terça-feira, 14 de junho de 2016

COMENTANDO AS RECENTES - 17

No post anterior ("Comentando as Recentes - 16") eu registrei a sabedoria popular contida na frase "quem tem Cunha tem medo". Depois de o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovar a cassação do Eduardo Cunha por onze votos a nove, seria impossível deixar de fazer novo post comentando esse resultado.

A frase agora expressa outra manifestação dessa mesma sabedoria. Nem consegue imaginar qual seria essa frase? Elementar, meu caro leitor!

"Se o Cunha não é meu, pau nele", óbvio.

COMENTANDO AS RECENTES - 16

Dia desses li em um portal de notícias que o deputado Eduardo Cunha teria mandado um recado ameaçador ao presidente Michel Temer. Teria dito que se tiver o mandato cassado, "cairá atirando" e levaria junto uns 150 políticos.

Cento e cinquenta? É muito político! Tirando o fato de que essa ameaça cheira a terra sem lei, um verdadeiro "novo oeste selvagem", fica a impressão de que o caso confirma a máxima popular, plena de sabedoria, aquela que estabelece que "quem tem Cunha, tem medo".


segunda-feira, 13 de junho de 2016

TAQUIGRAFANDO

Já li que a forma escrita das línguas extintas suprimia as vogais (algumas línguas, pelo menos). Para mim, só esta descoberta já poderia ser considerada fodástica, uma sacada de gênio dos dedicados champolions da vida. Curioso é o fato de estarmos aparentemente voltando para essa fase, justamente em uma época de altíssimas possibilidades de comunicação.

Mesmo não tendo sido pescado por nenhuma rede social, percebo o uso das formas “VC”, “PQ”, “PPK” (!) e outras simplificações. Como gosto de dar palpite justamente sobre assuntos que ignoro completamente, resolvi fazer minha modesta contribuição à forma taquigráfica de escrita da internet. E escolhi para isso um estilo greco-lusitano.

“Piegas”, por exemplo, poderia ser escrito assim: "p Egas".

Fui. (ou >>)

domingo, 12 de junho de 2016

NOITE DOS NAMORADOS

Hoje é Dia dos Namorados. Para ser sincero, "noite". Tivemos um fim de semana bastante movimentado e não deu para pensar em nada específico para esse dia (eu sou um cara que curte esse tipo de coisas). Por isso, para não passar em branco, resolvi revirar os guardados de minha mulher e achei um desenho-cartão feito para ela há muito tempo (1993), a lápis, resolução péssima, acabamento mais tosco que o normal, mas não quero nem saber. Até porque nem eu mesmo me lembrava mais dele. Por isso, nesses tempos tão conectados, eu me conecto mais uma vez (sempre!) com meu permanente Amor, através desse cartão.

Obs. (pós dia dos namorados): A imagem estava tão apagada que resolvi passar uma caneta hidrocor preta em cima de uma cópia do desenho original (feito a lápis). O resultado obtido serve para mostrar que sempre se consegue piorar um pouco o que já era ruim. 


sábado, 11 de junho de 2016

OS ATEUS E O À TOA

Tenho visto no youtube muitas palestras de grandes cientistas, humoristas e todo tipo de pessoas cujo maior ponto de contato é o ateísmo. Alguns trazem informações históricas interessantíssimas, outros fazem comentários hilariantes, mas a tônica é uma só: para eles, Deus não existe.

Talvez eu tenha o “gene da religiosidade”, talvez eu seja uma toupeira intelectual, mas, apesar do bombardeio sistemático, continuo acreditando n’Ele. Faz-me bem crer, ter fé, mesmo que isso possa ser um comportamento interesseiro. Mas não vou ficar repetindo o que já disse antes neste blog.

O que tem circulado em minha mente é que não importa se você é ateu, não vem ao caso se você é cristão, judeu ou muçulmano ou de qualquer outra religião ou crença; pode acreditar (ou não) em alma, espíritos, entidades, pode até supor que está em uma "Matrix" ou acreditar em fadas ou duendes, tanto faz. Uma coisa é certa: a vida, essa que vivemos (ou não) - dia após dia - não tem nenhum sentido, independente da crença que qualquer pessoa tiver. A Vida não tem sentido nenhum! Exceto se você acreditar em um Criador. Não estou me referindo a essa bobagem de Adão e Eva, lógico (até porque não sou crente fundamentalista).

Se você for cristão, pode até acreditar que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, tudo bem. Mas, fica a pergunta: para que fez isso? E os outros animais e plantas, para que? Para jogar geogame?

