quarta-feira, 25 de março de 2026

MAIS UM NA MULTIDÃO - ERASMO CARLOS E MARISA MONTE

Hoje, enquanto estava dirigindo, vi um backbus da Unimed, uma frase estampada no vidro traseiro do ônibus que estava à minha frente. Esta era a frase: “A vida é grande demais para se viver sozinho”, extremamente apropriada para meu atual momento. E aí me lembrei de uma música do Erasmo Carlos (a melhor parte da dupla Roberto & Erasmo), que ele gravou com a Marisa Monte.
 
Eu sempre gostei dessa música, que, pela delicadeza de letra e melodia, lembra aqueles namoros da adolescência. Por isso resolvi compartilhar o vídeo de sua apresentação ao vivo. Antes, porém, só um causo da época em que eu era adolescente.  Eu sempre achei a Jovem Guarda uma coisa brega, pois apesar de pobre, muito pobre, eu era um pobre elitista. E beatlemaníaco. Estava sem grana e fiquei na porta da sede social do Cruzeiro Esporte Clube, onde estava acontecendo uma daquelas "horas dançantes" tradicionais. 
 
Foi quando chegou o Erasmo Carlos, para fazer um show dublado, na base do playback. Um conhecido, de sacanagem, gritou para ele: "Oi, primo!" O Erasmo olhou de relance e entrou no clube. E nós continuamos do lado de fora.
 
Depois disso, eu, beatlemaníaco fundamentalista, passei a gostar de algumas músicas compostas só por ele ou em dupla com o caretíssimo Roberto Carlos. Esta é uma delas. E já não sou um beatlemaníaco fundamentalista (mesmo que continue a ser elitista).  Escutaí.

 




terça-feira, 24 de março de 2026

PESCARIA

 
 
Nunca li nada do Guimarães Rosa e a explicação é simples e patética: não tenho o costume de comprar livros, lendo apenas os que ganho. Mesmo assim, imagino que deve ser uma boa leitura, sofisticada, inesperada, como imagino que seja o conto “A terceira margem do rio”.
 
Então, é presunção querer utilizar o título desse conto do Guimarães só para fazer uma metáfora política. Mesmo assim, vou fazer, por já estar cansado, de saco cheio dos disse-me-disse entre Esquerda e Direita, das ofensas e desabafos contidos em expressões como intelectualoide, petralha, direitalha e assemelhados.
 
Por exemplo, se alguém me chamar de “comunista” eu ficarei extremamente ofendido, puto mesmo. Por outro, lado se algum petista me chamar de “bolsonarista” eu ficarei tentado a mandá-lo à puta que o pariu. Eu quero é distância dos extremos!
 
Por isso, utilizo agora a metáfora que imaginei para deixar clara minha posição ideológica (saco cheio desta palavra também!): eu não pesco nem na margem direita nem na margem esquerda de um rio; eu pesco apenas na terceira margem, que é onde tem peixe grande.
Gostaram da analogia?

segunda-feira, 23 de março de 2026

HUMANISMO É IDEOLOGIA?

 
Algumas pessoas se orgulham em afirmar que “pensam fora da caixa”. Cara, eu nem quero saber se existe uma caixa! O que eu quero é liberdade de pensamento, sem me prender a dogmas, ideologias, regras ou decretos. O genial Millôr Fernandes assim definiu ideologia: “Bitola estreita para orientar o pensamento” e completou: “A ideologia leva à idolatria, à feitura e adoração de mitos. E, finalmente, ao boquete ideológico”.
 
Acho que essa é a receita. Assim, estou pouco me lixando para os anjos e assombrações da Esquerda e da Direita. Fui educado para ser bem-mandado, do bem – um fiel e obediente cidadão. Com essa educação reconheço e obedeço às leis existentes e às normas mais rígidas em vigor. Dura lex, sed lex, como dizia um vizinho.
 
Nasci no Brasil, mais precisamente na capital de Minas Gerais, e moro no bairro mais boêmio da cidade. Paradoxalmente, não bebo uma gota sequer de álcool nem esquento a bunda nas cadeiras das dezenas de bares, restaurantes e muquifos espalhados pelo lugar.
 
Talvez por isso eu sempre tenha achado estranhas as regras, modelos, modismos e valores cultuados e defendidos por esta ou aquela tribo, partido ou ideologia. Esse estranhamento me leva a pensar que minha única ideologia é o humanismo. Que, para falar a verdade, nem quero saber se é ideologia ou não.
 
Para ser sincero, outra coisa que também desprezo e abomino – mesmo que as respeite e entenda , são as bandeiras, limites e fronteiras. A única fronteira que faz sentido para mim é a estabelecida pela camada de ozônio que protege a Terra. O resto é detalhe. Fui.

domingo, 22 de março de 2026

MANUAL PROVISÓRIO DE JUSTIÇA BIOLÓGICA

 Não sei se a moçada que acessa este blog com cheiro de gelol e sanador sabe disso, mas com o avanço da idade, o cérebro dos idosos diminui de tamanho e fica mais soltinho dentro do crânio, situação real e potencialmente perigosa se você cair de cabeça e enfiar o cifre no chão. E isso é sério.
 
