Achei lindo este poema encontrado no Facebook.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
MÃE - CRIS GUERRA
Separando coisas guardadas por minha mulher, encontrei um livrinho pequeno, fininho com belas ilustrações, publicado pela Editora Miguilim, e delicado como parecer ser a autora do texto.
quando nasce um bebê, nasce também uma mãe.
Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho. Uma mecânica de carrinhos e controle remoto. Uma médica de bonecas. Uma professora–terapeuta–cozinheira de carreira medíocre. Nasce uma fábrica de cafuné, um chafariz de soro biológico, um robô que desperta ao som de choro.
– mães não se conformam em deixar o mundo sem encaminhar devidamente um filho.
Se já era impossível, cuidado:
ela vira muitas.
Mães são fogo. Ninguém segura. Se antes eram incapazes de matar um mosquito, adquirem uma fúria inédita. Montam guarda ao lado de suas crias, dispostas a enfrentar tudo o que zumbir perto delas.
pernilongos, lagartas, leões, gente.
– alguém está?
passou.
Onde fica Guiné–Bissau.
Os rumos da agricultura orgânica. As alternativas contra o aquecimento global. Política.
E até sua própria saúde.
Filhos as rejuvenescem, tornando suas vidas mais perigosas
– e mais urgentes.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
BLOCO DE GRANITO
Minha mulher tem uma prima que mora há muitos anos em Portugal, depois de vender tudo o que tinha aqui e mudar-se definitivamente para lá, levando marido e filha. Não sei a frequência com que vem ao Brasil, só sei que em uma dessas promoveu o encontro das primas, momento registrado em uma foto linda que me mandou há uns três dias. Não sei em que ano foi isso, mas deduzo ter sido antes da descoberta da doença terminal da minha Amada. E ela estava linda na foto!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
BOLA-GATO?
Depois de alfabetizado e já conhecedor de alguns palavrões, comecei a procurá-los às escondidas no “Dicionário Escolar da Língua Portuguesa”. Embora fossem palavras e expressões corriqueiras – cu, puta e seu respectivo filho, viado e outros de mesma elegância –, não encontrei nenhum, nem mesmo uma reles bunda. Parece que a incorporação de palavras chulas aos dicionários tipo Aurélio aconteceu de forma progressiva ao longo do século XX, como forma de se obter um registro completo da língua portuguesa falada no Brasil, o que acho sensacional. Obviamente, um “dicionário escolar” do início do século passado jamais exibiria em suas páginas essas putarias ditas nas ruas.
domingo, 18 de janeiro de 2026
sábado, 17 de janeiro de 2026
PREFERE SONHO OU REALIDADE?
Esta crônica foi escrita originalmente com palavras mais cruas, com linguagem mais explícita. Sugeriram que eu a tornasse "palatável" para leitoras de comportamento mais delicado e elegante. Até pedi ajuda ao moralista ChatGPT, mas a versão ficou muito suave, quase asséptica. Aí resolvi fazer uma suavizada jotabélica.
Ele precisava falar com alguém. Precisava de
companhia. Ligou para uma antiga amiga.
- Oi,
Ricardo, que surpresa! Como você está?
-
Vivendo.
-
Parece que não está bem…
- Que "nada" você tem para fazer hoje?
- Como
assim?
-
Reformulando: você tem alguma coisa para fazer hoje?
- Não. Só ver o BBB. Por quê?
-
Queria te convidar para comer uma pizza. Estou precisando de companhia.
-
Adorei! Amo pizza. Você me pega aqui?
- Eu te
pego em qualquer lugar, do jeito que você quiser, meu sonho sempre foi te pegar.
-
Engraçadinho!
- Oito
horas?
- Oito.
Às oito em ponto ele a pegou na porta do
prédio. Ela já o esperava na calçada. Estava envelhecida, mas continuava
alimentando suas fantasias.
Depois dos beijinhos automáticos, ela
perguntou como ele estava, enquanto escolhia o sabor da pizza.
- E
então, como está convivendo com a solidão?