Para mim, tudo isso está valendo, mas como tenho sessenta e seis anos - o que significa já ter vivido a maior parte da minha existência - eu sinceramente gostaria de entender o sentido da Vida, gostaria que esse conhecimento partisse de dentro de mim, como se fosse fruto de meditação, um insight. Já tentei, já racionalizei, mas desisti. Neste caso, só mesmo a crença em Deus para acalmar minha inquietação. Não sei se é na Bíblia que se encontra essa frase: "insondáveis são os desígnios de Deus". Neste ponto eu até compartilho a visão da maioria dos cristãos, pois sozinho não conseguirei encontrar uma explicação que me satisfaça.

Ok, você pode querer se lembrar da sopa de aminoácidos bombardeada por raios gama ou sei lá o que. Você pode até dizer que a vida chegou à Terra trazida por algum cometa (nesse caso, de onde a teria buscado?).

Vejam bem, não estou doutrinando ou ensinando nada - nem duvidando de nada. Para ser sincero, só estou escrevendo isso para passar o tempo. E para postar no Blogson. E o que eu pensei é o seguinte: não importa sua fé, sua crença ou sua falta de fé, tanto faz; nada muda essa constatação: zilhões de átomos agrupam-se em moléculas dos mais variados formatos e complexidade, que formam células, que formam tecidos, que adquirem uma configuração especial, estabelecendo um sistema “fechado” – que é você.

Depois, acontece um processo inverso (em uma velocidade muitíssimo maior), que faz com que as estruturas complexas sejam desmontadas, desarmadas e destruídas, libertando átomos e moléculas isoladas. Resumindo: a Vida é como uma molécula de água, que permanece "água" em qualquer dos estados em que se apresenta, mas que surge e termina com uma reação físico-química.

A viagem é essa: a vida material, essa que nos faz crescer, trepar, ouvir rock e tudo o mais a que temos direito, começa e termina com duas gigantescas reações físico-químicas, uma de síntese e outra de análise ou decomposição. E se você não crê em nada, é só isso que te resta: você é apenas um "moleculão".

Para terminar, uma piada idiota (sempre!): até hoje ninguém conseguiu medir a matéria escura, apesar de ela representar 95% do Universo. "É uma parte do Universo que os astrônomos sabem que existe, mas ainda não sabem exatamente o que seja". Como ela não emite radiação eletromagnética, fica "invisível". Para mim, essa "matéria" deve ser formada pela alma ou pelo espírito dos mortos. Como a maioria das pessoas não tem nenhum brilho intelectual, a coisa fica escura mesmo (bazinga!).

sexta-feira, 10 de junho de 2016

TESOURO!

Quando eu era criança (ali pelo meio do Pleistoceno), alguém me contou a lenda do pote de ouro no final do arco-íris. Pobre e meio retardado (sempre!), ficava fascinado com a ideia de achar um tesouro tão fácil assim. Provavelmente, devo ter pedido à minha mãe para ir lá "fazer a coleta". 

Hoje em dia, sempre que vejo formar-se no céu um arco-íris, só o que consigo imaginar é que deve estar rolando uma parada gay em uma das pontas (e, pelamordedeus, cuidado com essa ponta aí!).


AS FILHAS DE JULIETA (E FRANCISCO) - 03

Em 30/07/1929 nasceu tia Dalva. Era genuinamente simpática e risonha. Dito isso, percebo que os irmãos e irmãs de minha mãe sempre foram bem humorados. Levavam uma vida dura, mas tinham uma "pobreza abençoada", conforme disse meu tio mais novo. Não eram necessariamente engraçados ou piadistas, apenas bem humorados, risonhos, solares.


Tia Dalva trabalhou a vida toda em um cartório de registro de notas. Não sei em qual função, só sei que escrevia à mão em livrões de capa dura, que às vezes levava para casa, talvez para dar conta do trabalho. Não sei como é hoje, mas o que ela fazia era uma coisa meio pré-histórica. Nem imagino quantas canetas tinteiro deve ter sucateado nessa atividade. Supondo trinta anos de serviço, onze meses por ano, vinte dias por mês, cinco horas por dia (já dei um refresco para os pit-stop), terão sido mais de trinta mil horas escrevinhando! Se não teve tendinite, só por milagre!

Quando eu tinha uns sete anos, Tia Dalva começou a namorar o Osíris, o amor de sua vida. Esse "tio" era irmão de uma colega de trabalho, que o apresentou. Boa aparência, cabelos muito crespos já sinalizando a futura calvície, olhos azuis, voz de locutor, elegante e cara de comedor, o que realmente era. Tinha um QE (quociente emocional) altíssimo, pois qualquer pessoa que se aproximasse dele não demorava a virar seu amigo e fã - ou presa. Com essas características, é óbvio que Tia Dalva logo se derreteria por ele.