Pois bem, estava despreocupadamente fazendo nada, quando meu cérebro foi chacoalhado por uma nova ideia, uma ideia meio louca, tão sem propósito que resolvi chamar o ChatGPT para descascar o abacaxi e fazer uma crônica (estava chupando manga, muito melhor que ficar pensando e digitando idiotices). E este foi o pensamento que pedi para desenvolver:
 
“Talvez seja uma visão egoísta, mas considero injusto que as pessoas idosas possam morrer quando estão felizes. O corpo deveria ter um timer automático que fosse acionado quando estivessem altos os níveis de serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina. Funcionaria na base do “não se mexe em time que está vencendo”.
Em compensação, se o cortisol estivesse muito alto, o corpo já começaria a desligar os sistemas vitais, começando pelos menos importantes. Que acha desta piração?”
 
Não demorou muito para a IA surgir com esta crônica (claro, depois de fazer mil perguntas impertinentes.). Acho que ficou bem legal. Mas lembrando de que a autoria é do ChatGPT, OK?. Lêaí.
 
Manual Provisório de Justiça Biológica
Ele começou com um pedido de desculpas que já denunciava o contrário: “talvez seja egoísmo”. Não era. Era, como quase todas as boas ideias impraticáveis, uma tentativa sincera de melhorar o mundo.
A proposta era elegante: ninguém deveria morrer quando está feliz. O corpo, finalmente organizado, passaria a respeitar o momento. Detectaria níveis elevados de alegria — esses coquetéis internos de bem-estar — e concluiria, com bom senso: “melhor não mexer nisso agora”.
Seria o fim das interrupções indevidas. Nada de finais dramáticos em meio a jantares agradáveis ou risadas bem encaixadas. A biologia, promovida a bom senso, aprenderia a esperar.
Havia, claro, o outro lado. Quando a vida apertasse demais, quando o sujeito estivesse claramente perdendo o jogo, o organismo poderia, com a mesma elegância, começar a fechar a conta. Nada brusco. Um desligamento progressivo, quase administrativo.
Parecia justo. Mas ele mesmo percebeu um detalhe incômodo: isso eliminaria justamente quem ainda poderia melhorar. Ajustou a regra.
Nova versão: entre duas pessoas da mesma idade, partiria primeiro a menos feliz.
Agora sim, um critério comparativo. Quase um ranking existencial. A morte, finalmente, com algum senso de prioridade.
O problema — eu disse, talvez estragando um pouco a proposta — é que a felicidade não colabora. Não se deixa medir com precisão, não respeita escalas, não preenche formulários. É instável, contraditória e, em muitos casos, discretamente escondida.
Em outras palavras: péssima candidata a critério técnico.
Além disso, ela muda de ideia. Pessoas atravessam longos períodos sem grande entusiasmo e, sem aviso prévio, encontram algo que reorganiza tudo. Um amor, por exemplo. Desses que chegam atrasados, fora de contexto e, por isso mesmo, no momento exato.
Foi aí que a teoria perdeu um pouco da força — e ganhou alguma verdade.
“Estou vivendo um novo romance”, ele disse. “Está bom demais.”
O curioso é que, diante dessa frase, toda a engenharia anterior ficou parecendo desnecessária. Não porque estivesse errada, mas porque ficou pequena.
Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa. Uma vontade de que o que é bom dure, de que o que faz sentido não seja interrompido no meio.
A vida não promete isso. Nunca prometeu.
Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.
Permite que algo comece quando já não se esperava.
Permite que alguém se surpreenda com a própria felicidade.
Permite que exista, mesmo que por um tempo incerto, esse estado raro e simples de dizer:
“está bom demais”.
E talvez, no fim, isso não seja justiça.
Mas já é, de algum modo, um cuidado.
 
 
Apesar de ter gostado muito da crônica, fiquei intrigado com o título dado pela IA e perguntei: “Por que você escolheu este  título para essa crônica?” E esta foi a resposta:
 
Boa pergunta — e ela entra no espírito da própria crônica.
 
Sobre o título: “Manual Provisório de Justiça Biológica”
Ele tem três camadas de ironia:
“Manual” sugere algo técnico, organizado, quase científico — como se fosse possível normatizar a vida, criar regras claras para nascer e morrer. Isso contrasta com o caos real da existência.
“Justiça” aponta diretamente para a sua ideia original: corrigir uma “injustiça” da vida (morrer quando está feliz, ou preservar quem está melhor). É uma tentativa humana de impor sentido onde não há critério moral claro.
“Provisório” quebra tudo isso com delicadeza. É como se o próprio texto admitisse: “olha, isso aqui é bonito, mas não vai funcionar — e tudo bem”.
A vida não aceita versão final de manual.
O título, então, já prepara o leitor para uma proposta que é ao mesmo tempo séria e meio fadada ao fracasso — mas um fracasso elegante.

