, mais para namorar, beijar na boca, coisas assim. Sentimentos estranhos, difíceis de administrar.
 
Outro dia me veio à cabeça um verso do Márcio Borges (irmão do Lô), na canção Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor: “quem sabe isso quer dizer amor, estrada de fazer o sonho acontecer”. Fiquei pensando se nossa história não é exatamente isso – uma estrada que permaneceu ali, silenciosa, à espera de que descubramos se ainda vale a pena ser percorrida.
 
Não sei. Talvez eu esteja apenas compartilhando um pensamento que me visitou. Mas achei que você deveria saber. A vida no campo do “Se”.
 
Relê o texto, passa o corretor de ortografia, lê mais uma vez e se dá por satisfeito. Salva o arquivo, pensando se o enviará para ela, mas agora só quer dormir. E dorme.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

EU ME AMO!

 
 
Depois de perceber as insuspeitadas qualidades do GPT para criar desenhos e imagens reais, resolvi pedir à IA para gerar uma imagem hiper-realista mostrando um casal se beijando na boca. Mas não um casal qualquer! Consegui uma foto recente de uma antiga namorada (linda!) e utilizei minha imagem mais recente, onde ostento uma bela (“belíssima”) barba branca. O danado do ChatGPT assumiu a missão e criou uma imagem tão legal que encheu de água minha boca (na ainda impossibilidade dela ser preenchida com a língua da gata).
 
Infelizmente, não posso – por razões óbvias – publicar essa imagem. Por isso, lembrando-me da música do Ultraje a Rigor que diz “eu me amo, não posso mais viver sem mim”, resolvi pedir à IA para gerar uma imagem em que eu beijo a mim mesmo. Sinceramente, por ser hetero, senti-me bastante desconfortável ao me ver beijando outro homem na boca – mesmo que esse homem seja eu mesmo. A vantagem foi poder fazer mais um trocadilho jotabélico, pois o título da postagem poderia ser “eu me homo”. Mas não será, pois pouca vergonha e safadeza têm limite. Olhaí.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

NIHIL OBSTAT

Acabei agora de ler um livro que me deram e preciso dizer: que leitura penosa! Nem citarei a inspiração do autor; limito-me a registrar meu desconforto por trombar, várias vezes durante a leitura, com todo tipo de agressão à língua portuguesa: troca de “há” por “a” e vice-versa (equívoco que meu professor ChatGPT classificou como “erro gramatical de ortografia”), problemas de concordância nominal (segundo meu professor, uma mulher dizendo “muito obrigado” comete erro de concordância de gênero, pois “obrigado/obrigada” é particípio usado como adjetivo e concorda com quem agradece – não com quem recebe o agradecimento).
 
Mas a coisa não para por aí: fui atropelado por inacreditáveis erros de grafia, como “bordéu” em vez de “bordel” (erro ortográfico por transcrição fonética, segundo a IA), além de falhas de concordância verbal e pronominal (“assim o credes, assim te enganas”), grafia equivocada da expressão latina vade retro, substituída por “vá de retro”, etc., etc.
 
Para encurtar a conversa, faltou ao autor a humildade e o bom senso de chamar alguém para fazer o copidesque do texto ou – ao menos – passar um corretor ortográfico nos originais.
 
Mas os problemas não se resumem às agressões à norma culta da “última flor do Lácio”: houve também abuso de clichês, pieguice excessiva, enredos simplórios e uso de palavras “eruditas” fora de contexto. Na prática, poderia dizer que não fui eu que terminei a leitura; foi a leitura do livro que quase terminou comigo.
 
Dizendo essas coisas, até parece que escrevo bem, o que não é verdade. Escrevo de forma espontânea e coloquial qualquer besteira que surge em minha mente. Depois, entretanto, começo a burilar o texto: passo o corretor, releio várias vezes, mudo a ordem dos parágrafos e das frases e até peço ajuda ao ChatGPT para tentar descobrir alguma “batata” gramatical. Mas quase sempre refugo as alterações que essa IA mala sem alça me propõe. E o motivo é simples: se eu aceitar a versão da IA, o texto deixa de ser meu – e eu, afinal, ainda tenho algumas moléculas de vergonha na cara.
 
Para mim, mesmo buscando manter a espontaneidade e o tom coloquial (excelentes para esconder minha ignorância), é um desrespeito ao leitor publicar um texto descuidado, com problemas de concordância e gramática. Se o texto pede uma palavra fora do meu “círculo de amizades”, vou ao dicionário, consulto a mãe dos muito burros sobre como usar as bonitezas e só então publico. E, às vezes, ainda erro!
 