E ele tinha a manha do envolvimento e da empatia, pois bem no início do namoro levou para mim e para meu irmão dois álbuns da "Dama e o Vagabundo" e uma porrada de pacotes de figurinha.  De cara, já ganhou nossa simpatia e de minha mãe. Todos os dias em que ia à casa de minha avó trazia mais figurinhas. E os álbuns foram sendo preenchidos até chegar ao maior impasse, insolúvel até hoje: a única figurinha que faltou para meu irmão completar a coleção está colada no meu álbum e a que falta para mim está colada no dele. O motivo de usar o presente dos verbos é o fato de ter guardado até hoje esse presente recebido em 1958 (sua data de lançamento, segundo a internet). Olhaí a capa do álbum:


O casamento de Tia Dalva foi um dos dois em que houve uma "recepção" em casa. O outro foi o de minha tia mais nova. Não sei qual foi a primeira a se casar, só sei que a casa ficava cheia de gente e com algumas primas de minha mãe particularmente inconvenientes. Lembro-me também da confecção de docinhos em um dos casamentos, alguns deles delicadamente colocados em uma conchinha. O detalhe suburbano dessa decoração é que as conchas foram confeccionadas com as tampinhas de alumínio que vinham nas garrafas de leite. Depois de limpas e higienizadas, foram laboriosamente moldadas com uma colher de sopa e frisadas com algum coisa pontuda para dar aquele aspecto ranhurado que algumas conchas verdadeiras apresentam. Muito "chique"!



Quando meus tios se casaram, estavam completamente sem dinheiro. Por isso, a lua de mel foi passada em Lagoa Santa, na casa de campo da sogra de minha Tia Ci, um casarão às margens da lagoa. Aí já viu, né? Lagoa tem peixe, peixe se pesca com vara, etc. O Osíris comentou comigo que nunca esteve tão duro como na época do casamento. Por isso, sem dinheiro para passear nem nada, eles pescavam de manhã, à tarde e à noite. Tenho quase certeza de que minha tia nunca foi tão feliz como nessa época (eu sei que fiz um comentário meio acanalhado, mas o objetivo era esse mesmo).

Já casada, Tia Dalva foi morar em um barracão (edícula) providencialmente construído na lateral da casa de minha avó. Não demorou muito para comprarem uma televisão - preto e branco, seletor de canais com quatro opções de canal (em BH só existia a TV Itacolomi, dos Diários Associados) e, se não me engano, móvel com pés palito. Show!

Naquela época, por volta de 1960, só pessoas mais abonadas ou que pretendiam parecer ser é que possuíam televisor. Essa situação criou a figura do televizinho, ironia com o pessoal que ia às casas de moradores próximos, só para ver aquela maravilha.   Como esse luxo não existia ainda na casa de minha avó, virei freguês de meus tios, televizinho, telesobrinho. 

Meu tio "torto" aparentava gostar muito de mim. Aliás, não sei o motivo disso, pois meus tios sempre demonstraram gostar muito de mim. Quando seu filho mais novo nasceu eu tinha uns onze anos e fui chamado para ser "padrinho de consagração". Quando esse primo já era adolescente, fui convidado a ser seu padrinho de crisma, Quando se casou, olha lá o Jotabê de padrinho, um caso explícito de "tri-padrinhagem". Além disso, fui também chamado para dançar a valsa de quinze anos com sua irmã, mais velha que ele. Nada mais natural portanto que Tia Dalva e Osíris tenham sido nossos padrinhos de casamento. 

Acho essa predileção bacana e estranha, pois os irmãos de minha mãe "produziram" mais de vinte primos e só eu fui lembrado para atividades "apadrinhatórias", pois fui também chamado para ser padrinho de batismo de uma das filhas de meu tio Omir (nesse caso, tive a companhia de outra prima).


Talvez por sempre tratá-lo com simplicidade e descontração, o Osíris gostava de conversar e contar alguns casos para mim. Eu ouvia e achava graça (um puxa-saco profissional!). Um dia, já adulto, ao elogiar sua capacidade absurda de cativar todo tipo de pessoas, disse que ele tinha uma qualidade especial: bastava meia-hora de papo com um desconhecido qualquer que logo essa pessoa já ficava querendo dar pra ele.  Cagou de rir, mas adorou a frase, vaidoso que era. E era muito.