Ainda com vontade de fazer nada, resolvi imitar uma característica irritante do ChatGPT, que é sempre fazer novas perguntas e comentários após sua próprias ponderações e explicações. Por isso, dei a “estocada” final com esta pergunta: “Poderia explicar melhor o final desta crônica?”
 
E a danada da IA respondeu assim:
 
Vou destrinchar as últimas ideias.
 
1. “Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa.”
 
Aqui a crônica revela o motivo real da ideia do “design ideal”.
Não é engenharia da vida. É um gesto de proteção.
Quando alguém está vivendo algo muito bom — como um amor que chegou num momento inesperado — nasce um impulso quase automático:
 “isso não podia acabar agora.”
Então a mente tenta criar regras para o universo.
É uma forma de defender o momento.
 
2. “A vida não promete isso. Nunca prometeu. / Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.”
 
Esse é o ponto de virada emocional do texto.
Ele reconhece duas coisas ao mesmo tempo:
a vida não garante justiça emocional
mas ela também não impede que coisas boas aconteçam
Ou seja: o mundo não foi feito para preservar a felicidade…
mas curiosamente ela aparece mesmo assim.
Isso cria uma sensação de milagre cotidiano, sem chamar de milagre.
 
3. A repetição de “Permite…”
 
Essa parte é importante no ritmo e no sentido.
Ela transforma o final numa espécie de respiração calma, quase contemplativa.
Cada linha amplia um pouco a ideia:
algo pode começar tarde
alguém pode se surpreender com a própria felicidade
e, finalmente, alguém pode dizer algo simples
Essa progressão aproxima o leitor do momento humano que originou a crônica.
 
4. A última frase:
 
“E talvez, no fim, isso não seja justiça. Mas já é, de algum modo, um cuidado.”
Essa é a chave do final.
No começo da crônica, a preocupação era justiça (um sistema que decidiria quem vive mais).
Mas no fim, o texto percebe que talvez a vida não funcione com justiça — pelo menos não nesse sentido.
Então surge outra palavra mais suave: cuidado.
Não um cuidado planejado, técnico ou garantido.
Mas aquele tipo de cuidado que a gente sente quando algo bom aparece no momento certo, mesmo sem explicação.
É quase como se o texto dissesse:
Talvez o mundo não seja justo.
Mas às vezes ele é gentil.
E essa mudança — de justiça para gentileza da vida — é o verdadeiro fechamento da crônica.
 
Que mais eu poderia sentir além de inveja por tudo o que o ChatGPT criou em poucos minutos?

 

sábado, 21 de março de 2026

TIVE SIM - LUIZ MELODIA

Luiz Melodia foi um compositor que me cativou logo de início, quando ouvi a Gal Costa cantar “Pérola Negra” (“tente passar pelo que estou passando”), de sua autoria. Depois vieram “Juventude Transviada”, "Estácio, Holly Estácio" (“se alguém quer matar-me de amor que me mate no Estácio”) e outras que fogem do tema deste post, porque ele era um cantor fabuloso, com uma voz anasalada que punha no chinelo gente como o Cazuza ou Diogo Nogueira.

Infelizmente, faleceu vítima de câncer (doença filha da puta!) em 2017. Mas deixou uma interpretação ao vivo da música “Tive Sim” que é espetacular (desculpe, Diogo Nogueira, você pode ter pegado a deliciosa Paola Oliveira, mas como intérprete não chega aos pés nem de seu pai João Nogueira nem do Luiz Melodia). 

Para provar isso (embora não seja essa a intenção) vejam e escutem esta maravilha composta pelo genial Cartola. A propósito, o vídeo erra o autor, ao atribuir a música ao Zeca Pagodinho (faltou cultura inútil a quem deu esse vacilo!). Segura aí. 



sexta-feira, 20 de março de 2026

TÔ ERRADO?

 
Se eu soubesse que vc iria me tratar dessa forma após casar eu que não queria casar
Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa
Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa
Como toda mulher casada deve ser.
 
Gostou deste diálogo? Quer saber as regras que uma “fêmea beta obediente e submissa precisa seguir?
 
- Não cumprimentar homens com beijo no rosto e abraços
- Lugar de mulher é em casa cuidando do marido e não na rua caçando assunto
- Rua é lugar de mulher solteira a procura de macho.
 
Eu adoro a vulgaridade do uso das palavras “macho” e “fêmea” para animalizar o contato humano. Mas se ainda não ficou satisfeito, aqui vão ponderações cheias de sensatez e equilíbrio:
 
Enquanto vc estiver casada comigo e vivendo na minha casa, na minha comanda, as coisas serão do meu jeito... Mulher casada comprometida e que o marido é o único provedor do lar tem regras a cumprir
- Se você quer ter liberdade, não fique casada
- são as minhas regras e do meu jeito.
 
Só para esclarecer: essas doces palavras foram obtidas a partir da quebra de sigilo do celular de um coronel da Polícia Militar de São Paulo, preso e acusado de ter assassinado a esposa com um tiro na cabeça depois de imobilizá-la com uma gravata.
 
Esse gentilhomem matou sua linda esposa por não aceitar que ela usasse roupas justas e cumprimentasse outros homens com beijinho no rosto, coisas assim, e deixou clara sua visão:
 
Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo.
 