-
Estranha. Casa vazia. Vida vazia.
- Você
gostava bem dela, não?
- Sim e
não. Talvez estivesse acostumado a uma rotina cheia de silêncios. Quando ela se
separou eu me assustei, mas entendi. Já não transávamos havia três anos.
- Três
anos? E como você administrava isso?
- Usava
o método adolescente, no banheiro.
- Credo!
-
Horrível está agora. Nunca tive tanta vontade de contato físico com uma mulher, com o corpo nu de uma mulher! Abraçar, beijar, cheirar, tocar, todas as possibilidades que um encontro íntimo propicia. E isso está me deixando maluco.
Ela desviou o olhar.
- E o
que você pretende fazer? Pagar uma garota de programa?
- Está louca? Eu sempre valorizei a afinidade, a intimidade com a parceira.
- Onde
você acha que vai encontrar isso hoje?
- Foi
por isso que te convidei para comer pizza.
Incrédula, ela reaspondeu:
- Você
enlouqueceu?
-
Talvez. Mas sempre tive a sensação de que você gostava de me provocar e seduzir com suas
histórias sensuais e picantes.
- Nunca
te contei histórias picantes!
-
Contou de homens. De sexo. E aquilo incendiava minha imaginação. O auge foi
quando me matou de desejo ao contar ter ido para o motel com um ex-colega de
colégio, só para realizar uma fantasia dele. Que inveja do filhadaputa! E a
minha fantasia sexual, como é que fica? Devia ter te contado, pois eu tenho frequentes sonhos eróticos com você. E são ótimos!
- Essa
conversa está me deixando constrangida.
- Calma, coma sua pizza! Quer mais cerveja?
- Não, obrigada.
- Só
mais uma lembrança: lembra de um natal passado na casa da sua mãe, em que você
sentou ao meu lado? Como o sofá estava cheio de crianças barulhentas, você
ficou tão próxima de mim que nossas coxas se encostaram. Você estava linda. Depois, as crianças
saíram e ficamos só nós dois no sofá em uma sala vazia, a sua coxa deliciosa espremida na minha. Você não se arredou! Fiquei tão inseguro com a possibilidade de alguém nos ver assim que também me levantei, Mas fiquei com a sensação de que
você tinha vontade de dar para mim. E você era a garota mais gostosa do bairro!
Falando sério, você alguma vez teve vontade de dar para mim? Ainda está em tempo!
Ela ia responder quando alguém tocou seu
ombro.
- Pai,
acorda! A pizza chegou.
Estava em uma pizzaria e tinha cochilado. O
filho o olhava com impaciência. Olhou sem vontade para a fatia de marguerita colocada em seu prato. Não queria comer pizza, o que queria mesmo era ter escutado a resposta.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
SOMEBODY TO LOVE – ANNE HATHAWAY
Este é um blog que perdeu a
vergonha na cara, ou melhor, em que o blogueiro perdeu toda a compostura. Por
isso, para alegrar ouvidos, corações e mentes, um vídeo – na verdade o trecho
de um filme estrelado pela linda Anne Hathaway (que boca, meu Deus!), cantando
a música “Somebody to Love”, do Queen (lindíssima).
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
O ÚLTIMO PROJETO
Mesmo que possa estar equivocado, tenho
sentido não ter mais muito tempo de vida. Por isso, talvez seja o momento de dar início a
meu último projeto. Primeiro comprarei um caderno brochura pequeno, pautado e
de capa mole, desses que o governo dava para os alunos do ensino fundamental.
Munido de caneta esferográfica, começarei a escrever sobre minha vida, mas não uma biografia para auto-endeusamento. Ao contrário, escreverei tudo de ruim, ridículo,
vergonhoso ou imoral que cometi ao longo da vida e que tentei esquecer e manter às
escondidas até de mim mesmo, por ser muito doloroso ou condenável.