Resumindo: tudo o que já escrevi e publiquei no blog pode ser tosco, grosseiro e vulgar, mas é uma tosqueira com selo de qualidade do corretor gramatical do velho e bom Word – uma versão moderna e linguística do imprimatur ou do nihil obstat de antanho.

 

 

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

PRA VOCÊ – SILVIO CESAR

 

Eu teria talvez uns quinze ou dezesseis anos quando ouvi essa música pela primeira vez. Meu coração roqueiro estava sempre pronto a se apaixonar por quem me olhasse por mais de dez segundos. E a letra dessa música traduzia tudo o que meu coração vazio e carente sentia. Acho que sempre fui um roqueiro romântico.
 
Tentei “tirar” no violão sua harmonia, só para poder cantar para alguma eleita – ou para quem me elegesse como seu amor. Não consegui descobrir acordes aceitáveis nem fui eleito por ninguém, mas nunca deixei de gostar de sua letra e melodia suaves.
 
Hoje, “eu não sei bem por que” ela adquiriu uma intensidade absurda, fazendo meus olhos lacrimejarem de saudade da minha Amada. E é esta música que resolvi compartilhar com vocês, vocês que ainda podem abraçar seus amores.


 
PRA VOCÊ
Pra você eu guardei
Um amor infinito
Pra você procurei
O lugar mais bonito
 
Pra você eu sonhei
O meu sonho de paz
Pra você me guardei demais
Demais
 
Se você não voltar
O que faço da vida?
Não sei mais procurar
A alegria perdida
 
Eu não sei bem por quê
Fui gostar tanto assim
Ah, se eu fosse você
Eu voltava pra mim
Voltava sim
 
Ah, se eu fosse você
Eu voltava pra mim
 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

"ERROS DE GRAVAÇÃO"

Não estou acostumado com muitos comentários sobre minhas postagens. Por isso, resolvi ampliar o post "Uma HQ infantil", mostrando algumas das maluquices criadas pela IA. Sente a piração crescente do ChatGPT:
 
Texto non sense:


Cabritito já vestido para o casório durante a briga com os bandidos:

Balão atribuído ao personagem errado





UMA HQ INFANTIL

 
Este texto introdutório poderia ser dispensável, mas obedece ao meu desejo de sempre registrar a memória das pequenas coisas. 

Morávamos na casa de minha avó materna, junto com oito tios e tias, além de minha avó e meu avô. Éramos duas crianças e doze adultos. Naquela época, ainda não havia televisão em Belo Horizonte. Depois da "janta", ficávamos perambulando por ali, importunando um pouco, enquanto os adultos conversavam, até que nossa mãe nos mandava dormir. Como não tínhamos alternativa, obedecíamos.
 
Eu, meu irmão e nossos pais dormíamos no mesmo quarto, em um barracão (edícula) nos fundos da casa. A cama de casal ficava entre a minha e a de meu irmão. Para nos manter deitados – ou por qualquer outro motivo (saco cheio dos cunhados, por exemplo) – nosso pai nos contava histórias. Falava de sua infância em São José dos Oratórios e dos “doidos mansos” que perambulavam por lá. Entre eles, havia uma mulher meio desaforada, talvez já um pouco idosa, conhecida como “Sá-Maria-me-Atende”, que às vezes ia à casa de minha avó pedir esmola ou comida, se não me engano.
 
Por fim, contou sobre uma carrocinha ou charretinha que tivera, puxada por um bode branco ao qual dera o nome de Cabritito. Para nós, meninos criados na cidade grande e sem quase nenhuma liberdade para brincar, aquelas histórias eram magníficas, melhores que qualquer conto das Mil e Uma Noites ou algo parecido. Assim, contrariando seu provável desejo de que adormecêssemos logo, sempre pedíamos mais. Até que as lembranças se esgotaram: ele já nos havia contado tudo o que podia.
 
Foi então que teve início a fase ficcional. Passou a inventar histórias no estilo bangue-bangue ou de filmes de caratê, lembrando os filmes mudos de Carlitos, sempre com algumas pancadas, chutes na bunda e bandidos sendo arremessados longe depois de girarem sobre as próprias cabeças, seguros – pela agora heroína Sá-Maria-me-Atende – apenas por uma perna ou um braço.
 