Quando a coitadinha disse que o bonitão da bala chita havia deixado de ser príncipe, cavalheiro, romântico, a besta-fera respondeu ser mais que príncipe:
 
“Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano”
 
Logo depois, em uma troca de mensagens, ela disse estar “praticamente solteira”, recebendo esta resposta:
 
- Jamais! Nunca será!
 
Acho que chega, né? Outro dia ouvi uma reflexão interessante: essa explosão de feminicídios que tem acontecido no país pode ter relação com a sensação de perda de poder que alguns homens sentem diante das mudanças sociais. Eu diria que esses homens padecem da "síndrome do pinto pequeno".

Hoje é inegável - e positivo - o fato das mulheres estarem ocupando espaços antes reservados quase exclusivamente aos bigodudos: policiais, delegadas, juízas, promotoras, CEOs, ministras e até presidente da República. E talvez seja justamente isso que alguns não conseguem aceitar: perder o controle que acreditavam ter sobre a vida de outra pessoa ou sentir-se inferiorizados pela competência feminina.
 
No caso de mulher presidente, faço este parêntese (não se deve perder a oportunidade de rever a matéria estudada para o vestibular há 57 aninhos): substantivos terminados em “e” não variam normalmente com o gênero. Por isso, dizer “presidenta” é feio pra burro. Pode? Pode, mas deveria evitar. Como ensinou o apóstolo Paulo, “tudo posso, mas nem tudo me convém”. Fica a dica.
 
Continuemos. Voltando à prática absurda do feminicídio, o que esse caso mostra com clareza é algo anterior ao crime: a mentalidade de posse, a ideia de que a mulher não é parceira, mas propriedade. E é justamente aí que começa o problema.
 
Eu defendo uma solução simples, mesmo que impossível hoje no país: pena de morte para o filho da puta. Olho por olho, dente por dente, mano!
 
Tornozeleira e cadeia  são condenações muito suaves para esse tipo de crime. A menos que o fodão fosse jogado em uma cela superlotada e virasse a mocinha dos presos. Ou então ser emasculado, ter o pênis, o pinto, o pau, o caralho cortado, amputado, moído, para deixar de ser besta. Tô errado?

quarta-feira, 18 de março de 2026

JÁ COMEU CAVIAR?

 
Sou um ignorante, um caipira. Eu ignoro tantas coisas, tantos assuntos, que me atrevo a dizer que sou um sujeito com pós-doutorado em ignorância. Apesar disso, tenho a mania de dar palpite em tudo, com especial ênfase nos assuntos de que não entendo porra nenhuma. E é com essa visão sócio-antropológica que resolvi falar hoje de “demeritocracia”, um neologismo jotabélico que explico melhor no final deste post.
 
Antes, porém, vou tocar (suavemente) no conceito tão em voga hoje de “meritocracia”. Se para você, caro leitor, estimada leitora, a meritocracia é como o caviar do Zeca Pagodinho (“nunca vi, não comi, só ouço falar”) –, fica aqui uma definição resumida: “é a ideia de que as pessoas avançam com base no próprio mérito, no esforço, no talento, no desempenho… e não por privilégios de origem, dinheiro ou conexões”. (Obrigado, Google!)
 
Agora, voltemos rapidamente à demeritocracia. Para início de conversa (o que a gente não faz para engordar um texto esquálido, não é mesmo?), sabe o que é demérito?
 
Segundo o Google, “demérito é a falta de mérito, desmerecimento ou uma ação que gera perda de consideração, respeito ou valor. E esta é a chave para meu neologismo (registra aí, Aurélio!).
 
Ultimamente – e foi assim que me ocorreu a palavra – tenho ficado muito incomodado, puto mesmo com a demeritocracia que existe nesta nossa Terra de Santa Cruz. Em certos ambientes – especialmente lá pelas bandas da Corte – o negócio não é exceção: é regra. Se bobear, deve ter até protocolo. Cara, o que tem de gente desclassificada nas altas esferas de Brasília não está no gibi!
 
E esta é a conclusão final para este texto curto: enquanto a meritocracia privilegia o indivíduo, a demeritocracia não escolhe alvo, sai ferrando a sociedade inteira. O mais louco é que os "demeritocratas" (demeritocráticos) ainda encontram eleitores que aprovam sua conduta!
 
Gostaram do neologismo surgido na mente descompensada de Jotabezinho? Não? OK! Já mandei chamar o cabo corneteiro para tocar o toque de Foda-se. Fui.
 
