sexta-feira, 9 de outubro de 2026

AH, É? VIDA BARATA NÃO PRESTA? SEI...

Às vezes eu penso em uma charge e peço para o ChatGPT criar o desenho imaginado. Duro é ser atendido! Depois de ouvir uma frase tristemente sarcástica e socialmente incorreta, resolvi pedir ajuda ao ChatGPT para criar uma charge com ela, só para criticar essa visão tristemente elitista. E o prompt inicial foi este:
 
“Criar uma charge satírica em estilo cartoon de jornal, em preto e branco com hachuras e traço de nanquim marcante. A cena se passa durante o dia, sob a luz do sol em uma calçada urbana movimentada. Dois homens pobres, vestidos com roupas velhas, estão de pé conversando. Eles olham com expressões irônicas para um morador de rua deitado sobre uma grande folha de papelão estendida no chão. Um balão de fala clássico de quadrinhos sai da boca de um dos homens de pé, contendo o texto: Tem vida mais barata, mas não presta não".
 
Mas a merdinha da IA simplesmente ignorou o prompt e criou o desenho que quis. Aliás, acabou fazendo três. No primeiro parecia ser o mendigo quem estava falando, todo feliz da vida. Pedi para gerar outro desenho e saiu mais um aquém das expectativas. Já irritado, explicitei mais um pouco o prompt, pedi para deixar o mendigo sem sapatos e saiu uma terceira imagem. Aí resolvi mostrar os três desenhos, mesmo sabendo que explicar uma piada é uma das piores coisas que existem.

Eu sei que existe muita gente que não entende uma piada, mas uma inteligência artificial precisaria entender, para não sair invadindo sites e fazendo merda.

Primeira versão:


Segunda versão:


Última tentativa:






quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A TAL DA DEMOCRACIA – JEAN GARFUNKEL

 
Assisti no Instagram a um vídeo em que o poeta, cantor e compositor Jean Garfunkel declama seu excelente poema “A tal da democracia”. Copiei o link e espero que os leitores do blog consigam assisti-lo também – e, sobretudo, que curtam sua mensagem bem-humorada.

Por via das dúvidas, segue abaixo o texto escrito.

https://www.instagram.com/reel/Dc_ePzIReP2/?utm_source=ig_web_copy_link&stkn=NTc4MTIwNjQ2YQ
 
A TAL DA DEMOCRACIA
 
A tal da democracia, a despeito de seus custos,
ainda é o modo mais certo, ainda é o jeito mais justo.
 
Quanto ao resto não discuto, não defendo o indefensável,
todo o sistema é corrupto, toda economia é frágil –
os argumentos contábeis, os álibis da tirania
são sempre desfavoráveis  à tal da democracia.
 
Ditadura dá mais lucro, isso é fato consumado:
“Vamos calar os escrúpulos e ouvir a voz do mercado”.
 
Os ricos ficam mais ricos e os pobres espoliados,
e o país paga esse mico de regressar ao passado.
 
A tal da democracia, por mais frágil e combalida,
é a voz da maioria decidindo a própria vida.
 
A tal da democracia, que não pode se abater,
é o peso do contrapeso na balança do poder.
 
Viva a tal da democracia, a democracia é a tal.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

AGRADECIMENTO

Não vou fazer segredo nem suspense. Este é um post para agradecer publicamente as palavras preocupadas e carinhosas que amigos e amigas virtuais deixaram nos comentários do poema "Limite" que publiquei recentemente.
 
Ler um comentário – qualquer comentário – sobre alguma publicação que faço é sempre um prazer, ainda mais quando ele demonstra carinho e preocupação comigo. E foi isso que aconteceu. Por isso, resolvi tranquilizar a todos, deixando claro o seguinte:
 
Não escrevo poemas quando estou alegre. Todos os “poemas” que publico são fruto da tristeza, da melancolia, da raiva ou da depressão que estiver sentindo no momento. Também servem para registrar alguma reflexão ou, simplesmente, para fazer declarações de amor a alguém (idoso também se apaixona).
 
