segunda-feira, 15 de outubro de 2018

AOS MESTRES, COM CARINHO (DE NOVO)


Duas professoras e um professor marcaram minha vida de forma especial. A primeira mestra que eu tive chamava-se Maria Afra de Oliveira. Passados sessenta anos, de quase nada me recordo, mas é como uma antiga propaganda: “a primeira professora a gente nunca esquece”.

O segundo mestre de quem lembro com carinho foi um professor da faculdade. Chamava-se Jayme Ferreira da Silva Junior. Era brilhante, irascível e fazia questão de dizer que seu nome era “Jáime” e não “Jâime”. Infelizmente, não pude aproveitar por muito tempo seu conhecimento profundo e sua didática perfeita, pois resolveu “partir antes do combinado”, ao deixar um bilhete em que dizia apenas “Perdoem-me”.

A terceira e mais importante personagem desse trio é uma professora que nunca deu aula para mim, mas ensinou-me (e até hoje ensina) a ser uma pessoa melhor. É a ela, minha lynda mulher, que eu presto minha homenagem; e é através dela que eu homenageio no “Dia do Professor” aos professores (não todos, diga-se) que dignificam essa profissão em um país tão carente de educação de qualidade.

sábado, 13 de outubro de 2018

SABE, SOBRINHO?

Sabe, Sobrinho? Eu nunca me senti de Direita e, menos ainda, de Esquerda. Sempre me vi de Centro - às vezes Centro-esquerda, às vezes Centro-direita. Mas, jamais, a favor dos extremos. Obviamente, nunca fui a favor do que é conhecido como “Centrão”, pois sou a favor apenas da moderação e do equilíbrio, jamais da corrupção e do fisiologismo. Por isso mesmo, sempre votei no PSDB. E fiquei profundamente decepcionado com o Aécio. Mas nunca reconheci a superioridade intelectual, moral ou ética com que a Esquerda gosta de se auto-adesivar. O inverso disso também é verdade.

A Esquerda (ou Direita) não é superior à Direita (ou Esquerda). Não existe essa bobagem! O que existe é exatamente isso: visões de mundo, soluções diferentes. Por isso, quando vejo políticos como o Lindbergh ou Jean Wyllys falar em “ignorância política” dos que não comungam com sua visão de mundo eu até espumo de raiva.

Eu creio e sou a favor do capitalismo e da democracia, eles creem no socialismo. Mas todas as pessoas decentes, de bom senso e minimamente inteligentes desejam o progresso do país e a melhoria de vida dos mais vulneráveis, independente dessa ou daquela ideologia. Eu trabalhei um tempo na Urbel, responsável por obras em vilas e favelas. Tive a oportunidade de visitar várias favelas onde as condições de vida e miserabilidade são inacreditáveis. E isso me tornou melhor como pessoa. Mesmo assim, continuei a acreditar que não existem soluções fáceis e rápidas para os problemas deste país idiota. Usando um clichê, “não existe almoço grátis”.

E por que estou dizendo isso? Eu li o texto da Associação dos Docentes da Unesp – Adunesp que você compartilhou e gostaria de comentar duas coisas rapidamente, pois há dois temas que estão em desacordo com minha maneira de pensar. “a bordo de um golpe jurídico-parlamentar, seguiu-se uma escalada de severos ataques contra os direitos sociais e trabalhistas da população, como pudemos ver com a aprovação da PEC do teto de gastos, da reforma trabalhista, da terceirização irrestrita, da reforma do ensino médio, da entrega das reservas do pré-sal, entre outros.” Eu sou a favor de tudo isso!

Lembrando, “não existe almoço grátis” em nenhuma parte do mundo. Quando o líder chinês Mao Tse Tung morreu (depois de provocar a morte por fome de milhões de pessoas por políticas equivocadas e desastradas), seu sucessor Deng Hsiao Ping declarou que “enriquecer é glorioso”. O que se viu depois disso foi a transformação progressiva da China em potência mundial (claro, com muita corrupção também, o que é lamentável).

A segunda parte que selecionei do texto vem com isso: “O que corremos o risco de presenciar, após as eleições deste ano, é não só o aprofundamento destas medidas, como também a banalização e a naturalização de graves ofensas aos direitos humanos, como a tortura, o racismo, a misoginia, a homofobia e outros”.

Como se vê, trata do que eu chamo de “questões periféricas” (embora cruciais, importantíssimas), pois não farão o Brasil andar economicamente, mesmo que sejam deploráveis e combustível certo da histeria atual de lado a lado.

E aí eu preciso esclarecer: sou radicalmente contra o racismo, contra a homofobia, contra a misoginia, contra a ditadura, contra a tortura e a favor da liberação do aborto. Mas, repito, embora imprescindíveis para a melhoria do processo civilizatório do país, são questões periféricas para o progresso econômico do Brasil.

Para finalizar, queria dizer de minha impressão sobre as pessoas que aceitam ou desejam fazer parte do comando de qualquer associação, sindicato ou categoria: todas (ou quase todas) aparentam ter sempre uma visão mais “social”. Talvez seja esse o motivo de tantas lideranças de esquerda ter vindo de sindicatos, DAs, DCEs etc. E talvez seja essa a explicação para a linha de raciocínio exposta no texto que você compartilhou.

Sou contra o Bozó não só pelo apreço que tem pelas “questões periféricas” mais odiosas, mas, principalmente, por parecer não ter rumo nenhum nem condições intelectuais de fazer o país andar. Por outro lado, sou contra o Fantoche por ele ser a favor da revogação da PEC do teto de gastos e por ter por trás de si radicalíssimos como a Gleisi Hoffmann, Franklin Martins “et caterva”. Ser contra o teto de gastos me faz pensar em uma família que rola suas despesas em milhares de cartões de crédito, afundando-se cada vez mais.

Por isso tudo que escrevi, permito-me a ironia de pensar que estou como que na arena do Coliseu romano, esperando para ver se é um tigre ou um leão que me estraçalhará. Ou ainda, como sendo obrigado a fazer uma "escolha de sofismas".

Talvez essas comparações sejam absurdamente desiguais (e são mesmo!), mas as utilizei só para demonstrar minha perplexidade e tristeza pela situação limite a que chegamos. Sei que você - que sempre odiou o PT - votará no Haddad, mas quis compartilhar com você este comentário. Porque, pela primeira vez na vida votarei em branco. E isso é triste demais. Abração.

  

LIMITE

  O passado não está cabendo mais dentro de mim.   O passado vivido somou-se ao que não foi vivido e ao que foi só desejado.   Sinto minha m...