 

terça-feira, 17 de março de 2026

NOVAS EMOÇÕES

 
Tenho andado tão feliz ultimamente
Como se nas nuvens estivesse
Na boca um sorriso permanente
No rosto, expressão de bobo alegre
Irrefletido, aturdido, sorridente
 
Como o de adolescente inconsequente
Sonhando com o dia de encontrá-la
E que esse dia não tarde a chegar
Pois tudo o que eu quero é abraçá-la
E abraçar e abraçar e abraçar
 
Um abraço tão suave, carinhoso
Como se não houvesse outro
Como se fosse o último
Um abraço que trará a cura
De um sonho tão sonhado
E que jamais pude alcançar,
 
Num tempo que foi bom mas que passou
Sem que eu nada pudesse fazer
Tempo de dor, de conflito e tristeza
Impossível de ser esquecido
Mas hoje eu tenho a certeza
Que há novo tempo a ser vivido
 
Agora, um ajuste fino
Um fechamento de ciclo
Mato de chuva molhado
Aroma fresco, doce, terroso
Sabor de abraço apertado
De quem está ao meu lado.

segunda-feira, 16 de março de 2026

E O BRASIL NÃO GANHOU!

 
E o Brasil não ganhou o Oscar! Que peninha… Ou melhor, ainda bem! Porque quem ganha Oscar de melhor filme, melhor ator ou coisas dessa área não é um país: são profissionais que se dedicaram a fazer um filme com qualidades e mérito suficientes para serem indicados a essa celebração hollywoodiana.
 
Brasileiro – talvez outros povos também sejam assim – tem a mania de confundir o particular, o pessoal, com o coletivo, com o país. Se os filmes fossem produzidos como parte de uma campanha de divulgação do país, talvez se pudesse dizer que o Brasil ganhou ou perdeu o troféu.
 
Um caso pitoresco aconteceu com “O Beijo da Mulher Aranha”, filme brasileiro sim senhor, mas baseado em um romance do argentino Manuel Puig, roteirizado por um americano, dirigido pelo argentino Hector Babenco (naturalizado brasileiro) e tendo como atores principais o americano Willian Hurt – que ganhou o Oscar de melhor ator – e pelo porto-riquenho Raul Julia. E aí, como ou o que comemorar nessa salada multinacional?
 
Na mesma linha de raciocínio, um atleta que disputa os 100m de nado livre em uma Olimpíada, ali na sua raia, não está propriamente representando o seu país de origem. Pode até ter tido algum incentivo, pode ter sido patrocinado por uma empresa estatal, mas quem subirá ao pódio não é um país: é um atleta que ralou muito para conquistar aquela medalha. Talvez as equipes que disputam esportes coletivos, como futebol, vôlei e basquete, possam representar o país – mas só isso.
 
Os brasileiros e brasileiras deveriam se orgulhar – ou morrer de vergonha e tristeza – de o país ficar entre os melhores ou na rabeira nos “Oscars” da melhor educação, da melhor saúde, da melhor qualidade de vida, da menor desigualdade de renda. Esses, sim, medidos por indicadores internacionais como o PISA e o IDH, resultados de políticas públicas de qualidade e de longa duração. Se assim fosse, dava até vontade de ver um filminho abraçado com a amada.

 

domingo, 15 de março de 2026

NOBLESSE OBLIGE

 
Eu sempre ficava encantado ao ouvir minhas netas – então com cinco ou seis anos – espontaneamente dizendo “obrigada” por algo que tinham recebido ou ganhado. Tão pequenas e tão bem educadas! E ainda respeitavam a flexão de gênero que a boa educação recomenda: os homens dizem “Obrigado”; as mulheres dizem “Obrigada”. Detalhes pequenos mas indicadores de boa “educação de berço”.
 
Contei este caso apenas para dizer que li no blog “Alma Leve” um texto que fala sobre o ato de agradecer. E esse gesto simples me remeteu a uma entrevista que assisti na televisão há muito tempo.
 
O cantor e apresentador Ronnie Von disse que seu pai definia a elegância como “simplicidade”. E que lhe ensinou a sempre utilizar três expressões mágicas (o “mágicas” é por minha conta) para uma boa e civilizada convivência: “Obrigado”, “Por favor” e “Desculpe”.
 
O pai do “Príncipe” – como o cantor era chamado na época da Jovem Guarda – era diplomata e ensinava que diplomatas não deveriam discutir e precisavam ter um vocabulário polido. Resumindo, um gentleman – assim como eu e o Rei Charles (aquele do Ob).
 
Tentando escapar da grosseria da piada, fica a dica: “Obrigado” quando dito por homens e “Obrigada” quando dito por mulheres. Como diriam os franceses, “Noblesse oblige”.
 
E termino este texto dedicado à valorização da boa educação e cortesia nas relações interpessoais (acho que isto que ficou pedante!) agradecendo a paciência das leitoras e leitores deste blog mambembe. E por favor, não parem de acessá-lo. (estou me sentindo um lord!)

sábado, 14 de março de 2026

FRACOLINO

 
Creio que até os milhares de robozinhos que às vezes acessam este blog desconjuntado (o que será que eles procuram aqui? Qualidade do material publicado eu garanto que não é) sabem que Jotabê é um ogro mal-humorado e impaciente, além de velho pra kawaka.
 
E digo impaciente porque não tenho saco para assistir à maioria dos recentes filmes hollywoodianos, aparentemente feitos para atingir a juventude bronzeada que quer mostrar seu valor. Claro que também podem interessar aos jovens arredios, tímidos, branquelos, que vivem trancados no banheiro e com muito cabelo nas palmas das mãos (if you know what I mean).
 
