A morte da minha mulher teve para mim o
efeito de um ciclone, de um tsunami ou, no mínimo, de um capotamento de carro,
pois minha vida foi revirada como se fosse uma roupa dentro de uma lavadora. Tudo
mudou, nada ficou como antes.
Tenho tentado manter a casa minimamente
organizada e limpa, mas às vezes a vontade é de ficar deitado em nossa cama –
em minha cama, agora tão grande e tão vazia.
Conversando com um de nossos filhos, o mais
irrequieto, sempre querendo que eu me desfaça de metade dos objetos que minha
mulher acumulou ao longo de cinco décadas, comentei que nossa casa é, na
verdade, da Eliany, deles, dos nossos filhos, e que eu sou apenas o síndico.
Ele riu e disse que é então o zelador, sempre querendo arrumar isso e aquilo.
Essas mudanças aconteceram também no campo
religioso. Eu já me sentia praticamente ateu quando a doença de minha mulher
teve uma progressão acentuada, fazendo-me lembrar desta frase do Millôr
Fernandes: “O cara só é sinceramente ateu
quando está muito bem de saúde”.
A partir daí, comecei a repensar as crenças
que tive, a fé que fui perdendo e a esperar por um milagre que revertesse o
quadro triste que começava a se desenhar com nitidez. Infelizmente, o milagre
não aconteceu, trocado que foi por um vazio imenso e por uma saudade abissal.
Foi nesse cenário que surgiu a vontade de
reler todas as postagens indexadas no marcador “Religare” do Blogson Crusoe.
Sinceramente falando, gostei bastante de quase tudo o que li – apesar de
perceber com clareza a curva descendente da minha fé desde o primeiro texto que
falava de religião e religiosidade, de crença e de fé, escrito quando eu ainda
nem sabia o significado da palavra “blog”.
Pensar em um novo e-book com esses textos foi
uma reação quase imediata, estimulado pelas lembranças da minha Amada. Mas aconteceu o inesperado: o livro a quem dediquei tanto carinho foi recusado pela Amazon!
Depois de seguir todos os passos para sua publicação, recebi um e-mail com este texto: Com base em nossa análise, não aceitaremos seu envio para
publicação porque os livros podem resultar em uma experiência decepcionante
para o cliente.
O que aconteceu depois fica para a próxima postagem.
Li com toda a atenção e, chegado ao fim, apenas me apetece dizer sobre a última frase: TRISTEZA.
ResponderExcluir.
As maiores felicidades..
.
“” Sorriso: o teu oásis de amor
““
.
Obrigado pela solidariedade, mas (spoiler) ficou tudo bem depois.
Excluircomo assim? A Amazon agora faz crítica literária do que publica? Não entendi.
ResponderExcluirSuponho que tenha a ver com direitos autorais não respeitados. Em dois dos textos eu fiz transcrições longas, por não ter sentido cortar o raciocínio. Aguarde o dia 12/02
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