sexta-feira, 14 de agosto de 2026

IN DUBIO PRO REO

 
Nada sabemos do futuro
Pouco sabemos do passado
Mesmo o presente – tão claro! –
Pode se apresentar escuro
Confuso, estranho, nublado
 
Fazendo-nos crer que o dito
Em tempo distante, esquecido
Possa ainda ser veredito
Para hoje nos condenar

Sem pensar que o que foi dito
Pode hoje ser desdito
Pois o que hoje é feio
Já foi um dia bonito
 
Que a eternidade por uns pretendida
Não teve nem tem garantia
De permanecer imutável
Em mente para sempre mutante
Mutável, fluida – enguia
 
Disse um amigo uma vez
Que não podemos julgar o passado
Com nossos olhos de presente

Que condenar, rejeitar o pretérito
Ainda que seja imperfeito
É esquecer que seremos julgados
Por quem estiver no futuro
E que essa é a única, eterna certeza
 
Quem fica propenso a julgar
Ignora ou não quer aceitar
Que o passado é apenas pretérito
Não adianta tentar alterar

E que só é possível mudar
O presente, só o presente,
Somente.

4 comentários:

  1. Isso aí, Jotabe não tem como alterar o passado. Creio que se mudarmos a perspectiva sobre o que ocorreu transformaria a dor em aprendizado.

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    1. Esta é uma visão interessante, mas eu já superei essa etapa, pois se houve uma história de amor antes, hoje eu vivo uma nova, fabulosamente boa. O que eu quis, tentei deixar claro foi que as palavras ditas no passado podem ser desditas, não tem valor no presente. Um passado existiu? Sim, claro! Se não tivesse existido eu não teria me casado. Mas não existe mais. E o que eu quero é viver o presente, não quero que o passado interfira no meu presente. Que fique apenas no passado. Creio que isso serve para qualque pessoa que já foi casada ou que teve um relacionamento de, digamos, quatro anos ou mais com alguém. É ilógico pensar que não houve paixão, amor, desejo. Mas, se acabou, é também ilógico pensar que não se pode amar, desejar, apaixonar de novo. E que ninguém deve ser julgado pelo passado. Esta é a chave do poema.

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IN DUBIO PRO REO

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