Esses filmes não me atraem. Avatar, por exemplo. Quer filme mais idiota? Para mim (que não assisti), ele serviu apenas para colocar no meu dicionário pessoal a palavra “avatar”, que me soa como um convite insistente: “ah, vá, tá?”
 
Minha praia são filmes de humor inteligente ou nonsense, como os do Mel Brooks, ou então filmes noir realizados entre as décadas de 30 e 50.
 
Maaaas, voltando à palavra “avatar”, confesso – ligeiramente constrangido – que descobri o meu em um personagem de histórias em quadrinhos das antigas. Sem muito suspense: esse personagem aparece nas HQs do Bolinha e da Luluzinha.
 
Nunca ouviu falar dessas revistinhas? Jovem é foda: não sabe merda nenhuma, mas acredita sinceramente que sabe tudo. Tenho certeza de que os robozinhos que às vezes avoejam por este blog suculento e saboroso (acho que estou com fome!) conhecem essas deliciosas e inocentes HQs.
 
E o personagem é um velho meio calvo, de barbas brancas e bastante caduco, que aparece de vez em quando, mas sempre em momentos hilários. É o avô sem noção do Carequinha, amigo do Bolinha.
 
Olha o Vovô Fracolino aí. Acho que parecemos um pouco. Pelo menos na piração e na completa falta de senso. Talvez, em vez de meu "avatar", melhor seria dizer que ele é meu "avôtar", mais coerente com minha idade matusalêmica.



sexta-feira, 13 de março de 2026

SUJEITO A DEVOLUÇÃO

 
Tenho medo de você
Talvez nem saiba dizer por quê
Medo de te magoar
Medo de decepcionar
Ou medo de te perder
Medo de não atender
Ou de não corresponder
Ao retrato que pintou de mim
 
Não tenho cores a exibir
Sou branco e preto no olhar
Mesmo tentando enganar
Quem desejou me adquirir.
Sou produto gasto, vencido
De segunda mão, já mexido 
Sem nota fiscal, sem recibo
Sujeito a devolução

quarta-feira, 11 de março de 2026

VAZEZINHO!

 
Dizem que há muito, muito tempo (técnica para tornar imprecisa a data), viveu uma princesa bela como Branca de Neve – a quem a escumalha maledicente dizia sentir uma atração secreta e doentia por sete homenzinhos verticalmente prejudicados (anões, entendeu?). Mas beleza era o único ponto a unir essa personagem de história da carochinha com a outra, de crônica da carochinha (crônica sim, porque este narrador é preguiçoso e não gosta de escrever muito. E nem me perguntem o significado de “carochinha”!).
 
Pois bem, a princesa que não era Branca de Neve era, na verdade, uma louraça, uma loura estonteante acostumada a bronzear suas formas suculentas nas areias de Nova Guarapari.
 
Um dia (outra indeterminação temporal), fazendo sua caminhada diária, quase pisa em um sapo repulsivamente horroroso, que nem sabe como surgiu ali (as fábulas são assim mesmo).
 
- EEECA!!!! Que coisa nojenta!
 
Para sua surpresa, o sapo respondeu:
 
- Tendes razão, adorável e linda princesa. Sou hoje um sapo feio e gordo, mas, se me beijares, quebrareis o encanto que jogaram em mim e voltarei a ser o príncipe encantado e encantador com que sonhastes por toda a vida. (Mesmo sendo sapo, era muito educado  um anfíbio de família, mais precisamente da família Bufonidae.).
 
A princesa, que não era burra – apesar de loura –, tinha direito ao contraditório e contra-argumentou:
 
- Mesmo que eu sonhe com um príncipe encantado desde a minha juventude, não quero beijar um sapo nojento!
 
Mas o sapo era persistente, sedutor, e continuou a tentar convencer a princesa a beijá-lo. Disse até que escreveria crônicas e poemas para e sobre ela. Tanto fez que a princesa, fazendo a maior cara de nojo, beijou o sapo.
 
E o inesperado que era esperado aconteceu. Surgiu à sua frente um velho obeso, de barba branca e cabelos idem (os poucos que ainda não tinham caído), que sorriu doce e maliciosamente para ela.
 
Não acreditando no que via (tentativa de negação da realidade que a assustava), a deusa linda e loura exclamou:
 
- Eu estava esperando um príncipe lindo, charmoso e gostoso, mas você é um velho decrépito! E ainda fala como se tivesse saído do século passado!
 
- Tendes razão, oh apetitosa e linda princesa! Tenho hoje duzentos anos, pois virei sapo ainda no tempo da Primeira República. Mas continuo sendo capaz de amá-la.
 
A princesa nem pestanejou:
 
- Amá-la? Boa ideia! Pegue essa mala velha e suma da minha frente. Vê lá se quero me relacionar com um velho obeso e feio como você! Fui seduzida por suas palavras, mas já decidi (ela era muito assertiva quando precisava):
 
- Não quero te beijar nunca mais! Sei lá, vai que depois fico com a boca cheia de sapinho! Por isso, vaza! Ou melhor... vazezinho!