Talvez por essa descontração, me contava vários casos, inclusive os mais picantes. Foi representante comercial durante muitos anos. Quando começou o namoro com Tia Dalva, uma de suas representações era de uma fábrica de lingerie. Já adolescente, ouvi a história da venda de sutiãs para uma butique. Aparentando estar em dúvida a respeito dos modelos provavelmente exibidos por ele, a proprietária disse que iria experimentar alguns, com a condição de que meu tio a ajudasse. Nunca soube o estado civil dessa senhora, mas é tranquilo que rolou uma venda casada! Ele só não me disse quantas vezes ficou de olho na butique dela, nem se já era casado na época. Há outros casos, tão ou mais apimentados, mas preferi deixá-los onde estão, já quase esquecidos.

Um dia me contou de como comprou a casa que depois transformou em escritório.  O proprietário estava puto com o inquilino e ofereceu o imóvel para meu tio. Imagino que deve ter argumentado não ter dinheiro, que estava caro, esse tipo de coisa, mas o proprietário insistiu e facilitou o pagamento, a ser feito mediante a emissão de três notas promissórias que seriam descontadas em banco, Alguma coisa assim. O que sei é que no resgate da última parcela, meu tio não tinha dinheiro suficiente e comunicou isso ao antigo dono. A solução encontrada pelo ex-proprietário foi emprestar o dinheiro para que o Osíris pagasse a promissória, e depois desse um jeito de pagar a ele. Pelo que entendi, era uma coisa meio de louco, pois ele emprestou para meu tio o dinheiro que deveria receber dele através do banco.

Outro exemplo dessa "sedução" aconteceu com o inquilino, que se recusava a sair do imóvel. Meu tio apenas o avisou que iria conseguir tirá-lo (não sei o que fez), o que realmente aconteceu. Esse inquilino era dono de uma mercearia e ficou tão impressionado com as artes e manhas de meu tio que passou a lhe pedir conselhos de todo tipo.

Tia Dalva parecia ter adoração pelo marido e provavelmente fazia tudo para agradá-lo. Lembro-me de uma "cadeira do papai" que comprou para ele no Dia dos Pais. No Dia das Mães ele retribuiu o carinho, comprando para ela um fogão novo...

Esse tio era extremamente competitivo e odiava perder, em qualquer situação. Quando os pais brincam com os filhos e usam jogos de tabuleiro, é normal deixar que as crianças ganhem, para não desapontá-las. Com o Osíris não tinha essa sopinha: jogando com o filho, ganhava todas, sem se preocupar se o filho ficaria triste. Era inteligentíssimo e espertíssimo, mas se ressentia de "não ter canudo", como me disse uma vez, referindo-se ao fato de não ter instrução universitária. Para ele, isso teria permitido que ele atingisse um sucesso muito maior do que alcançou. Mesmo pensando assim, não conseguiu sensibilizar meu "tri-afilhado", que também não fez faculdade. A diferença entre os dois é o que acontece em uma prova de revezamento: o filho pegou o embalo a partir das conquistas do pai. Com isso, ficou rico.


Até quando teve um infarto esse espírito de competição do Osíris se manifestou. Quando eu e minha mulher fomos visitá-lo, disse-nos que "sessenta por cento ou mais das pessoas que tiveram um infarto de tão grande extensão como fora o seu, morreram". Só faltou querer uma medalha por ter sobrevivido. 



Antes de mudar-se para Lagoa Santa, durante muitos anos meus tios moraram a cinco ou seis quadras de nossa casa. Sempre que nos encontrávamos o Osíris insistia para que eu fosse tomar um café com ele, para conversar. Nunca fui, sempre arranjando alguma desculpa para isso. Um dia, já morando em Lagoa Santa, teve um segundo infarto (se não me engano) e não resistiu. Tive a mesma reação de quando meu avô morreu, pois lamentei não ter convivido mais com ele, meu tio, padrinho e compadre


Tia Dalva ainda viveu um bom tempo até começar a sofrer de Parkinson. Também não fui visitá-la. Morreu, se não me engano, em 2014. No fim da vida era alimentada através de sonda gástrica, não falava nem dava sinais de estar lúcida. Segundo minha irmã, apenas olhava para as pessoas - quando olhava - de modo indiferente, sem reação, como se já estivesse junto de seu rei, ídolo e amado Osíris. 

10/06/2016

LIMITE

  O passado não está cabendo mais dentro de mim.   O passado vivido somou-se ao que não foi vivido e ao que foi só desejado.   Sinto minha m...