Começarei recordando as pequenas trapaças e os pequenos furtos cometidos na infância e adolescência. Passarei depois a anotar os pensamentos pecaminosos, libidinosos, inconfessáveis e doentios que tive durante toda a minha vida, fantasias sexuais com tias, primas, cunhadas e amigas, mulheres próximas demais, proibidas demais, que molharam meus sonhos ou me acompanharam no banho solitário debaixo do chuveiro.
Em seguida virão as pequenas e grandes mentiras, as fraquezas, as traições que cometi ou quando não fui capaz de reagir nas muitas vezes em que fui ultrajado. Sem querer esconder nada, confessarei como fui pervertido, indecente ou desonesto.
Nada será omitido. Quero escrever em detalhes as vezes em que fui depravado e sórdido. Começarei a registrar os pesadelos que às vezes me atormentam desde a primeira infância, as lembranças que trazem arrependimento e vergonha por sempre ter-me comportado de forma tão covarde, abjeta e degradante, de ter-me humilhado de forma tão pusilânime, de ter sido tão medroso e mesquinho ao longo da vida. Porque por trás do meu comportamento sorridente e educado sempre houve alguém frágil e inseguro, mas também falso, odioso, sádico e cruel.
Começarei recordando as pequenas trapaças e os pequenos furtos cometidos na infância e adolescência. Passarei depois a anotar os pensamentos pecaminosos, libidinosos, inconfessáveis e doentios que tive durante toda a minha vida, fantasias sexuais com tias, primas, cunhadas e amigas, mulheres próximas demais, proibidas demais, que molharam meus sonhos ou me acompanharam no banho solitário debaixo do chuveiro.
Em seguida virão as pequenas e grandes mentiras, as fraquezas, as traições que cometi ou quando não fui capaz de reagir nas muitas vezes em que fui ultrajado. Sem querer esconder nada, confessarei como fui pervertido, indecente ou desonesto.
Nada será omitido. Quero escrever em detalhes as vezes em que fui depravado e sórdido. Começarei a registrar os pesadelos que às vezes me atormentam desde a primeira infância, as lembranças que trazem arrependimento e vergonha por sempre ter-me comportado de forma tão covarde, abjeta e degradante, de ter-me humilhado de forma tão pusilânime, de ter sido tão medroso e mesquinho ao longo da vida. Porque por trás do meu comportamento sorridente e educado sempre houve alguém frágil e inseguro, mas também falso, odioso, sádico e cruel.
E, no entanto, ninguém nunca lerá uma linha sequer sobre isso, sobre minhas baixezas e falta de caráter. Quando eu terminar, o caderno será posto dentro de uma lata com álcool e queimado até virar cinza. Assim, serei sempre lembrado como alguém amistoso, gentil e cordial (mesmo que um pouco arredio) pelas pessoas que pensavam me conhecer.
setembro/2025
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA
Tenho tentado publicar textos provocadores ou
divertidos, para espantar a saudade que não acaba, mas hoje estou com síndrome
de abstinência. Como estou sentindo sua falta, Lily!
Como já contei aqui no blog, nunca consegui memorizar o número do meu celular, problema resolvido com um pedaço de fita crepe colado nas costas do aparelho, onde anotei o diabo do número. Para aproveitar o aparelho e o número do celular que era dela (que eu memorizei), fiz uma limpa nas milhares de fotos e imagens que ia
acumulando, um trabalho que resultou no descarte de quase 4.000 arquivos.
Ela tinha um comportamento de esponja e arquivava tudo o que recebia: imagens e gravuras encharcadas de carinho, mensagens fofinhas, fotos de filhos, netas, irmãos, primos e de todas as pessoas que conhecia. O que sei é que rever sua imagem sempre linda e sorridente me deixou de bode (usando uma gíria antiga), triste e com a sensação de que viver não vale mais a pena. Pior ainda foi descobrir um vídeo de 2022 que ela fez para duas netinhas por ocasião de seu aniversário de três anos, se não me engano. Vê-la e ouvir sua voz novamente teve o efeito de um soco na cara, me nocauteou. Ah, Lily!