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

VÔ, ME CONTA SUA HISTÓRIA?

 
Sentados nos sofás da sala, um de frente para o outro, um homem idoso absorto na leitura de um dos livros de memória de Pedro Nava. Do outro lado, uma jovem teclando seu inseparável smartphone. De repente, ela para, olha para o homem e pergunta:
- Que livro é esse?
- Ahn? É um dos sete livros que o médico e memorialista Pedro Nava escreveu contando suas lembranças.
- Sete livros? Pô, esse tinha caso pra contar!
- Ele tinha uma memória poderosa, mas também utilizava cartas, retratos antigos e lembranças diversas que guardava.
- Legal!
- É sempre bom ouvir casos de épocas passadas. Os franceses chamam isso de “petite histoire”: a história de objetos e pessoas comuns, anônimas, mas nem por isso menos interessantes.
- Entendi! Vô, me conta sua história?
- Eu? Não tenho história para contar.
- Aposto que tem! Conta aí a história de uma paixão secreta do passado. Pode ser do presente também, se tiver.
- Revolver o passado nem sempre é bom.
- Besteira! Agora que vovó morreu, você pode contar o que quiser para mim. Eu juro que fica só entre nós. Conta aí, vai!
- Tá bom. Vou contar de uma paixão que se misturou com o relacionamento que eu e sua avó tivemos, como se fosse um bordado, um trançado de linhas que volta e meia se cruzavam e que eu tentava manter em segredo.
- Eba! Já tô curiosa!
- Eu a conheci muito antes de sua avó...
- Pera aí: como ela se chama?
- Você quer uma história ou uma biografia?
- Tá, desculpe. Não vou mais te interromper.
- Vamos chamá-la de Jô, está bem?
- OK.
- Foi em uma hora-dançante. Eu a chamei para dançar e ela aceitou. Eu dançava horrivelmente mal, era tímido, bobo e inexperiente. Deus, como eu era inexperiente! Talvez eu tenha tentado dançar de rosto colado, mas creio que ela travou e logo disse que iria parar. Não me lembro mais o que aconteceu depois disso, só sei que ela disse onde morava, o que talvez eu tenha interpretado como um convite.
- E você foi lá?
- Claro, eu queria arranjar uma namorada! Mas foi uma ducha fria, pois uma amiga dela não nos deixou a sós nem por um segundo. Agora imagine a situação: um jovem tímido, bobo e inexperiente, sem saber como agir. Não havia nada a fazer e eu tive de ir embora. Está gostando da história?
- Estou, mas esperando mais ação, romance, surpresa.
-Só depois que trouxer um café para mim. E traga água também, para molhar a garganta.
- Beleza.
 
A água e o café chegam e a menina ordena:
- Continua!
- Logo no início do namoro com sua avó, eu ainda tinha “passe livre” para ir a horas dançantes depois de sair de sua casa. E era isso que eu fazia. Em uma dessas vezes, quem eu encontro?
- Já sei, a Jô!
- Claro! Eu não sei o que acontece comigo, o que sempre aconteceu comigo, parece que eu fui enfeitiçado, magnetizado pela Jô. Aí a chamei para dançar. Ela concordou, sem demonstrar muito entusiasmo. Mas aí aconteceu um “milagre”: a música que passou a ser tocada era daquelas que se dança separado.
- Ahahah, nem imagino você dançando assim!
- Naquele tempo, as danças já surgiam com passos coreografados e eu estava “up to date”, como dizem. Eu sabia a coreografia da nova dança. Quando me viu dançando assim, ela chamou uma amiga para me ver.
- Eita!!!!
- Pois é, eu me senti o rei da cocada. Quando a música lenta recomeçou, ela se aconchegou, e se aninhou em meu peito, a gata se transformando em gatinha. Mas era tarde, pois eu já namorava sua avó.
- E ficou por isso mesmo?
- Bom, teve ainda uma festa junina que era o que havia de mais top na época. Também fui sozinho – e lá estava ela. Ficamos a noite toda juntos, aos abraços e beijos.
- Acho engraçado ver você contar esses casos, seus olhos brilham ao falar dessa mulher. Ela era bonita?
- Era... e ainda é.
- E aí, que rolou depois?
- Aconteceu um fato curioso. Como eu estava com a cabeça super confusa, comecei a fazer terapia perto da Praça Sete. Não sei como, mas meu irmão encontrou com ela e contou que eu não andava muito bem.  Acredita que ela apareceu na casa da minha avó? Eu estava saindo para a terapia e ela me ofereceu carona. Tinha acabado de ganhar um carro do pai e estava toda feliz.
- E aí? 
- Me deixou no centro e foi embora. Depois disso, foi de novo lá em casa, me pegou e acabamos parando em rodovia , debaixo de um viaduto. Estávamos nos beijando quando chegou a polícia rodoviária e nos mandou vazar dali.
- Sacanagem, nem uma mão no peitinho?
- Minha filha, você está falando com seu avô!
- E daí? Isso é tão normal!
- Pode ser hoje, mas naquele tempo não. Além disso, eu era muito, muito bobo e inexperiente.
- Nem imagino você assim!
- Deixa eu continuar mais um pouco, pois já estou cansado.
- Manda!
- Teve também o lance do vestibular. Como eu já tinha entrado na faculdade, consegui uma boquinha para trabalhar de fiscal no próximo vestibular. Estou lá tranquilão, quando quem vejo chegar?
- A Jô, claro. Tô achando que essa mulher tem super poderes ou GPS para te localizar!
- Pois é... Ela estava estonteantemente linda, toda de branco. Naquele momento o Mineirão era utilizado para as provas. Por isso perguntei qual era o setor onde ela ficaria. Peguei emprestado um binóculo do exército e comecei a procurá-la do outro lado do estádio, pois não podia sair do meu posto. E achei.
- Que mais, só isso?
- Eu preferia não entrar em mais detalhes, pois o caso fica meio constrangedor.
- Cê tá querendo escapulir, né? Mas vamos fazer assim: você para agora, mas continua amanhã, fechou?
- Combinado.
 