A partir daí, o delírio tomou conta das histórias (e ele nem bebia!). Logo, o Cabritito casou-se com Sá-Maria-me-Atende. E o mais curioso é que ela se tornava, ali, a primeira super-heroína brasileira! Uma super-heroína desconhecida, caipira, meio louca, casada com um bode e que, além de força física descomunal, voava! E somente eu e meu irmão sabíamos de sua existência.
 
Pois é, a primeira super-heroína brasileira voava graças a um artifício bastante peculiar – batata-doce. Na iminência de capturar algum criminoso em fuga (que inevitavelmente seria lançado longe após orbitar ao seu redor, preso por um braço ou perna), a heroína comia batata-doce e logo começava a soltar flatos, puns, funfas ou peidos – conforme pedirem a pudicícia e a finesse do leitor. Primeiro, um “po, po, po” contido; depois, ganhava impulso (“Pruuum!”) e, “Fium!”, saía voando a jato. Era quase impossível dormir depois de tantas emoções!
 
Contei essas histórias às minhas netas, que morreram de rir. Então prometi fazer uma historinha em quadrinhos sobre isso. Sem inspiração para criar o roteiro e sem o talento para desenho do blogueiro Fabiano Caldeira, recorri ao ChatGPT para cumprir a missão.
 
E a danada da IA respondeu assim:
Que delícia de memória! Dá para transformar isso numa HQ maravilhosa, misturando nostalgia, humor escatológico infantil e um toque poético de ‘super-heroína rural secreta’. Vou sugerir duas páginas, seis quadros cada, já com descrição visual, falas e ritmo de humor.
 
As descrições e falas sugeridas ficaram bem interessantes. Por isso, corrigi apenas algumas coisas, descartei outras e pedi que a IA gerasse as imagens. Aí o bicho pegou: não houve meio de o ChatGPT produzir imagens sem erros. Isso consumia o limite ou  “verba” de geração, obrigando-me a esperar até doze horas para tentar novamente, após receber a seguinte mensagem:
 
“You've hit the free plan limit for image generation requests. You can create more images when the limit resets in 9 hours and 59 minutes.”
 
A brincadeira para agradar minhas netas começou a ficar estressante, pois algumas imagens simplesmente nunca saíam como eu reiteradas vezes solicitava. Surgiam coisas absurdas: a heroína com três braços, um bandido com corpo de bode e o bode com cabeça de bandido etc. Essa cena foi gerada nove vezes, sempre com resultados estapafúrdios, até que desisti de utilizá-la.
 
Para chegar a um resultado minimamente aceitável que pudesse mostrar às netinhas, abri mão de oito ou mais quadros, que acrescentariam mais de uma página à história e que poderiam ter deixado a HQ com um aspecto mais completo.
 
Além disso, precisei retalhar e remontar toda a narrativa com os quadros remanescentes, alguns inexplicavelmente em padrão diferente dos demais. Foi uma luta!
 
No fim das contas, o resultado – embora menor do que poderia ter sido – ficou “bonzinho”. Apenas para as netinhas, obviamente. E sempre lembrando que tudo foi feito pelo ChatGPT, tendo eu apenas intervindo (muitas vezes sem sucesso) para melhorar ou corrigir o que essa IA tresloucada e geniosa produziu. Se eu fosse o talentoso Fabiano Caldeira, certamente teria saído uma historinha melhor e com traços mais homogêneos, o que não aconteceu. Enfim…
 
A seguir, a HQ frankenstein (espero que pelo menos as netinhas gostem):







sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MEU MOMENTO ERA ANTES

 
Estou preso no passado
Logo eu que criticava todos
Que diziam frases tolas como
No meu tempo é que era bom
 
E eu sempre pensava que meu tempo é hoje
Será sempre hoje
Não importando se o passado foi bom ou ruim

Mas as certezas absolutas talvez existam
Para que as percamos, para que as modifiquemos.
 
Hoje, uma casa vazia, uma cama vazia e uma vida vazia
Me dizem que meu lugar era lá
Que meu momento era antes
Que meu desejo era ontem

E os elos dessa corrente
São difíceis de quebrar.
 
Hoje eu me sinto como alguém
Que desceu em Marte e descobre
Que não tem como voltar
Que nunca mais
Abraçará a quem amou e ama tanto
 
Que naquele planeta estéril só terá lembranças
Enquanto aguarda que o fim
Não demore a chegar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

AMOR π

 
As pessoas que acessam este blog têm um traço em comum: são inteligentésimas. Para aqueles que duvidam disso eu diria que usei um pouco de liberdade poética para esTa afirmação.
 