Ela tinha um comportamento de esponja e arquivava tudo o que recebia: imagens e gravuras encharcadas de carinho, mensagens fofinhas, fotos de filhos, netas, irmãos, primos e de todas as pessoas que conhecia. O que sei é que rever sua imagem sempre linda e sorridente me deixou de bode (usando uma gíria antiga), triste e com a sensação de que viver não vale mais a pena. Pior ainda foi descobrir um vídeo de 2022 que ela fez para duas netinhas por ocasião de seu aniversário de três anos, se não me engano. Vê-la e ouvir sua voz novamente teve o efeito de um soco na cara, me nocauteou. Ah, Lily!
Se eu puxar a genética da família de minha mãe corro o risco de precisar suportar viver até os noventa anos ou pouco menos. Olha que chatice isso significa sem ela ao meu lado! Como cantaram os Titãs, “não vou me adaptar”.
Estava nessa tristeza quando a consciência foi invadida por um pensamento bizarro e inesperado: talvez seja melhor nunca ter relacionamentos de longa duração, talvez o melhor seja promover a separação ainda em vida (claro, né?), para que a dor provocada possa ser amortecida pela visão mesmo que fugaz do outro ou outra, pela notícia de que ela/ele está bem.
Talvez, quem sabe, até role uma pegada para matar a saudade, mas nunca, jamais, que a separação seja irreversível, provocada pela morte de um dos dois, pois isso dói demais. Claro que estou falando de um casal que se ama, bem o oposto dos feminicidas que matam por se acreditarem proprietários daquele corpo, daquela alma, daquela mente.
Então, esta é a teoria miojo de hoje: Você ama sua mulher, seu marido? Separe-se dele enquanto é tempo, para não sofrer a dor que sinto nem uma saudade que não se acaba.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
NO CONSULTÓRIO
Era a última consulta agendada e o médico chama o paciente. Entra um homem se contorcendo todo, acompanhado de uma mulher. Segue o diálogo:
- Não doutor, eu estou ensaiando para receber espírito no centro perto da minha casa.
O paciente entra no consultório. Após os cumprimentos de praxe, o médico pergunta:
- Eu não vim aqui para me consultar, eu vim para divulgar a palavra de Deus.
- Passei.
- Ok, você tem direito a quinze minutos. Fique à vontade
domingo, 11 de janeiro de 2026
SIM - "ELA"
Há alguns anos, remexendo em uma caixa cheia de papeis antigos, minha mulher encontrou uma folha de caderno com algumas anotações rascunhadas. Nela, um poema escrito no início da década de 1970. Sem nenhum entusiasmo, entregou-me a folha e disse para rasgar e jogar fora depois que lesse – se eu quisesse ler. Não rasguei nem joguei fora, sentei-me em frente ao velho desktop e copiei os versos tratados com tanto desinteresse, já pensando em publicá-los no Blogson, pois gostei demais de sua aparente simplicidade (além disso, creio que o “ele” era eu). Como não havia um título, escolhi o que me pareceu mais coerente. E ela continuou com a identidade preservada. O tempo passou, eu a perdi e este post, originalmente publicado em 27/07/2022, ficou esquecido, guardado no blog como "Rascunho". Não ficará mais, será um testemunho de sentimentos que a fizeram repensar nosso relacionamento ainda no início do namoro. Como era linda!
Sim, amar exige cuidados
Sim, amar é um dilema
Será que vale a pena?
Sim, se ele não é seu amigo
Sim, amar é perigoso
Se ele é enganoso
Ele acha isso besteira
Fingimento é um castigo
Você não sabe se isso é aquilo
Você é tão maneira
Se ele não está com nada
Você tem que estar centrada
sábado, 10 de janeiro de 2026
TRÍGAMO
Aviso às leitoras e leitores deste blog desconjuntado: este texto é humor confessional. Não é manual de conduta, nem pedido de absolvição.
– Luisa Brunet.
– Ah, é? Quer dizer então que você acha a Luisa Brunet linda? Bom saber!