Como meu humor é um tanto bipolar, alterno facilmente de estado de espírito. Mas nem sempre publico o que escrevi logo depois de tê-lo criado. Ontem, por exemplo, estava tranquilão, pensando em pedir ao ChatGPT que criasse um cartoon a partir de uma frase que ouvi recentemente.
 
Há ainda a questão da prioridade. Assisti, no Instagram, a dois vídeos tão impactantes que corri a procurar suas versões escritas, só para publicá-las no blog. Quando isso acontece, sinto-me obrigado – ou tentado – a deixar para depois aquilo que é de minha autoria.
 
Por isso, pessoal, hoje estou bem e agradecido pelo carinho recebido. Sintam-se abraçados e beijados carinhosamente – claro, beijados de forma seletiva, por favor, tal como cantou Gilberto Gil: “Eu passei muito tempo aprendendo a beijar...”
 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

LIMITE

 
O passado não está cabendo mais
dentro de mim.
 
O passado vivido
somou-se ao que não foi vivido
e ao que foi só desejado.
 
Sinto minha mente
querendo explodir
 
numa tristeza constante,
onipresente,
impossível de ser debelada,
 
como se alimentada
por um fogo eterno
que teima em queimar
e me queimar,
destruir.
 
Não precisarei ser cremado
quando morrer,
 
pois hoje já sou as cinzas
do que fui.
Ou quis um dia ser.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

ARIDEZ

 
Alguém já disse que
não há romantismo na vida real,
 
que romantismo só existe
na vida que acreditamos ser real.
 
Não sei se concordo com isso.
 
Durante toda a minha vida,
tentei viver
o romantismo escancarado,
 
dando mais valor
ao que me pedia o coração
do que aos argumentos da razão.
 
Porque a vida, para mim, não tem sentido.
 
E, se não tem mesmo nenhum,
por que aceitar
a aridez do dia a dia?
 
Tudo o que quero
é sonhar,
 
sonhar com o amor,
viver a paixão,
 
e que essa paixão,
 
mesmo no indesejado,
no temido momento binário,
 
seja tão intensa
e alucinada
quanto as que vivi
na minha juventude.

 

domingo, 4 de outubro de 2026

CONTRASTES - LUIS MELODIA


 
Hoje é dia de eleição em todo o Brasil. Por ser idoso, sinto-me desobrigado de votar. E não votarei, pois meu desencanto pelos políticos e demais autoridades chegou ao nível máximo. Deixo apenas o pensamento que me ocorreu: O povo brasileiro elegerá o candidato que merece ter como próximo governante. Por isso, lembrei-me uma música antiga para ser tema do dia de hoje.
 
Existe muita tristeza
Na Rua da Alegria
Existe muita desordem
Na Rua da Harmonia
 
Analisando essa história
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro palhaço
 
Cada vez mais me embaraço
Analisando essa história
Existe muito fracasso
Dentro do Largo da Glória

sábado, 3 de outubro de 2026

QUERIA TANTO TE VER!

Tudo o que eu queria dizer já foi dito.
Tudo o que pensei escrever está escrito.
E mesmo que pareça ter trocado
O dito pelo não dito,
nada tenho a acrescentar.
 
Com um coração apertado, aflito,
jamais poderei negar 
o prazer quase inaudito –
mesmo que sempre desejado –
sentido em reencontro inesperado.
 
Mas preciso aceitar esta verdade:
que o amor da juventude, 
mesmo que não interdito,
não é igual na maturidade.
 
Que a vontade de estar junto 
ou, pelo menos, perto
não é o principal requisito
para que isso aconteça, 
pois disputa com outros desejos, 
outras prioridades.
 
Que esse desejo está circunscrito
a um pequeno nicho da mente,
nunca seu principal pensamento.
 
E que, por ser assim, pode ser
adiado, ignorado
ou até mesmo abandonado.

 

SEPARAÇÃO

  Um dia você descobre Que padecer de solidão É o pior dos pesadelos E até que você se recobre E sinta que estar sozinho – Mesmo com alguém...