Sei lá, tenho a mania de criar expressões e frases de efeito para esconder a minha própria falta de inteligência. Nesse caso, talvez fosse melhor dizer que eu crio frases de defeito, mas às vezes acerto, dou uma dentro (por favor, não me peça para explicar). E a mais recente expressão que criei ficou bacaninha, bem sacada (será que as leitoras e leitores de Portugal entendem o que eu digo/escrevo?).
 
Sempre digo que o amor que sinto por meus filhos é do tamanho do Universo, infinito. Digo isso para todo mundo, inclusive para eles. Aí, outro dia (sinônimo de data incerta e ignorada), lembrei-me dos tempos em que lustrava os bancos escolares com a bunda (trajando calça de uniforme, obviamente) e o número irracional PI (π) surgiu na minha mente quase tão irracional quanto. Como certamente TODES se lembram, esse número é resultante da divisão do comprimento ou perímetro de uma circunferência pelo diâmetro dessa mesma circunferência (cara, eu amo a Matemática!).
 
Por exemplo, se eu conseguisse saber o diâmetro do meu abdômen depois de medir a circunferência da minha pança, certamente obteria um número parecido com o valor do PI, bem melhor que o número que vejo no visor da balança digital onde às vezes me aventuro a subir.
 
Mas estou fugindo do assunto. Por ser irracional, o número PI (π) não tem limite, é infinito. E é aqui que eu queria chegar: o amor que a maioria dos pais e mães sente por seus pimpolhos pode ser definido pela expressão “amor π”, pois é um amor infinito. Apesar das palhaçadas jotabélicas, acho que mandei bem.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

CITANDO OSCAR WILDE

 

Algumas pessoas estranham o fato de publicar quase diariamente. Tem razão quem pensa assim. A explicação é o fato de ser aposentado e estar constantemente em busca de assuntos para transformar em posts. Como neste caso. Depois de ler uma frase do Oscar Wilde, resolvi procurar mais, para publicar no blog. Encontrei tantas que precisei filtrar para chegar a duas páginas apenas. Embora sempre mencionando o "Retrato de Dorian Gray", nunca li nada dele, só conhecia a fama (na cama). Agora já posso dizer ter lido um pouco do que escreveu. Olhaí.

Crer é muito monótono, a dúvida é apaixonante.

É pena que só tiremos lições da vida quando elas já não nos são úteis.

Nem todo crime é vulgar, mas toda vulgaridade é um crime.

Os prazeres são as únicas coisas que valem a pena ser vividas. Nada envelhece tão depressa como a felicidade.

O homem pode suportar as desgraças, elas são acidentais e vêm de fora; o que realmente dói, na vida, é sofrer pelas próprias culpas.

Qualquer indivíduo pode ser sensato, desde que não tenha imaginação.

Nenhum homem é suficientemente rico para comprar o seu passado.

O erro é criar hábitos.

Não tenho nada a declarar a não ser a minha genialidade.

A única diferença entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais...

Experiência é o nome que damos aos nossos erros.

O caminho dos paradoxos é o caminho da verdade.

Nenhum grande artista vê as coisas como realmente são. Caso contrário, deixaria de ser um artista.

O homem é um animal racional que perde sempre a cabeça quando é chamado a agir pelos ditames da razão.

Neste mundo, há apenas duas tragédias: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, e a outra a de os satisfazermos.

Todo mundo é capaz de sentir os sofrimentos de um amigo. Ver com agrado os seus êxitos exige uma natureza muito delicada.

Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado.

A moda é uma variação tão intolerável do horror que tem de ser mudada de seis em seis meses.

Posso resistir a tudo, menos à tentação.

Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos.

Se existe no mundo coisa mais aborrecida do que ser alguém de quem se fala é certamente ser alguém de quem não se fala.

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.

Nunca viajo sem o meu diário. É preciso ter sempre algo extraordinário para ler no comboio.

Deus, ao criar o homem, superestimou a Sua capacidade.

Há uma espécie de conforto na auto-condenação. Quando nos condenamos, pensamos que ninguém mais tem o direito de o fazer.

A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder a ela.

Posso partilhar tudo, menos o sofrimento.

O mundo pode ser um palco. Mas o elenco é um horror.

Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.

As nossas tragédias são sempre de uma profunda banalidade para os outros.

É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas.

Como se pôde dizer que o homem é um animal racional! Ele é tudo o que se queira salvo racional.

Dar bons conselhos – as pessoas gostam de dar o que mais necessitam. Considero isto a mais profunda generosidade.

A diferença entre a literatura e o jornalismo é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida.

Os solteiros ricos deviam pagar o dobro de impostos. Não é justo que alguns homens sejam mais felizes do que os outros.