- Olha aí sua lindeza. Não sei o que você viu nela! Mulher horrorosa!
- Luisa Brunet?
- “Sou, mas quem não é?”
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
BALÃO DE GÁS
Vivi 55 anos da minha vida ao lado da mulher
que amava (e sempre amarei). Isso significa que passei toda a minha vida adulta
ao lado dela, tempo em que fomos nos moldando e nos adaptando um ao outro, de
tal forma que não consigo imaginar como eu seria hoje se nunca a tivesse conhecido. Provavelmente teria me casado com uma antiga namorada, talvez já
estivesse divorciado, morando em outro estado ou país, tivesse ficado rico
ou pobre de marré de si. Talvez alcoólatra, maconheiro ou monge
budista, sei lá o quê!
Só sei uma coisa, perder a mulher da minha
vida embaçou meu dia-a-dia e tirou minha vontade de viver, de continuar
vivendo – apesar dos filhos, filhas e netas. Hoje eu acordo com uma
enorme sensação de vazio, sem vontade ou ânimo para nada. Apesar disso,
levanto-me e faço o que preciso fazer, mas tudo ficou irreal, irrelevante, sem
sentido. Hoje eu me sinto tão inútil quanto um balão de gás que se esvaziou.
Leio as notícias nos portais que sempre
acessei, irrito-me com os acontecimentos ou declarações de gente idiota, mas
digo “foda-se!” mentalmente,
pois nada mais tem importância para mim. Ou melhor, a escala de valores mudou.
O que era relevante deixou de ser.
Saudade: tenho controlado sem maior esforço,
consigo rir, falar asneiras e até me divertir. À noite, com os olhos já
fechando de sono, beijo o terço que ela estava usando mais recentemente,
digo “Boa noite, Amor!”, deito e
durmo com a maior facilidade, quase instantaneamente. É uma sensação estranha
de estar com alguém que não está mais aqui.
Agora estou envolvido na tarefa de desapegar
e doar a imensa quantidade de objetos, livros, calçados, bolsas, roupas, vasilhas
e até papéis e caixas de presente que ela insistia em guardar para futura
reutilização. O resultado imediato desse mergulho foi encontrar uma pequena
caixa da Mesbla, nunca
utilizada. Para mim, um fissurado pela preservação da memória, essa embalagem
antiga já seria o presente. Para quem não sabe, Mesbla é o nome de uma grande rede de lojas de departamentos, que faliu em 1999.
Tentando organizar a suruba, fiz uma relação
das doações pretendidas de forma quase didática, onde listei sapatos de salto
alto e salto baixo, sandálias, chinelos e rasteirinhas, bolsas, cintos, blusas de
frio e casacos, calças de malha e de tecido, bermudas, camisas e camisetas,
camisolas e pijamas, saias, vestidos curtos e longos, roupas de uso doméstico,
roupas para costurar, apertar ou modificar.
Vieram depois as joias e bijuterias diversas:
colares, lenços, produtos variados para maquiagem, escovas elétricas, bolas de
plástico para piscina infantil, peças de artesanato em mdf, uma máquina de
tricô Lanofix e suas linhas, copos de vidro para milk-shake e banana split,
embalagens para presente, tecidos diversos para costura, sacolas e papéis para
reciclagem, livros, pratos, copos, panelas de aço inox, xícaras de café,
pacotes de chá de vários sabores. etc. etc. etc.
Pela quantidade e diversidade dos ítens, pensei até em
fazer um brechó ou bazar na garagem, mas fui dissuadido disso pelos filhos, preocupados
com um portão convidativamente aberto, permitindo a entrada de desconhecidos em
nossa casa. Apesar disso, muita coisa já foi doada.
Mas difícil mesmo é separar as roupas que ela
usou. Comecei por esvaziar três das dezesseis gavetas do armário de onde minhas
roupas foram expulsas para dar lugar às dela. Acumuladora em nível médio,
recusava-se a se desfazer de roupas esquecidas há séculos nos cabides e
gavetas, ou daquelas que não serviam mais ou, até mesmo, que estavam fora de moda.
