sábado, 15 de agosto de 2026

VOCÊ É BRASILEIRO? JURA?

 

Recebi este texto de um amigo de facebook e não resisti à tentação de divulgá-lo no blog, por pensar exatamente com seu autor.

O brasileiro que comprou um pedaço do Liverpool
A notícia me chamou a atenção: Eduardo Saverin, um dos fundadores do Facebook, está entre os investidores de um consórcio que acaba de adquirir uma participação de mais de 30% no Liverpool Football Club. O negócio avalia o tradicional clube inglês em mais de cinco bilhões de libras.
Eduardo Saverin é brasileiro.
Nasceu em São Paulo, em 1982. Mudou-se para os Estados Unidos aos dez anos, tornou-se cidadão americano em 1998 e, em 2011, renunciou à cidadania americana. Desde então, vive em Singapura.
Ainda assim, quando a notícia apareceu, lá estava ele: o brasileiro Eduardo Saverin.
E isso me fez pensar no nosso velho complexo de vira-latas.
A expressão foi criada por Nelson Rodrigues para falar da nossa inferioridade psicológica diante do estrangeiro. Temos, muitas vezes, a necessidade de acreditar que aquilo que vem de fora é melhor — mais sofisticado, mais competente, mais importante. Mas existe também o movimento contrário, talvez igualmente revelador: quando um brasileiro faz sucesso lá fora, imediatamente o reivindicamos.
O sujeito nasce no Brasil, vai embora ainda criança, estuda em Harvard, participa da criação do Facebook, constrói sua fortuna nos Estados Unidos, muda-se para Singapura, renuncia à cidadania americana e passa a investir pelo mundo.
E nós dizemos: "Vejam o brasileiro!"
É curioso.
Não estou dizendo que Saverin não seja brasileiro. Juridicamente, nasceu brasileiro e continua sendo brasileiro. Mas talvez haja uma diferença entre nacionalidade e pertencimento.
A nacionalidade pode estar registrada num documento. O pertencimento é uma coisa muito mais complicada.
O que me parece interessante é perceber como nós, brasileiros, gostamos de incorporar ao nosso currículo nacional aqueles que venceram no exterior. É como se o sucesso obtido longe daqui funcionasse como uma espécie de certificado de qualidade que pudéssemos exibir.
"É brasileiro!"
Como se disséssemos: vejam, nós também produzimos gente capaz de chegar lá.
Mas há uma ironia ainda maior.
Saverin não está comprando o Liverpool sozinho. Está participando de um consórcio que reúne alguns dos maiores capitais do mundo, entre eles Jeff Bezos. O Brasil não está comprando o Liverpool. Um homem nascido no Brasil está investindo no futebol inglês com dinheiro construído numa trajetória essencialmente internacional.
Talvez seja justamente aí que a história fique interessante.
O mundo mudou. O dinheiro atravessa fronteiras com uma facilidade que nossos sentimentos de pertencimento ainda não conseguem acompanhar.
Um homem pode nascer brasileiro, tornar-se americano, viver em Singapura e comprar parte de um clube inglês.
E nós ainda precisamos perguntar:
"Mas ele é brasileiro?"
Talvez o nosso complexo de vira-latas tenha mudado de forma.
Antes, olhávamos para o estrangeiro e dizíamos: eles são melhores que nós.
Agora, quando um dos nossos vence lá fora, corremos para dizer:
"Ele é nosso."
No fundo, talvez ainda estejamos procurando, no sucesso dos outros, uma maneira de acreditar um pouco mais em nós mesmos.

4 comentários:

  1. Ei Jotabê,
    Estou aqui hoje não
    par comentar sua publicação,
    mas sim para justificar
    minha ausências dos Blogs
    que gosto. Estou em trabalho
    com minha família em Shows
    na Feira Literaria de Araruama no RJ.
    Mas semana que vem já estarei
    de volta a minha rotina sem rotina.
    Abraço.
    CatiahôAlc.

    ResponderExcluir
  2. Interessante. Nelson se referia ao futebol, onde exatamente, não deveríamos ter complexo de vira-latas, já que mostramos ao mundo, que fomos os melhores por longas décadas. Eu vi o filme de como o Eduardo junto com o Mark começaram o facebook: criaram um programa na faculdade que ranqueava a beleza das meninas.
    A verdade é que temos potencial para muitos eduardos aparecerem, mas infelizmente, nossa cultura econômica é perversa. Nossa bagagem católica, que reprovava o lucro e via virtude no que é humilde, simplório, impregnou essa coisa nos brasileiros.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pode ser, mas o que me irrita é essa babação de ovo em um cara que provavelmente não se sente brasileiro, mesmo tendo nascido aqui. Para mim ele é estrangeiro, só isso. Nada contra ele ser rico pra kawaka. Eu entendo desse sentimento de não pertencimento a algum grupo ou lugar, pois sempre fui assim.

      Excluir

DE ONDE EU VIM?

  Desde quando fiquei sabendo que o exame de DNA poderia trazer informações sobre a minha ancestralidade, eu tive vontade de fazer. Mas o di...