O cinismo consiste em ver as coisas como realmente são, e não como deveriam ser.

Definir é limitar.

Preferia perder meu melhor amigo ao pior inimigo. Para ter amigos, só é preciso boa índole; mas quando um homem não tem mais inimigos, certamente há algo de desprezível nele.

A alma nasce velha e se torna jovem. Eis a comédia da vida. O corpo nasce jovem e se torna velho. Eis a tragédia da alma.

Sou a única pessoa no mundo que eu realmente queria conhecer bem.

As pessoas mais interessantes são os homens que têm futuro e as mulheres que têm passado.

Nunca confie na mulher que diz a verdadeira idade, pois se ela diz isso... Ela é capaz de dizer qualquer coisa.

A Moral não me ajuda. Sou antagônico nato. Sou uma daquelas pessoas que são feitas para exceções, não para regras.

Adoro os escândalos dos outros. Os que me dizem respeito não me interessam. Não tem o atrativo da novidade.

Os deuses quando querem nos castigar atendem as nossas preces.

Perdoa sempre o teu inimigo, não há nada que lhe ofenda mais.

Adoro interpretar. É tão mais real que a vida.

Meus gostos são simples: prefiro o melhor de tudo.

Agouros, sinais, são coisas que não existem. O destino não costuma enviar arautos. É muito sabido, ou muito cruel para fazer isso.

Frequentemente tenho longas conversas comigo mesmo, e sou tão inteligente que algumas vezes não entendo uma palavra do que estou dizendo.

Só existe uma coisa pior do que falarem da gente. É não falarem.

Chamamos de ética o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando. O conjunto de coisas que as pessoas fazem quando ninguém está olhando chamamos de caráter.

A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.

A vida é muito importante para ser levada a sério.

O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação.

O Estado deve fazer o que é útil. O indivíduo deve fazer o que é belo.

O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos.

Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal.

Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza.

Ser grande significa ser incompreendido.

Perversidade é um mito inventado por gente boa para explicar o que os outros têm de curiosamente atrativo.

A arte, felizmente, ainda não soube encobrir a verdade.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

GRACINHA!

 
Sou um entusiasta da Inteligência Artificial, mas tenho medo daqueles que podem manipulá-la de forma mal-intencionada. Tenho visto no YouTube e no Facebook vídeos de pessoas e até de animais produzidos com um nível de realismo tão impressionante, tão convincente, que a reação imediata é acreditar que são reais.
 
Alguns ainda são fáceis de identificar como falsos – por exemplo, quando mostram em um mesmo banco ou sofá uma pessoa famosa em idades muito diferentes, as já falecidas retratadas com asas de anjo. Mas nem todos os vídeos ou imagens estáticas são assim. Muitos são praticamente indistinguíveis da realidade.
 
Por isso, pensando nas próximas eleições, não duvido que vídeos e imagens falsas possam ser usados para tentar confundir eleitores mais desavisados ou ingênuos. E é aí que mora o perigo: a má fé de braços dados com a desinformação.
 
Por curiosidade e até por diversão, pedi ao ChatGPT para criar um desenho hiper-realista a partir de duas imagens que busquei na internet: os pré-candidatos a presidente da república nas eleições de 2026 – Lula e o "Zero Um" da famiglia Bolsonaro. Duas figuras políticas antagônicas se abraçando, duas ideologias conflitantes.
 
Na vida real, seriam capazes de trocar abraços tão carinhosos como o que apareceu na imagem gerada? Creio que isso nunca acontecerá. Mas o ChatGPT fez isso acontecer. Se eu tivesse a manha para mexer com IA, talvez até produzisse um vídeo com os dois brincando em um bloco de carnaval. Isso me leva ao que disse no início deste texto: o problema começa quando essas simulações são usadas fora de contexto, com intenção de manipular ou enganar para auferir benefícios e vantagens de qualquer natureza.
 
Por isso, nas próximas eleições, recisaremos de uma postura super crítica para distinguir a informação falsa da verdadeira. E talvez apenas poucos tenham paciência e discernimento para analisar o que as redes sociais provavelmente divulgarão.
 
A título de curiosidade, as imagens que escolhi para o ChatGPT "brincar":


Olha que gracinha a imagem gerada pela IA:

Mas ainda estamos em pleno Carnaval ("quanto riso, oh, quanta alegria!") e achei que poderia ficar assim também:

Agora só falta pegar o título de eleitor e esperar outubro chegar.



 

 

AR CONDICIONADO