A dificuldade maior não é esvaziar as gavetas, mas rever e manusear roupas que
ela usou nos últimos tempos. Lembrar-me dela, tão linda, usando uma dessas faz
minha garganta se fechar e os olhos arderem.
Não tenho a intenção de apagar sua memória
entranhada nessas roupas e objetos, apenas de dar nova destinação ao que não
será mais usado. Depois de tudo separado e doado, os armários utilizados por
ela ficarão vazios – mas nada comparado ao vazio que sinto por dentro.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
TRIGÉSIMO DIA
Hoje completa-se o trigésimo dia do falecimento da minha amada Eliany. Consegui falar com o Padre Leonardo, o mesmo que, há cinquenta anos, abençoou o nosso casamento. Muito idoso agora, caminhando com a ajuda de um andador, ainda assim se dispôs a celebrar a missa de 30º dia na Capela dos Crúzios, na Rua Eurita. Contou-me que o espaço é pequeno, acolhendo apenas um grupo de vinte pessoas.
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
A GRANA EU NÃO DISPENSO!
Como sabem as pessoas que acessam este blog, minha mulher morreu em consequência de um câncer no fígado, descoberto quando já tinha surgido uma metástase no quadril. Naquele momento nós não sabíamos que isso representava sua sentença de morte, estatisticamente esperada para daí a 21 meses. Faleceu 33 meses depois.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
HOMEM COM AGÁ
Em uma cidadezinha do interior do Nordeste há duas coisas extremamente valorizadas e potencialmente polêmicas: as disputas apaixonadas da política local e a capacidade de um homem gerar um descendente do sexo masculino, prova inconteste de sua masculinidade.
do médico e à anuência da esposa, virou pai de um casal de gêmeos.
Tecnicamente, pode-se
dizer que o papai machão sempre desejou ter um homem em sua vida, não é mesmo?
domingo, 4 de janeiro de 2026
TAKE THE “A' TRAIN” – THE DELTA RHYTHM BOYS
Algumas músicas me fascinam tanto que eu acabo por procurar novos arranjos, novas versões, novos intérpretes. Take the “A” Train é uma dessas. Foi composta por Billy Strayhorn, parceiro e arranjador do Duke Ellington, que a gravou em 1941.
Como diria o Jeca Gay, personagem hilário criado pelo multitalentoso Moacir Franco: “se é verdade, é sim sinhô, quem me contou foi um pescador”.
).
sábado, 3 de janeiro de 2026
REVEILLON
Deram-me a ler outro dia
um livro sobre como morrer.
Pensaram talvez ser cuidado, empatia,
por me verem tanto sofrer.
Mas ninguém perguntou se eu queria,
se era isso que eu tinha de ler.
Não consegui perceber
e, confesso, jamais consegui entender
como era ingenuamente feliz.
Acreditava bastar só um clique
para pôr fim a meus chiliques
e a tudo que não compreendia.
Como era tolo, infantil,
como eu era imaturo!
Não conhecia perdas reais,
Não sabia o que era perder,
o significado real de perder
o maior bem da minha vida.
Hoje não penso em morrer,
mas sei que enquanto viver
lamentarei ter sofrido
por motivos banais e vivido
como se fosse o mais oprimido,
como se não fosse eu o bandido.
Não sabia o quanto gostava,
não sabia o real valor
de quem sempre esteve comigo,
de quem não tornarei mais a ver.
Agora eu sei que esta dor
é uma dor que não sairá mais,
Nunca mais.
(escrito na madrugada do dia 01/01/2026)
um livro sobre como morrer.
Pensaram talvez ser cuidado, empatia,
por me verem tanto sofrer.
Mas ninguém perguntou se eu queria,
se era isso que eu tinha de ler.
Não consegui perceber
e, confesso, jamais consegui entender
como era ingenuamente feliz.
Acreditava bastar só um clique
para pôr fim a meus chiliques
e a tudo que não compreendia.
