Os radicais de qualquer matiz, de qualquer
natureza, parecem pessoas normais – mas não são. Podem ser afáveis, simpáticos
e de convívio agradável, mas basta um pequeno estímulo para que suas crenças,
suas convicções mais profundas sejam exibidas da forma mais assustadora e até
deplorável, totalmente fora do que se poderia chamar de “senso comum” ou apenas
“bom senso”.
Um exemplo claro desse radicalismo foi
exibido recentemente. Ostentando na lapela do terno um pin ou broche com o laço
corrediço característico simbolizando uma forca, o ministro de segurança
nacional de Israel – de extrema direita e com péssimos antecedentes criminais – levou uma garrafa de champanhe ao parlamento israelense, para comemorar a
aprovação da pena de morte por enforcamento para palestinos que tiverem
cometido atos terroristas. Ainda bem que alguns parlamentares de bom senso o
impediram de abrir a garrafa.
Esse gesto do ministro, condenável por si só,
apenas acentua a existência de uma mentalidade que acha normal celebrar a
aprovação de uma lei duríssima – e injusta, por ser parcial, por se aplicar
apenas a uma etnia específica.
E aí sou obrigado a transcrever um comentário
encontrado na internet: “Israel faz história ao ser o segundo Estado Nacional do
mundo moderno a criar uma legislação que prevê pena de morte específica para
uma etnia: palestinos. O primeiro país foi a Alemanha nazista, cuja legislação
de Nuremberg legalizou o holocausto. A legislação, aprovada pela bancada
sionista, introduz no ordenamento o direito sagrado de executar palestinos em
defesa do Estado de Israel, cujo processo será devidamente conduzido pelo
sistema criminal sionista, tudo conforme as escrituras sagradas, claro!”
Por ser um comentário
extremamente forte e contundente, fui à internet para saber mais sobre essa
face crudelíssima surgida em um dos períodos mas sombrios da história mundial
recente. E descobri que os nazistas começaram exatamente criando distinções legais
entre pessoas. Não eram leis de extermínio ainda, mas abriram caminho para o
que veio depois.
Essas leis foram criadas em 1935, com as
seguintes características: definiram legalmente quem era judeu, retiraram dos
judeus o direito à cidadania e proibiram relações e casamentos entre judeus e
não judeus.
Ou seja, institucionalizaram o racismo do
Estado, normalizaram a exclusão social e criaram o ambiente legal e cultural
que permitiu a barbárie que veio depois, o genocídio. Essas leis são reconhecidas
como um passo fundamental que preparou o caminho para o Holocausto
E tudo começou com uma diferença na lei. O
resto veio na sequência. Não estou dizendo que é a mesma coisa, mas fingir que
não existe semelhança nenhuma é comodamente fechar os olhos para a
verdade.
Jamais defenderei quaisquer atos
terroristas, merecedores que são da punição mais severa. Talvez você,
leitor/leitora, aplauda a criação dessa lei, mas até mesmo a maioria dos
israelenses rejeita uma lei tão abjeta e condenável – por parcial – como esta. E é por isso que eu
disse no começo: os radicais parecem pessoas normais. Mas, quando certas ideias
aparecem com naturalidade – como propor, aprovar, aceitar e até comemorar que uma
lei trate pessoas de forma diferente – seja em Israel ou qualquer outra parte
do mundo, fica difícil dizer que as pessoas que agem assim são normais no
sentido mais básico da palavra. Definitivamente não são.
O Estado de Israel é um caso bem peculiar. Eles estão estabelecidos em um pequeno território cercado de inimigos desde 1948. Hoje Israel já mantém relações diplomáticas com países árabes, como Arabia Saudita, Egito, Jordania. Aliás, o mais recente ataque terrorista do Hamas tinha como um dos objetivos acabar com um projeto entre Israel e Arabia Saudita.
ResponderExcluirMas ainda hoje há inimigos do Estado de Israel, como Irã, Síria, Argélia, Iêmem, Libia que defendem a destruição do Estado de Israel.
Então ,a coisa mais importante para um israelense é a segurança nacional. Todos, homens e mulheres fazem serviço militar e todo israelense adulto, mesmo não sendo militar de carreira , está preparado para defender seu país.
Nesse contexto, não vejo como extraordinário haver pena capital para quem comete atos terroristas.
E não li que a lei se restringe a "palestinos", mas a qualquer um que pratique atos terroristas contra Israel. Acho justo, mas não deveria ser por enforcamento, um modo antigo de pena capital mas que causa impacto.
Outra coisa, palestino não é etnia.
E sim, o ato de levar champanhe para o Parlamento não foi razoável.
"Vou te mandar a real": admiro e tenho profundo respeito pelos judeus, pela sua resiliência ao longo da história, pela sua inteligência (imagino que deve ter rolado uma seleção natural), mas acho o fim da picada que os isralenses invadam e ocupem em nome do conceito de "Terra Prometida" áreas e terrritórios destinados aos palestinos. Paradoxalmente, não tenho a menor simpatia por esse povo. Tenho pena, mas não simpatia. Após a segunda guerra (e você certamente tem mais informações que eu), a ONU propôs a partilha da Palestina em dois estados: um judeu e um árabe. Se isso tivesse sido respeitado provavelmente este interminável cu de gato não teria acontecido. Quanto à forca, parece que a lei contempla apenas palestinos. Mas deveria incluir também os israelenses ultraortodoxos que barbarizam os palestinos nos territórios que ocupam, que impedem a chegada de auxílio humanitário, etc. É nessas horas que eu me sinto completamente ateu.
ExcluirIsraelense não é necessariamente judeu, judeu não é necessariamente israelense. Sou a favor, quase fã dos judeus. Mesmo usando quipá, que eu acho uma babaquice tão grande quanto as burkas e veus usados por mulheres árabes. Tem horas que religião (qualquer religião) é uma merda.
ExcluirEu admiro demais o povo judeu e o Estado israelense pelo o que eles fizeram naquele pedacinho de chão sem nenhum recurso natural. Israel hoje é uma potência tecnológica. O conceito de "Terra Prometida" é restrito aos sionistas religiosos. Judaísmo hoje é muito mais do que religião, tanto que existe milhares de judeus ateus. A partilha que a ONU quis fazer era mal feita, tanto que os árabes não aceitaram. A melhor solução, seria um grande israel de norte a sul que assimilaria o povo palestino, já que isso já existe em boa escala. Centenas de palestinos trabalham em cidades israelenses. Existe partido árabe no congresso de Israel. Mas sei que essa ideia é utópica, para isso, todos os grupos terroristas que querem destruir o Estado de Israel precisaram baixar as armas e aceitar o plano - coisa que nunca farão.
ExcluirRepetinddo o que disse, admiro pra caramba os judeus, um povo danado de inteligente. Eu só discordo do Estado de Israel por sua política expan sionista (trocadilho ruim) ao continuar criando assentamentos em terras palestinas. Acho isso o fim da picada. E não posso deixar de pensar que a religião está por trás disso. Eu li que outros lugares foram cogitados quando se decidiu criar um Estado judeu, mas devido a uma identificação religiosa, histórica e cultural com a quele pedaço de terra, decidiram criar lá mesmo. O que sei (li) é que os árabes rejeitaram o plano de dividir a Palestina "por considerá-lo injusto, pois a população árabe era maioria e a proposta destinava a maior parte do território aos judeus". Por mim, Israel deveria ter sido criado no cu da Amazonia. Assim, o Brasil seria beneficiado pelas conquistas tecnológicas em que são muito bons .
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