Mas a neta nunca ficou sabendo o resto daquela história banal do avô, pois pela manhã, estranhando a demora dele para o café, foram até o quarto onde dormia. Encontraram-no morto, com os olhos abertos e um sorriso congelado em sua boca.
 

domingo, 8 de março de 2026

E OS OUTROS 364?

 


QUE DIA!

 
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Parabéns! Mas os outros 364 também deveriam ser dias internacionais da mulher. Só assim, quem sabe, acabaria essa explosão de feminicídios que a mídia divulga.
 
Hoje também completam-se três meses do falecimento do meu inesquecível Amor. Talvez por isso, tive insônia. Acordei muito cedo (3h30), fiz café e deitei de novo. Dei uma cochiladinha e ela apareceu em um sonho fugaz, sorrindo pra mim com aquele rosto lindo que tinha. Queria que o sonho tivesse continuado! Chorei muito, tanta saudade eu senti ao acordar.
 
O Kid Abelha tem uma música linda (Os Outros) com alguns versos que definem bem que sinto por ela, o que sempre sentirei por ela. Vejam se não é isso (fiz pequenas modificações de gênero e situação):
 
Não consigo aceitar a gente separado
Procuro evitar comparações
A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre seu
 
Que saudade! Desculpem por compartilhar este momento com vocês, mas estou profundamente triste agora.



sexta-feira, 6 de março de 2026

SEM TRADUÇÃO

Minha cama está vazia
Minha casa está vazia
Minha vida está vazia
Têm sido assim os meus dias
 
Pode ser que isso mude
E que alguém talvez me ajude
Fazendo algum sortilégio
Que possa matar o meu tédio
Ou me dê esperança
 
Algo que se espera tanto
Impossível de alcançar
Imagem fugidia do passado
Que pretendo reencontrar
 
Isso sim um privilégio
Um desejo, uma lembrança
Que dê sentido à vida
Que cure uma ferida
Que não quer cicatrizar
 
Não quero apagar o que fiz
Remover a cicatriz
Lembrança de um tempo
Em que fui feliz e infeliz
 
Mas era isso que eu queria
Sabendo que não podia ter
O passado e o presente
Os dois num mesmo dia
 
Agora que estou sozinho
Posso buscar o passado
Trazê-lo para novos dias
Sem culpa e sem pecado
 
Curiosa, estranha ironia:
Um passado se fez presente
O presente se fez passado
Só deixando a nostalgia
 
Mais que isso não direi
Pois dois presentes vivi
E precisei escolher
com qual dos dois eu ficaria
 
Escolha difícil, sofrida
triste escolha de Sofia
Mandar pro passado um presente
Que me alegrava e aquecia
 
E se ninguém me entender
Nada mais posso fazer
Não pretendo traduzir
Aquilo que eu quis dizer
 

quinta-feira, 5 de março de 2026

QUE DUPLA!

 
Segundo o dicionário, “sicário” é um assassino contratado para matar alguém. Deve haver algum erro aí, pois “Sicário” parece ser apenas o capacho do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master – um sujeito mais enrolado que bobina de motor elétrico.
 
Confesso que me espantou a notícia de que esse “Sicário” tentou se matar na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais, poucas horas depois de ser preso.
 
Sou obrigado a recorrer a uma interjeição bem mineira: Uai, tão rápido assim? Por quê? Tem tanta coisa assim a esconder?
 
Para ser sincero, não sei e nem quero saber. Mas me ocorreu que, se ele conseguisse se enforcar na prisão, talvez surgisse uma manchete curiosa:
 
“Vorcaro e Enforcaro: que dupla!”
 
Brasil, meu Brasil brasileiro…
 

SÁBIAS PALAVRAS!

 


MAIS UM NA MULTIDÃO - ERASMO CARLOS E MARISA MONTE

Hoje, enquanto estava dirigindo, vi um backbus da Unimed, uma frase estampada no vidro traseiro do ônibus que estava à minha frente. Esta er...