Como era tolo, infantil,
como eu era imaturo!
Não conhecia perdas reais,
Não sabia o que era perder,
o significado real de perder
o maior bem da minha vida.
Hoje não penso em morrer,
mas sei que enquanto viver
lamentarei ter sofrido
por motivos banais e vivido
como se fosse o mais oprimido,
como se não fosse eu o bandido.
Não sabia o quanto gostava,
não sabia o real valor
de quem sempre esteve comigo,
de quem não tornarei mais a ver.
Agora eu sei que esta dor
é uma dor que não sairá mais,
Nunca mais.
(escrito na madrugada do dia 01/01/2026)
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
CHEERS!!!!
Há 4.000 anos os sumérios já desejavam “pão e cerveja” como augúrio de saúde e sucesso. Isso sempre me deixou pensativo, pois a cerveja parece ter sido desde sempre uma fonte confiável de hidratação e de alegria, especialmente em épocas em que a água não era tratada e, provavelmente, nunca filtrada.
Mas, como disse, tenho pensado em acabar com a
abstinência total de bebida alcoólica. Talvez, para homenagear a minha deusa, volte a beber um copo de cerveja –
que sempre desceu super bem, mas ficando só nisso, pois o segundo copo sempre teve
gosto de cerveja – e eu detesto o gosto da cerveja!
Entretanto, depois de ler uma
reportagem sobre o uso da cerveja como vacina, talvez eu tolere o segundo copo,
mas apenas como medicamento necessário e preventivo. Segundo essa reportagem “um cientista americano criou uma cerveja que
funciona como vacina e causa controvérsia internacional”.
“Um cientista dos Institutos
Nacionais de Saúde (NIH), dos Estados Unidos, criou em sua própria cozinha
uma cerveja que atua como vacina oral contra
um poliomavírus potencialmente perigoso. O virologista Chris Buck, que
descobriu quatro dos 13 poliomavírus humanos conhecidos, decidiu ultrapassar as
barreiras impostas pela burocracia regulatória e testar em si mesmo a
viabilidade de uma vacina comestível.
A bebida contém leveduras geneticamente modificadas para produzir partículas semelhantes às do poliomavírus BK, associadas a cânceres e complicações graves em pessoas imunossuprimidas, como pacientes de transplante. Ao ingerir a cerveja, Buck afirma, em entrevista ao ScienceNews, ter produzido anticorpos contra diferentes subtipos do vírus, sem efeitos adversos relatados”.
Tudo estaria bem se ele não tivesse tornado públicas suas experiências.
Bastou tomarem conhecimento dessas insuspeitadas qualidades para os
caretíssimos Comitês de ética dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA
desautorizarem a autoexperimentação no âmbito institucional. E ainda questionaram
a publicação dos manuscritos em servidores científicos tradicionais!
Hoje em dia, há cervejas artesanais com gosto de tudo, até mesmo de cerveja,
e ninguém reclama disso. Há até uma cerveja com forte conotação erótica, feita
com jaboticaba. E tem conotação sexual porque, como todos sabem, a jabuticaba
já nasce agarradinha no pau.
Maaass, voltando à vacina, ou melhor, à cerveja, tenho absoluta certeza
de que essa bebida ajudaria a acabar com os movimentos anti-vacina no mundo todo. E
todo mundo ficaria alegrinho e sorridente com uma lata, caneco ou tonel dessa
santa bebida em uma das mãos, dizendo com a voz já meio enrolada:
- Saúde! Estou vazinado! E muito felizzzz!!
A bebida contém leveduras geneticamente modificadas para produzir partículas semelhantes às do poliomavírus BK, associadas a cânceres e complicações graves em pessoas imunossuprimidas, como pacientes de transplante. Ao ingerir a cerveja, Buck afirma, em entrevista ao ScienceNews, ter produzido anticorpos contra diferentes subtipos do vírus, sem efeitos adversos relatados”.
- Saúde! Estou vazinado! E muito felizzzz!!
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